Discriminação Capilar

27 de Setembro de 2022: Mais um caso da campanha Afrocrata contra a discriminação “Liberdade Capilar”, desta vez o Colégio Joaquina e Sumbe.

Esta questão é uma questão de autoestima e afrocentrismo, que vigora na cultura Angolana desde 1961 e cria casos de racismo em qualquer ninharia, uma forma de disfarçar um ódio, pois juram que o estes cortes de Cabelos seriam africanos e que as regras de higiene seriam sintomas de “colonialidade”, provadas pelos seus colegas mulatos e brancos que assistem as aulas com cabelos longos, coisa que todo mundo ter visto em um pais com menos de 4% de população Europeia e mestiça de Europeus.

Porem mesmo em Angola, ainda existem pessoas normais.

Tempo de Antena – 26.07.2022

O Tempo de Antena do PH foi uma salada de palavras bonitas, repetindo toda a hora “humanismo” e apelando ao voto feminino.

O tempo de Antena da CASA-CE repete a politica do ventre e o uso da pobreza como pornografia politica, prometendo “casa, emprego e comida”.

O tempo de antena do PRS foi dinâmico, porem virado apenas ao seu eleitorado do leste, com dança e discurso tchokwe.

O tempo de antena da FNLA foi os lideres do partido, todos velhos e cansados, não apenas fisicamente mais também em sua personalidade, com um narradora que fala em um sotaque estranho que parece uma parodia de “Angolana a querer ser lisboate chique”, tudo ao som de kuduro e com slogan de “mudança” igual a UNITA. Tirando isto perde tempo com legitimidade historica, dizendo que a FNLA liberou Angola e que Holden Roberto é o pai da Nação, sera que Angola ainda se importa com isto ?

O tempo de antena da UNITA faz uma pergunta interessante, porque que Angola é um pais pobre, e a responde da maneira mais idiota possível, porem sem antes mentir ao expectador que “angola é um dos poucos países de África que não consegue sair da pobreza” quando a maioria dos países do mundo são pobres segundo a definição da economia moderna.

Em seu tempo de Antenna a UNITA faz apologia ao crime classificando de “forma de sobrevivencia” o roubo de comida em carros de transporte, com imagens do caso arrozman que estava cheio de pessoas de classe media roubando sacos de arroz.

Programa da UNITA: Subvencionar de forma indirecta a comida por meio dos fertilizantes (reforçando a loucura), construir estradas (uma medida salutar), distribuir merenda escolar (afinal os pais precisar de mais dinheiro para beber), aumentar o salário da função publica e “melhorar sua qualidade de vida” (suborno eleitoral)

Tempo de Antena da APN abre dizendo que Angola é um pais jovem, diz que é uma força, e que pode ser resolver os problemas dos jovens pela “criação de políticas para ajudar os jovens Angolanos para realizar seus sonhos”, por exemplo pelo investimento em Agronegocio pois “Angola possui 58.000.000 de terras não cultivadas” e eu me pergunto se estas terras estão em que universo. O narrador tem um sotaque e cadencia de pastor da IURD.

Angola tem tudo para que o jovem pode realizar seus sonhos, sim concordo, porem a cultura Angolana tem o que é necessário para criar riqueza ou se sustentar ?

Tempo de Angola do P-NJANGO, com musica de banda sonora de filme de ação de Hollywood demasiado alto, prometendo progresso social. Tem que melhorar o marketing.

Tempo de antena do MPLA, toma credito pelo “controle da Pandemia”, cortesia da OMS, e um foco nos novos hospitais, que são uma “conquista da nação Angolana” e não apenas do “MPLA ou do presidente”, e “não queremos que isto pare”, ou seja mostra o positivo que foi feito e sugere que vai parar se o partido perder.

As pessoas que falam usam sotaques normais dos diferentes pontos do pais, a produção é a mais profissional de todos os partidos.

