O Colorismo não existe em Angola

O Colorismo não existe em Angola

O Colorismo não existe, na forma que é definida pelos afrocratas como ideologia que materializa o privilégio das “pessoas de pele clara”, afinal um privilégio não é apenas uma diferença, mas uma diferença imposta por força legal, sem a qual não existiria.

No passado, tinha um filho de ministro que cometeu toda a sorte de crimes e nunca foi preso, bateu até um agente da polícia fardado, gozava do privilégio da impunidade, não porque escolhemos todos respeitar os filhos de ministro, mas porque o pai dele concedeu o direito à impunidade usando seu poder.

Não pode existir colorismo como prática de concessão de privilégio sem que haja uma autoridade que conceda o mesmo.

Se fosse apenas uma questão de auto-estima de pessoas magoadas por penteados e namoros na adolescência . Até dava para ignorar …

Tenho certeza que há pessoas que tratam outras de modo diferente por conta de cor de pele, sendo negativo ou positivo, mas são preferências individuais, que podem ser criticadas.

Porém o discurso anti-colorista não é uma simples crítica de escolhas individuais irracionais, é na verdade um discurso de ódio.

Este discurso racista por calúnia difamatória, acusa a pessoa de crimes falsos de modo a incitar o espírito de vingança e a suspeita sobre sua posição social, desmerecendo seus feitos individuais ou dotes naturais, “só tem isto por ser clara”.

Lembram do caso da senhora que bateu no peito do agente de trânsito?

Os racistas disseram que o agente da polícia iria matar ou bater se fosse uma pessoa de cor escura.

Mas ninguém entra na polícia de trânsito para matar ou bater, entra para faturar, e aí já estava tudo pago: Veículo apreendido e multas com porcentagens para o agente. A suposta “privilegiada pela cor” ainda respondeu por um desacato à autoridade.

O que aconteceu aí foi simplesmente um comportamento puramente angolano, não importa a cor da pele: você sabe quem eu sou!

Este discurso de ódio racista é especialmente intenso contra as mulheres, que sendo vítimas de assédio sexual, como todas as mulheres Angolanas Bonitas, são tidas como sendo coloristas opressoras ao invés de vítimas de um crime como as outras mulheres Angolanas, sendo que aí, invés de beneficiarem de nossa simpatia, são hostilizadas por serem “privilegiadas”, acusadas de serem as últimas moabitas do país: Bandidas, namoram com os papoites… quem conhece o país sabe que há de todo tipo neste ramo.

A acusação difamatória como discurso de ódio foi um dos procedimentos usados para incitar violência no genocídio do Ruanda, especialmente pela rádio mil colinas, que acusava os Tutsis de toda a sorte de atrocidades de modo que qualquer Hutu se achasse no direito de fazer justiça pelas próprias mãos.

Angola tem uma história de discurso racista. Queimam-se gatunos em Angola porque as pessoas acreditam que a polícia não faz justiça, um sentimento justificado por casos reais. O discurso anti-colorista cria este sentimento de injustiça por meio da propaganda. Este discurso também leva à falta de compaixão, afinal “os claros têm privilégios, têm dinheiro”.

Julgar as pessoas por uma característica inata e imutável, ao invés de seus atos, constitui preconceito de modo geral, e racismo neste caso particular. Além de ser injusto, pois se estás a dizer que a pessoa não presta por ser clara, estás a dizer que ela nunca vai prestar.

Venâncio Mondlane, líder falso e autoritário.

Me interessei pela crise eleitoral moçambicana em reflexo da adesão total de activistas e oposicionistas angolanos à pessoa de Venâncio Mondlane, desde pessoas singulares a inundar o Facebook com textos a favor dele, como o Masamba Savimbi, sendo minha conclusão que estamos diante de um líder irresponsável, um líder autoritário, e ele tem pupilos que querem trazer este caos para Angola.

Mondlane, o falso líder

Mondlane desempenha o papel de líder apenas na medida em que está a ser obedecido por muitos moçambicanos; porém, sem realizar os outros papéis importantes de um líder: dar ordens claras aos seus seguidores e assumir a responsabilidade pelas suas decisões.

Mondlane tenta colocar a responsabilidade da fase V8 aos pés da juíza, quando as pessoas na rua respondem às suas ordens. Depois, tenta negar sua responsabilidade pelo resultado da fase V8, dizendo que “não foi isto que mandou fazer”, quando seu anúncio dizia claramente que iria “atirar o país no caos”. Mais tarde, tenta acusar a FRELIMO de estar por trás dos saques, alegando que soltaram 6.000 prisioneiros que estariam a cometer todos os assaltos num país de 36 milhões de habitantes — uma teoria da conspiração que tem como efeito secundário a morte dos neurónios dos seus seguidores.

Mondlane, líder autoritário

Venâncio Mondlane declarou-se vencedor das presidenciais, apontando o tamanho dos protestos como prova da dita vitória. Porém, o corte de estrada pode ser realizado por uma minoria de pessoas, especialmente se a maioria se sente insegura em romper a barricada por conta da turba claramente armada, que colocou a polícia a correr. Mesmo a dita greve nacional que Mondlane anunciou mistura pessoas que realmente não foram trabalhar com pessoas que ficaram intimidadas pelos seus adeptos ou pela insegurança no país.

