Nova lei da liberdade religiosa em Angola, necessária e atrasada.

Nova lei da liberdade religiosa em Angola: necessária e atrasada

A proposta de lei sobre a liberdade religiosa em Angola parece-me acertada em quase todos os pontos — com exceção de dois aspetos que merecem atenção crítica. As reações negativas vistas nas redes sociais angolanas reduzem-se a lugares-comuns que ignoram os méritos concretos da lei e os problemas estruturais que ela visa resolver, nomeadamente: a proliferação de pseudoigrejas (bizambi-zambi), a comercialização da fé e o extremismo religioso.

1. Controlo da proliferação de pseudoigrejas
No jornal DW África, de agosto de 2024, materia conta mais de 2.000 igrejas informais no país, 80 % localizadas em Luanda. Muitos líderes jovens, sem formação, exploram crentes vulneráveis. Sendo que um relatório da Assembleia nacional conta mais de 1.100 Igrejas reconhecidas e 827 aguardando reconhecimento, com média de cinco igrejas por quarteirão em Luanda.


A proposta ataca o problema da multiplicação desordenada de igrejas por dois caminhos fundamentais:

Primeiro, ao estabelecer critérios mínimos para o funcionamento de cultos religiosos (proibição de cultos em quintais, exigência de templos adequados) e para o exercício do pastorado (exigência de formação superior). Essa medida corrige o vácuo atual, onde bastam dois versículos e carisma para se proclamar líder espiritual. A crítica feita por alguns protestantes de que tais medidas violam a liberdade religiosa ignora a própria tradição protestante, que sempre pressupôs a leitura bíblica letrada e informada, não um exercício anárquico da fé.

Segundo, a lei propõe a extinção de denominações religiosas que se dividam por conflitos de liderança. Hoje, disputas internas entre líderes geralmente terminam na fundação de novas igrejas, com justificações teológicas superficiais para disfarçar brigas por poder e recursos. Isso tem contribuído para o caos espiritual e organizacional — como se verifica, por exemplo, no caso da Igreja universal e da existência das diversas igrejas surgidas de divisões.

Ao prever a dissolução automática das denominações em conflito, a nova lei cria um incentivo para que os impasses sejam resolvidos por mediação — pois, neste novo quadro, ambas as alas perdem o estatuto legal se não encontrarem consenso.

2. Combate à comercialização da fé

Ao exigir que as igrejas operem exclusivamente como entidades sem fins lucrativos, a nova lei permitirá auditorias das suas contas — um passo vital para coibir abusos financeiros que hoje correm impunes.

Exemplo flagrante é o da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) em Angola, cuja direção acumulou quase 1 bilhão de dólares em donativos, parte dos quais tentou repatriar para o Brasil. A denúncia foi amplamente divulgada por antigos membros e líderes, com cobertura do Club-K (2021) e Notícias de Angola. Relatos também mencionam imposição de vasectomias a pastores e controle rígido das finanças pelos dirigentes estrangeiros, em claro abuso da confiança dos fiéis.

Ano (publicação)Local / DenominaçãoNatureza do abuso financeiroFonte
12025Luanda — Ministério RomérioPromessas falsas de formação teológica no exterior; burla de 3,7 milhões de kwanzas a duas fiéisO País, 7 de janeiro de 2025 (OPaís, Radio Solidaria)
22016IURD em AngolaDesvios de recursos: ex-bispo denunciou desvio de aproximadamente 5 milhões de dólares por anoNovo Jornal, 26 de julho de 2016 (Novo Jornal, Novo Jornal)
32021IURD em AngolaCaso em tribunal sobre doações voluntárias não restituídas: mais de 135 milhões de kwanzas doados por ex-fielNovo Jornal, 10 de dezembro de 2021 (Novo Jornal)
42021IURD brasileira em AngolaProcessos por branqueamento de capitais e associação criminosa contra dirigentes da direção brasileira em AngolaNovo Jornal, 8 de maio de 2021 (Novo Jornal)
52020IURD — templos encerradosEncerramento de templos por suspeitas de fraude fiscal, lavagem de dinheiro e abuso de confiançaBBC News Brasil (citado pelo Novo Jornal e fontes similares, 2020) (Novo Jornal, Agência Pública)
62023Moçâmedes (Namibe) — Arca do EternoExtorsão de fiel: exigência de 600 mil kwanzas por “cura espiritual”, com ameaças de maldiçãoPontual AO, 2023 (reportagem citada) (OPaís, Radio Solidaria)



Com a nova lei, casos como este poderão ser alvo de sanções, auditorias ou até perda do reconhecimento jurídico.



3. Prevenção ao extremismo e seitas perigosas

Outro mérito da lei é a exigência de que uma denominação religiosa só seja reconhecida se possuir presença física (templo) em todas as 21 províncias. Essa medida visa prevenir a formação de seitas isoladas com comportamentos perigosos — como foi o caso do autoproclamado “profeta” José Julino Kalupeteka, cujo culto isolacionista terminou na morte de agentes da polícia em 2015 e na sua condenação por homicídio e associação criminosa.

A lógica é clara: é mais difícil manipular e isolar 21 comunidades provinciais ao mesmo tempo, o que cria barreiras naturais à lavagem cerebral colectiva.


4. Ponto fraco: o reconhecimento da “religião africana”

O ponto mais problemático da proposta é o reconhecimento da categoria ambígua de “Religião Africana”, que pode abrir portas para a legalização indiscriminada de práticas feiticistas e místicas, muitas vezes ligadas a rituais sem estrutura religiosa propriamente dita. A distinção entre práticas culturais espirituais e religiões organizadas é essencial. A TPA, corretamente, reporta crimes motivados por feitiçaria como crimes comuns, e não religiosos. Essa fronteira precisa ser mantida.

5. Responsabilização de igrejas por crimes dos seus pastores

Outro acerto importante da lei é a revogação do reconhecimento legal de igrejas cujos líderes forem condenados por crimes contra os fiéis. Esses atos, embora cometidos por indivíduos, nascem de um contexto coletivo de manipulação psicológica e abuso de autoridade religiosa, que é sustentado pela comunidade eclesiástica. Logo, a responsabilidade também deve ser coletiva.

Casos reais demonstram que o silêncio dos membros permite a perpetuação dos abusos:

Em 2023, o Jornal de Angola noticiou a condenação do pastor Ernesto Francisco Torres a 6 anos de prisão por violação de uma jovem durante uma suposta “sessão de cura espiritual”.

Em 2024, segundo o O País, o pastor Francisco Tchombembwa, da igreja “Jesus Cristo das Nações”, foi condenado a 4 anos e meio de prisão por abuso sexual de uma adolescente durante um retiro religioso em Lubango.

