Eclodiu mais uma vez uma polémica sobre a dita “discriminação capilar”, primeiro com um aluno no colégio Joaquina e Sumbe seguido de uma imitadora em uma escola publica, que deve culminar em um protesto dos activistas ligados ao “Crespando Angola”. Os argumentos usados para sustentar a polémica são desonestos, emocionais e talvez sintomas de uma síntese confusa, pulando de acusações de racismo e subserviência ao colonialismo, passando para argumentos constitucionais e as vezes desemboca em quem diz que a culpa é do MPLA.

Em caso de polémica é salutar relatar os factos de maneira simples e procurar a solução mais imediata e simples para resolver o problema, se existe um problema, que considera os direitos e obrigação das pessoas envolvidas.
Resumindo a mãe do aluno sabia que o colégio tem um regulamento, aceitou de maneira implícita o regulamento ao matricular o filho da instituição, sendo que não faz sentido falar em imposição, nem tão pouco de liberdade porque já existe a liberdade de ela escolher uma escola que tenha um código de conduta a seu gosto, liberdade esta que seria eliminada se o seu desejo de “liberdade capilar” for adoptado em todas as escolas, pois os milhares de pais que matricularam os seus filhos no mesmo colégio ao longo dos anos vão perder um lugar com um código de conduta a seu gosto. Porque no sistema actual existe de facto liberdade de escolha. A solução imediata, mudar de escola, esta disponível e não fere os direitos das pessoas envolvidas, a escola mantém o seu direito a definir o seu regulamento e a mãe mantém o direito de educar o seu filho a seu gosto, enquanto que a solução dos activistas consiste em mudar o colégio e todas as escolas de Angola para que adoptam o seu estilo capilar, em nome da liberdade. Percebem a confusão ?


A Escola tem o direito de definir o seu regulamento inteiro, que é apenas uma lista de caprichos, como dizem os activistas, mais um Ethos que se quer transmitir aos alunos, um conjunto de condutas, hábitos e disciplina que o aluno absorve pela pratica durante os anos em que frequenta na Escola, sendo que se for a educação . Os activistas capilares não percebem que isto é parte da educação, reduzem esta apenas ao conteúdo dos programas. A educação é um processo de infusão de conhecimento e hábitos nas crianças, que leva também e requer uma certa ordem e consistência, pois a criança não possui estas duas coisas por mera questão de falta de maturidade. Por isto que as escolas tem regras de condutas, uniformes, e um calendário de actividades. O mero facto que a criança sabe que deve se conformar a um padrão de etiqueta, uniforme limpo e penteia o cabelo, é uma forma de educação pela pratica diaria de um ritual. A sociedade de modo geral também educa as crianças desta maneira difusa. Sendo que se um pai não admite que seu filho use tranças ou cabelo crespo, ficara mais difícil manter esta linha de educação se este estuda em uma escola com crianças que usam este tipo de cortes. Ora o direito deste pai de escolher esta forma de educação é negada pelos activistas capilares.


Este descaso pelo direito de escolha de quem concorda com o regulamento da Escola é evidente pela linha de argumentação usada pelos Activistas contra a dita “Discriminação Capilar”, pois querem paralisar seus oponentes e plateia pela vergonha, insinuando que quem seja contra eles é um racista, alegando que todas as escolas tem um branco ou mulato que não penteia o cabelo quando estes são menos de 2% da população, um alienado, nas palavras do professor Isaac Paxe, um defensor do sistema colonial, que seria a origem destas regras, que serias um “negropeu”, ou simplesmente um burro. Ora voce não quer ser uma destas coisas pois não ? Então pare de pensar. Isto não é uma forma de argumentação que respeita a inteligência das pessoas. Pois não há realmente desejo de dialogo, mas imposição de uma vontade, para que nos conformemos ao modelo que os activistas querem, modelo este que eles tem o direito de escolher no sistema vigente. Alias eles se outorgam a prerrogativa de definir o que é Africanidade, para eles cabelos crespos ou despenteados, porem eu gostaria de saber se receberem um alvará divino para tal serviço. Sobre a Africanidade, primeiro devemos saber que historicamente existiram centenas de estilos de cabelo Africanos em Angola, porem os activistas se lembram apenas do menos estético e higienicamente questionável, pois existiram modas de cabelo baseado no corte e no pentear. Segundo que a cultura não é um dado fixo e imutável, quando na verdade ela é o condensado de escolhas que deram certo, ou seja cada um molda a cultura pelo que faz no presente e pelo sucesso ou fracasso de suas acções no futuro. Isto significa que o vosso direito de argumentar e fazer activismo contra a “Discriminação Capilar” é igual e proporcional ao meu direito de defender a “Ordem Capilar”, a estética e o bom gosto, tentar vencer o debate de antemão pela insinuação difamatória apenas trai a vossa fraqueza.


