Ex-ministro Julio Bessa se diz chocado porque “Nem na era colonial vi alguém a comer no lixo. o que vemos hoje é o cumulo da humilhação” …. usando a era colonial como o mal absoluto, e por isto medida da gravidade da situação actual, é claro o apelo constante ao discurso emocional sobre a “humilhação”. Porém, é razoável e possível ver pessoas a comer no lixo no tempo colonial?
Contexto demográfico colonial:
Mais de 95% da população negra angolana vivia na zona rural durante o período colonial, ou seja, menos de 5% vivia nas cidades, onde residia mais de 90% da população branca da colónia. Nas aldeias, o conceito de amontoados de lixo onde pessoas possam procurar comida era uma impossibilidade, pois pessoas que vivem na beira da carestia quase não podem se dar ao luxo de deitar comida fora.
A lógica ao avesso da comida no lixo:
A existência de pessoas que comem no lixo só é possível se há uma parte da população com comida suficiente para deitar fora. Ou seja, o senhor ex-ministro, que esteve no governo quando havia pessoas a comer no lixo sem que isso o incomodasse, nunca poderia ver alguém a comer no lixo no tempo colonial porque não havia sequer comida suficiente para deitar. As pessoas simplesmente morriam de fome, vendiam-se como escravos, vendiam as filhas na prostituição ou emigravam para outras colónias.
Padrões históricos de fome em Angola:
Antes do período colonial, que teve o seu início em 1886, Angola tinha por períodos de secas seguidas por grandes epidemias que matavam entre um terço a metade da população, sensivelmente a cada 70 anos. Com a fase colonial, estas crises passaram a acontecer em todas as décadas.
Evidência documental:
Edward Alsworth Ross mostra no seu “Report on Employment of Native Labor in Portuguese Africa” (1924) que o uso e abuso do trabalho forçado era suficientemente intenso para interferir na agricultura local e acentuar estas crises, como a crise dos anos 30, causada por três anos de seca consecutiva e várias pragas (ratos, gafanhotos, peste bubónica e tuberculose). Para mais detalhes, consulte Jill R. Dias, “Famine and Disease in the History of Angola c. 1830-1930”, The Journal of African History, Vol. 22, No. 3 (1981), pp. 349-378.
O Francisco Teixeira é o ativista burro perfeito. Veja essa frase dele aqui: “Se eu tivesse poder, iria acabar com o ensino privado.”
O espírito parasita do ativismo
Sim, como é um parasita. Por que é que é um parasita? Um parasita é aquele que tenta viver pela boca, ao invés de viver pelo trabalho. E isso não é apenas uma tendência da modernidade. Os quimbandeiros, nessas idades tradicionais, também eram parasitas. Porque eles tentavam colocar medo no coração das pessoas para depois viver das ofertas que as pessoas davam aos supostos deuses. E o teu deus é o Estado.
Então, ao invés de você deixar as pessoas trabalhar e tentar resolver problemas reais que existem na sociedade, você está satisfeito em fazer apenas agitação com a boca. Porque qual é o problema desse senhor com o ensino privado? É simples. O ensino privado reduz o número de problemas que ele pode apontar. Porque ele vive de apontar problemas, e não soluções. Porque o ensino privado é uma forma de solução. E é uma solução mais direta.
Ensino público versus ensino privado
Veja, se tudo depender do ensino público, o que é que vai acontecer? Se, por exemplo, você precisar de uma vaga ou a escola não tem condições, o que é que você tem que fazer? Tem que chamar o ativista aqui, Salvador da Nação, para ir fazer uma manifestação, para ir falar com o diretor provincial, para ir falar com o diretor municipal, para ir falar com o Ministro da Educação, para ir fazer protesto em frente da Casa do Presidente, ou ao Presidente. Isso vai levar quanto tempo? Um ano, dois anos, seis anos? Até, se calhar, na próxima eleição, ele resolver o teu problema.
No ensino privado é simples. Eu tenho o meu dinheiro, por exemplo, tenho 30 milhões de kwanzas, chego numa banda, anoto: “Olha, aqui não tem uma escola, as crianças estão a estudar muito longe, no outro município. Eu vou construir uma escola com 20 milhões de kwanzas, cobrar uma propina de 5 ou 10 mil kwanzas e ver como é que vai andar o negócio.” Se eu tiver boa aceitação dos pais, eu vou pegar a parte do dinheiro que eu vou arrecadar das propinas, vou ampliar a escola e talvez criar condições, colocar ar condicionado, outra sala, ou se não, às vezes nem precisa de ar condicionado.