É cómico que todos os partidos estão a concorrer para “governar Angola” quando o formato parlamentar com voto em parte proporcional seria normal que os pequenos partidos (PH, APN,P-NJANGO, FNLA) fizessem campanha para promover medidas especificas, parece que ninguém percebeu que não estamos em uma eleição presidencial.

Parece que o Angolano ignora de propositadamente as regras dos jogos aos quais participa.

A 7 sete eixos da UNITA para #Angola 2022, ou como falar sem nada dizer.

Os 7 sete eixos fundamentais do projecto de Governo da UNITA, apresentado pelo Adalberto da Costa Junior na pagina de Facebook do Partido, parece ser um exercício de montagem de colar de bunginganga, em que cada peça, ou palavra, é adicionada ao fio pelo seu valor estetico individual para o cliente e não para o peso lógico do conjunto, pois é apenas um amontoado de palavras agradáveis ao eleitor Angolano, seja rural ou urbano.

Governo Participativo e Inclusivo, Nova Cultura de Governação

Programa Integrado de Emergência Nacional

Combate à Fome e à Pobreza (CFP)

Igualdade de Oportunidades

Reestruturação da Economia

Pluralismo na Comunicação Social

Valorização da Família

Adalberto da Costa Junio, 7 sete eixos fundamentais da UNITA, no Facebook.

O Economista José Macuva tem um excelente texto criticando cada um dos pontos, porem me chamou a atenção o ultimo, a “Valorização da Família”, pois é uma área em que a UNITA e seu presidente poderiam ter um impacto sem estar no governo, porem nota-se um silencio e uma ausência de acção concreta. Isto pode ser explicar por dois motivos: uma paralisia mental causada pelo preceito ideológico que tem o Estado como único agente da Sociedade, ou uma falta de sinceridade que se resume do cinismo que diz que “os problemas são urgentes porem devem esperar pela nossa vitoria”.

Estes setes pontos parecem o discurso de um charlatão, que diz que vai concertar tudo, menos a coisa mais urgente e muito menos a causa dos problemas. Estas campanhas eleitorais parecem conquista amorosas.

Pois o que esta acontecendo no mundo neste momento ? Muita coisa, porem nenhuma delas são tocadas pelos “setes eixos” da UNITA, sendo as duas mais importantes:

1- A Crise de Abastecimento de Comida causada pela Guerra na Ucrânia, contra a qual o Governo do MPLA tentou se preparar, com a Reserva Estrategica Alimentar, sob a chuva de critica de uma UNITA que não apresenta um plano alternativo alem do beeletrismo e verboreia demagogica.

2- O Golpe de Estado Mundial Americano, que impõem o controle indirecto do Império Americano sobre os governos nacionais sob desculpas do combate a Pandemia do COVID-19, pelo intermédio da OMS, e que sera eternizada pelo “Tratado contra as Pandemias”, que permitira a OMS decretar Estados Epidemiológicos sem consultar o Governo Nacional, e deste modo tomando o controle de seu sistema de saúde sob ameaça de embargos e sanções. A UNITA nada tem a dizer sobre o assunto, alem de repetir o que a OMS diz, para apresentar uma imagem de bom Mocismo, enquanto que o MPLA conseguiu criar uma política de “Hipocrisia Soberana”: 1) Anunciar que vai aplicar todas as medidas absurdas da OMS, 2) fingir incompetência para aplicar o mínimo necessário para fazer propaganda, 3) manter o sistema de saúde sob controle do Governo Central.

Angola Semana 14 : O Shopping Racista e os bailarinos, e a Revolução abortada.