Os protestos não provam que Mondlane venceu, apenas demonstram que os protestos são eficazes em paralisar as cidades. Mondlane ironiza perguntando “aonde está os 70 de Chapo”. Porém, porque um cidadão singular desceria às ruas para enfrentar uma turba claramente violenta, com historial de confronto com a polícia? Mondlane confunde o medo das suas vítimas com obediência — uma ilusão presente em vários ditadores ao longo da história.

Em resposta à onda de assaltos da fase V8, formaram-se grupos para limpar as barricadas e impedir os assaltos aos estabelecimentos comerciais, o que irritou Mondlane, pois cria o risco de revelar o tamanho minoritário do seu movimento, que parece grande apenas na medida em que usa a intimidação para paralisar a maioria.

Está contra o vandalismo? Estás a defender a MPLA!

Estamos diante de uma falácia conhecida como “mota castral”: ligar uma proposta razoável a uma proposta extremista, para acusar a pessoa que se opuser à segunda de estar contra a primeira. Concretamente, significa fingir que quem se opõe ao vandalismo é a favor da MPLA… com a premissa oculta de que a MPLA seria a causa única da situação do país — uma mentira. Porém, isto será matéria de discussão noutro texto. No caso de Moçambique, não tenho a certeza; porém, a turma VM7 acha que são os únicos a ter a ideia correcta sobre os problemas dos países.


Abel aliado do MPLA, ou os democratas contra a Democracia.

Abel aliado do MPLA, ou os democratas contra a Democracia.

A polémica política do final do ano de 2024 foi uma suposta intenção de Abel Chivukuvuku  de entrar em coligação com o MPLA em 2027, depois de dizer que ” vai ser governo ou parte do governo em 2027″.

O mais interessante desta história foi a reação da oposição e dos activistas contra um procedimento que é normal na Democracia que eles tanto pregam, nos países que gostam de nos esfregar na carra como exemplos a seguir, com a Gerrigonça do país irmão, Portugal.

Claro que uma coligação do Abel com o MPLA seria contra os interesses políticos da UNITA e os Activistas, tendo seu direito ser contra a mesma, porém o problema está em confundirem seus interesses políticos com os interesses da Nação Angolana. Quais são os interesses da Nação? Os interesses de todos os cidadãos, expressos de modo individual ou colectivo por meio de partidos, incluindo o MPLA. Quem delegou a UNITA e aos activistas o poder de decidir quais são as opiniões políticas legítimas ? Em países como a francesa, está táctica de exclusão extrajudicial, por meio de pressão social e moral, foi usada pela esquerda para dividir o voto de direita, associando o Front Nacional ao Nazismo para impedir uma coligação com Republicanos, garantido assim décadas de poder da esquerda apesar de ser minoritária.

Os esclarecimentos do Abel são politicamente astutos e confirmam o seu lugar na política nacional. “Se a nossa intenção fosse aliar-nos ao MPLA, por que criaríamos o PRA-JA?” … Na mesma moeda, porque não se juntar à UNITA ao invés de criar um partido? Claro que a resposta é que Abel não quer ser apenas um militante, acredita no seu carisma e quer estar no centro dos acontecimentos.

“Não se faz aliança com quem nunca pediu. Somos e continuaremos a ser Frente Patriótica Unida” é uma forma interessante de dizer que a possibilidade de uma aliança depende do MPLA fazer a proposta ao Abel, que deixa assim aberto várias portas.

Na minha opinião, uma coligação entre o MPLA e o PRA-JA seria benéfica para continuar com a transformação de Angola em um país normal, em que a política serve para escolher soluções para resolver problemas específicos, ao invés da entrega do poder total para uma minoria fazer uma revolução e refundar o Estado. Na Itália, por exemplo, Mateo Salvino viabilizou o governo do partido no poder em troca do cargo de ministro do interior para pôr fim a crise de imigração ilegal e cumprir o mandato popular que recebeu.

Isto porém é contra os interesses da UNITA, que tem sua legitimidade apenas na sua pretensão revolucionária e que não se sente confortável na política das soluções concretas, claro que parte da população se sente representada por este anseio, porém isto é alimento em parte pela ausência de uma alternativa em suas mentes.

Deve-se acrescentar que a FPU é um fantasma jurídico e político, permite a UNITA aumentar seu número sem diluir o poder das pessoas que já estão dentro da UNITA, o que poderia acontecer com uma fusão que iria obrigar a cedência de cargos e lugares de deputados. Legalmente os cargos de deputados cedidos aos independentes pertencem ao partido UNITA, que pode simplesmente expulsar o independente sem qualquer consequência política.

A FPU é um namoro, onde ninguém tem direitos e não pode se queixar dos cornos …

Deputado Adriano Abel Sapiñala e o Câmbio do Dia.


Deputado Adriano Abel Sapiñala e o Câmbio do Dia

Durante o mês de Dezembro de 2024, o deputado da República, que custa 50 milhões por ano aos cofres do Estado, tem perguntado “quanto está o câmbio hoje”, como se fosse algum memeiro desempregado, achando-se muito esperto e regozijando-se no engajamento que colheu com este novo slogan.