Para algumas situações, a pessoa só precisa do serviço de escola, mesmo que não tiver mordomias ou luxo. E isso, eu como privado, eu posso resolver isso em seis meses. Preciso de alguns meses para anotar que há um problema. Se eu já tenho dinheiro para investir, invisto logo. Se não tiver, eu peço empréstimo. Mas é tudo resolvido em menos de um ano.
A ameaça à mente ativista
E isto é uma ameaça para a pessoa da mente ativista. Porque a pessoa da mente ativista tem o espírito do parasita. O importante não é resolver os problemas, o importante é o problema existir para lhe dar mais poder.
Então, para isso, ele tem que pôr fim às escolas privadas em Angola. E ele vai dizer: “Não, mas tem que acabar porque elas são escolas privadas, são dos dirigentes.” Olha, se o tal dirigente não tem inteligência suficiente para usar o dinheiro que ele conseguiu ao trabalhar no Estado durante 20, 30 anos, para construir algum tipo de empreendimento, é um dirigente burro. É mesmo burro. E não é o tipo de pessoa que nós queremos para dirigir este país.
Então, se realmente há dirigentes aí que, durante o seu tempo de carreira, pensaram em poupar dinheiro para construir um colégio, uma instituição, epá, parabéns para eles. Eu não vejo qual é o motivo de lhes atirar pedras. Mas agora, ele vai colocar no barco dos dirigentes os cidadãos privados que, com seu próprio dinheiro, construíam suas escolas. Esse não tem o direito de trabalhar?
A ilegitimidade do ativista
Então, você quer dizer que quando você tiver o poder, você vai impedir outros angolanos que tiveram o juízo de poupar dinheiro, construir um empreendimento e gerir esse empreendimento – coisa que você nunca fez na tua vida? Ah, você é presidente da quê? Associação de Estudantes Angolanos.
Quem votou para ti? Eu fui estudar nesse país. Nunca ouvi falar de ti. Quem votou para ti? Até onde eu sei, tem tipo seis ou sete Associações de Estudantes de Angola. Por que é que você é mais representativo do que os outros? Epá, os pais reclamam de fraude eleitoral, mas olha, isso é tipo se passar por namorado de uma dama. Então, se uma dama… você chega no bairro e diz: “Olha, eu sou namorado da Maria.” Mas a Maria nunca te deu sim, mas você está a autoproclamar-se namorado. Isso não é fraude? É fraude.
Quem votou para ti? Quem é o estudante que te escolheu como sendo líder? E quem te deu o poder de você ser contra os outros angolanos trabalharem? Só temos que ficar aqui a te ouvir? Você tem que ser Ministro da Educação para resolver todos os problemas do universo? Nós não temos cabeça, só temos que te ouvir?
O papel do Estado
Meu, o Estado é uma entidade por natureza corrupta, por natureza ineficiente, que é necessária para certos tipos de assuntos como infraestruturas pesadas – pontes, barragens e coisas do género que o privado não consegue construir. Defesa nacional, porque se você não tiver um exército nacional, vamos ser invadidos pelo Ruanda e vamos todos falar a língua das galinhas. Para esses efeitos – emissão também de moedas – para esses efeitos, o Estado é necessário.
Obviamente que por motivos de unidade nacional, por motivos de legitimidade, o Estado também tem que construir algumas universidades de referência, algumas escolas públicas e coisas do género, mas não significa que o Estado tem que ser a única entidade que construa essas infraestruturas.
A contradição do ativista comunista
Nós já não estamos no comunismo. Você diz que lutas contra um partido que foi um partido comunista, mas você também é comunista. Daqui a pouco vai acordar de manhã e vai começar a ralhar você sozinho, a falar sozinho:
“Baixa o comunismo! Baixa o comunismo! Baixa o comunismo! Baixa o comunismo!”
Porque você é comunista, como as pessoas que você critica. Num dia que você está a criticar, eles vão tentar sair dessa mentalidade do comunismo e ir para uma mentalidade capitalista.
O Estado não pode ser o único ator da economia. Quando você vem aqui dizer-nos que você vai acabar com o ensino privado, você quer que o Estado seja o único a trabalhar. Os outros não vão poder trabalhar.