Também em 2024, denúncias ao INAC revelaram um caso em Cacuaco, onde um pastor se fazia passar por “padrinho espiritual” para abusar de crianças sob a proteção da igreja.

Em 2025, o Primeiro Impacto reportou que o autointitulado reverendo Fernando K. Kamalandua mantinha jovens em cárcere privado sob a alegação de “purificação espiritual” — um caso de abuso de confiança agravado por manipulação ideológica.


Em todos estes exemplos, o padrão é o mesmo: o silêncio institucional da igreja protege o agressor e perpetua o ciclo de vitimização. Fiéis evitam denunciar porque veem a igreja como uma obra coletiva e temem que o escândalo “prejudique a fé” — mesmo que isso custe justiça às vítimas e a integridade da comunidade.

Requisitos para ser pastor.

A exigência de requisitos para ser pastor é aspecto positivo da lei, pois a actividade do pastorado coloca alguém em uma posição de autoridade que tem uma influência psicológica muito forte sobre as pessoas, tanto por conta de prática que possam causar programação neuro-linguística, como oração e canto em grupo. Está autoridade tem sido abusada por pessoas que cometem crimes, ou que procuram apenas usar o pastorado como forma de ascensão social e financeira.

Este poder não deveria, como acontece hoje, estar disponível a qualquer pessoa que se auto-proclama pastor, sem qualquer requisito, sendo que exigir uma formação superior em teologia permite aumentar o custo de participação e filtrar pessoas que que sejam apenas aventureiras.

Tanto a Católica como as Igrejas protestantes do século passado tinham um sistema de treinamento para o pastorado, seja com adulto com seminário ou seja desde a adolescência com as missões protestantes, o que temos agora e uma situação em que qualquer pessoa se auto-proclama e sai pregando. O critério de diploma teológico pode ser imperfeito, mas vai ser melhor que o temos, quanto a veracidade teológica ou religiosa dos pastores, isto cabe aos cristãos julgar isto.

A norma do governo constitui um retorno ao bom senso, pois como pode fazer sentido que qualquer pessoa, incluindo casos de crianças no Brasil, podem se auto-intitular pastes e montar uma igreja ?

Conclusão

A nova proposta de lei é, ao mesmo tempo, necessária e tardia. Ao enfrentar o caos gerado pela desregulamentação da fé em Angola, ela propõe mecanismos eficazes de ordem, responsabilidade e justiça. Ainda que alguns ajustes sejam necessários — sobretudo quanto à categorização das religiões africanas —, o essencial está no caminho certo: religião não pode continuar a ser sinónimo de impunidade, exploração e desordem institucional.

A lei nem se preocupa com o mérito da pratica religiosa individual do cidadão, tem apenas organizar a sua pratica colectiva de modo a reduzir os danos causados pela desordem, os crentes deveriam se encarregar da luta contra os charlatães e não deveriam se preocupar com limites administrativos se representam sentimento religioso legitimo.

Addenda:

Casos que justificam a lei.

Pastor detido por ag4£ssão s£xu^l durante “oração de libertação”
Um pastor da Igreja Evangélica dos Cristãos em Angola, de 55 anos, foi detido na província da Huíla, suspeito de ter ag4edido s£xu^lmente uma jovem de 21 anos durante uma suposta “oração de libertação”. O caso ocorreu no último domingo, mas só foi denunciado dois dias depois, o que atrasou a intervenção das autoridades. A vítima contou que procurou o pastor em busca de ajuda espiritual para se livrar de um problema de sonhos £rót!cos, vulgarmente chamados de “marido da noite”.
De acordo com a vítima, citada pela Polícia, o homem religioso tê-la-á forçado a entrar num quarto nos fundos da igreja, sob o pretexto de realizar uma oração de “cura espiritual” e, durante o suposto ritual, pediu que a vítima se despisse, ao que acedeu, seguindo-se o @bus0 s£xual.
Segundo o Departamento de Investigação de Ilícitos Penais, o suspeito confessou o ato, alegando estar “em missão divina” para libertar a fiel de um “marido da noite”, negando ter havido p£n€t4ação, mas que teria “apenas usado os d£dos”.
A detenção foi feita mediante mandado judicial e o acusado será apresentado ao juiz de garantias para aplicação das medidas de coação.

Protesto inútil contra a retirada dos subsídios.


Protesto inútil contra a retirada dos subsídios.

A retirada dos subsídios aos combustíveis em Angola surge não apenas de uma “obsessão ideológica” como sugeriu o Rui Verde no Maka Angola, ou de um desejo do Governo de maltratar as pessoas, porem decorre da facto que material da insustentabilidade do subsidio aos combustíveis em Angola, por conta do aumento acelerado do numero de utentes, ao mesmo tempo que a produção sofre um declínio e o preço do petróleo esta baixo por conta de política comercial praticada pela Arábia Saudita e os EUA. Como podem ver, marchar não muda estes factos.

Angola produz pouco petróleo.

A produção de petroleiro per capita de Angola, ou seja por cada 100.000 habitantes, caiu para 11 barris per capita, quatro vezes menor do que seu pico de 2010 e duas vezes menor que o valor do ano 2000. Para ter uma ideia de nossa nova pobreza, os Emirados Árabes Unidos (Dubai) produzem 49.5 barris per capita de maneira sustentável.

Ou seja, sendo o petróleo a nossa maior fonte de rendimento, por constituir 90% da exportação e 70% das receitas do Estado, Angola tem muito menos recursos hoje do que no passado.

Este quadro advém tanto da queda da produção petrolífera, desde seu pico de 2010, com 2 milhões de barris por dia comparando com os 1,1 de hoje, como do aumento demográfico que fez a população de Angola aumentar de 12 milhões de pessoas para 32 milhões de pessoas.

Como que Angola vai sustentar este subsidio, que custou 15 bilhões de dólares ao Estado no período que vai de 2021 a 2024, quando a população de Angola for 45 milhões de pessoas em 2035 ?

O facto geológico da queda da produção petrolífera e o facto demográfico do crescimento da população nacional são ignorados, com parte do sociedade a perder tempo com marchas e com teorias da conspiração sobre “falta de vontade política”.

Sendo a geologia angolana imutável, só nos resta mudar sua demografia ou aceitar que a pobreza vai ser a consequência natural do aumento de encargos diante da estagnação da receita.

Protestar diante da embaixada da Arábia Saudita teria sido o único acto de alguma eficácia que poderia ter sido feito no dia 12.

O problema do contrabando.