A semana numero quatorze em em Angola teve dois acontecimentos que me pareceram curiosos e sintomáticos do estado da cultura Angolana:

Primeiro temos o caso do Belas Shopping e dos bailarinos mumuilas:

Estamos diante de um caso da primazia da acusação, em que a alegação do acusador tem artigo de fé, como aconteceu no caso Simão Hossi contra o café del Mar, que foi também um caso de falsa acusação de racismo que assenta apenas no testemunho da suposta vitima. Nos dois casos se analisando os factos se chega a conclusão que algo não bate certo, por exemplo porque que um grupo de dança andaria todo juntos e vestidos com seus trajes de dança e instrumentos apenas para almoçar, como diz na nota de repudio ? Talvez vieram ou iam para uma actividade, porem a nota não diz, o que me leva a suspeitar que o objetivo era de realizar um numero de dança no Shopping sem a autorização, o que torna justificáveis a decisão da direção de pedir a sua retirada do espaço. Porem nas redes a discussão se perdeu em acusações de racismo e que não se respeita a cultura local em Angola, quando, é simples: O Dono de um espaço privado decide quem pode entrar e o que pode ser feito nele.

A Revolução abortada.

Luaty Beirão esta a lamentar que não haja grandes protestos de rua enquanto faltam apenas 4 meses para a eleição presidencial em Angola, apesar do “assalta claro a soberania”, reconhecendo deste modo o fracasso do plano da Terceira Revolução da UNITA, que apelava para uma revolução de cor a base de protestos de rua persistentes para quebrar a resistencia das forças de segurança, talvez o plano da UNITA seja de o fazer depois da eleição, porem parece que o Luaty acha que deveria ser antes. Porém esta claro que apesar da histeria das redes sociais, dos jornais de oposição, e dos discursos políticos, alem da profecia do mecânica de sociologistas, que “pobreza igual revolução”, que existe uma falta de entusiasmo real no seio para população para votar, o que pode ser notado pelo facto que a as filas dos BUAP foi inferior as da loja da Africel, apesar da prorrogação do período de registo. Porem o Luaty quer provar que o MPLA é incapaz de vencer por meio de um inquérito de intenção de votos, que realizam em vários municípios, ignorando os dados de sua propria contagem paralela que deu ao JLO uma maioria simples na eleição passada. Estando o inquerito ainda em curso, tem piada que as ativistas que participam ao mesmo estão a ser vitimas de cantadas na rua …

Porém o problema real que o inquérito não é saber quantos Angolanos apoiam o MPLA e a UNITA além do mero voto, de modo duradouro e ao risco de suas próprias vidas, se por exemplo as coisas caminharem para uma confrontação violenta, como acontece por exemplo no Kenya, pois é facil dizer ou mesmo votar contra, porem por a sua vida em risco para esta escolha são outros quinhentos.

Porque fazemos as coisas ?

Um Angolano comentou “quanto que lhe pagam [para ele fazer esta loucura]” no vídeo de um Agente do esquadrão Motociclista armado da Policia Nacional Angola, vulgarmente chamados Pin e Puk, por andarem aos pares como os códigos dos Cartões dos celulares, que estava em prontidão para disparar, em pé em uma motorizada em andamento, algures na autoestrada Fiel de Castro em Luanda. Existe uma premissa que deveríamos fazer alguma coisa apenas se formos remunerados por ela, se houver uma recompensa imediata e direta.

Agente da Policia Nacional Acrobata

Porem podemos fazer as coisas pelo amor da perfeição, fazer a arte pelo amor da arte em si. Porque é lindo ser-se mestre de si mesmo e da matéria. Poder aparecer uma oportunidade de recompensa, pois ela pode nunca aparecer, ou se aparecer podemos ter tantos concorrentes que possas não se capaz de capturar a oportunidade.

Falta muito disto em Angola, por isto que todos os dias ouvimos lamentos sobre pessoas que concursos superiores e que não encontram colocação “adequada” ao seu novo estatuto. Porém valeria a pena para eles fazerem seus cursos mesmo se não tivessem colocação ?

Se educar não é apenas completar um numero de provas e assistir um volume de matéria em um tempo determinado, se educar é absorver na sua personalidade o que se aprendeu ao ponto de fazerem parte de nossa personalidade, ao ponto que podemos ver e moldar o mundo sem pensar usando o que aprendemos. Talvez o agente da policia aprendeu a ficar em pé como mera brincadeira, porem com esta arte ele agora pode fazer algo que seria antes impossível.

