Luanda foi fundada por Paulo Dias de Novais: os Afrocratas mentem

Luanda foi fundada por Paulo Dias de Novais: os Afrocratas mentem

Escrevi a primeira versão deste artigo em 2022, reagindo a vários Afrocratas que negavam a fundação de Luanda por Paulo Dias de Novais, como Ruis Ramos no Jornal de Angola, Isidro Fortunato no Facebook e Felipe Vidal na TPA. Contudo, estamos em 2026, a celebrar os 450 anos da nossa cidade, e surge mais uma figura, desta vez na rádio MFM, a repetir a mesma falsidade, invocando uma suposta “controvérsia histórica” que simplesmente não existe. Estamos perante uma ideologia pseudo-intelectual, nociva para a inteligência nacional, conhecida como Afrocentrismo.

Os argumentos apresentados pelos Afrocratas para negar um facto histórico resumem-se, essencialmente, a três pontos: primeiro, que “Luanda” já existia; segundo, que já viviam pessoas em Luanda; e terceiro, que celebrar a fundação de Luanda constitui uma apologia ao colonialismo.


Luanda já existia?

A forma mais elementar e menos inteligente deste argumento afirma que a baía de Luanda já existia antes da chegada de Paulo Dias de Novais. Tal afirmação é obviamente absurda, pois fundar uma cidade não significa criar o espaço físico onde ela se localiza — a menos que se trate de um holandês a construir novas terras sobre o Mar do Norte.

Subindo ligeiramente na escala da inteligência, mas ainda abaixo do limiar do razoável, surge o argumento de que “viviam povos em Luanda”. Isso é inegável: Angola não era uma terra vazia, apenas pouco povoada. No entanto, a presença de habitantes não equivale à existência de uma cidade. Se assim fosse, qualquer município angolano seria automaticamente uma cidade. Um artifício retórico usado pelo entrevistado da MFM consiste em alegar que a zona de Luanda era “uma unidade administrativa onde não viviam pessoas”, o que é um contrassenso evidente: se não havia população, então não poderia existir uma cidade anterior à fundada por Paulo Dias de Novais.

Chegamos, por fim, à forma mais inteligível do argumento: a alegação de que existia uma povoação africana na zona de Luanda e que, por esse motivo, Paulo Dias de Novais não teria fundado realmente a cidade.

No entanto, sabe-se que não existiu em Luanda nenhuma cidade antes de Luanda, nem segundo os padrões portugueses, nem segundo os padrões bacongos. Durante os 92 anos que decorreram entre a chegada de Diogo Cão e a fundação de Luanda por Paulo Dias de Novais, nunca se mencionou a existência de uma Mbanza no local de Luanda, ao contrário do que sucedia com Mbanza Congo, Mbanza Soyo, Mbanza Mbamba, Mbanza Loango, entre outras. O conceito de Mbanza era o mais próximo de cidade segundo a perceção portuguesa da época: uma aglomeração permanente de vários milhares de pessoas, não exclusivamente agrícola, com atividades artesanais, comerciais, políticas e religiosas. Em contraste, uma aldeia era uma aglomeração de membros do mesmo clã, maioritariamente agrícola e, no contexto angolano da época, semi-sedentária, podendo ser abandonada em caso de ataque ou para a procura de novas terras de cultivo.


A aldeia da ilha das Cabras

Existiu, de facto, uma aldeia na ilha de Luanda, governada por uma representante do rei do Congo, cuja população se dedicava à pesca e à recolha de búzios (nzimbos), utilizados como forma de moeda. Contudo, esta aldeia não pode ser considerada um precursor de Luanda por duas razões simples.

Primeiro, porque, embora a ilha de Luanda seja hoje um elemento icónico da cidade, ela só passou a integrar estruturalmente Luanda nos anos 1940, com a construção de uma ponte. Antes disso, existia apenas uma fortaleza no extremo sul, destinada a proteger a barra da Corimba e a estação naval do esquadrão contra o tráfico de escravos combatido pela Marinha Real Britânica.

Segundo, a aldeia da ilha de Luanda e a recém-fundada cidade de Luanda coexistiram como entidades administrativa e politicamente distintas até, pelo menos, 1620. A partir dessa data, o rei do Congo perdeu a sua capacidade de influência sobre a ilha, substituindo inclusive os nzimbos por panos de ráfia do tipo libongos. A distinção entre as duas localidades é clara quando se observa que Paulo Dias de Novais passou um ano hospedado na ilha de Luanda, onde recebeu embaixadores do rei do Ndongo, antes de decidir construir a fortaleza no topo do Morro de São Miguel. Se “Luanda já existisse”, teria sido necessária uma batalha para conquistar essa suposta cidade.

Luanda definiu-se por características que não partilhava com a aldeia da ilha: a fortaleza no topo do Morro de São Paulo, a Cidade Alta, a Cidade Baixa e o porto na baía. A ilha de Luanda só passou a integrar este conjunto urbano no século XX.


Celebrar a fundação de Luanda é celebrar o colonialismo?

A fase final do argumentário afrocentrista, uma vez refutados os pontos anteriores, consiste em condenar a alegada “glorificação do colonialismo” implícita na celebração da fundação da cidade por um “colonialista português”. Independentemente dos méritos ou deméritos do colonialismo, estamos perante uma tentativa de negar factos históricos considerados desfavoráveis ao “seu povo”, o que equivale a uma recusa da própria realidade. O facto de a fundação de Luanda ter sido um ato colonial não altera em nada a sua veracidade histórica. Negar um facto por discordância ideológica aproxima-se do pensamento mágico, como o indivíduo que recusa aceitar provas evidentes por incapacidade emocional de lidar com a verdade. O bem e o mal fazem parte da história, e devemos desconfiar de qualquer narrativa que apresente o passado apenas de forma positiva.

Os Afrocratas escondem a sua intenção de manipular a história sob o pretexto de que ela já estaria “manipulada a favor dos brancos” para justificar o colonialismo, como se a superioridade militar e logística do Ocidente no século XIX necessitasse de legitimação moral. Na realidade, trata-se apenas de um reflexo da própria mentalidade afrocrata, que não encara a história como a sucessão de factos ocorridos, mas como um instrumento ao serviço de uma utopia ideológica.

Esta chamada “descolonização da História” reduz-se ao sofisma de que “não faz sentido a capital ser mais velha que o país”, repetido por Isidro Fortunato no Facebook, ou à afirmação de William Tonet de que “ANGOLA SERIA UMA GRANDE ABERRAÇÃO POR TER FILHOS MAIS VELHOS QUE A MÃE”. O mesmo autor lamenta ainda que Angola avance para o futuro sem uma independência “imaterial”, por ainda carregar “símbolos, sinaléticas, datas e nomes portugueses”. A pergunta impõe-se: quem deve definir os “novos símbolos”? Os Afrocratas, naturalmente — afinal, são eles que se arrogam o monopólio da definição do que é ser “africano”, esquecendo que a África existia antes de Angola.

Não se trata aqui de “defender os portugueses”, nem de assumir a condição de “negro assimilado”, como gostam de acusar os Afrocratas sempre que encontram um angolano que não partilha das suas ideias. Trata-se, simplesmente, de defender a verdade. Quem não respeita a realidade jamais respeitará os direitos dos seus semelhantes, estando já comprometido com uma estratégia de empobrecimento intelectual do público para alimentar o próprio ego e ascender socialmente. Por que razão deveríamos capitular e renunciar à nossa identidade angolana diante de tais pessoas?

Angola Road Trip 2025

Angola Road Trip 2025

Fazendo o que me diziam ser impossível: turismo pelas estradas que supostamente não existem

Uma viagem de mais de 2.000 km através de Angola

Estou fazendo o que me diziam ser impossível em Angola: turismo pelas estradas que supostamente não existem. Já percorri milhares de quilômetros, com direito a 50% de asfalto e 50% de terra batida, quase perdi um drone e me perdi em uma tempestade. Esta é a história da nossa viagem.

📍 O Percurso

  • Luanda → Uíge (Uaco Cungo) – 8 horas
  • Uaco Cungo → Cuito – 4 horas (264 km)
  • Cuito → Huambo – 3.5 horas
  • Huambo → Lubango – Via Caconda (com desafios)
  • Lubango → Namibe – Descida da Serra da Leba
  • Namibe → Benguela – Através do deserto

Luanda → Uaco Cungo: O Começo

O primeiro troço de Luanda para o Uaco foi feito em 8 horas, com a pior parte do troço por volta de Catete, porém já tem obras em curso e está muito melhor que o ano passado. A estrada foi de excelente qualidade e o número de buracos que não poderia evitar era baixo.

Estrada entre Luanda e Uaco CungoImage

Infelizmente tinha de cumprir agenda no Cuito, sendo que foi impossível explorar o Kwanza Sul, porém deu para visitar uma “pedrinha” impressionante. Os habitantes dizem que foi escalada por Americanos e que um antepassado conseguiu subir sem conseguir descer.

Formação rochosa no Kwanza Sul

A “pedrinha” do Kwanza Sul – quase 500 metros de rocha nua

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Descobertas no Uaco Cungo

No Uaco Cungo, Agostinho Neto foi escondido dentro do edifício da administração, em vez de estar no pedestal no parque. Seria fácil ver nesse fato uma rejeição ao Partido e à sua figura; porém, parece-me mais uma vitória do caos sobre a ordem, com um toque de vandalismo gratuito.

Parque vasto e sem iluminação, herdado de um tempo em que se valorizavam esses espaços e o conceito de arte pública. Agora, sem policiamento ostensivo, o fundador se esconde de sua própria criatura.

Uaco Cungo

Parque do Uaco Cungo: arte pública esquecida

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Foi irónico ver esta loja da Movicel ao lado de um telefone fixo da Angola-Telecom. O colapso da empresa foi tão rápido que ainda há telefones dentro da loja, sem qualquer valor.

Cuito: História e Contradições

Deixamos o Uaco e chegamos no Cuito no mesmo dia. Se tivéssemos partido de Luanda às 6 horas, teríamos chegado no mesmo dia antes do anoitecer.

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A História Ridícula de Silva Porto

No Cuito encontrei a história ridícula da estátua de Silva Porto, fundador da Cidade, comerciante, explorador e herói trágico, que foi substituída pela estátua de um rei africano declaradamente escravagista, até mesmo no folclore local.

A ironia histórica: A cidade antes nomeada em homenagem a seu fundador, passou a se chamar “Cuito”, o rio onde os soldados haviam sido amarrados, denominado de Kwitu, significando kwi (fortemente) e tu (todos), por Ekuikui I em suas guerras contra os Portugueses.

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A estátua de Silva Porto foi removida em 1975 e colocada no local de sua antiga residência. Uns anos atrás, roubaram o braço… pouco depois a estátua inteira de bronze desapareceu, provavelmente vendida a sucateiros e fundida. Assim se perde e destrói a história.

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Local da antiga casa de Silva Porto

Pilar que marca o local da casa de Silva Porto

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Jardim da “Pouca Vergonha”

Depois visitamos o Jardim da “Pouca vergonha”, onde duas estátuas de Bronze, representando mulheres nuas, uma Europeia e outra Africana, foram erguidas depois dos anos 60. Haveria possivelmente uma terceira estátua perdida.

Jardim da Pouca Vergonha

O Jardim da “Pouca Vergonha” no Cuito

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O Valor Dado à Educação

A biblioteca municipal do Cuito, destruída durante a guerra, continua em ruínas, enquanto a universidade de 4 andares que Zé Du mandou construir ficou apenas no papel, desviada pelo governo local, e o presidente ficou a saber no dia do corte de fita…

Ruínas da biblioteca municipal

Biblioteca municipal: o valor que damos à educação

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Memorial da Batalha do Cuito

Este sino foi a única coisa que restou da Catedral da Cidade de Silva Porto, pois Jonas Savimbi mandou destruir a mesma durante a batalha do Cuito. A Igreja Católica passou a ter as missas no Cine, tendo em fase de conclusão uma nova catedral arquitetonicamente infiel.