A irracionalidade do debate continua nas sugestões feitas para por fim ao contrabando sem retirar o subsidio, que se resumem a venda de combustível Angolano aos países vizinhos quando estes nao tem carência de combustível no mercado internacional, querendo na verdade combustível a preços baixo por causa do subsidio pelo governo Angolano. Um comentarista político chegou a propor a construção de bombas ao longo da fronteira com o Congo para vender combustível ao pais vizinho … algo que deveria ser feito com um oleoduto ou camiões cisterna.

Antes do inicio da retirada dos subsídios, o contrabando chegava a gerar escassez de combustível em Angola, sendo que mesmo com a retirada parcial dos subsídios, o contrabando esta a levar postos de abastecimentos namibianos a falência por falta de clientes.

Quando deveria custar o Combustível em Angola ?

Sabendo que o custo médio de produção de petróleo em Angola é de 40 $ por barril, que rende por volta de 119 litros de combustível, se presumir um custo de refinação e venda a retalho de 20$, o preço de venda do combustível que não teria impacto negativo no orçamento geral do Estado seria 470kz, que podem ser arredondados para 600 kz/litros para cobrir o custo de construção da refinaria e o risco associado volatilidade do crude. Ou seja o preço antes praticado esta longe de cobrir os custos de fabricação e construir refinarias nao podem garantir combustível mais barato em Angola, para o consumidor, talvez podem reduzir o custo total para o Estado.

A greve dos taxistas do dia.

Depois de verem seus lucros a crescer em pelo menos 50%, os taxistas, que ganham mais que os próprios donos dos carros, vão entrar em greve no dia 29 de Julho por conta do “aumento do preço das peças” causado pelo aumento da tarifa que aumentou os seus lucros. O presidente da ATA diz em entrevista que seus associados estariam descontentes com a nova tarifa, pois tem familiares que pegam táxi, e que o protesto visa uma necessidade de reflectir … ou seja, uma desconversa, pois poderia simplesmente ignorar a nova tarifa.

O que faz agora ?

A proposta que se ouve dos opositores ao subsidio consiste em cortar outros gastos do governo para manter o subsidio, porem isto falha em considerar o facto que com o aumento da população em 1 milhão de pessoas por ano, a verba para o subsidio ira crescer todos os anos e sem qualquer limite a vista … que limite eles tem em vista ?

Reclamam sem saber como se resolver este problema.

@roboredo1

A inutilidade da manifestação do dia 12 de julho contra a retirada dos subsídios ao gasóleo. a retirada do subsídio advém da da realidade material da insustabilidade da política de subsídio por conta do aumento acelerado do número de utentes e da queda de produção e queda do preço do petróleo. dar sete voltas à cidade de Luanda não mudaria este fato. #Cuanza #Angola #petroleo #Subsidio

♬ original sound – Roboredo

Subida da Táxi: carência de matemática e excesso de ganância.

Subida da Táxi: carência de matemática e excesso de ganância.

O Ministro dos Transportes defendeu a subida da tarifa de táxi alegando que era necessária para cobrir os custos do combustível que pesa nas contas dos operadores dos transportes, porém me parece que estamos diante de um erro de aritmética básica.

O responsável da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) defendeu hoje que o Governo angolano teve de encontrar um equilíbrio no reajuste de preços dos transportes públicos, para não prejudicar nem as empresas nem os cidadãos.

Afinal, aumentar a tarifa em 50%, de 200 para 300, para cobrir um aumento de 33% do custo do litro de gasóleo já deveria despertar a suspeita de que a intenção do ministro de compensar a subida foi substituída por um aumento dos lucros dos taxistas … sendo grave que a decisão foi discutida, aprovada, publicada e criticada pelo público em geral sem que ninguém desse conta do lapso.

Vejamos, se presumirmos que um Hiace realize 24 corridas por dia, levando 12 passageiros, chega a faturar 345.600kz, dos quais 150.000kz constitui o lucro do patrão, e 130.800kz o salário do motorista, enquanto que o custo de combustível fica por 64.800kz por semana. Notem, preferi excluir o cobrador, trânsito e agentes de trânsito do cálculo, para fins de simplicidade.

Receitas e gastos diários de um táxi.

O lucro dos taxistas é sagrado?

Com o aumento do gasóleo para 400kz, o custo com combustível passa para 86.400kz, o que reduz o lucro do motorista em 21.600kz … sendo que o Ministro, que diz apenas querer compensar este aumento, decretou uma nova tarifa de 300kz por passageiro que resulta numa receita semanal de 518.400kz por semana, e se o dinheiro do dono do veículo for igual, numa receita de 282.000kz por semana para o motorista. Ou seja, ao invés de compensar uma perda de 21.600kz, o ministro decretou um aumento de 150.000kz de salário para os taxistas. Querem dizer-me que os motoristas de táxi iriam parar de trabalhar por conta de um corte de 21.600kz? Os donos falhariam em encontrar novos motoristas? Contem-me outra história!

Gastos e receitas de um táxi, tendo em conta tarifa e preço antigo versus o preço novo e tarifa nova.

Talvez a intenção tenha sido a de impedir um aumento selvagem dos preços, como foi visto em Viana quando um grupo de taxistas coordenou uma tentativa de cobrar 500kz por passageiros.

Bastava aumentar a tarifa para 215kz para cobrir o aumento do preço do gasóleo, porém parece que isto está acima da capacidade matemática de um ministério e país inteiro.

Porém o Estado deveria abster-se de proteger as margens de lucros dos motoristas de táxi, pois toda actividade económica tem de encontrar os seus preços no equilíbrio entre oferta e procura, pelo menos em um mercado constituído por pessoas honestas e racionais, o que infelizmente faz falta em Angola. Pois a existência de margens de lucro desta natureza deveria ter atraído mais capital, porém ninguém – a desonestidade dos motoristas Angolanos rechaçou os investidores, pois o carro está longe de amortizar o dinheiro despendido. Por isto que a maioria dos Hiaces a circular tem matrículas antigas e que as pessoas interessadas em investir em transporte urbano privilegiam o uso de aplicativos (Heetch, Yango).

Um pais sem Economistas.

Angola é um país sem economistas, são todos políticos incubados, pois nenhum deles até ao momento se dignou em apontar que um aumento da tarifa de táxi por passageiro em 50% diante de um aumento do custo do combustível por passageiro de não mais de 10%. Sendo que bastava um aumento da tarifa para 220 kz para compensar o aumento.

Os políticos Angolanos, na sua inépcia revolucionária, iriam provavelmente ignorar esta informação por estarem mais interessados a incitar a revolta do que procurar soluções para Angola. Por exemplo, a critica de ACJ a subida da tarifa se encaixa nisto, pois ele “critica o ‘timing’, a forma, a impreparação destas medidas”, “salientando que os aumentos dos combustíveis, da cesta básica, dos transportes, o aumento de outras coisas, retirou os ganhos dos aumentos salariais”, porem sem nunca tocar no ponto essencial da questão: deve o governo proteger os lucros dos taxistas ?