Existe uma teoria que precisamos de 10.000 horas de pratica para nos tonarmos mestres em uma arte, porem como podemos fazer isto se não queremos realmente a coisa ? Querer não é apenas dizer, e ainda mais pensar pois não se mexem os lábios, que queremos a coisa desejada, isto todo o mundo faz isto é apenas desejar, querer é agir de forma constante e consistente o que é necessário para se atingir o Estado ou Objeto desejado. Resumindo, “Desejar” é almejar a consequência sem aceitar ou mesmo procurar perceber a causa, enquanto que “Querer” é aceitar as causas como caminha para a consequência.

Não é possível ao desejar apenas as consequenciais da Educação, o bom emprego e o status social, que sejas realmente educado, mesmo que ele consiga repetir o que ele aprendeu. Pois uma vez removido o incentivo, o bom emprego ou o status Social, como manter o foco ? Sem a causas, a consequência não existe.

De tanto esperares pela recompensa para aprender, nunca aprenderas o suficiente para ser recompensado.

Uma das consequenciais disto é a abundância de “manuais básicos” sobre este ou aquele assunto em Angola, todo o mundo esta a repetir os básicos de sua disciplina, poucos tentam responder a um problema presente, prever um futuro ou interpretar de maneira mais clara o passado, pois tratou-se apenas de um ritual para atingir dinheiro e fama, não foi educação. Devemos parar de transformar a educação em ritual para aquisição de riqueza, um Angofoot pela venda fasciculos e leituras de slides.

A Polémica sobre o inicio da Guerra Colonial: 4 de Fevereiro vs 15 de Marco ?

A Polémica sobre o inicio da Guerra Colonial: 4 de Fevereiro vs 15 de Março ?

Um dos sintomas do baixo nível do discurso político de Angola, esta nesta luta para saber “quem iniciou a guerra contra o colono”, pois se assume que quem iniciou a luta teria legitimidade para governar.

Como se fosse um cheque eterno que da direitos no presente, por conta de feitos do passado ou qualidades imutáveis como a pertença tribal, independentemente das suas capacidades atuais. O que importa é de saber quem tem atualmente a capacidade e legitimidade para Governar Angola.

Insistir no eufemismo de “Luta Armada” para tentar escapar do facto que a guerra iniciou no 15 de Março, com chegada do Contingente Expedicionário Português para por fim aos massacres e a campanha de terror da UPA no Norte, como se pode ler no livro “Angola Heroica, 120 dias com os nossos Soldados [Portugueses] no Congo”, de Artur Maciel, apenas para evitar dar protagonismo a FNLA, mostra apenas que temos uma cultura política primitiva que recusa a nuance, quer adaptar os factos ao nossos interesses. Trata-se de uma tendência a historio-Génesis, em que só nos sentimos bem se a historia eterna da humanidade culmina em nos e nossa causa.

Deveríamos mudar , e retirar o elemento emotivo e de direito por conta de qualidades imutáveis, qualidades de culturas do ócio que desejam ter sem trabalhar, e adoptar elemento de meritocracia reconhecendo o mérito do vitorioso, mesmo que não gostamos dele, apenas por ser verdade.

A verdade deve ser o critério, ao invés da utilidade dos eventos para nossa causa política. Os Oposicionistas tem a mesma tendência, embriagados pela certeza que lutam por uma “Causa Nobre”, criam uma contra narrativa a seu favor, perpetuando, em novas roupas, o erro.

Infelizmente temos o preconceito que apenas o partido no Poder tem a pratica de manipular os eventos para criar propaganda positiva, como na Alegoria da Caverna, porem os Oposicionistas também fazem contra manipulação, e ao invés de sairmos ao sol para ver a realidade, saímos de um teatro de sombras para outro, com mitologias sobre a inocência Virginal do Nito Alves, que foi um massacre unilateral e negando o Golpe de Estado Nitista ou fingindo, como advertiu o Justino de Andrade em uma palestra sobre o 27 de maio, que se interrompeu uma revolução democrática, impossível no contexto histórico de 1977. Os gritos de denuncia a fraude eleitoral quando o MPLA tem mais que 1% dos votos, ou a Angelização do Jonas Savimbi são outros exemplos desta pratica perniciosa.
Sejamos adultos, o mundo será sempre composto do Bem e do Mal, quem se apresenta como o eterno representante imaculado do Bom deveria ser sempre alvo de suspeita.

