Nova lei da liberdade religiosa em Angola, necessária e atrasada.

Nova lei da liberdade religiosa em Angola: necessária e atrasada

A proposta de lei sobre a liberdade religiosa em Angola parece-me acertada em quase todos os pontos — com exceção de dois aspetos que merecem atenção crítica. As reações negativas vistas nas redes sociais angolanas reduzem-se a lugares-comuns que ignoram os méritos concretos da lei e os problemas estruturais que ela visa resolver, nomeadamente: a proliferação de pseudoigrejas (bizambi-zambi), a comercialização da fé e o extremismo religioso.

1. Controlo da proliferação de pseudoigrejas
No jornal DW África, de agosto de 2024, materia conta mais de 2.000 igrejas informais no país, 80 % localizadas em Luanda. Muitos líderes jovens, sem formação, exploram crentes vulneráveis. Sendo que um relatório da Assembleia nacional conta mais de 1.100 Igrejas reconhecidas e 827 aguardando reconhecimento, com média de cinco igrejas por quarteirão em Luanda.


A proposta ataca o problema da multiplicação desordenada de igrejas por dois caminhos fundamentais:

Primeiro, ao estabelecer critérios mínimos para o funcionamento de cultos religiosos (proibição de cultos em quintais, exigência de templos adequados) e para o exercício do pastorado (exigência de formação superior). Essa medida corrige o vácuo atual, onde bastam dois versículos e carisma para se proclamar líder espiritual. A crítica feita por alguns protestantes de que tais medidas violam a liberdade religiosa ignora a própria tradição protestante, que sempre pressupôs a leitura bíblica letrada e informada, não um exercício anárquico da fé.

Segundo, a lei propõe a extinção de denominações religiosas que se dividam por conflitos de liderança. Hoje, disputas internas entre líderes geralmente terminam na fundação de novas igrejas, com justificações teológicas superficiais para disfarçar brigas por poder e recursos. Isso tem contribuído para o caos espiritual e organizacional — como se verifica, por exemplo, no caso da Igreja universal e da existência das diversas igrejas surgidas de divisões.

Ao prever a dissolução automática das denominações em conflito, a nova lei cria um incentivo para que os impasses sejam resolvidos por mediação — pois, neste novo quadro, ambas as alas perdem o estatuto legal se não encontrarem consenso.

2. Combate à comercialização da fé

Ao exigir que as igrejas operem exclusivamente como entidades sem fins lucrativos, a nova lei permitirá auditorias das suas contas — um passo vital para coibir abusos financeiros que hoje correm impunes.

Exemplo flagrante é o da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) em Angola, cuja direção acumulou quase 1 bilhão de dólares em donativos, parte dos quais tentou repatriar para o Brasil. A denúncia foi amplamente divulgada por antigos membros e líderes, com cobertura do Club-K (2021) e Notícias de Angola. Relatos também mencionam imposição de vasectomias a pastores e controle rígido das finanças pelos dirigentes estrangeiros, em claro abuso da confiança dos fiéis.

Ano (publicação)Local / DenominaçãoNatureza do abuso financeiroFonte
12025Luanda — Ministério RomérioPromessas falsas de formação teológica no exterior; burla de 3,7 milhões de kwanzas a duas fiéisO País, 7 de janeiro de 2025 (OPaís, Radio Solidaria)
22016IURD em AngolaDesvios de recursos: ex-bispo denunciou desvio de aproximadamente 5 milhões de dólares por anoNovo Jornal, 26 de julho de 2016 (Novo Jornal, Novo Jornal)
32021IURD em AngolaCaso em tribunal sobre doações voluntárias não restituídas: mais de 135 milhões de kwanzas doados por ex-fielNovo Jornal, 10 de dezembro de 2021 (Novo Jornal)
42021IURD brasileira em AngolaProcessos por branqueamento de capitais e associação criminosa contra dirigentes da direção brasileira em AngolaNovo Jornal, 8 de maio de 2021 (Novo Jornal)
52020IURD — templos encerradosEncerramento de templos por suspeitas de fraude fiscal, lavagem de dinheiro e abuso de confiançaBBC News Brasil (citado pelo Novo Jornal e fontes similares, 2020) (Novo Jornal, Agência Pública)
62023Moçâmedes (Namibe) — Arca do EternoExtorsão de fiel: exigência de 600 mil kwanzas por “cura espiritual”, com ameaças de maldiçãoPontual AO, 2023 (reportagem citada) (OPaís, Radio Solidaria)



Com a nova lei, casos como este poderão ser alvo de sanções, auditorias ou até perda do reconhecimento jurídico.



3. Prevenção ao extremismo e seitas perigosas

Outro mérito da lei é a exigência de que uma denominação religiosa só seja reconhecida se possuir presença física (templo) em todas as 21 províncias. Essa medida visa prevenir a formação de seitas isoladas com comportamentos perigosos — como foi o caso do autoproclamado “profeta” José Julino Kalupeteka, cujo culto isolacionista terminou na morte de agentes da polícia em 2015 e na sua condenação por homicídio e associação criminosa.

A lógica é clara: é mais difícil manipular e isolar 21 comunidades provinciais ao mesmo tempo, o que cria barreiras naturais à lavagem cerebral colectiva.


4. Ponto fraco: o reconhecimento da “religião africana”

O ponto mais problemático da proposta é o reconhecimento da categoria ambígua de “Religião Africana”, que pode abrir portas para a legalização indiscriminada de práticas feiticistas e místicas, muitas vezes ligadas a rituais sem estrutura religiosa propriamente dita. A distinção entre práticas culturais espirituais e religiões organizadas é essencial. A TPA, corretamente, reporta crimes motivados por feitiçaria como crimes comuns, e não religiosos. Essa fronteira precisa ser mantida.

5. Responsabilização de igrejas por crimes dos seus pastores

Outro acerto importante da lei é a revogação do reconhecimento legal de igrejas cujos líderes forem condenados por crimes contra os fiéis. Esses atos, embora cometidos por indivíduos, nascem de um contexto coletivo de manipulação psicológica e abuso de autoridade religiosa, que é sustentado pela comunidade eclesiástica. Logo, a responsabilidade também deve ser coletiva.

Casos reais demonstram que o silêncio dos membros permite a perpetuação dos abusos:

Em 2023, o Jornal de Angola noticiou a condenação do pastor Ernesto Francisco Torres a 6 anos de prisão por violação de uma jovem durante uma suposta “sessão de cura espiritual”.

Em 2024, segundo o O País, o pastor Francisco Tchombembwa, da igreja “Jesus Cristo das Nações”, foi condenado a 4 anos e meio de prisão por abuso sexual de uma adolescente durante um retiro religioso em Lubango.

Também em 2024, denúncias ao INAC revelaram um caso em Cacuaco, onde um pastor se fazia passar por “padrinho espiritual” para abusar de crianças sob a proteção da igreja.

Em 2025, o Primeiro Impacto reportou que o autointitulado reverendo Fernando K. Kamalandua mantinha jovens em cárcere privado sob a alegação de “purificação espiritual” — um caso de abuso de confiança agravado por manipulação ideológica.


Em todos estes exemplos, o padrão é o mesmo: o silêncio institucional da igreja protege o agressor e perpetua o ciclo de vitimização. Fiéis evitam denunciar porque veem a igreja como uma obra coletiva e temem que o escândalo “prejudique a fé” — mesmo que isso custe justiça às vítimas e a integridade da comunidade.

Requisitos para ser pastor.

A exigência de requisitos para ser pastor é aspecto positivo da lei, pois a actividade do pastorado coloca alguém em uma posição de autoridade que tem uma influência psicológica muito forte sobre as pessoas, tanto por conta de prática que possam causar programação neuro-linguística, como oração e canto em grupo. Está autoridade tem sido abusada por pessoas que cometem crimes, ou que procuram apenas usar o pastorado como forma de ascensão social e financeira.

Este poder não deveria, como acontece hoje, estar disponível a qualquer pessoa que se auto-proclama pastor, sem qualquer requisito, sendo que exigir uma formação superior em teologia permite aumentar o custo de participação e filtrar pessoas que que sejam apenas aventureiras.