“Em nome do secretariado provincial do partido PRA-JA, em Luanda, exorto todos os membros, amigos e simpatizantes do partido mais inclusivo do pais na capital a participarem ordeiramente na manifestação”, diz uma nota do PRA-JÁ Servir Angola, assinado pelo seu secretário provincial de Luanda, Serafim Simeão.

O Partido Liberal (PL), liderado pelo activista Luís Castro, diz que a sua formação política estará presente na manifestação, com a concentração no Mercado do São Paulo, às 13:00.

“Apoio e estarei presente na manifestação do dia 12, organizada pela sociedade civil em Luanda. É tempo de nos unirmos, de forma pacífica e firme, para exigir os nossos direitos, defender a democracia e construir um futuro mais justo para todos os angolanos. A mudança começa com a nossa voz”, disse.
Porque seria mais fácil fazer o governo recuar e neutralizar o lobby dos Candogueiros, com este simples facto.

Para salvar Angola, cada pai precisa que seu filho pratique a tabuada todos os dias, quem sabe, assim teremos um ministério das finanças que saiba fazer contas em 2035

@roboredo1

Subida do Taxi em Angola: carência de matemática e excesso de ganancia Subida da Táxi: carência de matemática e excesso de ganância. O Ministro dos Transportes defendeu a subida da tarifa de táxi alegando que era necessária para cobrir os custos do combustível que pesa nas contas dos operadores dos transportes, porém me parece que estamos diante de um erro de aritmética básica. Afinal, aumentar a tarifa em 50%, de 200 para 300, para cobrir um aumento de 33% do custo do litro de gasóleo já deveria despertar a suspeita de que a intenção do ministro de compensar a subida foi substituída por um aumento dos lucros dos taxistas … sendo grave que a decisão foi discutida, aprovada, publicada e criticada pelo público em geral sem que ninguém desse conta do lapso. Vejamos, se presumirmos que um Hiace realize 24 corridas por dia, levando 12 passageiros, chega a faturar 345.600kz, dos quais 150.000kz constitui o lucro do patrão, e 130.800kz o salário do motorista, enquanto que o custo de combustível fica por 64.800kz por semana. Notem, preferi excluir o cobrador, trânsito e agentes de trânsito do cálculo, para fins de simplicidade. Com o aumento do gasóleo para 400kz, o custo com combustível passa para 86.400kz, o que reduz o lucro do motorista em 21.600kz … sendo que o Ministro, que diz apenas querer compensar este aumento, decretou uma nova tarifa de 300kz por passageiro que resulta numa receita semanal de 518.400kz por semana, e se o dinheiro do dono do veículo for igual, numa receita de 282.000kz por semana para o motorista. Ou seja, ao invés de compensar uma perda de 21.600kz, o ministro decretou um aumento de 150.000kz de salário para os taxistas. Querem dizer-me que os motoristas de táxi iriam parar de trabalhar por conta de um corte de 21.600kz? Os donos falhariam em encontrar novos motoristas? Contem-me outra história! Talvez a intenção tenha sido a de impedir um aumento selvagem dos preços, como foi visto em Viana quando um grupo de taxistas coordenou uma tentativa de cobrar 500kz por passageiros. Bastava aumentar a tarifa para 215kz para cobrir o aumento do preço do gasóleo, porém parece que isto está acima da capacidade matemática de um ministério e país inteiro. Porém o Estado deveria abster-se de proteger as margens de lucros dos motoristas de táxi, pois toda actividade económica tem de encontrar os seus preços no equilíbrio entre oferta e procura, pelo menos em um mercado constituído por pessoas honestas e racionais, o que infelizmente faz falta em Angola. Pois a existência de margens de lucro desta natureza deveria ter atraído mais capital, porém ninguém – a desonestidade dos motoristas Angolanos rechaçou os investidores, pois o carro está longe de amortizar o dinheiro despendido. Por isto que a maioria dos Hiaces a circular tem matrículas antigas e que as pessoas interessadas em investir em transporte urbano privilegiam o uso de aplicativos (Heetch, Yango). #Angola #Transporte economia

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@roboredo1

Subida da Táxi: carência de matemática e excesso de ganância. O Ministro dos Transportes defendeu a subida da tarifa de táxi alegando que era necessária para cobrir os custos do combustível que pesa nas contas dos operadores dos transportes, porém me parece que estamos diante de um erro de aritmética básica. Afinal, aumentar a tarifa em 50%, de 200 para 300, para cobrir um aumento de 33% do custo do litro de gasóleo já deveria despertar a suspeita de que a intenção do ministro de compensar a subida foi substituída por um aumento dos lucros dos taxistas … sendo grave que a decisão foi discutida, aprovada, publicada e criticada pelo público em geral sem que ninguém desse conta do lapso. Vejamos, se presumirmos que um Hiace realize 24 corridas por dia, levando 12 passageiros, chega a faturar 345.600kz, dos quais 150.000kz constitui o lucro do patrão, e 130.800kz o salário do motorista, enquanto que o custo de combustível fica por 64.800kz por semana. Notem, preferi excluir o cobrador, trânsito e agentes de trânsito do cálculo, para fins de simplicidade. Com o aumento do gasóleo para 400kz, o custo com combustível passa para 86.400kz, o que reduz o lucro do motorista em 21.600kz … sendo que o Ministro, que diz apenas querer compensar este aumento, decretou uma nova tarifa de 300kz por passageiro que resulta numa receita semanal de 518.400kz por semana, e se o dinheiro do dono do veículo for igual, numa receita de 282.000kz por semana para o motorista. Ou seja, ao invés de compensar uma perda de 21.600kz, o ministro decretou um aumento de 150.000kz de salário para os taxistas. Querem dizer-me que os motoristas de táxi iriam parar de trabalhar por conta de um corte de 21.600kz? Os donos falhariam em encontrar novos motoristas? Contem-me outra história! Talvez a intenção tenha sido a de impedir um aumento selvagem dos preços, como foi visto em Viana quando um grupo de taxistas coordenou uma tentativa de cobrar 500kz por passageiros. Bastava aumentar a tarifa para 215kz para cobrir o aumento do preço do gasóleo, porém parece que isto está acima da capacidade matemática de um ministério e país inteiro. Porém o Estado deveria abster-se de proteger as margens de lucros dos motoristas de táxi, pois toda actividade económica tem de encontrar os seus preços no equilíbrio entre oferta e procura, pelo menos em um mercado constituído por pessoas honestas e racionais, o que infelizmente faz falta em Angola. Pois a existência de margens de lucro desta natureza deveria ter atraído mais capital, porém ninguém – a desonestidade dos motoristas Angolanos rechaçou os investidores, pois o carro está longe de amortizar o dinheiro despendido. Por isto que a maioria dos Hiaces a circular tem matrículas antigas e que as pessoas interessadas em investir em transporte urbano privilegiam o uso de aplicativos (Heetch, Yango). Angola Economia Taxi

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JLO e os Jornalistas: Piadas na Lunda Norte

JLO e os Jornalistas: Piadas na Lunda Norte

A Jornalista na Lunda Norte

O artigo em manchete do Novo Jornal sobre a interacção entre o Presidente JLO e a jornalista na Lunda Norte demonstra que os jornalistas angolanos parecem não conhecer a própria profissão que exercem. Inicialmente, eu pensava que eram infiéis aos seus princípios, porém chego à conclusão de que a desconhecem e que são, na verdade, actores políticos movidos pelo imperativo revolucionário ou mercenários à busca de fama e subornos.