Texto sobre o salario dos Deputados: https://roboredo.home.blog/2024/01/11/as-ferias-do-jlo-nas-seicheles-parte-2-a-hipocrisia-da-unita-e-o-gabinete-de-accao-psicologica/

Claro que é comum que políticos usem slogans, por exemplo o Make America Great Again (MAGA) de Donald Trump, porém eles explicam em detalhes quais são as medidas práticas que têm em mente para resolver o problema em questão.

Nos Estados Unidos havia dois políticos que usavam slogans como método principal de mobilização, mas com resultados diferentes.

O primeiro, Jimmy McMillan, tinha como slogan “The Rent Is Too Damn High” (A renda está alta demais), sem nunca dizer por que ou como poderia resolver-se, perdeu a eleição e, uma década depois, as rendas continuam altas.

O segundo, Ron Paul, tinha como slogan “End the FED”, ou seja, a extinção do Banco Central Americano. Embora tenha perdido também as sucessivas eleições presidenciais às quais concorreu, a discussão em torno das soluções que ele propôs levou a um debate sobre política monetária em um público amplo, tanto que agora o FED não está mais livre para agir de modo discreto, e há várias iniciativas legislativas para lidar com os problemas monetários causados pelo Banco Central.

A lição é que as eleições não se resumem apenas a ganhar o poder; às vezes, o mais importante está em construir um consenso em torno de soluções práticas, de modo que o seu adversário sinta-se obrigado a adotar as mesmas para estar nas boas graças do eleitorado.

Infelizmente, em Angola a política se limita apenas à tentativa de conquista do Poder, os detalhes do que o profeta político vai fazer uma vez no palácio sendo um segredo dos deuses… basta confiar que estamos a apoiar um anjo em vez do demônio que agora ocupa o Poder.

O câmbio está, sim, alto, mas o senhor deputado propõe o quê? Sabemos que o “câmbio estava bom” por um tempo porque o BNA usou as reservas cambiais de Angola para apoiar o Kwanza antes da última eleição, algo que o Presidente da UNITA denunciou como uma manipulação eleitoral. Será que o Deputado Adriano propõe que se faça o mesmo agora? Por quanto tempo? Sabendo-se que o mundo passa por um período inflacionário, estamos a refletir inflação mundial, com uma inflação de quase 8% na Europa e EUA em 2022, que baixou para quase 2,5% em 2024, mostrando uma tendência mundial. Como o senhor deputado propõe lidar com isso?

Coloquei estas perguntas na página do Facebook do Deputado, porém este recusou-se a responder mesmo depois de ser lembrado que tem este dever diante de um contribuinte, alegando ser também um contribuinte. No final, bloqueou o meu perfil, ele, membro de um partido que se diz vítima da intolerância.

Um adepto do deputado respondeu-me dizendo que “o deputado já expôs várias vezes no parlamento e foi ignorado [pelo MPLA]”, o que até pode ser verdade, mas o que custaria ao deputado expor de modo detalhado o seu método de baixar o câmbio? Afinal, ao mesmo tempo que faz o meme, pode escrever a explicação. Por que não o faz? Porque o deputado não quer que o câmbio baixe; pelo contrário, quer que suba e que a vida fique ainda mais difícil, porque assim as pessoas vão votar na UNITA quase que automaticamente. Isto ignora o fator de que algumas pessoas nunca votariam na UNITA em suas vidas, do mesmo jeito que algumas não votariam no MPLA, por motivos próprios que nada têm a ver com a economia. Mas esta possibilidade está além da imaginação do deputado.

Se assumirmos que o deputado sabe como baixar o câmbio e sua solução não é ineficaz, ele provavelmente tem medo de que “o MPLA copie nossa solução”, como foi dito por um político da oposição em um debate de televisão. Afinal, chegar ao poder é mais importante que resolver problemas.

Os partidos no governo na Europa têm adotado parte das políticas anti-imigração de partidos nacionalistas de oposição como forma de diminuir o seu apoio popular, porém, no fim, a política advogada acaba sendo posta em prática e, por isso, esses partidos atingiram o seu objetivo mesmo sem terem chegado ao Poder.

Os problemas de Angola são urgentes, mas temos de esperar a UNITA chegar ao poder para nos dizer como podem ser resolvidos. Vamos manter a serenidade.

Os problemas de Angola não podem ser resolvidos porque estes são, na visão da UNITA, os degraus da escada que os levará ao poder.


O discurso revolucionário se limita a fórmula: Denuncia + agitação= poder

O discurso politico normal é: Denuncia + proposta de solução = fim do problema

Israel and the Jordanian Option

With the Fall of Assad regime in Syria, Israel has achieved has achieved two strategic objectives: It destroyed Hezbollah logistical link with Iran and eliminated the threat, however diminished, of a Syrian attack, be it conventional by completing its occupation of the Golan or be it by destroying the Weapons of mass destruction of the Syrian Arab Republic. However, there is still one final move, that can guarantee Israel for the next century, something I would call the Jordanian Option.