Sino da antiga catedral

O sino: único vestígio da catedral original

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A próxima paragem foi o Memorial da Batalha do Cuito, onde a cidade resistiu por 9 meses, enquanto o Huambo caiu em menos de 2, antes de um contra-ataque das FAA que destruiu as forças da UNITA. Savimbi, em represália pelo fracasso, executou seu próprio sobrinho, General Bock.

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Curiosidade: Nem tudo foi amargura, pois esta cidade fundada por um Português apoiado por Angolanos cansados do despotismo de seus sobas, tem como restaurante e discoteca de referência o “OPUTU”, de Mwene Putu, o rei de Portugal. Visitem com cuidado e evitem se apaixonar…

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Camacupa e o Centro Geodésico

Próxima paragem foi Camacupa, a caminho do centro geodésico de Angola, uma vila que ainda tem o edifício do BNA demolido pela guerra e uma bomba de gasolina das antigas esperando pelos devoradores de ferro velho.

Camacupa

Camacupa: vestígios de outro tempo

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O Centro Geodésico de Angola foi descoberto por uma expedição financiada pela Igreja Católica, marcado com uma estátua de Cristo Rei. Durante a guerra civil, a estátua foi metralhada e posteriormente substituída por uma cópia infiel. Casa do guarda e o WC encontram-se vandalizados.

Centro Geodésico de Angola

Cristo Rei no Centro Geodésico: cicatrizes de guerra

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Huambo: Cidade das Musas Perdidas

A viagem do Cuito para o Huambo durou pouco menos de 3.5 horas, com algumas paragens para ver os megalitos que lembram o Uaco Cungo. Aqui as motas de 3 rodas cumprem seu papel de meio de transporte rural e o número de toyotas antigos diminui.

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Megalitos

Megalitos pelo caminho: Angola para além do asfalto

No Huambo, ninguém conseguiu me explicar onde estavam as estátuas de Norton de Matos e suas Musas… temo que foram fundidas. Me consolei com uma visita ao museu onde encontrei bustos.

Museu do Huambo

Museu do Huambo: guardião da memória

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Um tanque dentro do qual cresceu uma árvore… a natureza sempre reclama o que é seu.

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A Tempestade e o Caminho para o Lubango

Huambo para o Lubango foi o primeiro percurso realmente difícil, por ter escolhido o caminho direto pela Caconda que me levou por uma via de terra batida entre Cuíma e Cuisse, porém já tinha trabalhos na via, que tinha parte do trajeto pronto para ser asfaltado.

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O momento mais crítico: Os problemas realmente iniciaram depois da Caconda, quando uma tempestade engoliu o asfalto. Nada se via a mais de 3 metros e o asfalto tinha aqueles buracos aleatórios. Por sorte chegei ao Caluquembe e passei a noite em um simpático hotel de 2 estrelas.

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Lubango: A Pérola do Sul

A estrada do Caluquembe ao Lubango foi perfeita, tirando alguns quilômetros desviados ao chegar à cidade por motivos de obra e o musseque inicial com trânsito lento. O centro histórico e nobre da cidade tinha um trânsito fluido e era mais lindo que Huambo e Cuito.

Lubango

Lubango: elegância no planalto

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Visitei o museu do Lubango, que tem uma vasta coleção de objetos Africanos, porém peca por não ter quase que nenhum objeto Português, como o do Huambo, porém tem estátuas monumentais e bustos. Aqui o Agostinho Neto está a salvo em público.

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Uma Observação sobre os Mendigos

Os mendigos do Lubango parecem ser outra espécie… Exibem uma teatralidade que beira o ridículo. Traje exagerado e a sujeira que parece maquiagem, só enganam quem quer ser enganado. O desejo do angolano de ser um bom samaritano, aliado à vontade de acreditar que o país vai mal, acaba por perpetuar a farsa.

Serra da Leba: O Ícone

Ao sair do Lubango, tive um encontro com mais um mendigo no miradouro da Serra da Leba. Seu truque consiste em dançar no meio da estrada, forçando os motoristas a parar e, assim, sentir-se obrigados a lhe dar algum dinheiro.

Serra da Leba

Serra da Leba: nervos à flor da pele e vistas de cortar a respiração

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Descer a Serra da Leba foi nas calmas e com os nervos à flor da pele. As poucas fotos que tirei foram depois de parar o carro em uma zona segura sem atrapalhar o trânsito.

Vi um burro pela primeira vez na vida e um Ucraniano pintou a bandeira de seu país na montanha…

Namibe: O Deserto e o Oásis

O percurso do Lubango a Moçâmedes foi em uma pista perfeita, permitindo 120 km/h em retas, porém deve-se ter cuidado com o gado que às vezes atravessa a estrada. Tenha sempre consigo água, alguma comida e todos os acessórios do carro – estas em um deserto.

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Deserto do Namibe

Deserto do Namibe: beleza selvagem

Farol do Sacomar

Visitei o farol do Sacomar, uma imponente estrutura de 20 metros de altura que está infelizmente em ruínas e em risco iminente de desmoronamento.

Farol do Sacomar

Farol do Sacomar: sentinela em ruínas

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Oásis do Curoca

Depois visitamos o oásis do Curoca, para ver a lagoa dos Arcos, uma alegria para quem percebe de geologia e um lugar mágico. O caminho de deserto é traiçoeiro e recomenda-se ter água e comida extra, GPS e tanque de gasolina cheio. Os habitantes são simpáticos – ofereci vinho.

Oásis do Curoca

Lagoa dos Arcos no Curoca: magia no deserto

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Hotel Moçâmedes

Me hospedei no hotel Moçâmedes, que é luxo com estilo e logo na marginal. As outras opções são mais caras e menos convenientes. Pertencente aos magnatas das pedras ornamentais Silva&Silva, tudo que poderia ser feito de madeira é feito de mármore no hotel: cama, mesas, etc.

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As festas do mar são um festival com eventos noturnos na marginal durante um mês, com exposições dos empresários da província do Namibe. Recomenda-se a visita. Um jantar no clube náutico e estávamos prontos para atacar o Tombwa.

O Troço Difícil: Namibe → Benguela

O percurso de Moçâmedes a Benguela tem um troço difícil de 60 km depois da Lucira, com terra batida com lombas que criam vibrações e montanhas. Perigoso e esgotante, mas perfeito se tiveres um Landcruiser. Jetour vai falecer aqui.

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Desafio máximo: Óleo caminho todo, podias apanhar tomates caídos de camiões carregados. Depois de atravessar um rio com tração, pegas um asfalto perfeito até Benguela, com apenas uma lomba traiçoeira e rebanhos de bois que atravessam o asfalto à vontade.

Terra batida entre Namibe e Benguela

60 km de pura adrenalina

O caminho era um deserto, porém tinha alguns rebanhos a pastar sob a guarda de nativos, que quase sempre faziam um pedido teatral por pão… Quando vários milhões de kwanzas em bois pastando.

Benguela e Lobito: A Realidade Urbana

A cidade de Benguela está dividida entre prédios dilapidados, habitados por moradores sem capacidade financeira ou desejo de fazer manutenção, e vivendas transformadas em escritórios e hospedarias. Tudo envolto de um musseque igual ao Malueca.

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A província de Benguela deveria ter sido dividida em duas, pois não é normal que as duas piores cidades de Angola estejam na mesma província, com os moradores das duas em contenda para decidir qual parte do desastre é a menos ruim.

Benguela é uma cidade sem semáforo com uma nuvem de cupapata que não respeitam as leis do trânsito e muito menos da física, fazem qualquer manobra que lhe bater à tela.

Lobito é uma versão piorada de Benguela, com uma quantidade ainda maior de motas, barrocas nas montanhas e musseques.

A Relação com o Passado

A relação de Benguela com seus monumentos do tempo dito “colonial” é de desdém e esquecimento. O monumento ao fundador da cidade teve o busto removido, as escritas apagadas e os habitantes nem sabem qual é seu significado.

Monumento em Benguela

Monumento ao fundador: memória apagada

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O monumento aos 350 anos da cidade foi rodeado de bonecos. Colocar Transformers no mesmo parque que celebra os 350 anos da cidade mostra falta de cultura local relevante.

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Reflexão final: Atribuir uma descrição de “colonial” ao monumento não ofusca o facto que Benguela foi uma cidade portuguesa fundada por portugueses antes de existir uma colônia.

Conclusões da Viagem

Esta viagem provou que o impossível é apenas uma questão de perspectiva. As estradas existem. Angola existe para ser descoberta. Pelos Angolanos.

Vi beleza e abandono. História e amnésia. Progresso e estagnação. Mas acima de tudo, vi um país que merece ser conhecido pelos seus próprios filhos.

O vídeo da DashCam será publicado nos próximos dias. As memórias já estão gravadas para sempre.

⚠️ Recomendações para Quem Quiser Fazer

  • Leve água e comida extra
  • GPS é obrigatório
  • Tanque sempre cheio
  • Kit de primeiros socorros
  • Pneu sobressalente (e saber trocar)
  • Carregador de telemóvel
  • Lanterna potente
  • Um bom companheiro de viagem
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Greve dos taxistas : Vandalismo em Luanda.

Sobre a greve dos taxistas

Os motivos da greve dos taxistas

O Governo retirou o subsídio aos combustíveis para evitar uma situação de falência técnica, pois gasta 3 mil milhões de dólares, ou seja, quase 10% do Orçamento, enquanto 50% das receitas servem para pagar dívidas correntes.

De modo a acalmar os sindicatos dos taxistas, o Governo concedeu um aumento da tarifa do táxi que compensa o aumento do gasóleo, sendo que, na verdade, aumenta as receitas dos taxistas.

O Sindicato dos Taxistas ANATA, a princípio satisfeito pelo aumento da tarifa, sentiu-se pressionado por actores políticos, “revús” e activistas, que os acusaram de serem “traidores”, e o presidente proclamou uma greve dos seus membros. Ou seja, a greve não teve motivação económica; teve uma motivação política, claramente enunciada pelo presidente da ANATA, que disse, em entrevista, que a greve de três dias eram “dias de reflexão, porque os taxistas também têm familiares que usam táxi”.

O desenrolar da greve

Entre as 6 e 7 horas do primeiro dia da greve, podia se ver taxistas (vulgo candogueiros), a circular pela cidade Luanda e ate mesmo os ditos lotadores, que ajudam a procurar passageiros e a preencher (lotar) os lugares dos taxis, a trabalhar nas paragens, porem notava se um numero reduzido de taxis, e isto eu vi pessoalmente na paragem dos Congolenses.

Entre as 7 e 8 horas, apareciam vídeos nas redes sociais com pessoas nao identificadas a atacar taxistas não afiliados à ANATA, depois carros turismo que estivessem a fazer servico de taxi, autocarros de empresas publicas e privadas de transportes, e ha ate mesmo o video de um motoqueiro a ser arremessado no chao por estar a levar um passageiros, finalmente, mesmo carros particulares eram atacados sob suspeita de praticar actividade de taxi, se tivesse mais de uma pessoa a bordo do carro. O que era inicialmente uma greve de filiados da ANATA se transformou em uma proibicao de taxi de no geral.

os ataques seguiam o modo operandi de uma turba de pessoa criar uma barricada humana a volta do vehiculo, impedindo que pudesse circular, e depois ameavacam os passageiros os intimando a descer, em casos extremos o vehiculo era apedrejado e queimado.

Grupos de pessoas passaram a atacar carros particulares que circulavam na via, sob suspeita de estarem a fazer táxi. Nas redes sociais, surgiram publicações de um “Fica em casa, teimoso sofre”, que constitui uma ameaça de violência, mesmo que dita como piada, pois que “aconselha a ficar em casa” ao mesmo tempo encorajava, de maneira explicita, actos de violencia contra pessoas.