Vejamos: os representantes da “classe jornalística” dizem que a “forma das respostas é preocupante”, segundo Pedro Miguel da SJA; que foi “uma resposta torta” (Reginaldo Silva), que o presidente estava a ser “um humorista” (Graça Campos); e que foi uma “resistência transparente” (José Gama). As palavras de José Luís Mendonça ficam para o fim, pois evidenciam outra doença da inteligência angolana: dizer frases apenas pelo seu valor estético e emocional, mesmo quando contradizem o que queremos dizer. Outro elemento surpreendente foi que a redacção não estranhou a ausência de contraditório…

Porém, quais são os factos do episódio?

A jornalista errou tanto na forma como no conteúdo de suas perguntas.

Na forma:

  1. Ao fazer várias perguntas consecutivas sem esperar que o entrevistado respondesse a cada uma individualmente, ela garantiu que a audiência ficasse confusa, sem saber a qual pergunta se referia a resposta, além de criar o risco de o entrevistado esquecer uma das perguntas. Daí que JLO teve razão em pedir que ela não fizesse muitas perguntas de uma vez.
  2. A sucessão de perguntas — muitas delas, na verdade, afirmações — levou JLO a pedir que ela não fizesse um discurso. O objectivo era passar uma narrativa à audiência, sem importar-se com as eventuais respostas do entrevistado. Notem que estas duas chamadas de atenção já foram feitas a outros colegas em colectivas passadas. Mas, pelos vistos, os formadores de opinião não têm memória ou auto-reflexão.

No conteúdo:
Ao perguntar ao presidente sobre o movimento separatista do “dito Protectorado Lunda Tchokwe” e sobre uma hipotética ameaça do M23 (ou seja, do Ruanda), a jornalista traiu o seu dever de informar o público. Em vez de trazer ao entrevistado questões que o público pudesse ter sobre o tema da colectiva (no caso, as obras da circular da Lunda Norte), o jornalista autorgou-se o direito — com os aplausos de Reginaldo Silva, que deseja normalizar isto no jornalismo angolano — de decidir as agendas da discussão pública. O público assiste a uma entrevista colectiva para ouvir o que o presidente tem a dizer, não o que o jornalista tem a dizer. Ao tomar protagonismo e usurpar o direito de definir a agenda, o jornalista rouba a atenção do público para seus próprios fins — seja activismo político, seja ganância profissional. Sejamos sinceros: o jornalista não teria 1% da audiência que teve na colectiva se tivesse escrito ou feito um segmento audiovisual sobre esses temas das suas supostas “perguntas”. Na prática, o que aconteceu aqui foi que o jornalista se interpôs na comunicação entre o Presidente e o Público, impedindo o exercício do direito à informação num sistema político que a requer.

Aqui vemos que as comparações feitas pelos jornalistas angolanos entre Trump e JLO estão certas pelos motivos errados. Eles apenas repetem os cacoetes mentais do convento esquerdista ocidental, ao qual subcontrataram suas penas intelectuais, por parecer o mais conveniente e prestigioso. Porém, ambos os presidentes lidam com imprensas militantes que tentam moldar a opinião contra si. Trump resolveu o problema através da comunicação directa via plataformas digitais (como o Twitter). No caso angolano, recorrer a uma lei contra fake news seria uma solução a curto prazo, mas estamos diante de um problema de ordem moral e intelectual.

A cobertura que os jornais e portais deram ao episódio constitui uma mina de notícias falsas
Por exemplo, o Novo Jornal sugere que o presidente não queria perguntas, quando ele, na verdade, estava a pedir que estas não fossem consecutivas, de modo a permitir respostas claras. Enquanto isso, outra publicação sugeria que o JLO estava “chateado”, quando todo o episódio decorreu num ambiente de bom humor e piadas.

O mal inconsciente

Os jornalistas angolanos gostam de pensar em si mesmos como “formadores de opinião”. Porém, deveriam saber que moldar a opinião do público de maneira directa chama-se propaganda. O jornalismo forma a opinião pública de maneira indirecta, ao apresentar factos e contexto que levem o público a formar seu próprio juízo. Isto porque o verdadeiro jornalismo resolve um problema de comunicação em regimes políticos que requerem participação em massa dos cidadãos — antigamente, as pessoas limitavam-se a receber ordens de reis, ditadores e senhores feudais.

Como é impossível que todos os angolanos falem directamente com o Presidente da República, cabe ao jornalista fazer-lhe perguntas razoáveis e necessárias, cujas respostas interessem ao público geral (por exemplo, numa entrevista), além de fornecer o contexto necessário para que o público compreenda a informação transmitida pelo Presidente (num artigo ou notícia que acompanhe a entrevista). Ou seja: os jornalistas servem de “mediadores” — daí o nome colectivo media — entre o público e o líder político, como um vidro que permite comunicação entre dois espaços antes incomunicáveis. Os melhores vidros são transparentes e não distorcem a imagem vista de cada lado. Os jornalistas angolanos têm sido um vidro quase endemoniado, que distorce a visão que o público tem do Presidente e que o Presidente tem do público, movidos por interesses próprios: para uns, o imperativo revolucionário de derrubar este governo; para outros, o desejo de fama (lucrativa com subornos para calar ou para alavancar carreiras).

Nos seus comentários ao artigo do Novo Jornal, José Luís Mendonça diz que a “jornalista estava ali em representação dos cidadãos deste país” — para criticar o Presidente da República e defender sua colega. Porém, o sentido da frase é oposto ao que quer dizer: se a jornalista realmente representasse os cidadãos de Angola com fidelidade, não faria perguntas de forma a dificultar a comunicação, muito menos roubaria tempo de antena para fazer activismo político e auto-promoção profissional, ou até mesmo desperdiçar tempo de antena precioso com perguntas hipotéticas de respostas óbvias. Pois, o que esperava ela que JLO respondesse à pergunta sobre a ameaça ruandesa? Que o PR revelasse de modo detalhado os nossos planos, para benefício do Ruanda, ou que declarasse de antemão a nossa rendição? Claro que, se Angola for atacada, vamos defender-nos, e a jornalista pode ser chamada para exercer seu dever patriótico.