Tanto a Católica como as Igrejas protestantes do século passado tinham um sistema de treinamento para o pastorado, seja com adulto com seminário ou seja desde a adolescência com as missões protestantes, o que temos agora e uma situação em que qualquer pessoa se auto-proclama e sai pregando. O critério de diploma teológico pode ser imperfeito, mas vai ser melhor que o temos, quanto a veracidade teológica ou religiosa dos pastores, isto cabe aos cristãos julgar isto.

A norma do governo constitui um retorno ao bom senso, pois como pode fazer sentido que qualquer pessoa, incluindo casos de crianças no Brasil, podem se auto-intitular pastes e montar uma igreja ?

Conclusão

A nova proposta de lei é, ao mesmo tempo, necessária e tardia. Ao enfrentar o caos gerado pela desregulamentação da fé em Angola, ela propõe mecanismos eficazes de ordem, responsabilidade e justiça. Ainda que alguns ajustes sejam necessários — sobretudo quanto à categorização das religiões africanas —, o essencial está no caminho certo: religião não pode continuar a ser sinónimo de impunidade, exploração e desordem institucional.

A lei nem se preocupa com o mérito da pratica religiosa individual do cidadão, tem apenas organizar a sua pratica colectiva de modo a reduzir os danos causados pela desordem, os crentes deveriam se encarregar da luta contra os charlatães e não deveriam se preocupar com limites administrativos se representam sentimento religioso legitimo.

Addenda:

Casos que justificam a lei.

Pastor detido por ag4£ssão s£xu^l durante “oração de libertação”
Um pastor da Igreja Evangélica dos Cristãos em Angola, de 55 anos, foi detido na província da Huíla, suspeito de ter ag4edido s£xu^lmente uma jovem de 21 anos durante uma suposta “oração de libertação”. O caso ocorreu no último domingo, mas só foi denunciado dois dias depois, o que atrasou a intervenção das autoridades. A vítima contou que procurou o pastor em busca de ajuda espiritual para se livrar de um problema de sonhos £rót!cos, vulgarmente chamados de “marido da noite”.
De acordo com a vítima, citada pela Polícia, o homem religioso tê-la-á forçado a entrar num quarto nos fundos da igreja, sob o pretexto de realizar uma oração de “cura espiritual” e, durante o suposto ritual, pediu que a vítima se despisse, ao que acedeu, seguindo-se o @bus0 s£xual.
Segundo o Departamento de Investigação de Ilícitos Penais, o suspeito confessou o ato, alegando estar “em missão divina” para libertar a fiel de um “marido da noite”, negando ter havido p£n€t4ação, mas que teria “apenas usado os d£dos”.
A detenção foi feita mediante mandado judicial e o acusado será apresentado ao juiz de garantias para aplicação das medidas de coação.

Protesto inútil contra a retirada dos subsídios.


Protesto inútil contra a retirada dos subsídios.

A retirada dos subsídios aos combustíveis em Angola surge não apenas de uma “obsessão ideológica” como sugeriu o Rui Verde no Maka Angola, ou de um desejo do Governo de maltratar as pessoas, porem decorre da facto que material da insustentabilidade do subsidio aos combustíveis em Angola, por conta do aumento acelerado do numero de utentes, ao mesmo tempo que a produção sofre um declínio e o preço do petróleo esta baixo por conta de política comercial praticada pela Arábia Saudita e os EUA. Como podem ver, marchar não muda estes factos.

Angola produz pouco petróleo.

A produção de petroleiro per capita de Angola, ou seja por cada 100.000 habitantes, caiu para 11 barris per capita, quatro vezes menor do que seu pico de 2010 e duas vezes menor que o valor do ano 2000. Para ter uma ideia de nossa nova pobreza, os Emirados Árabes Unidos (Dubai) produzem 49.5 barris per capita de maneira sustentável.

Ou seja, sendo o petróleo a nossa maior fonte de rendimento, por constituir 90% da exportação e 70% das receitas do Estado, Angola tem muito menos recursos hoje do que no passado.

Este quadro advém tanto da queda da produção petrolífera, desde seu pico de 2010, com 2 milhões de barris por dia comparando com os 1,1 de hoje, como do aumento demográfico que fez a população de Angola aumentar de 12 milhões de pessoas para 32 milhões de pessoas.

Como que Angola vai sustentar este subsidio, que custou 15 bilhões de dólares ao Estado no período que vai de 2021 a 2024, quando a população de Angola for 45 milhões de pessoas em 2035 ?

O facto geológico da queda da produção petrolífera e o facto demográfico do crescimento da população nacional são ignorados, com parte do sociedade a perder tempo com marchas e com teorias da conspiração sobre “falta de vontade política”.

Sendo a geologia angolana imutável, só nos resta mudar sua demografia ou aceitar que a pobreza vai ser a consequência natural do aumento de encargos diante da estagnação da receita.

Protestar diante da embaixada da Arábia Saudita teria sido o único acto de alguma eficácia que poderia ter sido feito no dia 12.

O problema do contrabando.

A irracionalidade do debate continua nas sugestões feitas para por fim ao contrabando sem retirar o subsidio, que se resumem a venda de combustível Angolano aos países vizinhos quando estes nao tem carência de combustível no mercado internacional, querendo na verdade combustível a preços baixo por causa do subsidio pelo governo Angolano. Um comentarista político chegou a propor a construção de bombas ao longo da fronteira com o Congo para vender combustível ao pais vizinho … algo que deveria ser feito com um oleoduto ou camiões cisterna.

Antes do inicio da retirada dos subsídios, o contrabando chegava a gerar escassez de combustível em Angola, sendo que mesmo com a retirada parcial dos subsídios, o contrabando esta a levar postos de abastecimentos namibianos a falência por falta de clientes.

Quando deveria custar o Combustível em Angola ?

Sabendo que o custo médio de produção de petróleo em Angola é de 40 $ por barril, que rende por volta de 119 litros de combustível, se presumir um custo de refinação e venda a retalho de 20$, o preço de venda do combustível que não teria impacto negativo no orçamento geral do Estado seria 470kz, que podem ser arredondados para 600 kz/litros para cobrir o custo de construção da refinaria e o risco associado volatilidade do crude. Ou seja o preço antes praticado esta longe de cobrir os custos de fabricação e construir refinarias nao podem garantir combustível mais barato em Angola, para o consumidor, talvez podem reduzir o custo total para o Estado.

A greve dos taxistas do dia.

Depois de verem seus lucros a crescer em pelo menos 50%, os taxistas, que ganham mais que os próprios donos dos carros, vão entrar em greve no dia 29 de Julho por conta do “aumento do preço das peças” causado pelo aumento da tarifa que aumentou os seus lucros. O presidente da ATA diz em entrevista que seus associados estariam descontentes com a nova tarifa, pois tem familiares que pegam táxi, e que o protesto visa uma necessidade de reflectir … ou seja, uma desconversa, pois poderia simplesmente ignorar a nova tarifa.

O que faz agora ?

A proposta que se ouve dos opositores ao subsidio consiste em cortar outros gastos do governo para manter o subsidio, porem isto falha em considerar o facto que com o aumento da população em 1 milhão de pessoas por ano, a verba para o subsidio ira crescer todos os anos e sem qualquer limite a vista … que limite eles tem em vista ?

Reclamam sem saber como se resolver este problema.

@roboredo1

A inutilidade da manifestação do dia 12 de julho contra a retirada dos subsídios ao gasóleo. a retirada do subsídio advém da da realidade material da insustabilidade da política de subsídio por conta do aumento acelerado do número de utentes e da queda de produção e queda do preço do petróleo. dar sete voltas à cidade de Luanda não mudaria este fato. #Cuanza #Angola #petroleo #Subsidio

♬ original sound – Roboredo

Subida da Táxi: carência de matemática e excesso de ganância.

Subida da Táxi: carência de matemática e excesso de ganância.

O Ministro dos Transportes defendeu a subida da tarifa de táxi alegando que era necessária para cobrir os custos do combustível que pesa nas contas dos operadores dos transportes, porém me parece que estamos diante de um erro de aritmética básica.

O responsável da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) defendeu hoje que o Governo angolano teve de encontrar um equilíbrio no reajuste de preços dos transportes públicos, para não prejudicar nem as empresas nem os cidadãos.