A responsabilidade por estes actos de violencia, neste dia reside primariamente na ANATA, por falhar em esclarecer os seus membros e o publico em geral que a greve deveria ser voluntaria e apenas de seus filhados, o que levou a pessoas e grupos organizados a cometer os actos de violencia acima citados

Os acontecimentos do Golf 2

Com a ausência de transportes públicos e privados, as paragens estavam cheias de pessoas, umas caminhando a pé e outras simplesmente nas ruas a observar os grupos que impediam o transporte de passageiros. Depois de rechaçar a tentativa inicial da polícia de reabrir as vias e dispersar as primeiras barricadas, as pessoas transformaram-se em turba e atacaram diversas lojas de telemóveis, antes de saquear lojas com bens alimentares.

Os acontecimentos noutros pontos da cidade

Os acontecimentos noutros pontos seguiram o mesmo modus operandi: bloquear as estradas, ameaçar de morte os seguranças e saquear as lojas. Sabendo que os polícias e seguranças tinham munições limitadas, e que a polícia nunca conseguiria proteger todos os pontos, colocaram a morte em campo neste momento.

Resumindo: os acontecimentos do Golf 2 foram realmente espontâneos; porém, os acontecimentos nos outros pontos da cidade ocorreram apenas depois de os vídeos terem sido divulgados nas redes sociais e de os políticos assumirem a liderança política, dando um sentido político ao vandalismo e conferindo-lhe legitimidade como forma de protesto necessário e inevitável. Para evitar responsabilidade directa pelas consequências do vandalismo, insistiram que os actos eram inevitáveis.

O jornalista José Gama, em entrevista, tenta negar os factos, alegando que os protestos não foram incentivados pelas redes sociais, argumentando que a maioria dos vândalos eram crianças sem telefone. Porém, nos vídeos vêem-se pessoas de várias idades, e percebe-se que a informação das redes sociais foi depois difundida de boca em boca.

A reacção da polícia

Depois de saques espectaculares, a polícia adoptou uma postura mais agressiva contra os vândalos, não apenas protegendo as lojas, mas também entrando nos bairros e disparando à vista. Desde esse momento, a morte intencional de um vândalo em fuga ou a morte acidental de uma vítima inocente, como a senhora da CAOP, era inevitável.

Aproveitamento político e narrativas.

A narrativa adoptada pela oposição consiste em usar as causas remotas do vandalismo — as políticas do Estado — como causa imediata, e esconder a verdadeira causa imediata: o seu discurso de incitação e de justificação, que legitimou e incentivou os acontecimentos do segundo e terceiro dias.

No Facebook, o secretário para Informação do MEA, Tavares Gabriel escreveu que “Eles [jovens detidos por actos de vandalismo] não são vândalos, eles apenas tinham FOME”, e com Gilmarvio Vemba a republicar as palavras. O General Lukamba Gato disse: “O povo acordou e não voltará mais a dormir… entrámos na nova fase de luta política.”


Subida da Táxi: carência de matemática e excesso de ganância.

Subida da Táxi: carência de matemática e excesso de ganância.

O Ministro dos Transportes defendeu a subida da tarifa de táxi alegando que era necessária para cobrir os custos do combustível que pesa nas contas dos operadores dos transportes, porém me parece que estamos diante de um erro de aritmética básica.

O responsável da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) defendeu hoje que o Governo angolano teve de encontrar um equilíbrio no reajuste de preços dos transportes públicos, para não prejudicar nem as empresas nem os cidadãos.

Afinal, aumentar a tarifa em 50%, de 200 para 300, para cobrir um aumento de 33% do custo do litro de gasóleo já deveria despertar a suspeita de que a intenção do ministro de compensar a subida foi substituída por um aumento dos lucros dos taxistas … sendo grave que a decisão foi discutida, aprovada, publicada e criticada pelo público em geral sem que ninguém desse conta do lapso.

Vejamos, se presumirmos que um Hiace realize 24 corridas por dia, levando 12 passageiros, chega a faturar 345.600kz, dos quais 150.000kz constitui o lucro do patrão, e 130.800kz o salário do motorista, enquanto que o custo de combustível fica por 64.800kz por semana. Notem, preferi excluir o cobrador, trânsito e agentes de trânsito do cálculo, para fins de simplicidade.

Receitas e gastos diários de um táxi.

O lucro dos taxistas é sagrado?

Com o aumento do gasóleo para 400kz, o custo com combustível passa para 86.400kz, o que reduz o lucro do motorista em 21.600kz … sendo que o Ministro, que diz apenas querer compensar este aumento, decretou uma nova tarifa de 300kz por passageiro que resulta numa receita semanal de 518.400kz por semana, e se o dinheiro do dono do veículo for igual, numa receita de 282.000kz por semana para o motorista. Ou seja, ao invés de compensar uma perda de 21.600kz, o ministro decretou um aumento de 150.000kz de salário para os taxistas. Querem dizer-me que os motoristas de táxi iriam parar de trabalhar por conta de um corte de 21.600kz? Os donos falhariam em encontrar novos motoristas? Contem-me outra história!

Gastos e receitas de um táxi, tendo em conta tarifa e preço antigo versus o preço novo e tarifa nova.

Talvez a intenção tenha sido a de impedir um aumento selvagem dos preços, como foi visto em Viana quando um grupo de taxistas coordenou uma tentativa de cobrar 500kz por passageiros.

Bastava aumentar a tarifa para 215kz para cobrir o aumento do preço do gasóleo, porém parece que isto está acima da capacidade matemática de um ministério e país inteiro.

Porém o Estado deveria abster-se de proteger as margens de lucros dos motoristas de táxi, pois toda actividade económica tem de encontrar os seus preços no equilíbrio entre oferta e procura, pelo menos em um mercado constituído por pessoas honestas e racionais, o que infelizmente faz falta em Angola. Pois a existência de margens de lucro desta natureza deveria ter atraído mais capital, porém ninguém – a desonestidade dos motoristas Angolanos rechaçou os investidores, pois o carro está longe de amortizar o dinheiro despendido. Por isto que a maioria dos Hiaces a circular tem matrículas antigas e que as pessoas interessadas em investir em transporte urbano privilegiam o uso de aplicativos (Heetch, Yango).

Um pais sem Economistas.

Angola é um país sem economistas, são todos políticos incubados, pois nenhum deles até ao momento se dignou em apontar que um aumento da tarifa de táxi por passageiro em 50% diante de um aumento do custo do combustível por passageiro de não mais de 10%. Sendo que bastava um aumento da tarifa para 220 kz para compensar o aumento.

Os políticos Angolanos, na sua inépcia revolucionária, iriam provavelmente ignorar esta informação por estarem mais interessados a incitar a revolta do que procurar soluções para Angola. Por exemplo, a critica de ACJ a subida da tarifa se encaixa nisto, pois ele “critica o ‘timing’, a forma, a impreparação destas medidas”, “salientando que os aumentos dos combustíveis, da cesta básica, dos transportes, o aumento de outras coisas, retirou os ganhos dos aumentos salariais”, porem sem nunca tocar no ponto essencial da questão: deve o governo proteger os lucros dos taxistas ?


“Em nome do secretariado provincial do partido PRA-JA, em Luanda, exorto todos os membros, amigos e simpatizantes do partido mais inclusivo do pais na capital a participarem ordeiramente na manifestação”, diz uma nota do PRA-JÁ Servir Angola, assinado pelo seu secretário provincial de Luanda, Serafim Simeão.

O Partido Liberal (PL), liderado pelo activista Luís Castro, diz que a sua formação política estará presente na manifestação, com a concentração no Mercado do São Paulo, às 13:00.

“Apoio e estarei presente na manifestação do dia 12, organizada pela sociedade civil em Luanda. É tempo de nos unirmos, de forma pacífica e firme, para exigir os nossos direitos, defender a democracia e construir um futuro mais justo para todos os angolanos. A mudança começa com a nossa voz”, disse.
Porque seria mais fácil fazer o governo recuar e neutralizar o lobby dos Candogueiros, com este simples facto.

Para salvar Angola, cada pai precisa que seu filho pratique a tabuada todos os dias, quem sabe, assim teremos um ministério das finanças que saiba fazer contas em 2035

@roboredo1

Subida do Taxi em Angola: carência de matemática e excesso de ganancia Subida da Táxi: carência de matemática e excesso de ganância. O Ministro dos Transportes defendeu a subida da tarifa de táxi alegando que era necessária para cobrir os custos do combustível que pesa nas contas dos operadores dos transportes, porém me parece que estamos diante de um erro de aritmética básica. Afinal, aumentar a tarifa em 50%, de 200 para 300, para cobrir um aumento de 33% do custo do litro de gasóleo já deveria despertar a suspeita de que a intenção do ministro de compensar a subida foi substituída por um aumento dos lucros dos taxistas … sendo grave que a decisão foi discutida, aprovada, publicada e criticada pelo público em geral sem que ninguém desse conta do lapso. Vejamos, se presumirmos que um Hiace realize 24 corridas por dia, levando 12 passageiros, chega a faturar 345.600kz, dos quais 150.000kz constitui o lucro do patrão, e 130.800kz o salário do motorista, enquanto que o custo de combustível fica por 64.800kz por semana. Notem, preferi excluir o cobrador, trânsito e agentes de trânsito do cálculo, para fins de simplicidade. Com o aumento do gasóleo para 400kz, o custo com combustível passa para 86.400kz, o que reduz o lucro do motorista em 21.600kz … sendo que o Ministro, que diz apenas querer compensar este aumento, decretou uma nova tarifa de 300kz por passageiro que resulta numa receita semanal de 518.400kz por semana, e se o dinheiro do dono do veículo for igual, numa receita de 282.000kz por semana para o motorista. Ou seja, ao invés de compensar uma perda de 21.600kz, o ministro decretou um aumento de 150.000kz de salário para os taxistas. Querem dizer-me que os motoristas de táxi iriam parar de trabalhar por conta de um corte de 21.600kz? Os donos falhariam em encontrar novos motoristas? Contem-me outra história! Talvez a intenção tenha sido a de impedir um aumento selvagem dos preços, como foi visto em Viana quando um grupo de taxistas coordenou uma tentativa de cobrar 500kz por passageiros. Bastava aumentar a tarifa para 215kz para cobrir o aumento do preço do gasóleo, porém parece que isto está acima da capacidade matemática de um ministério e país inteiro. Porém o Estado deveria abster-se de proteger as margens de lucros dos motoristas de táxi, pois toda actividade económica tem de encontrar os seus preços no equilíbrio entre oferta e procura, pelo menos em um mercado constituído por pessoas honestas e racionais, o que infelizmente faz falta em Angola. Pois a existência de margens de lucro desta natureza deveria ter atraído mais capital, porém ninguém – a desonestidade dos motoristas Angolanos rechaçou os investidores, pois o carro está longe de amortizar o dinheiro despendido. Por isto que a maioria dos Hiaces a circular tem matrículas antigas e que as pessoas interessadas em investir em transporte urbano privilegiam o uso de aplicativos (Heetch, Yango). #Angola #Transporte economia

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Subida da Táxi: carência de matemática e excesso de ganância. O Ministro dos Transportes defendeu a subida da tarifa de táxi alegando que era necessária para cobrir os custos do combustível que pesa nas contas dos operadores dos transportes, porém me parece que estamos diante de um erro de aritmética básica. Afinal, aumentar a tarifa em 50%, de 200 para 300, para cobrir um aumento de 33% do custo do litro de gasóleo já deveria despertar a suspeita de que a intenção do ministro de compensar a subida foi substituída por um aumento dos lucros dos taxistas … sendo grave que a decisão foi discutida, aprovada, publicada e criticada pelo público em geral sem que ninguém desse conta do lapso. Vejamos, se presumirmos que um Hiace realize 24 corridas por dia, levando 12 passageiros, chega a faturar 345.600kz, dos quais 150.000kz constitui o lucro do patrão, e 130.800kz o salário do motorista, enquanto que o custo de combustível fica por 64.800kz por semana. Notem, preferi excluir o cobrador, trânsito e agentes de trânsito do cálculo, para fins de simplicidade. Com o aumento do gasóleo para 400kz, o custo com combustível passa para 86.400kz, o que reduz o lucro do motorista em 21.600kz … sendo que o Ministro, que diz apenas querer compensar este aumento, decretou uma nova tarifa de 300kz por passageiro que resulta numa receita semanal de 518.400kz por semana, e se o dinheiro do dono do veículo for igual, numa receita de 282.000kz por semana para o motorista. Ou seja, ao invés de compensar uma perda de 21.600kz, o ministro decretou um aumento de 150.000kz de salário para os taxistas. Querem dizer-me que os motoristas de táxi iriam parar de trabalhar por conta de um corte de 21.600kz? Os donos falhariam em encontrar novos motoristas? Contem-me outra história! Talvez a intenção tenha sido a de impedir um aumento selvagem dos preços, como foi visto em Viana quando um grupo de taxistas coordenou uma tentativa de cobrar 500kz por passageiros. Bastava aumentar a tarifa para 215kz para cobrir o aumento do preço do gasóleo, porém parece que isto está acima da capacidade matemática de um ministério e país inteiro. Porém o Estado deveria abster-se de proteger as margens de lucros dos motoristas de táxi, pois toda actividade económica tem de encontrar os seus preços no equilíbrio entre oferta e procura, pelo menos em um mercado constituído por pessoas honestas e racionais, o que infelizmente faz falta em Angola. Pois a existência de margens de lucro desta natureza deveria ter atraído mais capital, porém ninguém – a desonestidade dos motoristas Angolanos rechaçou os investidores, pois o carro está longe de amortizar o dinheiro despendido. Por isto que a maioria dos Hiaces a circular tem matrículas antigas e que as pessoas interessadas em investir em transporte urbano privilegiam o uso de aplicativos (Heetch, Yango). Angola Economia Taxi

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The Collapse of Buildings in Luanda: The Awakening of Kianda’s Desire, Between Review and Reflection.