Visita de Mondlane: A UNITA e a Admissão de Práticas Anti-Democráticas

A UNITA e a Admissão de Práticas Anti-Democráticas

Com a visita de Venâncio Mondlane, a UNITA admite ser anti-democrática.

A UNITA prova novamente, com o episódio e controvérsia à volta da visita de Venâncio Mondlane, que tem um carácter anti-democrático.

Primeiro, o simples facto de convidar Venâncio Mondlane para uma conferência sobre “o futuro da democracia” implica que o partido aceita que seus métodos anti-democráticos são legítimos. Pois devemos lembrar que, apesar de suas tentativas de escapar de suas responsabilidades — seja ao propagar teorias da conspiração de que os tumultos eram frutos de elementos infiltrados, seja ao alegar que foi mal compreendido pelos seus adeptos —, ao anunciar que a última fase dos protestos, dita “turbo V8”, seria pior que as anteriores, Venâncio admitiu culpa e responsabilidade. Para recordar, Venâncio instruiu seus adeptos a fechar estradas com barricadas, a impedir pessoas de ir aos seus locais de trabalho e a que matassem polícias. Porém, estes mesmos adeptos aproveitaram para extorquir pessoas para permitir que passassem pelas barricadas e lincharam várias pessoas por desrespeitarem o “presidente do povo”. Alegar que estes actos tenham sido feitos em defesa da “verdade eleitoral” (ou seja, o direito ao voto) não muda o facto de serem violações directas do direito de escolha das pessoas, que define muito mais a democracia do que o acto eleitoral, periódico e geralmente imperfeito.

Para resumir, ao convidar Venâncio para participar, a UNITA aceita que aterrorizar pessoas singulares para as obrigar a participar de actos políticos, greves e protestos é uma forma de democracia. Assim, admite que pretende aplicar os métodos de Mondlane em Angola, uma vez que vários membros do grupo julgado no caso 15+2 participaram numa live com Venâncio Mondlane, concordando com seus métodos e aconselhando-o a ser ainda mais radical. Isso acaba sendo uma confissão de culpa e confirma a razão de terem sido processados, mesmo que o que eles prepararam não pudesse ser convencionalmente chamado de “golpe de Estado”.

Pelos factos acima citados, a decisão do governo angolano de impedir a entrada de Mondlane entende-se como uma tentativa de preservar a paz social, de modo a evitar-se nas ruas de Luanda os ataques contra a democracia que vimos nas ruas de Maputo. Com uma pitada de ironia, o convidado mais prestigiado da UNITA, o presidente Ian Khama do Botsuana, impediu a entrada de Julius Malema no Botsuana em 2017, a convite de grupos de oposição, por meras críticas ao presidente — algo muito mais grave do que a violência e crimes pregados por Mondlane.

Segundo, muito mais do que o acto eleitoral periódico, o que define a democracia é o respeito pela verdade, pois não existe direito de escolha se não tens acesso à verdade. Daí a importância convencional dada à liberdade de expressão como forma de chegar à verdade. Sendo que a UNITA continua com sua campanha contra a inteligência nacional e a nossa capacidade de perceber a verdade, quando tentam tirar o foco sobre Mondlane, falando em “líderes africanos” ou cria uma crise diplomática inexistente. Afinal, nenhum dos envolvidos são entidades diplomáticas, e nenhum de seus governos depositou um protesto ao governo pelo suposto maltrato.

Pelos vistos, aos olhos da UNITA, o futuro da democracia em Angola será cheio de violência e intimidação contra pessoas singulares, desde que isto permita que cheguem ao poder e mesmo que emburreça de vez o povo angolano.

Atalho para o meu artigo sobre o os protestos e o Venancio: https://roboredo.home.blog/2024/12/29/venancio-mondlane-lider-e-autoritario/

A Queda do Assad e a Miragem dos BRICS

A Queda do Assad e a Miragem dos BRICS

Muitos angolanos criticaram o Presidente JLO por não ter ido a uma cimeira dos BRICS em 2023, que seria uma organização que representa um novo futuro liderado pelo Sul Global, que iria derrubar o Império Americano…

Porém, o colapso do Governo do Assad na Síria mostra que o inquilino da Cidade Alta esteve certo e que os internautas angolanos nem deveriam ter o direito de votar para chefe de turma.

Em teoria, a queda do Assad deveria ter sido impossível. Afinal, tinha o apoio dos BRICS, com um dos maiores fabricantes de armas do mundo (Rússia), a segunda maior economia do mundo (China) e um país com uma juventude fanática disposta a morrer em combate (Irão), ou seja, os três ingredientes para vencer uma guerra: armas, dinheiro e homens.

Porém, na prática, a China está sem apetite para financiar diretamente qualquer confronto contra os EUA, a Rússia atingiu seu limite militar no confronto ucraniano e o Irão foi incapaz de coordenar os seus aliados de modo eficaz contra Israel, cada um se lançando à fogueira de Tel Aviv de modo solitário, como naqueles velhos filmes de kung fu…

O Governo de Luanda, continuando com sua prática de equilíbrio entre potências, não se deixou levar por modas de internet, fomentadas provavelmente pela inteligência russa, e evitou a conversa dos BRICS.

Estou chegando à conclusão de que a elite angolana não seja autoritária por maldade ou por mera prepotência, mas por aquela falta de paciência que um pai tem com seu filho burro que quer opinar sobre assuntos dos mais velhos, do alto de seus 12 anos de vida.

O Facebook como uma forma de tradição oral em Angola

O Facebook como uma forma de tradição oral em Angola

Parece estranho considerar um meio de comunicação escrito como uma forma de tradição oral, porém tenho notado que a maneira como se usa o Facebook em Angola se aproxima muito de uma forma de tradição oral: ausência de autores individuais, apelo a uma autoridade superior ao autor individual (óbvia ou colectiva) e desejo de reforçar a mitologia colectiva acima de qualquer preocupação com a verdade.

Um exemplo é uma publicação sobre os “Cipaios, bufos de Angola”.

Neste caso, basta comparar o suposto “cipaio colonial” com as fotos de soldados africanos das Forças Armadas Portuguesas da mesma época para notar que o uniforme é totalmente diferente: a farda não tem a mesma cor nem o mesmo corte da farda portuguesa, e o suposto “cipaio” tem uma idade superior à média dos recrutas africanos da época.