Afinal, aumentar a tarifa em 50%, de 200 para 300, para cobrir um aumento de 33% do custo do litro de gasóleo já deveria despertar a suspeita de que a intenção do ministro de compensar a subida foi substituída por um aumento dos lucros dos taxistas … sendo grave que a decisão foi discutida, aprovada, publicada e criticada pelo público em geral sem que ninguém desse conta do lapso.

Vejamos, se presumirmos que um Hiace realize 24 corridas por dia, levando 12 passageiros, chega a faturar 345.600kz, dos quais 150.000kz constitui o lucro do patrão, e 130.800kz o salário do motorista, enquanto que o custo de combustível fica por 64.800kz por semana. Notem, preferi excluir o cobrador, trânsito e agentes de trânsito do cálculo, para fins de simplicidade.

Receitas e gastos diários de um táxi.

O lucro dos taxistas é sagrado?

Com o aumento do gasóleo para 400kz, o custo com combustível passa para 86.400kz, o que reduz o lucro do motorista em 21.600kz … sendo que o Ministro, que diz apenas querer compensar este aumento, decretou uma nova tarifa de 300kz por passageiro que resulta numa receita semanal de 518.400kz por semana, e se o dinheiro do dono do veículo for igual, numa receita de 282.000kz por semana para o motorista. Ou seja, ao invés de compensar uma perda de 21.600kz, o ministro decretou um aumento de 150.000kz de salário para os taxistas. Querem dizer-me que os motoristas de táxi iriam parar de trabalhar por conta de um corte de 21.600kz? Os donos falhariam em encontrar novos motoristas? Contem-me outra história!

Gastos e receitas de um táxi, tendo em conta tarifa e preço antigo versus o preço novo e tarifa nova.

Talvez a intenção tenha sido a de impedir um aumento selvagem dos preços, como foi visto em Viana quando um grupo de taxistas coordenou uma tentativa de cobrar 500kz por passageiros.

Bastava aumentar a tarifa para 215kz para cobrir o aumento do preço do gasóleo, porém parece que isto está acima da capacidade matemática de um ministério e país inteiro.

Porém o Estado deveria abster-se de proteger as margens de lucros dos motoristas de táxi, pois toda actividade económica tem de encontrar os seus preços no equilíbrio entre oferta e procura, pelo menos em um mercado constituído por pessoas honestas e racionais, o que infelizmente faz falta em Angola. Pois a existência de margens de lucro desta natureza deveria ter atraído mais capital, porém ninguém – a desonestidade dos motoristas Angolanos rechaçou os investidores, pois o carro está longe de amortizar o dinheiro despendido. Por isto que a maioria dos Hiaces a circular tem matrículas antigas e que as pessoas interessadas em investir em transporte urbano privilegiam o uso de aplicativos (Heetch, Yango).

Um pais sem Economistas.

Angola é um país sem economistas, são todos políticos incubados, pois nenhum deles até ao momento se dignou em apontar que um aumento da tarifa de táxi por passageiro em 50% diante de um aumento do custo do combustível por passageiro de não mais de 10%. Sendo que bastava um aumento da tarifa para 220 kz para compensar o aumento.

Os políticos Angolanos, na sua inépcia revolucionária, iriam provavelmente ignorar esta informação por estarem mais interessados a incitar a revolta do que procurar soluções para Angola. Por exemplo, a critica de ACJ a subida da tarifa se encaixa nisto, pois ele “critica o ‘timing’, a forma, a impreparação destas medidas”, “salientando que os aumentos dos combustíveis, da cesta básica, dos transportes, o aumento de outras coisas, retirou os ganhos dos aumentos salariais”, porem sem nunca tocar no ponto essencial da questão: deve o governo proteger os lucros dos taxistas ?


“Em nome do secretariado provincial do partido PRA-JA, em Luanda, exorto todos os membros, amigos e simpatizantes do partido mais inclusivo do pais na capital a participarem ordeiramente na manifestação”, diz uma nota do PRA-JÁ Servir Angola, assinado pelo seu secretário provincial de Luanda, Serafim Simeão.

O Partido Liberal (PL), liderado pelo activista Luís Castro, diz que a sua formação política estará presente na manifestação, com a concentração no Mercado do São Paulo, às 13:00.

“Apoio e estarei presente na manifestação do dia 12, organizada pela sociedade civil em Luanda. É tempo de nos unirmos, de forma pacífica e firme, para exigir os nossos direitos, defender a democracia e construir um futuro mais justo para todos os angolanos. A mudança começa com a nossa voz”, disse.
Porque seria mais fácil fazer o governo recuar e neutralizar o lobby dos Candogueiros, com este simples facto.

Para salvar Angola, cada pai precisa que seu filho pratique a tabuada todos os dias, quem sabe, assim teremos um ministério das finanças que saiba fazer contas em 2035

@roboredo1

Subida do Taxi em Angola: carência de matemática e excesso de ganancia Subida da Táxi: carência de matemática e excesso de ganância. O Ministro dos Transportes defendeu a subida da tarifa de táxi alegando que era necessária para cobrir os custos do combustível que pesa nas contas dos operadores dos transportes, porém me parece que estamos diante de um erro de aritmética básica. Afinal, aumentar a tarifa em 50%, de 200 para 300, para cobrir um aumento de 33% do custo do litro de gasóleo já deveria despertar a suspeita de que a intenção do ministro de compensar a subida foi substituída por um aumento dos lucros dos taxistas … sendo grave que a decisão foi discutida, aprovada, publicada e criticada pelo público em geral sem que ninguém desse conta do lapso. Vejamos, se presumirmos que um Hiace realize 24 corridas por dia, levando 12 passageiros, chega a faturar 345.600kz, dos quais 150.000kz constitui o lucro do patrão, e 130.800kz o salário do motorista, enquanto que o custo de combustível fica por 64.800kz por semana. Notem, preferi excluir o cobrador, trânsito e agentes de trânsito do cálculo, para fins de simplicidade. Com o aumento do gasóleo para 400kz, o custo com combustível passa para 86.400kz, o que reduz o lucro do motorista em 21.600kz … sendo que o Ministro, que diz apenas querer compensar este aumento, decretou uma nova tarifa de 300kz por passageiro que resulta numa receita semanal de 518.400kz por semana, e se o dinheiro do dono do veículo for igual, numa receita de 282.000kz por semana para o motorista. Ou seja, ao invés de compensar uma perda de 21.600kz, o ministro decretou um aumento de 150.000kz de salário para os taxistas. Querem dizer-me que os motoristas de táxi iriam parar de trabalhar por conta de um corte de 21.600kz? Os donos falhariam em encontrar novos motoristas? Contem-me outra história! Talvez a intenção tenha sido a de impedir um aumento selvagem dos preços, como foi visto em Viana quando um grupo de taxistas coordenou uma tentativa de cobrar 500kz por passageiros. Bastava aumentar a tarifa para 215kz para cobrir o aumento do preço do gasóleo, porém parece que isto está acima da capacidade matemática de um ministério e país inteiro. Porém o Estado deveria abster-se de proteger as margens de lucros dos motoristas de táxi, pois toda actividade económica tem de encontrar os seus preços no equilíbrio entre oferta e procura, pelo menos em um mercado constituído por pessoas honestas e racionais, o que infelizmente faz falta em Angola. Pois a existência de margens de lucro desta natureza deveria ter atraído mais capital, porém ninguém – a desonestidade dos motoristas Angolanos rechaçou os investidores, pois o carro está longe de amortizar o dinheiro despendido. Por isto que a maioria dos Hiaces a circular tem matrículas antigas e que as pessoas interessadas em investir em transporte urbano privilegiam o uso de aplicativos (Heetch, Yango). #Angola #Transporte economia