The Collapse of Buildings in Luanda: The Awakening of Kianda’s Desire, Between Review and Reflection.

The Desire of Kianda (1995) is an allegory about the collapse of the social order in general, intertwining three collapses in its narrative: historical, social, and personal.

The story unfolds during the transition from the Single Party system to Multi-Party democracy in Angola, between 1988 and 1994. Although it was written in 1995, it contains almost prophetic elements about current events, which are actually existing trends that had not yet fully emerged. This demonstrates, in practice, the second theme of the book: the problem of knowledge in society.

The first collapse is historical because the buildings in Luanda, the largest and most visible material remnants of European order in Angola, start collapsing one after the other, with an increasing number of displaced residents. In the story, this is explained by Kianda’s desire from Kinaxixi Lagoon to escape to the sea, tired of the tomb created by the White Portuguese, who filled her house and placed a grave on it, built from the buildings surrounding the monumental statue of Victory Guiding the Portuguese and African Soldiers of World War I. In this allegory, perhaps two messages are conveyed: the first is the problem of the circulation of knowledge in Angolan society because, in the story, society only becomes aware of the problem, referred to as the “Luanda Syndrome,” when it is informed by the pages of the New York Times. Before that, each resident of Luanda might have heard about the building collapses, but it was only a fleeting moment in a world that exists only in the present, quickly forgotten in a past that seems almost contemporary with Christ. Therefore, thinking about the future is almost impossible. Knowledge requires an awareness of what is happening and why a phenomenon can occur over an extended period, some months or even years. It requires a society with people patient and dedicated enough to remember these moments. It’s not just about having “scientists”; in fact, in the plot, Angolan scientists are entirely useless, despite being cheaper than foreigners. They can’t even explain what is happening. Each one explains the situation based on their narrow field of study: the biologist thinks it’s bacteria, the politician believes it’s a CIA saboteur, the physicist sees gravity problems, and the pastor attributes it to the lack of tithing in his church.

The only person who could know, the writer, who observes trends and events, allowing for insight beyond the fleeting moment, and with the time to do so because he has the chance to have a sinecure, even if the one in the story is accidental and depends on an ugly woman, is stuck playing computer games. I had to check the publication date of the first edition because it seemed like he was describing today’s video game addicts. The only person who knows what is happening is a child who listens and tries to memorize Kianda’s terrifying song, revealing progressively throughout the story the second way to escape the fleeting moment but lacks references to understand its meaning. Later, she encounters an old man, representative of the knowledge of past African generations, which must necessarily be condensed into traditions, as the physical medium in which they are recorded, human brain memories, does not allow for the volume and precision of written text on paper. Despite fate bringing together these three bearers of knowledge, the child with magical intuition, the old man with condensed knowledge, and the writer capturing the essence of the time, the final disaster is not averted, and Kianda escapes.

If Pepetella had not chosen a humorous tone and reduced the weight of the story, for example, if the people occupying the collapsed buildings were miraculously spared any harm, this idea would have made an excellent horror story in the style of Patrick Nguema Ndong, if our protagonist had decided to appease Kianda with some human sacrifice. This was a missed opportunity to address the issue of the value placed on human life in Angola because when the couple ponders whether to leave their apartment, they know they are not in mortal danger. None of the collapses resulted in casualties; people floated magically to the ground. It would have been much more powerful if there had been a real risk of death and if it had been enough to justify abandoning their new belongings. Moreover, a woman miraculously escaped a building collapse that occurred on Comandante Valodia Street in 2023, carrying a baby in her arms, despite not being inside the building since it had been evacuated by firefighters. Human life is so cheap in Angola that the only concern about fatalities came from activists thirsty for some “government lie” they could use for political purposes.

In Angolan political commentary, it is often heard that the government should not demolish haphazard constructions because “they saw people building them,” as if the government or society knew something the way a person knows something, sometimes extending to other illegal activities. However, are there people in Angola who engage in the work of preserving knowledge?

Without this apprehension of knowledge beyond the moment and its transmission from one generation to the next, society forgets the solutions to its problems, leading to a gradual deterioration of its social and material environment, which later mysteriously collapses. In the case of Angola, the transmission was interrupted by independence and thwarted by anti-Portuguese propaganda, often abbreviated to anti-white, adopted by all the national liberation movements, even the one that had absorbed the most Portuguese culture, the MPLA, perhaps out of a hysterical reflex because they feared never being seen as legitimate by other Angolans, and they are still referred to as “assimilated” and “new colonizers” by their opponents in UNITA and Civil Society, the latter being a relic of the MPLA’s far-left resentment after the 27th of May. In the story, this primary antipathy against all things Portuguese surfaces in racist comments made by various characters and in the repetition of the same anti-colonial propaganda.

Due to this interruption in the transmission of knowledge, as evidenced in a chronicle by Pepetela about gardeners who

destroyed the trees on his street, even though they inherited a modern and well-built city, Angolans are incapable of maintaining it. Problems related to the management of a city were never addressed in African culture before. After all, we decided that the presence of those who knew was intolerable, given the 500 years of slavery, and so we did what we already knew how to do: build villages, but between buildings instead of baobab trees. The solution adopted by Dubai, to use oil revenue to build and maintain modern cities from scratch with foreign labor, would only hide the problem and create other absurdities because no one can know something by proxy. Pepetela prophesizes the series of building collapses in Luanda, which have intensified in 2023 due to lack of maintenance and misuse, such as storing and using electric generators inside buildings, causing vibrations that destroy and alter the apartment walls. Luanda’s apartment buildings are a kind of vertical slum, with up to two stories built on existing blocks constructed by the Portuguese before 1974.

One character explains the lack of maintenance due to the low value of the buildings, as residents received them for free and the state did not build them. Additionally, residents abused the buildings, although not mentioned explicitly, but implied in the wild renovations carried out by the protagonist’s wife, including wall modifications and building villas on the building’s terrace. The most complete manifestation of the problem is the disappearance of Kinaxixi Market, not due to a collapse but by the demolishing hammer in the hands of the daughter of the President of Angola. The idea that anything Portuguese is intolerable in public remains in people’s minds, with the statue of Liberty at Kinaxixi Square, flanked by Portuguese and Angolan soldiers fighting to defend Angola during World War I, being replaced by a Soviet tank, symbolizing the MPLA’s victory in the “Second National Liberation War,” when it won the battles of Kifandongo and Gabela. With the end of the Single Party, this event went out of memory and was replaced by a statue of Njinga Mbande because the country needed new, distinctly African heroes.

However, the daughter of the President of the Former Single Party, who was alive during the Second National Liberation War, decided to demolish Kinaxixi Square and Market in 2008, replacing it with a shopping mall, the monument to the new National Symbol. There is no cultural transmission even within the first family of the country; what hope is there for those lower down? Perhaps there is no place for squares in Angola’s urban vernacular, as these squares are often occupied or closed to the public by fences, as is the case with the Municipal Administration Square in Viana. The Soviet tank’s hull and Njinga Mbanda’s statue were placed in the Museum of the Armed Forces within São Miguel Fortress, where the Portuguese statues that adorned Luanda before 1974 are hidden.

This is not meant to be a “critique” in the Angolan sense of the word, which involves saying negative things to gain political advantages, but merely to note that there is no continuity in the Angolan memory. There is a fear that, in the near future, as we move to another era, the symbols of the Third Republic will also be erased in the name of manifesting the power of the present, free from any ties or obligations to the past. Luanda is actually a field of ruins, but instead of being covered in lianas like Angkor Wat, it is covered by concrete from the new residents’ constructions. In a few more decades, it will disappear.

To the first historical collapse, a second social collapse is added, which is rarely discussed in Angolan society. While the single-party society in Angola may not have been perfect, it at least functioned within the limited area under the government’s real control and because it was applied to a smaller and minority population at the country level. During the time of the Single Party, there was free public transport for children, a friend once told me. Now, the government can’t even handle this seemingly simple matter, although the scale of Angolan society under government control has increased by several orders of magnitude. Much is said about the 1992 war, but its consequences are seldom discussed due to the suspicion that it’s just an excuse to cover up the incompetence and theft of the ruling party, the MPLA. If you’re from the MPLA, an Angolan with eyes gleaming with hysteria might ask you. However, Pepetela clearly captures the effects of this 1992 decision, even if he misses the opportunity to portray them more vividly, as it represents the fall of a social and moral order. The old codes are no longer valid, and new ones must be adopted hastily as people do everything for survival because they fear that UNITA will take the cities.

In Angola, we avoid discussing UNITA’s role in the destruction of culture and social fabric, in part because people reflexively suspect that such a conversation is just MPLA propaganda, wanting to cover up everything under the pretext of war. This reflex may not be entirely irrational, and the MPLA is certainly guilty of propagandistic abuse. However, by creating the war situation in 1992, which was not inevitable and was consciously chosen by Savimbi, UNITA introduced several negative aspects into the national culture: the cult of machine-like leaders, an abundance of dollars, numerous generals, ostentation, and perhaps even the bordellos, in its attempt to prove its power within the capital.

This situation was made possible by the decision of one man, Jonas Malheiro Savimbi, but it is extremely disrespectful to subject him to any kind of criticism or scrutiny, even if it were mild and not of Angolan origin, because the country needs a hero. I don’t know what Angola would have been like without the 1992 war, but it is clear that it was the key moment for consolidating and crystallizing the different components of the national culture.

In addition to the first historical and second social collapses, a third personal collapse occurs in the case of the Evangelista couple, composed of Deputy Carmen and Pacheco Evangelista. In the end, the trust they had in each other is shattered, and what seemed to be mere coincidences reveal themselves as breaches of trust and lies.

Unfortunately, Pepetela has a touch of bad taste and childishness, which would be explicitly revealed in the “Jaime Bunda” series, even if it was perhaps a sacrifice made on the altar of national foolishness with the hope that his books would indeed be read because he really wants to tell us something important. He lives his destiny as a writer and his duty to remember society. The book has various prophetic moments, such as suggesting the growth of the LGBT movement in Angola with a humorous mention of a couple consisting of a minister and a singer. It anticipates the Angofoot phenomenon, where people want to make millions without doing anything, and the phenomenon of hysterical civic activism: they don’t want to know what causes their suffering, they just want to end the suffering, even if it means destroying the little social order that remains. In the book, the moral destruction of sexual morality for political change occurs through a nudist protest. Doutoramania and “No que tange” also make an appearance in the book when two lawyers, more concerned with their words than with reality, continue their debate amid a collapsing building.