Além disso, a forma desrespeitosa em que o soldado branco segura as patentes que parecem superiores às suas seria punida pela disciplina militar.

Então, o que a foto retrata? Provavelmente, um soldado da FNLA capturado em combate e com uma patente tão alta que suscitou o espanto dos soldados portugueses. Basta ver que seu uniforme se parece muito mais com o uniforme de Holden Roberto do que os soldados Africanos negros de Angola ou Guinee.

Porém, chegar à verdade não importa na tradição oral. A imagem permite reforçar um mito: que existem pretos traidores e que estes são, ao mesmo tempo, humilhados pelos brancos.

Um segundo exemplo foi uma publicação sobre a história da cidade do Porto Amboim, que dizia que a cidade foi fundada num local onde existiu uma aldeia chamada “Kissonde”. Isso pareceu-me curioso, e por isso perguntei, num comentário, qual era a fonte desse nome. A resposta do administrador da página? “Não sei, copiei na internet”.

Claro que isto não descreve a única forma angolana de usar o Facebook. Afinal, o desejo pela fama leva a um foco excessivo no autor da publicação, como quando se inclui um retrato do próprio autor junto ao texto, mesmo que isso não seja necessário para comunicar a informação. Às vezes, chega-se ao extremo em que uma pessoa copia o texto de outra na tentativa de criar viralização.


O MPLA é de socialista ? Comunista ? de Esquerda ?

Uma jovem fez um vídeo dizendo que o MPLA não é um partido comunista ou de esquerda, com aquele tom arrogante de quem acha estar dizendo coisas óbvias, porém foi apenas um embaraço de confusões, sendo que se precisa esclarecer os termos (Ideologia, Socialismo, Comunismo) e depois refutar a adolescente de ponto a ponto.

O que é uma ideologia ?

Ideologia é conjunto de premissas que permitem ter uma explicação total do mundo sem que haja necessidade de recorrer a detalhes dos casos particulares, como se fosse um pensamento magico que apela a forças além das causas imediatas de um acontecimento.

As ideologias políticas são narrativas de legitimidade, de modo a justificar o direito de uma corrente política ao poder, identificar seus inimigos e amigos, sendo que as políticas económicas são apenas uma das formas que esta narrativa pode se materializar.

O que é o Socialismo e o Comunismo.

Apesar das diferenças, o socialismo e o comunismo partilham da mesma narrativa de legitimidade: a luta de classes, de modo a por fim a agressão do opressor sobre o oprimido, sendo que estas duas classes podem ser definidas de modo económico, racial, social, religiosos, ou mesmo sexual, naquilo que pode ser chamar de “revolução diversitaria”.

O Comunismo de tipo Marxista requer um “Partido de Comando”, constituído pelos intelectuais, que deve ser a vanguarda da revolução e liderar as massas proletárias, pois estas estão alienadas e não tem consciência de classe.

Em suma, o comunismo é uma estratégia de conquista do poder por meio da mobilização das massas de modo a criar uma situação revolucionaria que coloca o Partido de Comando no Poder, com as políticas económicas comunistas sendo apenas um dos vários instrumentos que podem ser usados para atingir este objectivo.

Além das similaridades, o facto do socialismo ser usado como fase de transição para a o comunismo justifica o facto das duas ideologias serem muitas vezes usadas de modo intercambiáveis, mas não são a mesma coisa.

O ultimo elemento que define o comunismo é o seu carácter internacionalista e universal, que permite as Elites de países de culturas radicalmente diferentes de comunicar de forma inteligível e se apoiar uma as outras.

O facto do MPLA ter todos estes elementos, 1) discurso de legitimidade na base da luta de classes, 2) Partido de comando, 3) fazer parte de uma rede internacional nacional-socialista, faz dele um partido comunista-socialista.

Feitos estes esclarecimentos, vamos refutar a jovem por linha:

Eu estou farta de falar sobre esse assunto, principalmente com pessoas ignorantes e que não têm conhecimento nenhum do que é que é socialismo ou do que é que é comunismo. Muitos até dizem que o próprio MPLA é um partido comunista, quando o comunismo nem sequer há Estado e nem classes sociais, enfim, enfim. Tem que ser muito leigo na matéria para dizer que o MPLA é um partido socialista mesmo e até comunista.

Karl Marx realmente definiu o “Comunismo” como um Estado de Anarquia Utópica a ser alcançado depois do triunfo da Revolução, porém em todos os casos de revolução comunista o Comunismo real se resume mesmo a hegemonia política, social e económica do Partido. Uma ideia não é real só porque a enunciamos.

Primeiro lugar, que em Angola tu não ouves falar de marxismo, em Angola tu não ouves falar de comunismo, de socialismo, tu nem sequer estudas esses diferentes modelos socioeconómicos, né? (0:32) Tu não estudas isso. Como um país socialista pode não estudar o socialismo? (0:36) Um mundo estranho.

O Comunismo e o Marxismo são tácticas de conquista do poder, e suas propostas económicas tem como objectivo criar instabilidade política e social que desencadeiam uma revolução que coloque o Partido no Poder, estando já o MPLA no Poder, não há motivos de recorrer a este expediente. Marcolino Moco disse que aderiu ao MPLA porque leu os livros de Neto e de outros autores comunistas na decada de 60, o que é normal pois o objectivo era a conquista do poder e a mobilização das massas.

Não há necessidade de “estudar socialismo” em Angola porque o padrão da economia da nossa cultura já é socialista.

Como um partido socialista tem no seu programa um projeto que visa privatizar, já privatizou 32 ativos e pensa em privatizar muito mais e muitas empresas, como?

Porque os partidos comunistas-socialistas, a nível do mundo, sabem que a economia de comando não funciona, e adoptaram todos um modelo de economia mista e recebem sua assessoria económica directamente dos escritórios do FMI.

Porquê que a Angola não se candidatou aos BRICS?

Isto é sintoma de uma mente memetizada por uso excessivo de Internet.

Porquê que o Adalberto Júnior reclamou há dias numa notícia que o Estados Unidos está desligado e está, meio que, a favoritar o MPLA? Ou seja, o maior aliado histórico do país, que é a maior oposição em Angola e é de direita, está a cooperar com os tais comunistas e os tais socialistas.

É absurdo dizer que os EUA como um todo são “de direita” e que sua suposta aliança com o MPLA seria prova que o Partido é de direita, até porque os EUA cooperaram com regimes de todas as perversões ideológicas no passado.

Antes de disseminarem falsas informações na internet, ponham mesmo no Google, não custa nada o que é comunismo e qualquer pessoa que sabe e entenda um pouco do comunismo sabe que nenhum país na história do mundo alcançou o comunismo.