Tendo escrito isto tudo, ainda assim aprecio que o MPLA tenha escolhido um acto militar, tomar de assalto uma cadeia para libertar presos, para marcar o inicio da guerra colonial do que o massacre de civis indefesos, brancos e negros, um acto de cobardia vergonhoso aos olhos do mundo e da historia. A nossa anseio de criticar deve nos cegar aos bons feitos de nossas vitimas?

Chinese Thought from Confucius to Cook Ding, Roel Sterckx

Chinese Thought from Confucius to Cook Ding, Roel Sterckx

“O pensamento chinês contém pouca reflexão sobre ontologia ou epistemologia… é centrado no ser humano e orientado para a prática… como devemos viver, organizar a sociedade e garantir o bem-estar dos outros”

“Deixe mil escolas de pensamento lutarem! Ah, você discorda de mim? Bom, talvez não faça isso então. Além disso, você está preso”

“Praticamente todos os estadistas (do período dos estados em guerra) meditavam sobre um princípio central… os regimes políticos operam com mais eficiência quando o poder está concentrado nas mãos de um único governante… como se organiza um estado para obter vantagem sobre seus rivais”.

O primeiro censo da China em 2 dC registrou uma população de 60 milhões em mais de 12 milhões de famílias.cPara comparação. Na época, o Império Romano e a China constituíam aproximadamente 40% da população mundial

Versão chinesa do ciclo “homens fracos/tempos difíceis”. Muito a considerar! “Os senhores tornam-se arbitrários e intemperantes, eruditos desempregados se entregam a discussões irracionais”. Twitter? Os efeitos do Ócio dos Estudiosos tem sido uma calamidade para a humanida.

Memoryholed: propaganda do apocalipse do COVID do comunista chinês publicada pela mídia ocidental no início de 2020

Memoryholed: propaganda do apocalipse do COVID do comunista chinês publicada pela mídia ocidental no início de 2020.

Lembra-se de toda a propaganda apocalíptica ChiCom COVID publicada pela mídia ocidental no início de 2020? Não posso acreditar que me apaixonei por algumas dessas bobagens amadoras de PCC. As imagens abaixo contêm alguns exemplos.

Fatos de Hazmat se adapta a todos os lugares:

Descontaminando cidades inteiras com caminhões gigantes pulverizando tudo:

Soldando os cidadãos em casas (a atuação nesses clipes pseudovirais foi particularmente ruim):

CCP usando caixas estranhas e tubos de plástico para transportar as pessoas como um filme de zumbi:

COVID transformou médicos chineses em africanos (“Os ocidentais são racistas, eles vão acreditar nisso, certo?”).

Cadáveres se amontoando nas ruas:

Hospitais temporários enormes (todos vazios, é claro), ruas vazias, mais trajes anti-perigo:

70% dos pais do Cunene Odeiam os filhos

Um exemplo do uso da pobreza como pornografia política, ou seja apenas para criar indignação para fins políticos, e não porque se queira encontrar suas causas e procurar a solução que lidam com estas, esta na febre actual de publicar sobre a precariedade das escolas em Angola.

Este exercício segue o mesmo padrão, mostra se uma imagem ou noticia “chocante” de escolas e alunos, como prova do mau trabalho do governo e a necessidade de mudança, concebido de modo completo pela troca do MPLA pela UNITA, ou de modo parcial pelo aumento do orçamento da Educação sob o governo do MPLA. Este procedimento retórico se tornou tao corriqueiro que ate mesmo membros do MPLA o usam, sendo o maior exemplo o governador do Uíge que lamentava a falta de salas de aulas e o recurso de alguns alunas a RDC para estudar. Culminando na noticia de 03 de Novembro de 2021 em que Pelágio Ndafenongo Silikuvamwe, no âmbito de uma ação de formação, promovida pelo Ministério da Educação de Angola, deu conta que 70% das escolas do Cunene são de construção precária ou debaixo de árvores.