The useless scientists humorously presented in Pepetela’s narrative manifest in reality. It is likely that what was pompously called a “work,” a book coordinated by architect Isabel Martins, architects Roberto Machado, Maria João Grilo, and Isabel da Silya Martins, with the collaboration of over 200 architecture graduates from the University Agostinho Neto’s Architecture Department, published in 2010 with the title “Arquitectura de Luanda,” dealing with architecture from the 17th to the 19th centuries, with a focus on military, religious, residential, and public architecture, does not match the quality of the study done by Spanish researchers from the University of Alcalá on the same subject, “La Modernidad Ignorada: Arquitectura Moderna En Luanda.”

Not because the Spanish are smarter or wealthier, the only ingredient to improve education according to Angolans, but because nobody seriously studies what they despise. Many times, we ignore what we despise, especially when it only matters as a scapegoat for hatred, contrasting our virtues. Remember the Old Man and the Girl who heard the siren? His story didn’t pique our protagonist’s curiosity because he was in a hurry to get back to his computer games. In this sense, without a curious spirit, intellectual activity itself is just a ritual, and the protagonist was seen as erudite by the community when, in fact, he was just conquering Babylon in some predecessor of “Age of Empires.”

This disregard for the past might be a contamination from Portuguese culture. Portuguese culture in the years leading up to Angola’s independence, in which the Angolan elites were educated, rejected its own history in the name of progress and the power of the present generation to shape the future without embarrassment. This idea of the tyranny of the present is presented in the Brazilian context in Olavo de Carvalho’s book “O Futuro do Pensamento Brasileiro.”

This manifested in architecture as well, for example, with the Prenda neighborhood. It was called Neighborhood Unit No. 1 of the Precol Cooperative, now the Prenda neighborhood, designed by Fernão Simões de Carvalho and Luiz Taquelim da Cruz (1963-1965). Organized according to Le Corbusier’s “7V” system, the neighborhood combines different typologies for different social and ethnic groups. However, no one found it necessary to consult the members of these different groups to see if they were interested in coexisting in the same space and for how long. Portuguese inhabitants fled as soon as the Portuguese Armed Forces withdrew from Angola. And Angolans who triumphantly occupied the buildings, those who rose to the middle class, abandoned their apartments, despite being located in downtown Luanda, unable to bear the insecurity of the surrounding musseques.

In any case, Le Corbusier did not imagine so many poor people. Some fled to the city’s peripheries, known as “Luanda-Sul,” a location in Pepetela’s book. And others followed the same path as the Portuguese, buying houses and apartments in Lisbon. Meanwhile, the Prenda buildings are showing imminent signs of collapse, as of April 2023.

It would be easy if it were just an “elite” problem. Ordinary people don’t want to hear complex stories about green zones or reserves. Vacant land is for building, and if luck gives them money, the building’s terrace is also land.

Most of Luanda’s modern colonial apartment blocks were built between 1950 and 1970. The rapid deterioration under Angolan ownership and public administration is mirrored in the centralities built by China: clogged pipes used as garbage dumps and channels for water with food, open taps causing flooding and leaks, unauthorized construction destroying load-bearing walls and causing vibrations. Sometimes, the problem of Dubai arises when the Chinese use a sewage system that works well in their country but quickly cracks and is unable to handle the rain in Luanda.

This does not mean that “The Desire of the Kianda,” this desire to return to the African essence of Angola, is entirely a bad thing, but we want to live with the benefits and conveniences

brought to the country by European colonists. There is also a reactionary character to this trend because, although the Portuguese might have been able to leave, their technology and culture could not be killed. The Angolan language is less Angolan than ever, a mixture of urban Portuguese, Portuguese colonial Creole, and Brazilian Portuguese.

The new generation will grow up accustomed to a way of life that was once considered extraordinary, believing that not everyone could afford to consume the same things, but that it was a demonstration of the power of the MPLA, who got away with anything, even in front of everyone. In 2008, you saw the powers of the President’s daughter. This explains why Pepetela presented the characters with exclusive game consoles; in Luanda, only a few people can have something that millions of people have. In fact, all video games belong to the public, the game console is a private product, as an economic class distinction. The highest level of modern Angolan existence is to live like a millionaire; these people who have everything, a car, multiple video game consoles, clothing, shoes, mobile phones, and in reality, they may indeed be millionaires but it doesn’t matter. It doesn’t matter if an object is valuable, useful, or whether they deserve it, and it’s possible that a person only plays video games and has no time for anything else. At the same time, the protagonist’s wife continually interrupts her activities to check her text messages, but you never see her engaging in a significant activity, but one that can be interrupted at any time to do something else or to do something different. The character in the story plays “Age of Empires” until he destroys himself in the game. He thought he was tired of his wife and children. In the end, he realizes he is tired of himself and retires to bed, not because he wants to sleep, but because it is the most consistent place. The life he thought he led was just an illusion. It’s possible that the love between him and his wife was never so strong, only in his head, and his wife is a better and more loving person than he deserves. He expected something that his wife was incapable of delivering, which is to follow him in his love for technology and video games. In this sense, the characters are modern.

Modernity can be understood as an opposition to tradition, but it doesn’t mean that someone who plays the same games as the characters can also build the same life. This is because they, the characters, are depicted in a way that reflects their time, even if it is not something for all players of the game. If the game is just a game, you have to ask yourself why the “Desire of the Kianda” author uses an allegory about computer game addiction to criticize current values and social life. Pepetela introduces the problems with the behavior and values of Angolan society in the same way as it’s seen in the game, as a challenging and complex problem for all, not just for one group or the other. The characters live in a world filled with technology and believe they have advanced, leaving behind the life of their parents’ generation. Pepetela might say to this generation, “Actually, nothing has changed.” The apartment collapses. The fact that the character plays video games is not negative but an element of character development. Pepetela’s moral critique is about character development and not about computer games. The only thing that Pepetela is certain of is that there must be limits and that the characters must consider other things in life and themselves. Computer games, video games, and any other objects in the character’s life are irrelevant, and they don’t have the ability to lead to personal happiness.

The story also highlights the psychological collapse of the characters. While they experience their personal crisis due to the building’s collapse, they also experience a crisis in their relationships. It’s an interesting metaphor for the larger crisis in society. As they struggle with their own internal issues and challenges, the external environment, represented by the collapsing buildings, mirrors their internal chaos. This can be seen as a commentary on how personal and societal issues are interconnected and how the personal choices and challenges of individuals impact the larger social fabric.

“The Desire of Kianda” is a complex and thought-provoking work that raises important questions about society, culture, and individual choices. It uses allegory and satire to explore these themes, making it a rich and engaging piece of literature. Pepetela’s skillful storytelling and deep insights into Angolan society make this book a valuable contribution to contemporary African literature.

In conclusion, “The Desire of Kianda” by Pepetela is a multi-layered and thought-provoking novel that delves into the collapse of buildings in Luanda as an allegory for the collapse of the social order. Through its narrative, the book explores the historical, social, and personal collapses, and it offers a critical examination of Angolan society, its values, and its challenges. The story is filled with humor, satire, and allegorical elements, making it a compelling and thought-provoking read. Pepetela’s work is a valuable contribution to African literature, and it encourages readers to reflect on the complexities of contemporary society and culture.

You read the book here:

https://archive.org/details/odesejodekiandar0000pepe/mode/1up?view=theater…

This is a ChatGPT Translation of an original Portuguese article of mine: https://roboredo.home.blog/2023/05/02/os-desabamentos-de-predios-em-luanda-o-despertar-do-desejo-da-kianda-entre-resenha-e-reflexao/

Manifestação de 17 de Junho: Os manifestantes são os únicos que têm direitos?

Manifestação de 17 de Junho: Os manifestantes são os únicos que têm direitos?

Primeiro gostaria, na qualidade de cidadão privado, lamentar que não foram amplamente divulgados os nomes dos Agentes da Polícia Nacional que morreram cumprindo o seu dever, em defesa da Lei, nos últimos motins que aconteceram em Angola. Que suas almas descansem em paz e que seus assassinos sejam castigados.

Na sequência da manifestação ocorrida no dia 17 de Junho de 2023, pergunto-me se os manifestantes são as únicas pessoas com direitos humanos em Angola?

Parece estranho fazer esta pergunta já que todo mundo está focado nos direitos, alegados e reais, dos manifestantes, mas apenas porque adquirimos o mau hábito de confundir o consenso com a verdade e porque é mais agradável seguir a bala, e acariciar o cão no sentido do pelo. Afinal, não se podem criticar quem luta pelo bem, ou pode ser vítima da pergunta fatal: “És do MPLA?”.

Os manifestantes Revu comportam-se como se a necessidade de notificar o Estado fosse uma imposição ditatorial que limita o seu suposto direito a manifestar-se de modo ilimitado e sem restrição, porque eles não pensam no direito dos outros cidadãos, ironicamente no mesmo momento em que juram lutar por todos. Eles partem de leitura propositadamente analfabeta da lei e fingem incompreensão, porem esta claro.

As manisfetações não carecem de notificação e autorização de modo geral (por exemplo em comicios, etc), excepto em espaços publicos porque existem outros Angolanos que também tem direitos, aqueles que escolheram não ir na manifestação, têm o direito de circular na cidade e realizar as suas atividades, e seus direitos merecem ser protegidos. Os Revu citam o primeiro paragrafo, manifestação em espaços privados, e o aplicam ao segundo caso, manifestação em espaços publicos, não sei se por analfabetismo funcional ou manipulação consciente.



Isto é uma forma de escolher que é muito mais prática e real do que votar, em que teu voto tem apenas um poder estatístico potencial, porém este primeiro direito de escolha é negado pelos defensores da “democracia”, enquanto que se arrogam o direito de tomar como reféns cidades inteiras em qualquer dia que lhes apetecer.

As respostas dos manifestantes Revu a perguntas sobre os direitos das pessoas que não se manifestam têm sido, primeiramente, descontar estas reclamações como sendo de burgueses de classe média que “querem ir à praia”, como disse o Luaty Beirão durante os protestos de 2020. Em segundo lugar, alegam que estão a lutar por todos e por isso têm o direito de se sobrepor à vontade dos outros angolanos. Em terceiro lugar, dizem que quem reclama é “um beneficiado do sistema”. Alguns até vão te pedir para “não falar, para colaborar”. Por ventura, têm medo de que as pessoas não concordem com seus argumentos, porém, em vez de os convencer, tentam intimidar quem pensa de modo diferente para se calar.

São supostamente pela liberdade de opinião, mas qualquer pessoa que tenha uma opinião fora da linha dos Revu é membro do Gabinete de Ação Psicológica, ou a nova modinha que importaram do Brasil: milícia digital.

Talvez as pessoas não concordem contigo porque não têm a mesma visão extremista do mundo, em que és o bem santo e o MPLA é um demônio, porque não

concordam com os teus métodos, ou por acharem que o MPLA esteja certo nesta medida em particular. Estas opiniões são válidas, e és livre de tentar convencer quem as tem, porém, infelizmente a tendência tem sido de intimidar e insultar quem não concorda com os manifestantes Revu.

Se notaram, a mesma retórica e método de agir é usada pelos moto-taxistas e taxistas quando fazem seus protestos: por terem algo a reclamar, auto-proclamam-se líderes, impedem os colegas de trabalhar, sob risco de agressão física, fecham estradas e até impedem pessoas singulares de transportar pessoas em seus carros. As pessoas acham que protesto só acontece quando causa distúrbios e incômodo ao próximo.

Quem os designou para “lutar pelo bem de todos”? Quem os elegeu e quando? Por que sua definição de bem é superior à dos outros angolanos? Ao que sei, o Governo explicou a sua decisão de subir o preço do combustível, sendo que cabe a cada cidadão pensar se aceita ou não, aliás, alguns até podem apoiar esta decisão, e exprimir esta opinião com seu direito ao voto, com seu direito de participar no discurso público ou manifestar. Direitos estes que são tomados como reféns pela turma do “Povo no Poder”, uma paródia do “Em nome do Povo”, que levou o MPLA a cometer erros e injustiças no passado, mas que desta vez vai dar certo porque os revolucionários atuais são mais bonitos?