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@roboredo1

Subida da Táxi: carência de matemática e excesso de ganância. O Ministro dos Transportes defendeu a subida da tarifa de táxi alegando que era necessária para cobrir os custos do combustível que pesa nas contas dos operadores dos transportes, porém me parece que estamos diante de um erro de aritmética básica. Afinal, aumentar a tarifa em 50%, de 200 para 300, para cobrir um aumento de 33% do custo do litro de gasóleo já deveria despertar a suspeita de que a intenção do ministro de compensar a subida foi substituída por um aumento dos lucros dos taxistas … sendo grave que a decisão foi discutida, aprovada, publicada e criticada pelo público em geral sem que ninguém desse conta do lapso. Vejamos, se presumirmos que um Hiace realize 24 corridas por dia, levando 12 passageiros, chega a faturar 345.600kz, dos quais 150.000kz constitui o lucro do patrão, e 130.800kz o salário do motorista, enquanto que o custo de combustível fica por 64.800kz por semana. Notem, preferi excluir o cobrador, trânsito e agentes de trânsito do cálculo, para fins de simplicidade. Com o aumento do gasóleo para 400kz, o custo com combustível passa para 86.400kz, o que reduz o lucro do motorista em 21.600kz … sendo que o Ministro, que diz apenas querer compensar este aumento, decretou uma nova tarifa de 300kz por passageiro que resulta numa receita semanal de 518.400kz por semana, e se o dinheiro do dono do veículo for igual, numa receita de 282.000kz por semana para o motorista. Ou seja, ao invés de compensar uma perda de 21.600kz, o ministro decretou um aumento de 150.000kz de salário para os taxistas. Querem dizer-me que os motoristas de táxi iriam parar de trabalhar por conta de um corte de 21.600kz? Os donos falhariam em encontrar novos motoristas? Contem-me outra história! Talvez a intenção tenha sido a de impedir um aumento selvagem dos preços, como foi visto em Viana quando um grupo de taxistas coordenou uma tentativa de cobrar 500kz por passageiros. Bastava aumentar a tarifa para 215kz para cobrir o aumento do preço do gasóleo, porém parece que isto está acima da capacidade matemática de um ministério e país inteiro. Porém o Estado deveria abster-se de proteger as margens de lucros dos motoristas de táxi, pois toda actividade económica tem de encontrar os seus preços no equilíbrio entre oferta e procura, pelo menos em um mercado constituído por pessoas honestas e racionais, o que infelizmente faz falta em Angola. Pois a existência de margens de lucro desta natureza deveria ter atraído mais capital, porém ninguém – a desonestidade dos motoristas Angolanos rechaçou os investidores, pois o carro está longe de amortizar o dinheiro despendido. Por isto que a maioria dos Hiaces a circular tem matrículas antigas e que as pessoas interessadas em investir em transporte urbano privilegiam o uso de aplicativos (Heetch, Yango). Angola Economia Taxi

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Angola não pode ganhar mais dinheiro com a guerra entre os EUA e o Irão

Angola não pode ganhar mais dinheiro com a guerra entre os EUA e o Irão, apesar de várias opiniões neste sentido que se podem ler em redes sociais.

O orçamento de 2025 previa uma produção de 1,1 milhões de barris por dia (m bpd) e um preço de 70 $1; porém, produziu-se apenas 1 m bpd a 65$ em média, o que criou um déficit orçamentário de quase 2,2 bilhões de dólares, compensado pelo FMI e investidores internacionais.

Para cobrir estes custos de financiamento, Angola vai precisar de um preço do petróleo por volta de 85 a 90$ por barril, e apenas a cima dos 90$ que poderia se dizer realmente que Angola ganhou novas receitas acima do orçamentado.

Porem, um cenário acima dos 90$ por barril será improvável pois a Arábia Saudita, o segundo maior produtor de petróleo do mundo, tem como objectivo de manter o preço do petróleo por volta dos 85 a 90 $ por barril, pois teme que preços altos possam motivar novos investimentos no petróleo de xisto americano e energias renováveis, o que seria uma uma ameaça a longo prazo para os produtores de petróleo. A ferramenta que a ARAMCO, a empresa nacional de petróleo da Arábia Saudita, tem a sua disposição uma capacidade de produção de reserva de 3 milhões de barris por dia, que poderá ser colocada no mercado para evitar a subida dos preços.1 Isto torna impossível qualquer encancerara de um petróleo acima dos 90$ que permita um aumento das receitas Angolanas acima do orçamentado, cobrindo os custos dos empréstimos já contraídos.

No imaginário popular, Angola esta no nível dos grandes países produtores de petróleo como os Emirados Árabes Unidos, “Angola poderia ser um novo Dubai” como disse Fragata de Morais, porem na realidade estamos mais próximos da Argélia: Um Pais cuja a produção diminui ao mesmo tempo que a população cresceu de modo acelerado, criando uma crise económica e social permanente pois as pessoas se recusam a mudar seu estilo de vida, com uma política de Estado Assistencial para os pobres e a subsídios para os políticos, acreditando em um dinheiro que já nem existe.

  1. https://www.fxempire.com/forecasts/article/oil-news-saudi-holds-oil-demand-fate-with-3-1m-barrel-spare-capacity-1525821 ↩︎

A crítica Afrocentrista-Atheísta contra o Christianismo em Angola

A crítica Afrocentrista-Atheísta contra o Christianismo em Angola

Responder aos Afrocentristas a nível continental seria descer à deficiência mental deles; vou restringir a minha crítica ao nível de Angola.

Sendo um discurso de identificação étnica, nunca preocupado com a verdade, apenas com a excitação do ódio e do sentimento de revolta no público-alvo, o afrocentrismo salta sempre acima dos factos — como neste texto de Isidro Fortunato, reproduzido pelo KU TA II.

No caso angolano, a instauração da colónia moderna deu-se quando o Christianismo estava em declínio em Portugal, onde a maçonaria matou o rei e proclamou a república. O apoio dado pelo Estado português à Igreja Catholica foi limitado e ditado pelo potencial que a religião tem para criar um laço comum entre o povo imperial e os povos vassalizados, afinal, o Catholicismo era uma parte importante da cultura portuguesa. Porém, o Estado permitiu a entrada de outras confissões religiosas em Angola, de modo a que estas pudessem responder à demanda por educação moderna no território, pois as escolas laicas e catholicas eram insuficientes para atender à procura, e muito menos para levar a cabo uma política de conversão em massa — que não aconteceu em Angola, como sucedeu no Congo Belga, ex-Zaire, e agora comicamente democrático.

A China moderna nasceu da revolta dos Háns étnicos depois de testemunharem as repetidas derrotas dos seus senhores Manchus — que realmente criaram a China nas fronteiras que hoje conhecemos — e passou por várias fases de Occidentalização, que culminaram com a Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung, a qual quase exterminou completamente a cultura chinesa. Foi apenas depois da abertura económica ao Occidente e dos investimentos massivos deste que a China se tornou a potência que hoje conhecemos.

Resumindo: não houve uma campanha de christianização em massa em Angola, e a China praticamente erradicou a sua cultura ancestral para se occidentalizar.

As críticas feitas pelos Afrocentristas, além de estarem longe dos factos, como vimos acima, padecem de uma falta de sinceridade que os leva a criticar precisamente aquilo que eles próprios fazem.

Pois as práticas “religiosas” que eles criticam são, na verdade, sintomas de uma desordem da qual eles são parte integrante — afinal, o mesmo apelo ao caos e à anarquia das Igrejas de SIGLAS está expresso no Afrocentrismo, que se pretende defensor de uma cultura que inventa a cada segundo, ao mesmo tempo que destrói as bases da sociedade. Mesmo o pensamento mágico — que deseja causas sem consequência, movido por um medo visceral do trabalho — é partilhado tanto pelo igrejante que reza para ter um V8 sem trabalhar como pelo Afrocrata que acha poder resolver os problemas do continente por meio da violência racista.

Que diferença há entre um jovem que se declara pastor depois de ler dois versos e um afrocentrista que proclama que lhe basta a cor da pele para pontificar sobre história? Ambos rejeitam a ordem e a realidade accumulada na forma de tradição ecclesiástica e conhecimento scientifico.

Se há algo que a China faz melhor do que nós ao educar os seus filhos, está em incutir-lhes um sentido de ordem — seja pelo método de estudo imposto pelo alphabeto chinês, seja pelo princípio racional que ainda sobrevive dentro do Marxismo que herdaram do Occidente. Em contraste, nós educamos as nossas crianças num caos constante — seja nas igrejas ou nas escolas — sendo o Afrocentrismo apenas um sintoma dessa tendência geral.

Os factos sobre o genocídio Africâner na África do Sul.