Uma outra forma de interpretar este dado seria que 70% dos pais dos alunos no Cunene certamente nao gostam de seus filhos, os outros 30% talvez gostem dos filhos ou pelo menos tiveram a sorte deste estudarem em boas escolas.
Afinal de contas 70% dos pais no Cunene nao vivem em casas de “precária ou debaixo de árvores”, vivem em casas construidas segundo sua capacidade de produção, para alguns casas de pau a pique, para outros casas de adobe e para os mais ricos casas de tijolo. Sendo que cada turma acolhe em media 30 alunos, em teoria os pais de uma turma poderiam contribuir com 1/30 dos materiais, iguais de suas próprias residências, para construir uma sala de aula, o facto de nao o fazerem revela que pouco se importam com o conforto e segurança de seus próprios filhos.
Imagine que um Angolano, funcionário de uma empresa petrolífera que vive no Kilamba e tem um salário de 500.000kz, porem que tivesse o seu filho a estudar em uma escola publica em que sentasse em uma lata de leite, certamente sofreria criticas por nao cuidar do filho. Porem porque que os pobres nao podem ser sujeitos ao mesmo nível de critica ?

A suposta inação do governo choca tanto o Angolano, serve neste caso para exonerar os pais destas crianças de qualquer responsabilidade pela educação, proteção e conforto de seus próprios filhos. Por exemplo, na Caconda, em outubro de 2021, 11 crianças foram feridas na queda do muro de uma igreja de adobe. Muitos condenariam o governo de Angola dizendo que “nos EUA o governo garante escola para todos” dizem eles, sem mencionar que quando aquele pais era pobre as escolas eram construidas pela comunidade, seja de modo direto ou por intermédio de uma igreja, sendo que nao esperavam por Washington para tomar conta de seus filhos.

Desabamento de uma sala de culto que era usada como sala de aulas na Caconda.

O que for construido pelos pais em 2021, provavelmente estará disponível, mediante alguma manutenção, para ser usado pelos seus netos em 2041, reduzindo assim o fardo para seus filhos. Assim se constrói um estoque de riqueza comunitária, transmitida de geração em geração.

No final a ideia do Estado Moderno Burocrático, em Angola, serve apenas para permitir que cada um viva sua vida em todo egoísmo, deixando para uma entidade magica, o Governo, a responsabilidade de resolver seus problemas. Alia isto a mentalidade dinheirista, própria ao pobre, que por nao ter dinheiro imagine que seria um poder sobrenatural, e todo o argumentario nacional se resume a criticar o governo nao dedicar maior percentagem do OGE a “educação” …

Geopolitica Provinciana Angolana

A inteligência Angolana sofre de um certo grau de provincianismo quanto a geopolítica, tanto por falta de desejo genuíno de conhecer a verdade [1], e uma tendência de interpretar os factos da política estrangeira apenas na óptica de sua utilidade [2] no contexto da política local.

Um exemplo do segundo caso esta na leitura feita da viagem de JLO aos EUA em Setembro de 2021, interpretada como uma desautorização Americana a JLO por Angola estar na lista de “países não democráticos”, sendo esta “chapada” ainda mais forte pois o Joe Biden recebeu o Presidente Zambiano Hakainde Hichilema e Jonas Savimbi que foi recebido por Ronald Reagan.

Desenho de Sergio Picara sumarizando a interpretacao corriqueira da visita de JLO a Washington.



Porem a viagem de JLO teve encontros com duas pessoas mais importantes, o Jake Sullivan, Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, e Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes do Congresso. O primeiro gere de forma diária as operações de segurança nacional Americana, por indicação directa do presidente Americano, enquanto que a segunda controla o Congresso Americano, que elabora o orçamento e as leis, tendo este poder mesmo durante a presidência de Donald Trump, que viu várias de suas iniciativas bloqueadas por ela. Se por ventura se proceder a uma mudança de presidente, seja por outro democrata, em caso de morte ou desistência do Biden, seja por um republicano que vença as próximas eleições de 2024, desde que a Nancy vença as eleições legislativas de 2022.