O que é um protesto pacífico?
Segundo os nossos manifestantes Revu, basta que uma manifestação seja anunciada como sendo pacífica para que seja pacífica, como um bom marido precisa apenas anunciar que não vai bater na mulher no dia do casamento para decidir que o lar não tem violência doméstica. A manifestação é pacífica se não acontecerem atos de violência no decorrer da mesma, contra outros cidadãos e contra a Polícia. Estes atos incluem: impedir o trânsito ao andar no meio da estrada ou criar barricadas, pois limita o direito dos outros cidadãos de andar pela cidade, atacar a polícia com pedras ou outros objetos, queimar pneus pois destrói a propriedade pública e interdita o trânsito, etc. Todos estes atos aconteceram durante os protestos contra o aumento do preço da gasolina e, por isso, estes protestos foram violentos.

Quando estas manifestações são anunciadas, centenas de empresas dispensam seus colaboradores e encerram seus serviços, não porque têm medo da polícia, mas sim dos manifestantes, que juram ser “pacíficos”.

Resumindo:
A manifestação não é um direito ilimitado e unilateral, tem responsabilidades também.
Manifestação é legal se:
1- As autoridades são notificadas.
2- Nenhuma ilegalidade é cometida no decurso da mesma.

Os direitos dos manifestantes não são superiores ao direito dos que escolhem não participar na manifestação, porem os Revu tem medo de sair da narrativa do heroísmo revolucionário, é a zona deles de conforto, só que nos, o resto da população, temos o direito de escolhar um modo de fazer politica sem radicalismo e destruição.

Os desabamentos de prédios em Luanda: o Despertar do Desejo da Kianda, entre resenha e reflexão.

O Desejo da Kianda (1995) é uma alegoria sobre o colapso da ordem social de modo geral, entrelaçando três colapsos na sua narrativa: histórico, social e pessoal.

A história se desenrola no período de transição do sistema do Partido Único para o Multipartidarismo em Angola, entre 1988 e 1994. Apesar de ter sido escrito em 1995, tem elementos quase proféticos sobre acontecimentos do presente, que são na verdade tendências já presentes e que ainda não tinham chances de florescer. Demonstrando na prática o segundo tema do livro: o problema do conhecimento na sociedade.

O primeiro colapso é de ordem histórica, pois os prédios de Luanda, os maiores e mais visíveis vestígios materiais da ordem europeia em Angola, passam a ruir sem que ninguém saiba por quê, um atrás do outro, com um número maior de desalojados. Na história, isto é explicado pelo desejo da Kianda da lagoa do Kinaxixi de escapar para o mar, cansada do túmulo feito pelos Brancos Portugueses, que entulharam sua casa e colocaram uma campa sobre ela, construída de prédios que cercam a monumental estátua da Vitória Guiando os Soldados Portugueses e Africanos da Primeira Guerra Mundial. Há nesta alegoria talvez duas mensagens: a primeira é o problema da circulação do conhecimento na sociedade angolana, pois, na história, a sociedade só se apercebe da existência do problema, chamado de “Síndrome de Luanda”, quando este foi informada pelas páginas do New York Times. Antes disto, cada luandense até poderia ter notícia do desabar do prédio, porém era apenas no momento fugaz, em um mundo que só existe no presente, rapidamente esquecido em um passado que parece quase contemporâneo de Cristo, e por isso pensar no futuro é quase impossível. Conhecer requer ter consciência do que está acontecendo e por que um fenómeno pode acontecer ao longo de um tempo dilatado, alguns meses ou mesmo anos, requer que a sociedade tenha pessoas com a paciência e a dedicação para guardar estes momentos todos. Não se trata apenas de ter “cientistas”; aliás, na trama, os cientistas angolanos são perfeitamente inúteis, apesar de terem a virtude de, pelo menos, serem mais baratos que os estrangeiros, e não conseguem sequer explicar o que está a passar. Cada um explica o que se passa usando da monomania de sua área de estudo: o biólogo acha que é uma bactéria, o político que é um sabotador da CIA, para o físico problemas de gravidade e claro que para o pastor é ausência de dízimos no cofre de sua igreja.

A única pessoa que poderia saber, o escritor, que é o observador das tendências e dos eventos, permitindo a sua intelecção além da fugacidade do momento, e com o tempo para fazê-lo porque tem a chance de ter uma sinecura, mesmo que a da história seja acidental e dependa de uma mulher feia, está preso em vídeo jogos de computador e tive que verificar a data de publicação da primeira edição porque parecia que ele descrevia os viciados de hoje em dia. A única pessoa que sabe o que está acontecendo é uma criança que ouve e tenta memorizar o canto aterrorizador da Kianda, revelando progressivamente ao longo da história, a segunda forma de escapar da fugacidade do momento, mas não tem referências para perceber seu sentido. Depois, ela cruza um velho, representante do conhecimento das gerações passadas africanas, que são necessariamente condensadas em tradições, pois o suporte físico em que são registadas, as memórias no cérebro humano, não permite o volume e a precisão do texto escrito em papel. Apesar do destino juntar estes três portadores do conhecimento, a criança portadora de intuição mágica, o velho do conhecimento condensado e o escritor que captura a essência da época, o desastre final não é evitado e a Kianda escapa.

Caso o Pepetella não tivesse optado por um tom humorístico e tivesse reduzido o peso da história, por exemplo, as pessoas que ocupam os prédios desabados são magicamente poupadas de qualquer moléstia, esta ideia daria uma excelente história de horror do estilo de Patrick Nguema Ndong, se o nosso protagonista decidisse apaziguar a Kianda com algum sacrifício humano. Isso foi uma oportunidade perdida de falar do tema do valor que se dá à vida humana em Angola, pois quando o casal pondera se deve abandonar o apartamento, sabem que não correm risco de vida, pois nenhum dos desabamentos causou vítimas, as pessoas flutuam magicamente para o chão. Teria sido muito mais poderoso se houvesse um risco real de morte e se este fosse suficiente para justificar abandonar seus novos bens de consumo. Além disso, uma mulher escapou milagrosamente do desabamento que aconteceu na rua Comandante Valodia em 2023, carregando um bebê ao colo, sem se saber o que fazia dentro do prédio sendo que este tinha sido evacuado pelos bombeiros. Aliás, a vida humana é de um preço tão baixo em Angola, que a única preocupação com vítimas mortais era dos activistas que estavam sedentos por alguma “mentira do governo” que pudessem usar para fins políticos.

Muitas vezes se ouve no comentário político angolano que o governo não deveria demolir construções anárquicas porque “viram as pessoas a construir”, como se o governo ou a sociedade conhecesse algo como uma pessoa sabe algo, estendendo-se às vezes a outras actividades ilegais. Porém, existem em Angola pessoas que fazem o trabalho de memória que permite conhecer o que se passa?

Sem essa apreensão do conhecimento, além do momento, e sua transmissão de uma geração a outra, a sociedade esquece as soluções para os seus problemas, o que leva a uma progressiva deterioração de seu meio social e material que depois desmorona misteriosamente. No caso angolano, a transmissão foi interrompida pela independência e impedida pela propaganda anti-portuguesa, muitas vezes abreviada em anti-branca, adoptada por todos os movimentos de libertação nacional, até mesmo aquele que mais tinha absorvido a cultura portuguesa, o MPLA, talvez por um reflexo histérico pois temiam nunca serem vistos como legítimos pelos outros angolanos, e aliás ainda são chamados de “assimilados” e “novos colonos” pelos seus adversários da UNITA e da Sociedade Civil, esta última vestígio da extrema-esquerda do MPLA ressentida pelo 27 de Maio. Na trama, essa antipatia primária contra o que é português aflora nos comentários racistas deste ou daquele personagem, e na repetição da mesma propaganda anticolonial.

Devido a essa interrupção na transmissão de conhecimento, evidenciada em uma crónica de Pepetela sobre jardineiros que destruíram as árvores de sua rua, embora tenham recebido como legado uma cidade moderna e bem construída, os angolanos são incapazes de mantê-la, pois os problemas inerentes à gestão de uma cidade nunca foram enfrentados antes na cultura africana. Afinal, decidimos que a presença de quem sabia era intolerável, afinal, são 500 anos de escravidão, e por isso fizemos o que já sabíamos fazer: construir aldeias, só que entre prédios em vez de imbondeiros. A solução adoptada pelo Dubai, de usar a receita petrolífera para construir e manter cidades modernas do zero com mão de obra estrangeira.

Iria apenas esconder o problema e criar outros absurdos, pois ninguém pode saber algo por procuração. Pepetela anuncia profeticamente os desabamentos em série dos prédios de Luanda, que se intensificam agora em 2023, tanto pela falta de manutenção, quanto pelo abuso, como por exemplo armazenar e usar geradores eléctricos dentro do prédio, causando vibrações que destroem e alteram as paredes dos apartamentos. Os prédios de apartamentos de Luanda são uma espécie de favela vertical, com até dois andares construídos sobre blocos existentes construídos pelos portugueses antes de 1974.

Um dos personagens explica a ausência de manutenção devido ao pouco valor dos prédios, pois os moradores os receberam de graça e o Estado não os construiu, assim como pelo abuso dos moradores do prédio, não mencionado explicitamente, mas implícito nas loucas obras feitas pela mulher do protagonista, que incluiu modificações de paredes e construção de vivendas no terraço dos prédios. A manifestação mais completa do problema é o desaparecimento do Mercado do Kinaxixi, não por desabamento, mas pelo martelo demolidor nas mãos da filha do Presidente de Angola. Plantada na mente a ideia do anti-lusitanismo e elevado o colonialismo a condição de mal absoluto, seguiu-se logicamente que não fazia sentido “tolerar” seus símbolos em público, sendo que a estátua da Liberdade do Largo dos Kinaxixi, ladeada dos Soldados Portugueses e Angolanos que lutavam para defender Angola durante a Primeira Guerra Mundial, foi retirada e substituída por um tanque soviético que representava a vitória do MPLA na “Segunda Guerra de Libertação Nacional”, quando venceu as batalhas do Kifandongo e Gabela. Com o fim do Partido Único, este evento “saiu da memória”, e foi substituída por uma Estátua de Njinga Mbande, afinal o pais precisava de novos Heróis Africanamente Africanos.

Porém a filha do Presidente do Antigo Partido Único, vivo quando se deram os quando da Segunda Guerra de Libertação Nacional, decidiu demolir o Largo e o Mercado do Kinaxixi em 2008, erguendo eu seu lugar um Shopping, o monumento ao novo Símbolo Nacional. Sendo que não há transmissão cultural nem na primeira familia do pais, que esperança que existe nas que estejam mais baixas. Talvez não haja lugar para largos no vernacular urbano de Angola, pois estes largos são muitas vezes ocupados ou fechados ao publico por meio de cercas, como acontece com o largo da Administração Municipal de Viana. A carcaça do tanque soviético e a estátua de Njinga Mbanda foram postas no Museu das Forças Armadas, dentro da Fortaleza de São Miguel, aonde estão escondidas as estátuas Portuguesas que adornavam Luanda antes de 1974.

Um artista capturou, com sombras, a transição do largo nos últimos 100 anos.

Não se trata aqui de uma “crítica”, no sentido angolano da coisa, que é dizer coisas negativas para ganhar vantagens políticas, mas apenas constatar que não existe permanência na memória angolana, e temer que, em um futuro próximo, se passarmos para outra era, os símbolos da Terceira República também sejam apagados, em nome de um desejo de manifestar o poder do presente, livre de quaisquer amarras e obrigações com o passado. Luanda é, na verdade, um campo de ruínas, porém, ao invés de estar coberta de lianas como Angkor Vat, está coberta pelo betão das construções de seus novos moradores, e em mais algumas décadas, desaparecerá.