Os factos sobre o genocídio Africânder na África do Sul

Os factos apresentados por Trump sobre a situação da minoria sul-africana são simplesmente irrefutáveis, e as respostas do presidente Cyril, que alguns panafricanistas querem defender apenas pelo facto de ser africano e não por ter objectivamente razão, foram simplesmente fracas.

Os factos são que existe uma hostilidade real contra esta minoria na África do Sul, expressa de maneira popular por crimes sistematizados contra fazendeiros brancos e a existência de um partido no parlamento que advoga pela violência contra esta minoria, sendo que, a nível político, uma série de práticas discriminatórias, como quotas raciais máximas, impedem que jovens brancos possam estudar ou trabalhar.

Sobre o tema da expropriação das fazendas, encontramos a mesma dinâmica que os comunistas chamavam de “teoria da panela de pressão”, com ataques populares vindos de baixo na forma de matança indiscriminada de gado e queimadas de lavras, ao mesmo tempo que, de cima, o Governo aplica uma política de expropriação de terras justificada por uma mentira: a alegada escassez de terras agrícolas para satisfazer a demanda por parte da maioria da população sul-africana. Pois, neste momento, o Estado Sul-Africano é proprietário da maioria das terras agrícolas e pode, por isto, distribuir terras para quem queira. Além disso, a maioria das pessoas contempladas pela política de restituição de terras preferem receber dinheiro em vez de fazendas.

A palavra Genocídio

Primeiro, o presidente Trump nunca proferiu a palavra “genocídio”; foi, na verdade, um jornalista que perguntou se o presidente acreditava que estivesse a acontecer isto, de modo a descredibilizar as acusações feitas, apresentando-as como um exagero. Sim, não há genocídio na África do Sul, no sentido de uma matança indiscriminada de um grupo étnico com vista à eliminação como grupo organizado. Porém, um genocídio não acontece de repente; na verdade, marca o ápice de um fenómeno social, um acto contínuo de discriminação contra um grupo social, com uma intensidade crescente que culmina na eliminação física directa. A África do Sul está, neste momento, no quarto andar dos 10 escalões do genocídio de Stanton, ou seja, na fase da desumanização do grupo minoritário — por exemplo, com os cantos de “mata o fazendeiro branco, mata o branco” de Julius Malema. O terceiro escalão, caracterizado pela discriminação social e económica, está consolidado numa África do Sul que tem mais leis de teor racial contra a minoria branca hoje do que havia leis racistas contra a maioria negra no tempo do apartheid.

O genocídio dos Tutsis de 1994 não aconteceu de repente; na verdade, culminou um processo de violência e discriminação que iniciou já nos anos 60.

A insistência na palavra “genocídio” também surge de uma idéia comunista, copiada pelos afrocentristas, de que a condição de opressor seria uma qualidade imutável de um grupo social — sejam os burgueses ou os brancos — na escala da História total, vista do ponto de vista de um deus, e não uma condição temporária por conta de factos. Sendo por isto que estes nunca podem ser realmente vítimas, mesmo que as circunstâncias de vitimização estejam a acontecer agora. Assim, tenta-se criar um homem de palha, dizendo que, como os brancos nunca podem ser vítimas por serem opressores, nunca podem ser vítimas de genocídio.

Leiam: https://genocideeducation.org/wp-content/uploads/2016/03/ten_stages_of_genocide.pdf

Vejamos agora as respostas do Ramaphosa

O crime generalizado

Não tendo como negar a escala da matança em curso, ilustrada por Trump com dezenas de artigos de jornais recentes, o presidente Ramaphosa alegou que esta fazia parte de uma tendência de violência generalizada na sociedade sul-africana, sendo que há um número maior de vítimas negras. Porém, esta resposta não pega por dois motivos:

Primeiro, quando se lida com populações de tamanho diferente, a comparação tem de ser feita per capita, ou seja, por cada cem mil habitantes, e não por número total. A taxa de homicídio entre fazendeiros brancos estava por volta de 276 por cada 100.000 habitantes em 2003, enquanto a taxa para outros grupos era 61. Um relatório do IRR de 2012 estimava que os fazendeiros brancos eram duas a três vezes mais suscetíveis de serem vítimas de crimes que outros membros da sociedade. A dificuldade em se ter números concretos surge da decisão do governo de pôr fim à colheita de dados estatísticos sobre estes crimes — mais uma prova da apatia a nível cultural e político da maioria da população sul-africana —, o que torna a discussão sobre o tema impossível e permite que se negue o problema. Vale lembrar que o negacionismo faz parte da décima fase de um genocídio.

Segundo, os crimes contra a maioria negra da população não são justificados nem apoiados por uma parte significativa da população, ao ponto de se ter um partido no parlamento que apoie estes crimes. Ao mesmo tempo, há uma apatia do poder público, que falha em punir os autores destes crimes e extinguiu o sistema de polícia rural sob alegação de que era um “legado racista do apartheid”.

A diminuição de ataques contra fazendeiros foi apontada por críticos de Trump como prova da inexistência de um problema. Porém, esta foi fruto de esforço de segurança privada por parte da sociedade civil africânder para compensar a retirada de recursos públicos — como a extinção do sistema de polícia rural —, ou seja, por um esforço próprio das vítimas, e não por conta de uma acção do governo.

Leiam: https://friendsofafriforum.com/farm-murders/

O crime causado pela pobreza

A representante da união sindical sul-africana explicou que a onda de crime generalizada — que Ramaphosa tentou usar para esconder a onda de violência contra a minoria — seria causada pela pobreza (uma mentira comunista desmentida várias vezes) e pela desigualdade económica. O que corresponde a dizer que a culpa é das vítimas da minoria branca, que “convidam” os ataques por terem dinheiro… um clássico do discurso discriminatório de ódio étnico.

leiam: https://www.city-journal.org/article/poverty-and-violent-crime-dont-go-hand-in-hand

Os meus amigos brancos

O presidente Ramaphosa defendeu-se das acusações de uma política de discriminação contra a minoria branca apresentando seus “amigos brancos”, nomeadamente dois bilionários sul-africanos e seu ministro da Agricultura. Isto seria equivalente a Robert Mugabe apresentar a presença do ex-líder da Rodésia, Ian Smith, no parlamento como prova de seu respeito pela minoria branca. Isto em nada nega os factos vividos pela maioria dos membros de sua comunidade.

Um dos meus primeiros artigos neste blogue foi sobre este tema, com dados ainda relevantes:
https://roboredo.home.blog/2020/10/10/angola-dorme-enquanto-a-africa-do-sul-queima-os-assassinatos-de-fazendeiros-brancos-vai-destruir-o-pais/

O fim do consenso esquerdista ocidental.

De maneira ineficaz e patética, o Ramaphosa tentou apelar ao mito de Nelson Mandela para ganhar a simpatia da audiência … invés de lidar com os factos colocados diante de si, um clássico do esquerdista ocidental.

JLO e os Jornalistas: Piadas na Lunda Norte

JLO e os Jornalistas: Piadas na Lunda Norte

A Jornalista na Lunda Norte

O artigo em manchete do Novo Jornal sobre a interacção entre o Presidente JLO e a jornalista na Lunda Norte demonstra que os jornalistas angolanos parecem não conhecer a própria profissão que exercem. Inicialmente, eu pensava que eram infiéis aos seus princípios, porém chego à conclusão de que a desconhecem e que são, na verdade, actores políticos movidos pelo imperativo revolucionário ou mercenários à busca de fama e subornos.

Vejamos: os representantes da “classe jornalística” dizem que a “forma das respostas é preocupante”, segundo Pedro Miguel da SJA; que foi “uma resposta torta” (Reginaldo Silva), que o presidente estava a ser “um humorista” (Graça Campos); e que foi uma “resistência transparente” (José Gama). As palavras de José Luís Mendonça ficam para o fim, pois evidenciam outra doença da inteligência angolana: dizer frases apenas pelo seu valor estético e emocional, mesmo quando contradizem o que queremos dizer. Outro elemento surpreendente foi que a redacção não estranhou a ausência de contraditório…

Porém, quais são os factos do episódio?

A jornalista errou tanto na forma como no conteúdo de suas perguntas.