First, let’s keep in mind that Israel main problem since gaining independence was its lack of strategic depth, both geographical and demographic, as the country is too small to defend itself and have a population too small to maintain a standing army to defend its borders, which has to a policy of preemptive strike to destroy any concentration of enemy forces at it’s borders, which led to the spectacular victory in the 6 day war. This need for strategic depth had guided Israel policy over the years, trading geographic depth for political depth in the case of Sinai, by giving up the peninsula in exchange of Egyptian guarantees of not concentrating offensive forces in the west of the Suez Canal, not falling for the trap of conquest without strategic purpose.

When Israel evacuated Gaza, in 2002, it was done under the understanding that the enclave terrorist forces would have no offensive capacity against Israel territory that could contained by the IDF technological superiority, that could defeat Hamas missiles with the Iron Dome System and destroy the missiles on the ground with it’s air-force.

however the October 7 attack by Hamas upended this calculation, with Israel returning to its condition anterior to the 6 day war: A hostile force could concentrate at its borders and invade at any moment, forcing Israel to maintain a costly mobilization that it can’t sustain economically and demographically … so Israel chooses its only logical choice: Preemptive strike to remove the threat completely by invading Gaza to destroy Hamas and Lebanon to prevent Hezbollah from intervening before finally cutting a deal with Turkey to topple Assad in order to cut its enemies supply line.

But there is still a problem, that Israel has no demographic depth, as there is almost as many Palestinians as there are Israelis between the River and the Sea … so fully annexing Gaza and the West Bank carries the risk of the State of Israel of becoming a Palestinian State. The Israeli Left solution to this problem has been to create a Palestinian State in Gaza and the West Bank, which carried the risk, materialized in Gaza and contained in the West Bank, of negating Israel strategic depth by allowing a concentration of hostile forces in striking distances of the country core. The only rational course of action, in the unprecedented opportunity by provided by providence, is of the Israeli right to create a Palestinian across the Jordan River, by activating the Jordanian Option.

The Hashmite Kingdom of Jordan is, in a sense, already a Palestinian State, as between 30 and 50% of its population are of Palestinian descent, which corresponds to anything between the biggest ethnic group to the majority ethnic group of the country. This reality has fueled Palestinian tentative to seize power by force in Jordan, in the Black September Coup, and protests for greater political rights with the ruling Hashemite Monarchy celebrating marriages with Palestinian princess to increase its legitimacy at the eyes of one of the biggest constituency in the kingdom.

Israel should seek to redirect Hamas towards Jordan, which could do so both to “Liberate the Palestinian people People from Minority Hashemite rule” and has a base for future war reconquest of the Palestine between “the river and the sea”, which would carry the risk of creating a massive hostile state in its eastern border that could threaten the straits of Tyrant, but which solve once for all the Palestinian threat to the Jewish character of the State of Israel.

There is already a Palestinian-Jordanian political discourse about Palestinian State in Jordan, all that is needed is for Bibi to be bold and cross one more Rubicon, because the alternative would be to wait for Turkey setup Hamas in Syria in order to feed the Arab street desire for the eternal “cause celebre” of a Palestinian State, a civilization wide WWE match between Israel and terrorists … Take away the remote, Bibi, do something crazy. Remember that Turkey had tried to break Israeli blockade of Gaza with the so called “humanitarian flotilla”

Some could object that Jordan is a Western Ally and has collaborated with Israel on mutual interests for decades … but it is always dangerous to be an American Ally and Turkey can’t be left to be the Middle East champion in betrayal.

There is wide speculation about Israel desire to realize a “Greater Israel” by taking over territory between the Nile and the Euphrates, but this is just delusional ideas spread to cause in the Arab mind, beside being rooted in a 19th century thinking, in modern strategic terms Israel seeks to eliminates any conventional threats to its territory between the Nile and the Euphrates, beings it by annexing strategic terrain like the Golan, signing treaties of non-aggression with Egypt, toppling hostile governments in Syria … so the next logical step is to transfer the Palestinians to Jordan, to eliminate the risk of a demographic defeat.

My Prediction is that the next war in the Middle East will be in Jordan, after Israel Total Victory in Gaza, Syria and Lebanon, with the aim of establishing Palestinian State in Jordan.

A Queda do Assad e a Miragem dos BRICS

A Queda do Assad e a Miragem dos BRICS

Muitos angolanos criticaram o Presidente JLO por não ter ido a uma cimeira dos BRICS em 2023, que seria uma organização que representa um novo futuro liderado pelo Sul Global, que iria derrubar o Império Americano…

Porém, o colapso do Governo do Assad na Síria mostra que o inquilino da Cidade Alta esteve certo e que os internautas angolanos nem deveriam ter o direito de votar para chefe de turma.

Em teoria, a queda do Assad deveria ter sido impossível. Afinal, tinha o apoio dos BRICS, com um dos maiores fabricantes de armas do mundo (Rússia), a segunda maior economia do mundo (China) e um país com uma juventude fanática disposta a morrer em combate (Irão), ou seja, os três ingredientes para vencer uma guerra: armas, dinheiro e homens.