Um dos argumentos mais estranhos dos Activistas Capilares é que deve ser combate esta suposta discriminação pois ela é permitida pelo MPLA, que representa para eles o Mal, ou seja estão a combater o MPLA, e claro que você não pode defender o MPLA, um jovem tão inteligente como tu, ao menos que sejas um privilegiado ou que odeias as pessoas que comem no lixo. Resumindo estamos diante da mesma tentativa de paralisação pela vergonha. Não vem ao caso o que seja o MPLA ou sua natureza maniqueísta, para mim o que importa é esta ideia que o estado de coisas de uma sociedade é resultado, e logo responsabilidade, exclusiva de seu governo. Por ventura uma vez um conhecido me disse que a burrice dele era culpa do MPLA, e que se fosse corneado pela mulher seria também a culpa do MPLA por ser o governo de Angola. Esta visão sobre estima o poder do Governo, e alias por isto que as pessoas usam a palavra “sistema” para descrever a sociedade, imaginando que a sociedade é uma maquina criada de forma precisa para favorecer Sicranos e prejudicar Beltranos para garantir o Poder dos Hectranos, alias o próprio MPLA cultiva esta imagem do governo como motor da sociedade, pois é normal o quimbadeiro sobrestimar os seus próprios Poderes para explorar a credulidade plateia. Usando uma metáfora, o Estado é menos um barco a motor diesel que pode viajar aonde seu capitão deseja ir por mera força de vontade, mas sim um barco a vela e remo que tem meios de captar forças existentes para chegar ao seu destino e mesmo se contrapor a elas por um tempo, mas não é totalmente livre delas. Colocando de forma sucinta, um Líder não controla todos os factores que influenciam as suas escolhas, alguns são de ordem internacional que ele não pode ignorar ou mudar, outros são de ordem local que ele não pode facilmente mudar ou que recebeu. Ele esta a governar um povo que existe, de onde pode tirar uma turma de colaboradores e adeptos, que apesar de serem sujeitos a seu poder de sugestão tem uma vontade própria que pode ser contraria a dele. Claro que isto é ultrapassado em países totalitários em que o Estado destrói todas as formas de resistências pessoas e colectivas a suas ordens, porem Angola falhou na tentativa de criar este processo. Sendo que o Estado Angolano é em si um reflexo da sociedade Angolana, mesmo que for parte dela, só que esta ideia é rechaçada porque traz consigo uma sugestão de responsabilidade individual, pois se o meu filho é delinquente porque não tem empregos no pais então ele não é delinquente porque eu fui um pai ausente que foi incapaz de o educar.




No final a questão aqui não é a educação das crianças mas a auto-estima de adultos que usam as crianças para validar o seu modo de vida. Na verdade nada disto é novo, pois a actual Elite Angolana também se revoltou contra a moda e boas maneiras de sua juventude, deixando seu cabelo e barba crescer de modo revolucionario para se parecer com Fidel Castro.

O dito “Movimento dos Estudantes Angolanos” atirou lenha na fogueira, atiçando a alegação racista, usando uma foto do menino de cabelo normal em contraste com um aluno branco que nem estava presente no incidente.
Esta revolta capilar se enquadra em uma tendência da cultura Angolana para se revoltar contra a ordem, neste caso o regulamento do cabelo, mas também teve a revolta contra o código vestimenteiro quando o Luaty reclama o direito de andar de calções em instituições publicas.
A ministra da Educação Respondeu a polêmica com um documento que tenta agradar a todos, concedendo a vitoria ideológica ao activistas capilares ao aceitar uma “aceitação da diferença”, antes de reconhecer o direito das instituições de ensino de definir seus regulamentos internos. O ponto essencial do ataque dos Afrocratas capilares nem foi abordado pela ministra: A liberdade das Escolas de gerir suas actividades e a liberdade dos pais de escolher a escola que combina com a cultura que querem que seus filhos tenham, ambas que são destruir por esta “liberdade capilar” que tem que ser uniforme a nível nacional como desejam os activistas.


A reportagem da TPA sobre o assunto é simplesmente uma defesa da tesa Africanista sem qualquer tentativa de contraditório, insinuando que se trata de uma medida “racista”.
Esta geração não pode falhar, porque ja é falhada, e terá uma velhice interessante vivida em parte nos prantos, pela oportunidade perdida, pois gasta com idiotices, e o medo da violência da futura juventude que treinaram a não respeitar a ordem e ser sedenta de revolução, que na pratica significa a destruição repentina de uma ordem pelas pessoas menos capazes de a substituir.
