Na forma:

  1. Ao fazer várias perguntas consecutivas sem esperar que o entrevistado respondesse a cada uma individualmente, ela garantiu que a audiência ficasse confusa, sem saber a qual pergunta se referia a resposta, além de criar o risco de o entrevistado esquecer uma das perguntas. Daí que JLO teve razão em pedir que ela não fizesse muitas perguntas de uma vez.
  2. A sucessão de perguntas — muitas delas, na verdade, afirmações — levou JLO a pedir que ela não fizesse um discurso. O objectivo era passar uma narrativa à audiência, sem importar-se com as eventuais respostas do entrevistado. Notem que estas duas chamadas de atenção já foram feitas a outros colegas em colectivas passadas. Mas, pelos vistos, os formadores de opinião não têm memória ou auto-reflexão.

No conteúdo:
Ao perguntar ao presidente sobre o movimento separatista do “dito Protectorado Lunda Tchokwe” e sobre uma hipotética ameaça do M23 (ou seja, do Ruanda), a jornalista traiu o seu dever de informar o público. Em vez de trazer ao entrevistado questões que o público pudesse ter sobre o tema da colectiva (no caso, as obras da circular da Lunda Norte), o jornalista autorgou-se o direito — com os aplausos de Reginaldo Silva, que deseja normalizar isto no jornalismo angolano — de decidir as agendas da discussão pública. O público assiste a uma entrevista colectiva para ouvir o que o presidente tem a dizer, não o que o jornalista tem a dizer. Ao tomar protagonismo e usurpar o direito de definir a agenda, o jornalista rouba a atenção do público para seus próprios fins — seja activismo político, seja ganância profissional. Sejamos sinceros: o jornalista não teria 1% da audiência que teve na colectiva se tivesse escrito ou feito um segmento audiovisual sobre esses temas das suas supostas “perguntas”. Na prática, o que aconteceu aqui foi que o jornalista se interpôs na comunicação entre o Presidente e o Público, impedindo o exercício do direito à informação num sistema político que a requer.

Aqui vemos que as comparações feitas pelos jornalistas angolanos entre Trump e JLO estão certas pelos motivos errados. Eles apenas repetem os cacoetes mentais do convento esquerdista ocidental, ao qual subcontrataram suas penas intelectuais, por parecer o mais conveniente e prestigioso. Porém, ambos os presidentes lidam com imprensas militantes que tentam moldar a opinião contra si. Trump resolveu o problema através da comunicação directa via plataformas digitais (como o Twitter). No caso angolano, recorrer a uma lei contra fake news seria uma solução a curto prazo, mas estamos diante de um problema de ordem moral e intelectual.

A cobertura que os jornais e portais deram ao episódio constitui uma mina de notícias falsas
Por exemplo, o Novo Jornal sugere que o presidente não queria perguntas, quando ele, na verdade, estava a pedir que estas não fossem consecutivas, de modo a permitir respostas claras. Enquanto isso, outra publicação sugeria que o JLO estava “chateado”, quando todo o episódio decorreu num ambiente de bom humor e piadas.

O mal inconsciente

Os jornalistas angolanos gostam de pensar em si mesmos como “formadores de opinião”. Porém, deveriam saber que moldar a opinião do público de maneira directa chama-se propaganda. O jornalismo forma a opinião pública de maneira indirecta, ao apresentar factos e contexto que levem o público a formar seu próprio juízo. Isto porque o verdadeiro jornalismo resolve um problema de comunicação em regimes políticos que requerem participação em massa dos cidadãos — antigamente, as pessoas limitavam-se a receber ordens de reis, ditadores e senhores feudais.

Como é impossível que todos os angolanos falem directamente com o Presidente da República, cabe ao jornalista fazer-lhe perguntas razoáveis e necessárias, cujas respostas interessem ao público geral (por exemplo, numa entrevista), além de fornecer o contexto necessário para que o público compreenda a informação transmitida pelo Presidente (num artigo ou notícia que acompanhe a entrevista). Ou seja: os jornalistas servem de “mediadores” — daí o nome colectivo media — entre o público e o líder político, como um vidro que permite comunicação entre dois espaços antes incomunicáveis. Os melhores vidros são transparentes e não distorcem a imagem vista de cada lado. Os jornalistas angolanos têm sido um vidro quase endemoniado, que distorce a visão que o público tem do Presidente e que o Presidente tem do público, movidos por interesses próprios: para uns, o imperativo revolucionário de derrubar este governo; para outros, o desejo de fama (lucrativa com subornos para calar ou para alavancar carreiras).

Nos seus comentários ao artigo do Novo Jornal, José Luís Mendonça diz que a “jornalista estava ali em representação dos cidadãos deste país” — para criticar o Presidente da República e defender sua colega. Porém, o sentido da frase é oposto ao que quer dizer: se a jornalista realmente representasse os cidadãos de Angola com fidelidade, não faria perguntas de forma a dificultar a comunicação, muito menos roubaria tempo de antena para fazer activismo político e auto-promoção profissional, ou até mesmo desperdiçar tempo de antena precioso com perguntas hipotéticas de respostas óbvias. Pois, o que esperava ela que JLO respondesse à pergunta sobre a ameaça ruandesa? Que o PR revelasse de modo detalhado os nossos planos, para benefício do Ruanda, ou que declarasse de antemão a nossa rendição? Claro que, se Angola for atacada, vamos defender-nos, e a jornalista pode ser chamada para exercer seu dever patriótico.

Angola, Pais dos falsos Samaritanos.

Angola, Pais dos falsos Samaritanos.

Quase todas as semanas, há uma publicação nas redes sociais sobre acontecimentos trágicos, feitos por pessoas que “querem ajudar”, com textos dramáticos e imagens explícitas, dos documentos e até mesmo o corpo das vítimas. Pedem para “partilhar até chegar na família”… Este fenómeno demonstra que a nossa cultura tem uma falta de empatia e um egoísmo elevado à categoria de estilo de vida.

Uma ajuda inútil.

Partilhar nas redes sociais é mesmo inútil para ajudar, pois já não vivemos nos anos 80, em que se deveria esperar que alguém viesse até sua casa, às vezes desde outra província, para anunciar que um parente morreu num acidente de carro noutra província… Não é preciso. Basta alguém ligar diretamente para a família, e encontrar o número de um familiar pode ser facilmente feito pela polícia, seja por meio dos documentos de identificação ou por trabalho investigativo. Em vez de partilhar nas redes, o primeiro reflexo das pessoas deveria ser informar a polícia, se o acontecimento for recente. Outro problema seria inundar a polícia com a mesma denúncia repetida por cada candidato a bom samaritano.

Uma ajuda à custa das vítimas.

As pessoas que “ajudam” ao partilhar as publicações dramáticas perguntam-se: o que acontecerá quando a notícia chegar à família? Afinal, não se está apenas a dar uma notícia, mas a partilhar imagens e narrativas dramáticas que podem causar angústia, ou mesmo a morte de quem não está preparado para receber uma má notícia devido a problemas de saúde.

Como nenhuma das pessoas que partilham a informação pode saber se a família já recebeu a notícia, nada impede que uma família enlutada e traumatizada receba novamente as imagens dramáticas da morte do seu parente… causando ainda mais dor.

Uma ajuda egoísta.

Na Bíblia, a história do bom samaritano descreve um exemplo de generosidade perfeita, em que um homem arrisca a hostilidade da sua sociedade para ajudar um inimigo confesso (judeus e samaritanos viviam conflitos de ordem religiosa), gastando do seu próprio dinheiro e mudando os planos da sua vida. Ou seja: fazer o bem ao próximo à sua própria custa.

Em Angola, temos o que podemos chamar de falsos samaritanos: pessoas que se satisfazem com a aparência de uma boa ação. A definição angolana de “ser boa pessoa” é a de um egoísmo preocupado apenas com a sensação que o bom samaritano tem de si mesmo, e nunca com o efeito concreto sobre a “vítima” da ajuda. Afinal, as famílias das vítimas das tragédias não precisam da partilha em rede social e, pelo contrário, sofrem trauma por causa dela.

Uma outra variação deste fenómeno está nas pessoas que dizem que “pelo menos ajudaram”, quando partilham ou até mesmo mandam dinheiro para uma burla óbvia, dizendo que o pecado está na pessoa que está a mentir. Ou seja: a pessoa quer tanto ser um bom samaritano, que aceita ser enganada para satisfazer esta necessidade psicológica. Novamente, a vítima da ajuda está longe da preocupação do falso samaritano.