Ao primeiro colapso histórico, adiciona-se um colapso social, que é poucas vezes discutido na sociedade angolana. Pois se a sociedade angolana do Partido Único não era perfeita, pelo menos funcionava dentro da área reduzida sob o controle real do governo e porque era aplicado a uma população menor e minoritária a nível do país. No tempo do Partido Único, tínhamos transporte público gratuito para crianças, me disse uma vez um amigo. Agora o governo não consegue fazer esta coisa tão simples, mas agora a escala da sociedade angolana sob controle do governo é maior, em várias ordens de magnitude. Muito se fala da guerra de 1992, mas pouco se fala de suas consequências por uma desconfiança que seja apenas desculpas para encobrir a incompetência e roubos do partido no poder, és do MPLA, vai-te perguntar um angolano com olhos brilhando de histeria. Porém, Pepetela capta os efeitos desta decisão de modo claro, mesmo que deixe passar a oportunidade de as mostrar de forma mais viva, pois esta representa a queda de uma ordem social e moral. Os códigos do passado já não são válidos, novos devem ser adotados às pressas e ao mesmo tempo que as pessoas fazem tudo pela sobrevivência porque temem que a UNITA irá tomar as cidades.

Em Angola, evita-se discutir o papel da UNITA na destruição da cultura e do tecido social, em parte porque reflexivamente as pessoas desconfiam que tal conversa seja apenas propaganda do MPLA, que quer se desculpar de tudo sob a desculpa da guerra, não que este reflexo seja de todo irracional e o MPLA seja culpado de abuso de propaganda. Porém, ao criar a situação de guerra em 1992, que não era inevitável e foi conscientemente escolhida por Savimbi, introduziu na cultura nacional vários aspectos negativos: o culto dos chefes máquinas, dólares em abundância, os generais às pencas, ostentação e talvez até mesmo o bordel, na sua tentativa de provar o seu poder dentro da capital.

Esta situação foi possível pela decisão de um homem, Jonas Malheiro Savimbi, porém é uma extrema falta de respeito passá-lo por qualquer processo de crítica, mesmo que seja branda e não angolana, pois o país precisa de um herói. Não sei como teria sido Angola sem a guerra de 1992, porém é evidente que foi o momento chave para liquidar e cristalizar os diferentes componentes da cultura nacional.

Ao colapso histórico e social, junta-se um terceiro, o pessoal, no caso do casal Evangelista, composto pela Deputada Carmen e pelo Pacheco Evangelista. No final, a confiança que tinham um no outro é quebrada e o que parecia ser apenas coincidências se revela em traição de confiança e mentiras.

Infelizmente, Pepetela tem um pouco do mau gosto e infantilismo que iria se revelar de forma explícita na série “Jaime Bunda”, mesmo que seja talvez um sacrifício feito no altar da burrice nacional com a esperança de que seus livros fossem lidos, pois ele quer realmente nos dizer algo importante. Ele vive seu destino de escritor, seu dever de memória da sociedade. Aliás, o livro tem vários momentos proféticos, por exemplo, sugere o crescimento do movimento LGBT em Angola, com uma menção humorística a um casal constituído de um ministro e de um cantor. Antecipa o fenómeno Angofoot, em que queremos ganhar milhões sem nada fazer, e ainda o fenómeno do activismo cívico histérico: não quer saber o que causa seu sofrimento, quer apenas o fim do sofrimento, mesmo que seja pela destruição do pouco de ordem social que resta. No livro, foi por meio de um protesto nudista que liquida a moral sexual em nome da mudança política. A Doutoramania e os “No que tange” também fazem uma aparição no livro, quando dois doutores em Direito, mais preocupados com suas palavras do que com a realidade, continuaram seu debate em meio ao desabar de um prédio…

Os cientistas inúteis, apresentados humoristicamente na narrativa de Pepetela, manifestam-se na realidade, e vou arriscar uma aposta de que aquilo que foi pomposamente chamado de “obra”, um livro coordenado pela arquitecta Isabel Martins, os arquitectos Roberto Machado, Maria João Grilo e Isabel da Silya Martins, com a colaboração de mais de 200 finalistas do curso de Arquitectura do departamento da Arquitectura da Universidade Agostinho Neto, lançado em 2010 com o título de “Arquitectura de Luanda”, que trata da arquitectura entre os séculos XVII e XIX com destaque para a arquitectura militar, religiosa, residencial e pública, não tem a mesma qualidade do que o estudo feito por pesquisadores espanhóis da Universidade Alcalá, sobre o mesmo tema “La Modernidad Ignorada: Arquitectura Moderna En Luanda”.

Não porque os espanhóis sejam mais inteligentes ou porque tenham mais dinheiro, o único ingrediente para melhorar a educação segundo os angolanos, mas porque ninguém estuda seriamente aquilo que despreza, e muitas vezes ignoramos aquilo que desprezamos, especialmente quando aquilo nos importa apenas como estopim de ódio que sirva de contraste para a nossa virtude. Lembram do Velho e da Menina que ouviu a sereia? A sua história não despertou a curiosidade do nosso protagonista, que estava com pressa de voltar aos seus jogos de computador, ou seja, sem um espírito curioso, a própria actividade intelectual é apenas um ritual, e o nosso herói era tido como erudito pela comunidade quando, na verdade, estava apenas a conquistar Babilónia em algum predecessor do “Age of Empires”.

Talvez esse desprezo pelo passado seja uma contaminação da cultura portuguesa, não no sentido de desculpa de mau pagador que se exonera de suas responsabilidades usando o colonialismo, elevado ao estatuto de mal absoluto e bicho-papão. Uma vez, o Ministro da Justiça disse que a corrupção era causada pelo colonialismo e o chefe da Defesa Civil disse que o desabamento da sede da DNIC em 2008 era culpa do colono por ter “construído sobre um lençol de água”. Refiro-me ao fato de que a própria cultura portuguesa dos anos que antecederam a independência de Angola, na qual foram educadas as elites angolanas, rejeitava a sua própria história em nome do progresso e do poder da geração presente de moldar o futuro sem embaraço.

Esta ideia da tirania do presente, foi apresentada, no caso brasileiro, no livro de Olavo de Carvalho sobre o “O Futuro do Pensamento Brasileiro”.

Isso se manifestou na arquitectura, por exemplo, com o Bairro do Prenda. Chamava-se a Unidade de Vizinhança nº 1 da Cooperativa Precol, agora Bairro Prenda, concebido por Fernão Simões de Carvalho e Luiz Taquelim da Cruz (1963-1965). Organizado de acordo com o sistema das “7V”, proposto por Le Corbusier, o bairro conjuga diferentes tipologias destinadas a diferentes grupos sociais e étnicos. Porém, ninguém achou necessário consultar os membros destes distintos grupos para saber se estavam interessados em coexistir no mesmo espaço e muito menos por quanto tempo. Os habitantes portugueses puseram-se em fuga logo que as Forças Armadas de Portugal retiraram-se de Angola. E os angolanos que triunfalmente ocuparam os prédios, aqueles que ascenderam à classe média abandonaram seus apartamentos, apesar de estarem localizados no centro de Luanda, não suportando a insegurança dos musseques circundantes.

Afinal, Le Corbusier não imaginava tamanha quantidade de pobres. Alguns fugiram para as periferias da cidade, na cidade dos ricos chamada de “Luanda-Sul”, da história de Pepetela. E outros seguiram a mesma rota que os portugueses, comprando casas e apartamentos em Lisboa. Enquanto isto, os prédios do Prenda estão a dar sinais iminentes de desabamento, em Abril de 2023.

Seria fácil se fosse apenas um problema de “elite”. O povo miúdo não quer saber de histórias complexas de zonas verdes ou reservas. Terreno vago é para ser construído, e se o azar lhe der dinheiro, o terraço do prédio também é terreno.

A maioria dos blocos de apartamentos coloniais modernos de Luanda foram construídos entre 1950 e 1970. A rápida degradação sob proprietários angolanos e administração pública é replicada nas Centralidades construídas pela China: canalizações entupidas por serem usadas como depósito de lixo e usadas para escoar águas com alimentos, torneiras abertas que causam inundações e infiltrações, obras não autorizadas que destroem paredes estruturais e causam vibrações. Às vezes, o problema do Dubai se manifesta quando os chineses usam um sistema de esgotos que é funcional em seu país, mas que rapidamente se fissura e é incapaz de escoar o resultado das chuvas de Luanda.

Não significa que o Desejo da Kianda, este desejo de voltar à essência Africana de Angola, seja de todo uma má coisa, mas que desejamos viver com as benesses e comodidades da existência em uma civilização técnica de estilo ocidental, mas sem querer a praticar de modo ativo, nos limitamos a comprar chave na mão o que precisamos, e por isto cada desabamento e retorno ao passado, que não é de 1482, mas sim de 1890, é vivido de modo dolorido.

Do mesmo jeito que a aldeia cresce à volta da cacimba até ela secar, ou mesmo que seja perigoso estar tão próximo por causa dos mosquitos, sem que nunca alguém pense em construir um canal, a proximidade à cidade é explorada a todo custo, mesmo que isso comprometa a sustentabilidade dos prédios. Estruturas adicionais são construídas no terraço dos prédios: vivendas inteiras, tanques de armazenamento de água (muitas toneladas) ou antenas de comunicação.

Sendo que os prédios do tempo colonial vão brevemente desaparecer, talvez até 2040, quanto tempo vão durar as centralidades construídas pela China? Até 2060, talvez?

Tivemos a sorte de Portugal construir os primeiros e dos chineses os segundos, haverá uma terceira vez?

Luanda não nos urbanizou, nós a transformamos em uma sanzala.

O desabamento do prédio é um sintoma da alta preferência da cultura de Angola: preferimos consumir tudo que for possível no presente, sem nos preocupar com o futuro, seja na forma de poupança ou ao gastar dinheiro para preservar um bem para o futuro. Vivemos como se só existisse o presente, como se o futuro não fosse o nosso presente. Talvez isso seja representado na história de Pepetela pela ausência de um filho no casal Evangelista, pois esta é a representação material mais palpável do futuro na vida das pessoas.

Podem ler o Desejo da Kianda gratuitamente no Internet Archive, e compre um livro de Pepetela, de preferencia novo, se puder, pois assim o autor é recompensado. https://archive.org/details/odesejodekiandar0000pepe/mode/1up?view=theater…

Os Desabamentos de Prédios em Luanda, um rascunho.

Prédio construído por #Portugal desabou em #Angola

Abuso dos usuários (infiltração de água e canos entupidos) e falta de manutenção (drenagem), a expressão coletiva do curto horizonte de tempo individual

$ não faltou, repare nos carros modernos no estacionamento.

Colapso de prédio colonial é uma ocorrência comum, como o QG da Polícia Judiciária em 2008, o Ministro do Interior, então Chefe da Defesa Civil, Laborinho, disse que é responsabilidade do Colonizador e da administração colonial construir sobre um pântano

#WhiteManBurden #Angola

A maioria dos blocos de apartamentos coloniais modernos de Luanda foram construídos entre 1950 e 70, rápida degradação sob proprietários angolanos e administração pública é replicada Centralidades construídos pela #China: ralo entupido por alimentos com água, torneiras abertas

Angolanos não cuidam dos seus apartamentos, muito menos dispostos a pagar para os manter, gastam ironicamente muito dinheiro em modificações cosméticas que criam fissuras e infiltrações.

Administração local não faz manutenção do sistema de drenagem

A drenagem pública é necessária para afastar água longe da fundação, solos úmidos levam a uma carga desigual da estrutura, são entupidos e insuficientes

No Congolense, o lençol freático está a 1m de profundidade, a água deve ser bombeada antes de colocar o concreto das fundações

Incapazes, como indivíduos e como Estado, de manter blocos de apartamentos,
#Angola|nos estão a tomar empréstimos para comprar apartamentos em #Portugal sob o governo europeu que lutaram e entre os europeus contra quem executaram limpeza etnica em 1974

https://expansao.co.ao/angola/interior/classe-media-angolana-com-credito-a-habitacao-mais-facil-em-portugal-do-que-em-angola-112497.html

constroem vivendas em cima de prédios de apartamentos, há até um caso de vivenda térrea !