Porém, na prática, a China está sem apetite para financiar diretamente qualquer confronto contra os EUA, a Rússia atingiu seu limite militar no confronto ucraniano e o Irão foi incapaz de coordenar os seus aliados de modo eficaz contra Israel, cada um se lançando à fogueira de Tel Aviv de modo solitário, como naqueles velhos filmes de kung fu…

O Governo de Luanda, continuando com sua prática de equilíbrio entre potências, não se deixou levar por modas de internet, fomentadas provavelmente pela inteligência russa, e evitou a conversa dos BRICS.

Estou chegando à conclusão de que a elite angolana não seja autoritária por maldade ou por mera prepotência, mas por aquela falta de paciência que um pai tem com seu filho burro que quer opinar sobre assuntos dos mais velhos, do alto de seus 12 anos de vida.

A visita de Joe Biden a Angola e o Angopessimismo.

A visita de Joe Biden a Angola.

A visita do presidente Norte Americano permitiu revelar vários sintomas de uma das doenças intelectuais que assolam o nosso pais: O Angopessimismo ou Activismo.

O Angopessimismo se caracteriza por uma oposição histérica ao governo de Angola se transforma em uma oposição a Angola como pais. Uma das causa ? Preguiça intelectual, afinal as pessoas tem medo de entrar na política dos “Países normais”, em que se deve apresentar propostas que sejam relevantes para lidar com problemas reias. Preferem pelo contrario a “luta contra a ditadura”. que tem apenas uma simples solução: levar a oposição ao poder, conhecido erroneamente como alternância. São pessoas refém do espírito revolucionário, que passaram da denuncia do que nao esta bem para a celebração das coisas que nao vai bem e agora acabam a denunciar problemas que nao existem. Primeiro diziam que o Biden estava a ignorar o JLO, para agora dizer que a visita nao tem relevancia … sem perceber que as duas coisas nao podem ser verdadeiras.

A forma mais extrema do Angopessismo se manifesta no que podemos chamar de Activismo, uma pratica histérica e anti-democractica.

Histérica porque o Activista julgo o mundo e as pessoas a partir de uma ideia fixa, sua oposição a uma opção política, sendo por isto como que um maluco que organiza o transito: imita as manobras do Agente de Transito, porem nao se preocupa em saber se esta realmente a ajudar os motoristas, basta-lhe o Acto de Activismo apenas.

Anti-Democratico porque o activista se auto-proclama representante da comunidade, a titulo vitalício, e decide sozinho quais sao as prioridades da comunidade. Um político ao menos se sujeita aos eleitores e tem de mudar seu programa para conseguir suporto.

Os Angopessimistas ja festejam a inutilidade do accordo celebrado, alegando que o Trump vai o ignorar, porque afinal tudo que vai mal em Angola os aproxima do seu sonho: Ascender ao poder. Adeptos de uma Escatologia digna de desenhos animados japoneses.

Afinal nada importa, para os Angopessimistas, alem da revolução, o assunto que discutem são sempre acessórios para este fim. Criticaram tudo, incluindo a tolerância de ponto decretada, as medidas de segurança, o acordo, etc …

O Valor Económico, um dos piores jornais de Angola por causa de seu activismo sem limites, condensa os argumentos dos Angopessimistas: https://valoreconomico.co.ao/artigo/angola-nao-merece-isso?fbclid=IwY2xjawG85VJleHRuA2FlbQIxMQABHc_7opu7U_I_nuzh7md6Ro91fQ-I7S4VXpdPzhwwScY_cerPyejUGeGcfQ_aem_w_q1Wvtp-iNcD2jWzVaYiw

Qual seria o alcance real da visita do Biden ?

Um marco importante das relação entre os dois países, que provavelmente vai continuar no governo Trump no que toca o investimento no corredor de Lobito, por virtude da advogacia das empresas envolvidas, enquanto que a parte cultural que orbita a volta da memoria do trafico de escravos vai ser provavelmente ignorada pelo Trump, adepto de uma Americanismo sem culpas.

As ilusões de uma virada total de Luanda para a América, como os medos de sua virada total para Beijing, surge de uma ignorância da estratégia Angolana do equilíbrio geopolítico: Nunca depender totalmente de uma potencia, de modo a evitar de ser colocar totalmente a suas ordens ou de perder os meios de se defender se esta potencia retirar seu apoio, como aconteceu no caso da Republica Centro Africana quando o presidente Holande decidiu que as tropas Francesas presentes no pais nao iriam se opor a uma ofensiva rebelde sobre a capital, apesar de um acordo militar em vigor. Por isto que o Governo Comunista do MPLA, após sua vitoria em 1975, não confiscou os campos de Petróleo do Malongo operados pela Chevron, de modo a ter uma fonte de financiamento independente da Russia e Cuba, respectivamente fornecedores de armamento e de forcas militares, garantido assim uma certa independência.

Por isto que Luanda continua com a cooperação militar com vários parceiros, para evitar que influencia desmedida de uma pais sobre o Estado de Angola, o que também permite evitar um fenómeno similar ao golpe da Guine pelo comandante de unidade anti-terrorista..