Aliás, os falsos samaritanos agem sem verificar se a ajuda é realmente necessária. Pelo contrário: preferem nem verificar e “ajudar o mais rápido possível”, por medo de perder a oportunidade de parecerem boas pessoas.

Os Portais Angolanos e os Influenciadores Digitais.

Além dos falsos samaritanos, outra categoria que tem sustentado este tipo de publicações são os Portais Angolanos, do estilo XAA e afins. Usam estas tragédias para se enriquecer, afinal vendem espaço publicitário, e em algumas das publicações as imagens trágicas têm em rodapé a oferta deste serviço. Ganham mais alcance de maneira especialmente perversa, pois o “partilhe até chegar à família”, sem que cada pessoa que partilha saiba se realmente chegou, significa que a notícia vai ser partilhada até deixar de ser novidade. Imagine se, no tempo da Nação Coragem, a TPA repetisse os anúncios sobre pessoas desaparecidas mesmo depois de estas terem encontrado os familiares. Isto seria justamente denunciado como aproveitamento político, por usar uma tragédia para sujar a imagem da UNITA. Porém, é exactamente isto que estes portais fazem, a favor do seu bolso.

Os influenciadores digitais — desempregados que têm a posse, infeliz para o resto da sociedade, de um telefone com acesso às redes sociais — têm um desejo por atenção tão intenso que, para criar reações nas redes sociais (mesmo que o seu nome não esteja diretamente associado à publicação que está a viralizar), procuram estas tragédias.

Resumindo: Caso seja testemunha ou receba informações sobre uma tragédia, não partilhe nas redes sociais. Faça chegar a informação às autoridades policiais para que possam informar as famílias e prestar socorro.

A candidatura de Eva Rap Diva, ou o teatro do activismo.

A candidatura de Eva Rap Diva, ou o teatro do activismo.

A candidatura de Eva Rap Diva, nome artístico de Eva Marise Cruzeiro Alexandre, está a suscitar polémica justificada em Angola e Portugal, porque revela o lado teatral e falso do activismo, mesmo que alguns queiram reduzir isto a uma questão de racismo português e de racismo angolano. Pois o que está em causa nem é que ela seja angolana para os portugueses ou portuguesa para os angolanos, mas que ela tenta enganar portugueses e angolanos ao mesmo tempo, fingindo ser dois personagens mediáticos ao mesmo tempo: a “activista contra a ditadura” para os angolanos e a “imigrante que ascendeu socialmente” para os portugueses.

Ela tem direito de se candidatar ao Parlamento, pois possui cidadania e respaldo legal. Porém, as pessoas podem notar a hipocrisia e o ridículo da situação, mostrando que a moda do activismo pouco vale.

Pelo menos devemos reconhecer o talento da #EvaRapDiva de irritar todos. Para os angolanos, foi clara a hipocrisia de alguém que se diz defensor dos seus direitos concorrer ao parlamento de outro país, com a desculpa de que assim os pode defender melhor, o que constitui um acto de traição ao eleitor português que pagaria o salário de um deputado que representa outro povo, além de os insultar com acusações de racismo e xenofobia.

Activismo de Elite, falso.

Já escrevi no passado sobre activismo de Elite, muito comum em artistas angolanos como forma de se manter na boca do povo e compensar a ausência de sucesso musical, um expediente que a Eva usou por muito tempo, sendo por isto muito normal que o público angolano ache ridículo que esta se candidate ao parlamento português, se declarando agora portuguesa e Angola a “terra que a acolheu”, quando no passado dizia que “Angola é a terra pela qual eu luto e Portugal onde tenho paz”. Ela ergue-se numa deputada quase colonial; a condição colonial define-se menos por domínio estrangeiro e mais por um governo sobre o qual não temos influência, mesmo com o ténue direito de voto, sendo que Eva se declara representante do povo angolano sem ser escolhida por ele e sem sofrer as consequências das políticas que quer impor a Angola. Por isto, por exemplo, o voto da diáspora sempre será antidemocrático.

O activismo de elite da Eva caracteriza-se por uma retórica incendiária, como acusar o Presidente JES de ter “cometido um genocídio de 40 anos”, visando notoriedade, pois sua sede por adulação pública é ilimitada. Claro que nunca sentem na pele as consequências de suas ideias, pois eles agitam os pobres a se atirar às garras da polícia. Pode ser mais um caso de zanga entre comadres, que cria uma boa parte dos activistas de oposição em Angola.

Segundo Tchizé dos Santos, que respondia aos comentários incendiários e insultuosos contra seu pai feitos pela Eva, a mãe da “Rainha Ginga do Tejo” teria sido presa e amnistiada numa história de burla ao Condomínio Ginga Cristina, e talvez por isto sua filha virou activista…

A imigrante, falsa.

A parte do público português que defende a candidatura de Eva imagina que o faz por virtude e anti-racismo, opondo-se assim ao “malvado Ventura”. Porém, na verdade, fazem-no por acharem que a Eva encaixa no estereótipo do imigrante emergente que ascendeu socialmente, como acontece na sua pátria virtual, os Estados Unidos da América, a terra dos imigrantes. Na verdade, a Eva nem pode ser classificada como imigrante, pois nasceu em Portugal de pais angolanos; estes vivem em Angola há décadas e tiveram grande sucesso nas suas carreiras no Ministério da Saúde (a mãe, Ana Paula Mayer, foi Directora Administrativa do Centro Nacional de Oncologia), na Magistratura (o padrasto é o Dr. Januário Domingos) e na Pesca Industrial (o pai, Paulo Cruzeiro Alexandre), sendo que Portugal não lhe providenciou “ascensão social”, apenas conforto. Os portugueses que defendem o direito da Eva de ser deputada, proclamando que “ela nasceu em Portugal” (o que não é suficiente para ser portuguesa segundo as leis vigentes), talvez nem saibam que ela tem a nacionalidade provavelmente por conta de ascendência portuguesa — uma ideia que está mais próxima do “malvado Ventura” do que do ideal da CNN Portugal.

Na verdade, em vez da minoria imigrante oprimida, a Eva faz parte da elite angolana instalada em Portugal para usufruir dos confortos que faltam em Angola.

A candidatura de Eva Rap Diva, ou o teatro do activismo.

A candidatura de Eva Rap Diva, nome artístico de Eva Marise Cruzeiro Alexandre, está a suscitar polémica justificada em Angola e Portugal, porque revela o lado teatral e falso do activismo, mesmo que alguns queiram reduzir isto a uma questão de racismo português e de racismo angolano. Pois o que está em causa nem é que ela seja angolana para os portugueses ou portuguesa para os angolanos, mas que ela tenta enganar portugueses e angolanos ao mesmo tempo, fingindo ser dois personagens mediáticos ao mesmo tempo: a “activista contra a ditadura” para os angolanos e a “imigrante que ascendeu socialmente” para os portugueses.

Ela tem direito de se candidatar ao Parlamento, pois possui cidadania e respaldo legal. Porém, as pessoas podem notar a hipocrisia e o ridículo da situação, mostrando que a moda do activismo pouco vale.

Pelo menos devemos reconhecer o talento da #EvaRapDiva de irritar todos. Para os angolanos, foi clara a hipocrisia de alguém que se diz defensor dos seus direitos concorrer ao parlamento de outro país, com a desculpa de que assim os pode defender melhor, o que constitui um acto de traição ao eleitor português que pagaria o salário de um deputado que representa outro povo, além de os insultar com acusações de racismo e xenofobia.

Activismo de Elite, falso.

Já escrevi no passado sobre activismo de Elite, muito comum em artistas angolanos como forma de se manter na boca do povo e compensar a ausência de sucesso musical, um expediente que a Eva usou por muito tempo, sendo por isto muito normal que o público angolano ache ridículo que esta se candidate ao parlamento português, se declarando agora portuguesa e Angola a “terra que a acolheu”, quando no passado dizia que “Angola é a terra pela qual eu luto e Portugal onde tenho paz”. Ela ergue-se numa deputada quase colonial; a condição colonial define-se menos por domínio estrangeiro e mais por um governo sobre o qual não temos influência, mesmo com o ténue direito de voto, sendo que Eva se declara representante do povo angolano sem ser escolhida por ele e sem sofrer as consequências das políticas que quer impor a Angola. Por isto, por exemplo, o voto da diáspora sempre será antidemocrático.