Porem o intelectual Angolano sofre de provincialismo, julgando o mundo usando pelos padrões de seu ambiente imediato, sendo que como em Angola o Presidente tem Poderes quase divinos ele acha que o Presidente Americano goza de mos mesmos poderes, afinal os dois tem o titulo oficial de “Presidente”, ao mesmo tempo que seu desejo de derrotar o MPLA o leva a acreditar na interpretação dos factos que se adequa a este desejo, um sintoma de histeria, uma condição em que avaliamos as coisas não pelos factos da realidade, mas sim pela intensidade do nosso sentimento. Um caso típico seria do marido que ignorar todos os sinais que esta a ser traído por querer tanto continuar o casamento com a mulher.

Em Outubro de 2021 os jornais oposicionistas anunciavam com pompa uma “reuniao secreta” entre o triumvirato da Frente Patriótica de Angola (FPA) e a Embaixada Americana, que conjuntamente ao “fracasso” da viajem de JLO, apontaria para a retirada do apoio dos EUA ao MPLA.
Porem estes contactos com todas as lideranças politicas locais, quaisquer que sejam suas chances de chegar ao poder, faz parte do trabalho de rotina dos diplomatas.

Existe um desejo de criar uma narrativa de derrocada do MPLA, não por estar a acontecer, mas por se achar que vai se materializar quanto mais se fala desta derrocada. Um desejo de adquirir o poder divino de criar a realidade pela palavra? Fiat lux?

Quem tenta apresentar factos contrários a narrativa oposicionista acaba muitas hostilizadas pelos oposicionistas, que percebem isto como um ataque direto ao seu desejo de vitoria sobre o MPLA, evitando qualquer contacto com os fatos apresentados ou argumentos alegados. “Cala-te Baju, as coisas estão a mudar, quando a UNITA subir pessoas como tu prestarão contas” … dizem eles para silenciar que deseja exercer seu direito democrático a palavra, pois afinal democracia significa o direito de eleger livremente um presidente da UNITA, qualquer coisa alem disto releva do Fascismo Racismo Neocolonialista.

A esta recusa de enxergar factos que não coadunam com seus desejos se alia o tendência a auto-hipnotizarão, como no exemplo acima em que se ignora a importância do JLO falar com a detentora do poder legislativo Americano e se da demasiada importância a uma reuniao com um embaixador que faz apenas o serviço mínimo para garantir o salario.

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Sim percebo que a alternância possa fazer algum bem a Angola, porem jamais deveria ser conquistada ao preço de nossa inteligência, pois quando acreditamos em uma ideia parva por ser agradável ao nosso peito estamos treinando o nosso cérebro a acreditar em futuras parvoíces.
Esta tendência dos oposicionistas ao discurso histérico pode ser útil para chegar ao poder, afinal lhes da coragem e que sabe vai convencer o MPLA que a vitoria da UNITA esta garantida, porem uma vez instalados na cidade alta será inadequado a pratica de governar e coabitar com os adversários e aliados. Não se pode acusar seus adversários serem “genocidas sanguinários que reduziram o povo a pobreza de propósito” durante décadas e depois virar uma pessoa ponderada uma vez que se tem os meios de punir os crimes imaginários que se imputava a seus inimigos.

Porem pelo andar das coisas os que agora se iludem que tem um apoio Americano imaginário, se fingirão de desiludido quando estes reconhecerem a vitoria do MPLA em 2022, antes de declarem desiludidos pela via eleitoral e apelarem explicitamente para o uso da violência, seja por golpe ou guerra, como o já fizeram ao ter noticias do golpe contra Alfa Conde e pela adopção da estética “savimbista” de pessoas como Hitler Samussuku.