Este pragmatismo de Luanda continua ate os dias de hoje, com a divida chinesa usada para restaurar o caminho de ferro de Benguela sem que seja vendido a China, e agora a sua ampliação com fundos americanos sem que haja uma venda. O corredor do Lobito permite que Luanda diversifique sua clientela para o caminho de ferro de Benguela, que depende da estabilidade do Congo-Kinshasa, um pais que esta em uma trajectória de implosão política. Ao ligar Lobito directamente a Zambia, sem passar pelo Congo, o Corredor de Lobito abre um mercado politicamente mais estável e prospero para Luanda. Do ponto de vista Americano, o corredor tem como objectivo criar uma rota alternativa para a exportação de minérios da África central, de modo a controlar a cadeia de abastecimentos de materia prima que possa ser essencial para a China, com um efeito de escala local que interessa a Luanda: limitar a exploração por grupos armados no Congo RDC, que financiam seu armamento, o que pode levar finalmente a uma paz naquele pais.

Os lideres Angolanos nao sao ideólogos, como se pode ler neste artigo de um think-thank Americano, sendo a parte mais ideológica do MPLA entrou em dissidência e agora faz parte da oposição, se concentrando no BD e representado por personalidades como o Pepetela, que foram Marxistas fieis e úteis no tempo do partido único, quando a radicalidade era necessária.

O que guia o pragmatismo da Elite Angolana ? O Desejo de permanecer no poder, o que levar a um realismo ao lidar com os problemas do mundo, apesar de varias décadas de doutrinação comunista, sendo que sabem que preservar os interesses do Estado de Angola sempre foi a melhor forma de atingir este objectivo.

O Facebook como uma forma de tradição oral em Angola

O Facebook como uma forma de tradição oral em Angola

Parece estranho considerar um meio de comunicação escrito como uma forma de tradição oral, porém tenho notado que a maneira como se usa o Facebook em Angola se aproxima muito de uma forma de tradição oral: ausência de autores individuais, apelo a uma autoridade superior ao autor individual (óbvia ou colectiva) e desejo de reforçar a mitologia colectiva acima de qualquer preocupação com a verdade.

Um exemplo é uma publicação sobre os “Cipaios, bufos de Angola”.

Neste caso, basta comparar o suposto “cipaio colonial” com as fotos de soldados africanos das Forças Armadas Portuguesas da mesma época para notar que o uniforme é totalmente diferente: a farda não tem a mesma cor nem o mesmo corte da farda portuguesa, e o suposto “cipaio” tem uma idade superior à média dos recrutas africanos da época.

Além disso, a forma desrespeitosa em que o soldado branco segura as patentes que parecem superiores às suas seria punida pela disciplina militar.

Então, o que a foto retrata? Provavelmente, um soldado da FNLA capturado em combate e com uma patente tão alta que suscitou o espanto dos soldados portugueses. Basta ver que seu uniforme se parece muito mais com o uniforme de Holden Roberto do que os soldados Africanos negros de Angola ou Guinee.

Porém, chegar à verdade não importa na tradição oral. A imagem permite reforçar um mito: que existem pretos traidores e que estes são, ao mesmo tempo, humilhados pelos brancos.

Um segundo exemplo foi uma publicação sobre a história da cidade do Porto Amboim, que dizia que a cidade foi fundada num local onde existiu uma aldeia chamada “Kissonde”. Isso pareceu-me curioso, e por isso perguntei, num comentário, qual era a fonte desse nome. A resposta do administrador da página? “Não sei, copiei na internet”.

Claro que isto não descreve a única forma angolana de usar o Facebook. Afinal, o desejo pela fama leva a um foco excessivo no autor da publicação, como quando se inclui um retrato do próprio autor junto ao texto, mesmo que isso não seja necessário para comunicar a informação. Às vezes, chega-se ao extremo em que uma pessoa copia o texto de outra na tentativa de criar viralização.


Redes Sociais e o excesso de bobos da corte.

Redes Sociais e o excesso de bobos da corte.

A posse de um bobo da corte era reservada aos reis e poderosos deste mundo, afinal, trata-se de um ser humano liberto da necessidade de trabalhar para sobreviver em troca do dever de entreter o seu hóspede a todo o custo, com muitos acabando mortos por terem levado a brincadeira ao limite da paciência de seu dono. Para o comum dos mortais, havia apenas disponível o idiota da aldeia ou, para os mais sortudos, o da vila.

Porém, com as redes sociais, fruto do capitalismo moderno, pessoas normais têm agora o direito de ter vários bobos, sem possuir corte e mesmo sendo pobres, graças ao número quase ilimitado de influenciadores digitais e activistas de várias estirpes (políticos, sociais, afrotas ou indefinidos), que lutam pela atenção das massas a cada minuto, fazendo e dizendo coisas cada vez mais estúpidas para criar “conteúdo”, definido como uma massa sem fim de tentativas de captar a nossa atenção.

Pode parecer absurdo, porém o governo do Uganda expulsou um turista neozelandês, Zungu Boda, do seu país porque este vivia da monetização de conteúdo que ridicularizava as condições do país, o que constituía uma actividade económica para a qual se precisa de um visto de trabalho. Aliás, nos Estados Unidos, os influencers têm o direito de pedir descontos nos seus impostos por dinheiro gasto na produção de conteúdo.

Claro que esta actividade pode ser fonte de rendimento, seja por monetização formal ou informal, porém a ilusão de que qualquer um pode viver da fama leva a uma corrida desenfreada à sua busca.