O activismo de elite da Eva caracteriza-se por uma retórica incendiária, como acusar o Presidente JES de ter “cometido um genocídio de 40 anos”, visando notoriedade, pois sua sede por adulação pública é ilimitada. Claro que nunca sentem na pele as consequências de suas ideias, pois eles agitam os pobres a se atirar às garras da polícia. Pode ser mais um caso de zanga entre comadres, que cria uma boa parte dos activistas de oposição em Angola. Segundo Tchizé dos Santos, que respondia aos comentários incendiários e insultuosos contra seu pai feitos pela Eva, a mãe da “Rainha Ginga do Tejo” teria sido presa e amnistiada numa história de burla ao Condomínio Ginga Cristina, e talvez por isto sua filha virou activista…

A imigrante, falsa.

A parte do público português que defende a candidatura de Eva imagina que o faz por virtude e anti-racismo, opondo-se assim ao “malvado Ventura”. Porém, na verdade, fazem-no por acharem que a Eva encaixa no estereótipo do imigrante emergente que ascendeu socialmente, como acontece na sua pátria virtual, os Estados Unidos da América, a terra dos imigrantes. Na verdade, a Eva nem pode ser classificada como imigrante, pois nasceu em Portugal de pais angolanos; estes vivem em Angola há décadas e tiveram grande sucesso nas suas carreiras no Ministério da Saúde (a mãe, Ana Paula Mayer, foi Directora Administrativa do Centro Nacional de Oncologia), na Magistratura (o padrasto é o Dr. Januário Domingos) e na Pesca Industrial (o pai, Paulo Cruzeiro Alexandre), sendo que Portugal não lhe providenciou “ascensão social”, apenas conforto. Os portugueses que defendem o direito da Eva de ser deputada, proclamando que “ela nasceu em Portugal” (o que não é suficiente para ser portuguesa segundo as leis vigentes), talvez nem saibam que ela tem a nacionalidade provavelmente por conta de ascendência portuguesa — uma ideia que está mais próxima do “malvado Ventura” do que do ideal da CNN Portugal.

Na verdade, em vez da minoria imigrante oprimida, a Eva faz parte da elite angolana instalada em Portugal para usufruir dos confortos que faltam em Angola.

O perfil de Eva, a aparência de imigrante que ascendeu socialmente, e sua defesa dos direitos LGBT, encaixar-se-ia mais no Bloco de Esquerda; porém, este partido está em decadência, e o PS quer roubar os seus votos à esquerda, com a Eva sendo a mercenária perfeita para o efeito, o que intensifica a falta de sinceridade do seu teatro.

Racistas angolanos, racistas portugueses.

Paradoxalmente, se os críticos portugueses da candidatura de Eva são acusados de racismo de forma gratuita (por acharem sua candidatura desprovida de seriedade — afinal, “ela nunca cantou sobre a fome na Margem Sul, mas sim em Angola”, segundo Isidro Fortunato, “afrocrata” residente em Londres), ela está a ser alvo de um discurso francamente racista vindo de pessoas como Luaty Beirão, um colega de activismo que parece ter sido julgado pelo padrasto da Eva. Este sugere que os “sinais da sua identidade portuguesa” estão no facto de ela escrever “Ginga” em vez de “Nzinga”. Ou do acima mencionado Isidro Fortunato, que diz que ela é “um dos portugueses que governa Angola e que destrói o país”, como se ter uma gota de sangue português desqualificasse alguém de ser angolano.

Racistas angolanos, racistas portugueses.

Paradoxalmente, se os críticos portugueses da candidatura de Eva são acusados de racismo de forma gratuita (por acharem sua candidatura desprovida de seriedade — afinal, “ela nunca cantou sobre a fome na Margem Sul, mas sim em Angola”, segundo Isidro Fortunato, “afrocrata” residente em Londres), ela está a ser alvo de um discurso francamente racista vindo de pessoas como Luaty Beirão, um colega de activismo que parece ter sido julgado pelo padrasto da Eva. Este sugere que os “sinais da sua identidade portuguesa” estão no facto de ela escrever “Ginga” em vez de “Nzinga”. Ou do acima mencionado Isidro Fortunato, que diz que ela é “um dos portugueses que governa Angola e que destrói o país”, como se ter uma gota de sangue português desqualificasse alguém de ser angolano.

Visita de Mondlane: A UNITA e a Admissão de Práticas Anti-Democráticas

A UNITA e a Admissão de Práticas Anti-Democráticas

Com a visita de Venâncio Mondlane, a UNITA admite ser anti-democrática.

A UNITA prova novamente, com o episódio e controvérsia à volta da visita de Venâncio Mondlane, que tem um carácter anti-democrático.

Primeiro, o simples facto de convidar Venâncio Mondlane para uma conferência sobre “o futuro da democracia” implica que o partido aceita que seus métodos anti-democráticos são legítimos. Pois devemos lembrar que, apesar de suas tentativas de escapar de suas responsabilidades — seja ao propagar teorias da conspiração de que os tumultos eram frutos de elementos infiltrados, seja ao alegar que foi mal compreendido pelos seus adeptos —, ao anunciar que a última fase dos protestos, dita “turbo V8”, seria pior que as anteriores, Venâncio admitiu culpa e responsabilidade. Para recordar, Venâncio instruiu seus adeptos a fechar estradas com barricadas, a impedir pessoas de ir aos seus locais de trabalho e a que matassem polícias. Porém, estes mesmos adeptos aproveitaram para extorquir pessoas para permitir que passassem pelas barricadas e lincharam várias pessoas por desrespeitarem o “presidente do povo”. Alegar que estes actos tenham sido feitos em defesa da “verdade eleitoral” (ou seja, o direito ao voto) não muda o facto de serem violações directas do direito de escolha das pessoas, que define muito mais a democracia do que o acto eleitoral, periódico e geralmente imperfeito.

Para resumir, ao convidar Venâncio para participar, a UNITA aceita que aterrorizar pessoas singulares para as obrigar a participar de actos políticos, greves e protestos é uma forma de democracia. Assim, admite que pretende aplicar os métodos de Mondlane em Angola, uma vez que vários membros do grupo julgado no caso 15+2 participaram numa live com Venâncio Mondlane, concordando com seus métodos e aconselhando-o a ser ainda mais radical. Isso acaba sendo uma confissão de culpa e confirma a razão de terem sido processados, mesmo que o que eles prepararam não pudesse ser convencionalmente chamado de “golpe de Estado”.

Pelos factos acima citados, a decisão do governo angolano de impedir a entrada de Mondlane entende-se como uma tentativa de preservar a paz social, de modo a evitar-se nas ruas de Luanda os ataques contra a democracia que vimos nas ruas de Maputo. Com uma pitada de ironia, o convidado mais prestigiado da UNITA, o presidente Ian Khama do Botsuana, impediu a entrada de Julius Malema no Botsuana em 2017, a convite de grupos de oposição, por meras críticas ao presidente — algo muito mais grave do que a violência e crimes pregados por Mondlane.

Segundo, muito mais do que o acto eleitoral periódico, o que define a democracia é o respeito pela verdade, pois não existe direito de escolha se não tens acesso à verdade. Daí a importância convencional dada à liberdade de expressão como forma de chegar à verdade. Sendo que a UNITA continua com sua campanha contra a inteligência nacional e a nossa capacidade de perceber a verdade, quando tentam tirar o foco sobre Mondlane, falando em “líderes africanos” ou cria uma crise diplomática inexistente. Afinal, nenhum dos envolvidos são entidades diplomáticas, e nenhum de seus governos depositou um protesto ao governo pelo suposto maltrato.

Pelos vistos, aos olhos da UNITA, o futuro da democracia em Angola será cheio de violência e intimidação contra pessoas singulares, desde que isto permita que cheguem ao poder e mesmo que emburreça de vez o povo angolano.

Atalho para o meu artigo sobre o os protestos e o Venancio: https://roboredo.home.blog/2024/12/29/venancio-mondlane-lider-e-autoritario/