Diz quem acha que comunismo iniciou e acabou com Karl Marx.

E que o MPLA não é um partido socialista, porque senão nós não teríamos passado de República Popular de Angola para República de Angola.

O Governo do MPLA travou uma guerra para impedir isto, sendo que teve de ceder depois de varias derrotas e perder seus dois maiores aliados, o que esta moça diz não é uma ideia mas apenas o sintoma da ausência de qualquer contacto com o mundo real, sendo que ela vive no mundo das ideias livres em que as pessoas podem fazer tudo o que quiserem.

Outro exercício mental que eu também tenho que fazer ou se questionar. Outro conceito que eu acho muito bom de vocês pesquisarem é o conceito de ditadura da burguesia. Para Marx, qualquer Estado é uma ditadura. Agora, depende dos interesses que esse Estado defende. E quando esse Estado defende os interesses dos burgueses, dos ricos, de uma classe só e não em prol do povo, isso chama-se ditadura burguesa. Ou vocês acham que o MPLA está mesmo muito preocupado em instalar uma ditadura do povo, uma ditadura do proletariado, que vende e seja o músculo da classe trabalhadora? Não.

A ditadura do proletariado de Marx não é um conceito de governo dos proletários, como que por principio democrático, mas de um governo da Elite intelectual em nome dos direitos dos proletários. O partido comunista Angolano já esta no Poder desde 1974, o resto não importa.

Eu sei que os níveis de pobreza e de precariedade de Angola não permitem o exercício e a prática realmente de um senso e um pensamento crítico.

Um argumento não dito, mas que esta implícito, é que sendo que o socialismo é bom, sabendo que o MPLA governa mal Angola, logo o MPLA não poder ser socialista pois não governa bem. Que é um discurso de legitimidade que esta abaixo das ideias, sendo apenas uma tentativa de monopolizar a moral a seu favor.

O vídeo completo

Angolano não muda de vida ao emigrar.

Me mostra quem é que foi lá fora e a vida mudou.

Você é um pobre aqui, vai lá fora e continua sendo um pobre lá fora. Um pobre com acesso ao autocarro, passeio, água na torneira.

Naice Zulu:

O Naice Zulu esta certo em suas palavras, sendo que basta se usar meios indirectos para avaliar o desempenho económico dos emigrantes Angolanos.

Primeiro, os Angolanos da diáspora enviam pouco dinheiro para Angola, apenas 12.6 milhões USD em 2021 e 13.9 milhões USD em 2022, isto para um universo de aproximadamente 380.000 Angolanos a viver no exterior, segundo um relatório do “Migration Policy Institute” de 2020, ou seja apenas 35$ por Angolano no Exterior.

Segundo, não há evidencia de excelência económica dos emigrantes Angolanos, por exemplo Angolanos não constam da lista de estrangeiros empregadores em Portugal, apesar de contar com uma comunidade de 32.000 pessoas com uma longa historia e similaridade cultural, sabendo se que em 2020, os brasileiros representaram 26,7% e os chineses 16% dos imigrantes empregadores em Portugal. Nas posições seguintes apareceram franceses (5,7%), seguidos de britânicos (5,2%), espanhóis (4,9%), ucranianos (3,2%), italianos (3,1%), alemães (3%) e indianos (2,6%).

Nos EUA, os Nigerianos são um imigrantes com rendimentos mais altos, qual é a posição económica dos Americanos ?

Sim, o Puto Prata, colega do Naice que virou operador de empilhadora nos EUA, esta a “mostrar maquinas na America”, só que ter um carro daquele tamanho nos EUA é algo normal para pessoa pobre, pois a venda de bens de luxo para pobres é uma táctica de negócios normal na América, com os ricos muitos vezes tendo gostos mais modestos, sendo que os lares com rendimentos anual abaixo de 50.000$ representam 27% dos compradores de bens de luxo, um grupo mais numeroso que os lares com rendimentos acima dos 150.00$ que consomem os mesmos produtos. O Livro “The Millionaire Next Door” é recomendado para quem quer entender paradoxo do pobre vivendo adornado de bens de luxo, pois os ricos são péssimos clientes de bens de luxo porque preferem guardar dinheiro para investir, preferindo ter uma vida modesta para ter dinheiro no futuro, enquanto que os pobres compram bens de luxo para demonstrar uma aparecia de opulência no presente, a custa da capacidade de ganhar mais no futuro . Recomendo este resumo do livro em dez minutos.

Uma parte dos Angolanos que emigram são na verdade expatriados, no sentido que seu estilo de vida não depende da economia do pais de residência. Os Angolanos expatriados em Portugal, usando o seus salários pagos em Angola, não conseguiriam sustentar seu estilo de vida se estivessem a trabalhar em Portugal, pais aonde a media salários é baixa, sendo que não faz sentido dizer que “mudaram de vida para melhor”, pois se tivessem que trabalhar em Portugal mudariam de vida para pior, não estando muito diferentes dos Angolanos que vivem de apoios sociais, na sua incapacidade de usufruir do estilo de vida desejado no pais de residência. O pobre continua pobre, e a pessoa de classe media só continua na classe media mediante rendimentos usufruídos em Angola.

Apesar da retórica vista nas redes sociais, os Angolanos não fazem emigração por desespero, afinal não estamos entre as nacionalidades que tentam emigrar por rotas perigosas, com risco de vida como pela Líbia, risco alto de fracasso por deportação, o perfil do emigrante Angolano é de alguém que pede um visto e viaja de avião.

Isto mostra que a retórica da “fuga de cérebro” não tem base na realidade, pois o Angolano emigra maioritariamente para países com economia estável aonde pode usufruir um estilo de mais confortável estando na mesma classe social. Qual é a proporção de Angolanos que emigram para países desconfortáveis a busca de oportunidades de negócios, como fazem, em Angola, os Oeste-Africanos ?

As paginas de rede social como emigrantes decisivos mostra um padrão de emigração longe do desespero:

O Angolano é emigrante do conforto.

Sim, vale a pena ser pobre na América do que em Angola, sim que o Naice tem razão, só mudaste de lugar aonde vais ser pobre, e quando as condições que criam teu conforto na emigração desaparecer, vais ter de voltar para Angola para continuar a ser o que sempre foste.

É. Se essa terra é nossa, nossos velhos lutaram por ela, nos ensinaram a lutar por ela, vamos ficar aqui. Tá difícil, tá difícil.

Me mostra quem é que foi lá fora e ficou fácil. Ninguém. Me mostra quem é que foi lá fora e a vida mudou.

Ninguém. Você é um pobre aqui, vai lá fora e continua sendo um pobre lá fora. Um pobre com acesso ao autocarro, passeio, água na torneira.

Naice Zulu, no Goza TV