Entretanto, com o caso da jovem que acusou o Scro Que Cuia de fuga à paternidade numa live com a Anelka, cruzamos para um novo território: a busca da fama mesmo que não sejamos conhecidos e mesmo que não tenhamos qualquer benefício pessoal directo. Afinal, a moça fez a denúncia de forma anónima com uma conta sob pseudónimo que seria quase impossível de monetizar, o que levou o Scro a achar que era uma difamação encomendada por um inimigo. Aqui temos um tentativa de criar impacto no mundo,

O kudurista angolano Scró Q Cuia viu-se recentemente envolvido numa polémica, após ser acusado durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais de engravidar uma jovem e recusar assumir a paternidade. O caso foi exposto pela influenciadora digital angolana Anelka, numa live onde a jovem fez graves acusações contra o artista, alegando ainda estar a ser ameaçada de morte por ele e pela sua irmã, numa tentativa de a forçar a interromper a gravidez.

Em resposta, Scró Q Cuia partilhou um trecho da referida live acompanhado de uma extensa mensagem nas suas redes sociais, onde negou categoricamente as acusações e pediu ajuda aos seus fãs para identificar a jovem.

“Por favor, ajudem-me a encontrar esta jovem que esteve ontem na live da Anelka. Eu não a conheço. Ela está a dizer que a engravidei, que não quero assumir e que a estou a ameaçar de morte para tirar a gravidez, juntamente com a minha irmã. Isto é perigoso, família (…). Quero saber o que ela pretende comigo e quem está por detrás destas acusações. Eu não faço mal a ninguém, não façam isso comigo, por favor,” escreveu o artista.

De uma maneira, somos mais ricos que os reis do passado que deveriam se limitar a ter apenas um bobo da corte, pois temos milhares que se oferecem para nos.

Um fenómeno mundial, que chega a extremos na China:

Uma proposta infantil: Estátuas de Holden Roberto e Savimbi no Largo da Independência

Uma proposta infantil: Estátuas de Holden Roberto e Savimbi no Largo da Independência

Nunca imaginei que a minha proposta infantil, proferida com a autoridade de meus catorze anos, enquanto conversava sobre política com uns amigos mais velhos de meu pai, seria uma proposta de um deputado da Assembleia Nacional e, muito menos, que seria publicada em jornal sem qualquer crítica. A ideia de colocar as estátuas de Jonas Savimbi e Holden Roberto no Largo da Independência, apresentada pelo deputado Ekuikui como uma proposta moderada que visa a reconciliação, não passa de uma tentativa de propagar uma versão falsa da história de modo a apoiar a sua táctica de subversão, e constitui uma tentativa da UNITA de participar na política da legitimidade em vez da política das propostas. A independência de Angola tem um pai, que se chama Agostinho Neto, mesmo que não se goste dele ou do seu partido, sendo que nenhuma reconciliação pode ter a mentira como seu alicerce.

A verdade histórica: Agostinho Neto como pai único da independência

A primeira maneira de atacar o lugar de Agostinho Neto como pai da Nação é alegar que os “outros também lutaram”, porém isto seria como exigir um prémio de participação, em que as pessoas devem ser premiadas por apenas tentar, sem ter conseguido atingir o objectivo. Neste caso, confunde-se parte do processo de independência, “lutar pela independência”, com o processo todo. Afinal, um país independente não se resume à ausência de tropas estrangeiras: tem que ter um (1) Estado capaz de defender o seu (2) território por meio de um (3) exército e ser reconhecido por (4) Estados estrangeiros.

Primeiro, não podemos cobrar a existência de um Estado aos movimentos, porém está claro que, na altura, apenas o MPLA tinha à sua disposição uma capacidade burocrática capaz de gerir negócios de Estado, sem depender excessivamente de redes informais, como o costume tradicional Bakongo, no caso da FNLA, ou a família extensa, como no caso do Savimbi.

Segundo, se todos os movimentos tinham, pelo menos em teoria, o mesmo território em comum, apenas o MPLA tinha como seu objectivo explícito a preservação da sua integridade territorial, com a FNLA disposta a ceder Cabinda ao Zaire de Mobutu, actual RDC, em troca de apoio militar, e a UNITA entretida em criar uma República do Sul de Angola.

Terceiro, os três movimentos tinham um braço armado, porém, destes três, apenas o MPLA se aproximava do que seria um Exército Nacional, em parte por ter recebido muitos desertores do Exército Colonial e por ter um aparelho burocrático capaz de gerir uma logística moderna, em comparação com a FNLA, que era uma coligação instável de guerrilheiros, tropas regulares do Exército Zairense e mercenários portugueses, e que nunca teve coesão operacional, ao ponto de os dois primeiros abandonarem o terceiro elemento na sequência da Batalha do Quifandongo, em uma fuga desordenada até à Maquela do Zombo. A UNITA, por seu lado, não tinha homens suficientes para estar em pé de igualdade com os dois movimentos rivais, sendo prova disto dois factos: primeiro, que a infantaria angolana que acompanhou os sul-africanos na Operação Savannah era composta por guerrilheiros da FNLA e da Revolta do Leste; e, segundo, que, quando se amotinaram, não foi Jonas Savimbi quem teve de realizar um comício para os convencer a continuar a luta, mas sim Daniel Chipenda. A UNITA como força militar temível é um fenómeno dos anos 80 e não dos anos 70. Sendo assim, Daniel Chipenda, no quadro dos acontecimentos que levaram à independência, tem mais bagagem para estar no Largo da Independência do que Jonas Savimbi.