Geradores elétricos são armazenados e executados dentro do prédio, causando vibrações, paredes são destruídas e construídas para mudar o layout dos apartamentos

Os prédios de apartamentos de Luanda são uma espécie de favela vertical, com até dois andares construídos sobre blocos existentes construídos pelos portugueses antes de 1974

Você consegue identificar a diferença?

Já aconteceu no passado, quando um povo ocupou ruínas

Os angolanos valorizam tão pouco as suas próprias vidas, que as pessoas continuariam a viver dentro do edifício, apesar de terem sido mandadas evacuar pela polícia.

Uma mulher escapou por pouco do colapso, carregando um bebê.

Usamos a catostrofe para política , com a oposição gritando histericamente que o presidente não se importa com a vida angolana, apesar do governador fazê-lo
Um batalhão de guardas presidenciais costuma ser mobilizado para visitas

Pepetela, ,escreveu "o espírito de Kianda" há 20 anos, sobre como a falta de manutenção significaria a sua inevitável perdição e tocou-o nas suas "Cronicas mal dispostas": As arvores morrem porque os jardineiros novos não foram treinas pelos antigos

Os escombros nem sequer foram removidos, mas ativistas em série afirmam que o governador de Luanda é um mentiroso por dizer que "até agora" não há confirmação de mortos e feridos, talvez deva usar bola de cristal para ter certeza

Sinopse do "Espírito de Kianda":

Informado pelo NYT sobre a misteriosa "Síndrome de Luanda", uma misteriosa sucessão de prédios de apartamentos desaba na última década, um pastor angolano embarca em uma missão para derrotar o Espírito da Sereia do Mal por trás disso.

Um comentário social sobre a manutenção, alegoria accidental sobre o fracasso da cultura angolana em adotar elementos da vida moderna:
1 Cultura literária: capture tendências longas (o NYT precisa informá-las)
2 Inquérito lógico: culpando fantasmas
3 Horizonte de tempo curto

Estruturas adicionais são construídas no terraço do edifício: vivendas inteiras, tanques de armazenamento de água (muitas toneladas), antenas de comunicação,
Observe também os extensos danos causados ​​pela água por ralos entupidos

Do mesmo jeito que a aldeia cresce a volta da cacimba até ela secar, sem nunca alguem pensar em construir um canal, a proximidade a cidade é explorada a todo custo, mesmo que for a sustenbilidade dos predios

Luanda não nos urbanizou, nos a transformamos em uma sanzala

Sendo que os predios do tempo colonial vão brevemente dessapercer, talvés até 2040, quando tempo vão durar as centralidades construidas pela #China ? Até 2060, talvez.

Tivemos a sorte de Portugal construir os primeiros, e dos chineses os segundos, terá uma terceira vez ?

Causas segundo investigação do Laboratorio de Engenharia:
1 Conduta da EPAL causa erosão debaixo do predio(Estado)
2 Infiltração de agua(Estado)
3 Vibrações causados pelos geradores que funcionam no entre-piso (Moradores)
4 Lençol de agua Publico (Estado)

O desabamento do predio é um sintoma da alta Preferencia da cultura de #Angola: Preferimos consumir tudo que for possivel no presente, sem se preocupar com o futuro, seja na forma de poupança ou ao gastar dinheiro para preservar um bem para o futuro.

Originally tweeted by Roboredo (@Roboredo1) on March 26, 2023.

Luanda foi fundada pelos Portugueses, apesar dos argumentos dos Afrocratas.

Luanda foi fundada pelos Portugueses, apesar dos argumentos dos Afrocratas.

A ideia de que Luanda não foi fundada por Paulo Dias de Novais no dia 25 de 1576, exposta no jornal de Angola por Ruis Ramos, alegando uma suposta “controvérsia histórica” inexistente, e pelo movimento Afrocrata, na pagina de Facebood do Isidro Fortunato ou em entrevistas a TPA pelo Historiador Felipe Vidal, esta simplesmente errada, sendo que este texto vai fazer a síntese e refutação de seus argumentos, para afastar mais uma ideia nociva, para a inteligência nacional.

Os argumentos contra a fundação Portuguesa se resumem a afirmar:

  1. Existência de uma população Africana em Luanda.
  2. Existência de uma cidade Africana em Luanda.
  3. Que celebrar a fundação de Luanda constitui uma apologia ao colonialismo.

Existiu uma população Africana em Luanda?

Sim, existia uma população Africana na zona de Luanda, atestada em textos Portugueses, que vivia em uma aldeia na ilha de Luanda, que estava dedicada a colheta dos Zimbos sob a supervisão de uma guarnição do Rei do Congo. O erro dos Afrocratas esta na sua premissa oculta de que uma cidade só pode apenas ser fundada em uma zona sem população, como aconteceu por exemplo com Alexandria no Egipto quando foi fundada por Alexandre Megas, porem existem  casos como Roma, criada pela amalgamação das aldeias pré-existentes nas suas famosas sete colinas, e as diversas aldeias e fortalezas que foram ampliadas ao longo do tempo para se transformar em cidades.

A origem Africana do nome “Luanda” e vários bairros da cidade é apresentada como prova da “Africanidade” de Luanda pelos Afrocratas, como se tratasse de uma informação oculta, porem acaba sendo mais um sintoma de sua tendência a síntese confusa, de amontoar informações irrelevantes para dar a impressão de erudição e cansar o leitor. Na verdade, os Portugueses nunca pretenderam fazer passar a palavra “Luanda” por portuguesa, até porque a cidade foi fundada com o nome de “São Paulo da Assunção de Luanda”, sendo da “São Paulo da Assunção” o nome da cidade e de “Luanda” um adjetivo referente a zona em que estava localizada, provavelmente perguntaram a um africano ao chegar a baía qual era o nome do lugar. Cidades com nomes compósitos tem uma longa tradição no Ocidente, como as varias Alexandrias fundadas por Alexandre o Grande. A forma curta Luanda foi talvez consagrada pelo uso talvez para evitar confusão com a mais famosa São Paulo no Brasil.

Existiu uma cidade Africana em Luanda?

Não existiu, nem segundo os padrões europeus e nem segundo os padrões dos Africanos Bakongos, que viam diferença entre uma Mbanza e as aldeias, sendo que nunca mencionaram qualquer Mbanza na zona de Luanda. Diante destes simples fatos os Afrocratas recuam para o relativismo e viram sofismo, fingindo demência, alegam alternativamente que os Africanos não tinham conceito de cidade naquela altura, argumento desmentido pela existência de Mbanza Kongo, ou que não existiam para os Africanos diferença entre uma aldeia e uma cidade, sendo que existia uma cidade de Luanda Africana pois existiu uma aldeia Africana na ilha de Luanda. Seria o equivalente a dizer que os “povoamentos” do Sumbe, Caputo e Ngangula sao igualmente cidades.

Outro ate alegam como prova a localização de Luanda no território do Reino do Ndongo … como se cada metro quadrado de um reino ou pais esta coberto por uma cidade, coisa inusitada que acontece apenas em cidades-estados como Singapura ou Hong Kong.


Vamos aceitar, para fins argumentativos, a existência de uma aldeia/cidade Africana na ilha de Luanda e nos perguntar quais de suas características organizam a actual cidade de Luanda?

Se existiu, seu impacto esta longe de casos como de Istambul, que conserva até hoje o arruamento e centenas de edifícios da Antiga Constantinopla, alem de ainda ter as mesmas funções administrativas, comerciais e culturais, apesar de ser ao serviço de uma nova bandeira. Que parte da Cidade da Luanda actual reflecte a suposta “cidade originaria Africana”?

Os Afrocratas insistem nesta aldeia Africana na ilha de Luanda, mencionada como primeiro Abrigo dos Portugueses na Baia de Luanda, pelo valor simbólico e cultural actual, sendo que para muitos precisa se ir a Ilha para se conhecer plenamente Luanda, porem antes da construção da ponte que a liga ao continente a ilha pelos portuguese na década de quarenta, esta esteve a margem da cidade de Luanda, que se definia então pelo pelo seu porto voltado ao comercio transatlântico e para abastecer o interior, as suas fortalezas que a protegiam de ataques vindos do mar, suas casas orientadas a volta da marginal de Luanda, e finalmente pela sua população composta de Europeus, Africanos assimilados a cultural europeia e Africanos de cultura nativa, porem estas duas componentes Africanas nem são vestígios da suposta aldeia/cidade Africana da ilha de Luanda, sendo pelo contrario composta de imigrantes atraídos pelas oportunidades económicas da cidade Europeia, sendo que os primeiros vieram de Cabinda por exemplo.

Esta Luanda que conhecemos, apenas passou a existir com a chegada de Paulo Dias de Novais.

Celebrar a fundação de Luanda constitui uma celebração do colonialismo?

A última fase dos argumentos Afrocentristas, umas vezes refutados os dois primeiros, enveredam por longos argumentos sobre a suposta negação da história dos Africanos e glorificação dos horrores do colonialismo implícito na celebração da fundação da cidade por um “colonialista Português”. Deixando de lado os méritos ou deméritos do colonialismo, estamos diante de uma tentativa de negar os factos históricos que sejam negativos para o “seu povo”, o que corresponde a uma revolta contra a realidade. Que a fundação da cidade de Luanda tenha sido um acto de colonialismo de nada tem a ver com a veracidade histórica do facto, negar o facto por discordar com ele raia ao pensamento magico, como o homem que nega as provas da infidelidade de sua mulher por não suportar a dor. Por mais que seus argumentos sejam fortes e convincentes, o que aconteceu não desparece da existência. Seria como se os Chineses negassem a sua derrota na Guerra Sino-Japonesa para “não alimentar a narrativa de superioridade Nipónica”, muito pelo contrário, devemos aceitar a historia no seu todo para aprender com os erros e procurar soluções para os desafios do futuro.

O bem e o Mal fazem parte da vida, devemos sempre suspeitar de quem se apresenta como o bem perene e sem nuance.

Os Afrocratas camuflam este intento de manipular a historia sob a desculpa que a história “oficial foi uma narrativa portuguesa para justificar o colonialismo”, porem no final acabam criando uma narrativa de sinal invertido a seu próprio proveito. Ideologia Afrocentrista dos Afrocratas é uma forma de uma forma de “Historiogenesis”, que coloca o “homem Africano”, definido como qualquer pessoa de tom de pele que varia do castanho ao negro, no centro da historia, origem e culminação de todas as realizações e culturas, sendo por isto uma necessidade psicológica e logica negar a fundação Portuguesa de Luanda, pois em um mundo em que todo o bem foi feito pelo homem negro, o homem branco pode fazer apenas o mal. Não basta ser igual, devemos ser superiores.

Parece ser uma ideologia muito inovadora, porem tem muito em comum com atitude dos presidentes Africanos que apagam qualquer vestígio de seus antecessores e fingem que a história de seus países iniciou e culmina com eles, como se o domínio do passado garantisse o domínio do presente e do futuro. Esta atitude se manifesta na cultura Angolana pela luta de narrativas entre os partidos de Libertação Nacional sobre quem foi fundado primeiro ou quem iniciou a guerra colonial primeiro, como se o “primeiro” teria o “direito” natural de exercer o Controle do Estado Angolano, quando na verdade apenas o Capaz pode exercer o Poder, seja ao derrotar seus concorrentes por proezas Política, militar ou Económica. Sendo tragicómico que o MPLA, vencedor de todos os seus inimigos, deve perder tempo reescrevendo a história para justificar o que conquistou por mérito próprio.

Não se trata aqui de “defender os portugueses” ou de ser um “negro assimilado”, como gostam de dizer os Afrocratas, quando se encontram com um Angolano que duvida ou não partilha de suas ideias, trata-se de defender a verdade. Sendo que se o destino dos Povos é determinado pelo seu potencial intelectual, prostituir nossa inteligência para sustentar nossa autoestima ou seu desejo de ascensão social de algum será um preço demasiado alto.