Quarto, se os três movimentos exerciam uma actividade diplomática, tendo, por isso, o apoio de Estados e Exércitos estrangeiros, apenas o MPLA encontrou uma fórmula que garantia apoio suficiente para estabelecer o Estado (intervenção cubana) sem abrir mão do seu território, como a cedência de Cabinda ao Zaire, no caso de uma vitória da FNLA, e sem criar uma hostilidade intransigente dos Estados vizinhos ou poderosos, como aconteceu no caso de Israel. Apesar de terem os seus peões derrotados, o Zaire, a África do Sul e os Estados Unidos da América aceitaram, em princípio, a existência do Estado de Angola, seja por meio de equilíbrio de forças, como as invasões do Catanga pelo MPLC apoiado por Agostinho Neto, ou por garantias de respeito de direitos cedidas pelo governo anterior, como o caso dos campos de petróleo de Cabinda explorados pela Chevron. Claro que isto não era perfeito, pois Luanda foi arrastada pelos seus aliados para um conflito com a República Sul-Africana que era desnecessário e alimentou a rebelião da UNITA por muito tempo.

A segunda maneira de atacar o lugar de Agostinho Neto

A segunda maneira de atacar o lugar de Agostinho Neto consiste em trazer à tona os Acordos de Alvor e a sua suposta violação unilateral pela UNITA, com um deputado da UNITA a ameaçar que iria “revelar quem iniciou a guerra”, como se não soubéssemos o que vai dizer. Isto é sintoma de uma visão ingénua da história, que vê os Acordos de Alvor como uma tentativa de criar um Estado democrático apenas porque este era o seu objectivo anunciado, em vez de constatar o seu objectivo real, tendo em vista a sua aplicação efectiva.

O efeito principal do Acordo de Alvor foi a dissolução do Exército do Estado de Angola, vulgarmente conhecido como Exército Colonial, que era constituído por africanos e europeus em partes quase iguais, para ser substituído por uma força mista composta por soldados do Exército Português e dos três movimentos. A partir desse momento, não existia no território angolano uma força militar capaz de impedir as três invasões estrangeiras (cubanas, sul-africanas e zairenses) e de evitar o conflito entre os três movimentos.

O segundo efeito, de impedir a formação de projectos políticos além dos três movimentos, apenas acelerou as consequências nefastas do primeiro efeito, obrigando todos a escolher um dos lados num estado de guerra civil quase imediato. O Acordo de Alvor foi uma declaração de guerra, além de ser o acto fundador da ditadura em Angola, ao negar aos angolanos o direito de criação de partidos políticos para a defesa dos seus interesses. Esse direito só foi reconquistado nas eleições de 1992 e vem sendo atacado por uma UNITA que vê fantoches do MPLA em qualquer projecto político que não tenha como objectivo a ascensão da UNITA ao poder.

Táctica de subversão

No quadro da sua estratégia da Terceira Revolução Angolana, a UNITA leva a cabo uma política de subversão que visa pôr em causa a legitimidade do MPLA para governar Angola, neste caso atacando a veracidade da fundação do país por Agostinho Neto. Além disso, insiste na alegação de que qualquer eleição que não tenha a UNITA como vencedora é obviamente um caso de fraude eleitoral.

Esta política da legitimidade é uma praga que Angola tem de superar, pois consome a capacidade cognitiva da Nação em debates históricos estéreis sobre quem começou a guerra colonial ou quem traiu quem em 1974. Muitas vezes, essa retórica desce ao nível da política de aldeia, limitando-se a teorias da conspiração sobre a verdadeira identidade do governante. Afinal, pensa-se que, se fosse filho da terra, não maltrataria o povo! Por isso, boa parte das teorias da conspiração favoritas em países africanos gira em torno da suposta origem estrangeira dos governantes, como alegaram, por exemplo, que Mobutu era da República Centro-Africana ou que Laurent Gbagbo era da Nigéria.

A retórica da legitimidade é mais fácil e confortável que a sua alternativa, a política das propostas, em que devemos identificar os nossos problemas e apresentar soluções para os resolver. Por isso, a UNITA insiste na retórica da luta contra a “ditadura”, pois esta não requer qualquer proposta concreta excepto a remoção do MPLA do poder. Aliás, um comentador da UNITA disse, durante um debate na TPA, que o seu partido não apresenta propostas concretas por medo de estas serem copiadas pelo MPLA, demonstrando assim uma falta de espírito republicano e uma prioridade absoluta pela busca do poder.

Seria como se os partidos que lutam contra a imigração em massa na Europa tivessem medo de exprimir os seus programas ou até mesmo se opusessem à sua aplicação pelos partidos no poder, por receio de perder a chance de subir ao poder. Como se os problemas de Angola não fossem urgentes, podendo esperar que a UNITA suba ao poder para os resolver.