A hipocrisia do discurso
E você recebe dessas pessoas que reclamam: “Não, não se ouve os jovens. Os jovens também têm ideias.” Mas calma só. Quando você impede as pessoas de trabalharem, você ilegaliza todo um setor económico. Você também está a opor-se às ideias dos outros.
Porque é o seguinte: um investimento é uma ideia levada à prática pelo dono da ideia. Ou seja, o dono da ideia acredita tanto na ideia dele, que ele sozinho investe o seu próprio dinheiro. Ele põe em risco o seu dinheiro, o seu suor nesta terra para concretizar essa ideia. Essa pessoa é menos importante do que você? Porque você acha que a ideia que você próprio não quer investir na tua ideia é mais importante?
Ou seja, a ideia que depende do dinheiro dos outros é mais importante que a ideia que está a ser posta em prática pelo dinheiro da pessoa que teve a ideia?
O desafio ao ativista
Porque é o seguinte: se você acha que é isto tão bom de educação – porque eu já vi um outro vídeo em que você estava a reclamar dos salários pagos pelas escolas privadas de Luanda – faz o seguinte: abra a tua escola e nos mostre como é que você pode gerir uma instituição privada de educação em Angola pagando salários dignos.
Queremos ver. Estamos aqui sentados para ver já o génio aqui da educação.
Ele nem esta sozinho neste caminho, a presidente do SINPROF tem o mesmo discurso.
O colorismo não existe em Angola, pelo menos não na forma que é definida pelos afrocratas como ideologia que materializa o privilégio das “pessoas de pele clara”. Afinal, um privilégio não é apenas uma diferença – é uma diferença imposta por força legal, sem a qual não existiria.
Quando confrontados com esta exigência de provas, os defensores do discurso do colorismo às vezes mudam de estratégia. Dizem que o problema está nas pessoas de “tom menos claro” que ficam intimidadas diante das de “tom mais claro”… Mas se fosse só um conselho de autoajuda, por que o discurso sempre tem a forma de um ataque contra os segundos?
No passado, tinha um filho de ministro que cometeu toda sorte de crimes e nunca foi preso. Bateu até em agente da polícia fardado. Gozava do privilégio da impunidade, não porque escolhemos todos respeitar os filhos de ministros, mas porque o pai dele concedeu o direito à impunidade usando seu poder.
Não pode existir colorismo como prática de concessão de privilégio sem que haja uma autoridade que conceda o mesmo.
Se fosse apenas uma questão de autoestima de pessoas magoadas por penteados e namoros na adolescência… até dava para ignorar.
Tenho certeza que há pessoas que tratam outras de modo diferente por conta da cor de pele, sendo negativo ou positivo, mas são preferências individuais, que podem ser criticadas.
Porém, o discurso anti-colorista não é uma simples crítica de escolhas individuais irracionais. É, na verdade, um discurso de ódio.
Este discurso, por calúnia difamatória, acusa a pessoa de crimes falsos de modo a incitar o espírito de vingança e a suspeita sobre sua posição social, desmerecendo seus feitos individuais ou dotes naturais: “só tem isto por ser clara”.
Lembram do caso da senhora que bateu no peito do agente de trânsito?
Os proponentes do colorismo disseram que o agente da polícia iria matar ou bater se fosse uma pessoa de cor escura.
Mas ninguém entra na polícia de trânsito para matar ou bater. Entra para faturar. E ali já estava tudo pago: veículo apreendido e multas com porcentagens para o agente. A suposta “privilegiada pela cor” ainda respondeu por desacato à autoridade.
O que aconteceu ali foi simplesmente um comportamento puramente angolano, não importa a cor da pele: “você sabe quem eu sou!”
Este discurso de ódio é especialmente intenso contra as mulheres. Sendo vítimas de assédio sexual, como todas as mulheres angolanas bonitas, são tidas como coloristas opressoras ao invés de vítimas de um crime. Ao invés de beneficiarem de nossa simpatia, são hostilizadas por serem “privilegiadas”, acusadas de serem as últimas moabitas do país: bandidas, namoram com os papoites… Quem conhece o país sabe que há de todo tipo neste ramo.
O que Ruanda nos ensina
A acusação difamatória como discurso de ódio foi um dos procedimentos usados para incitar violência no genocídio de Ruanda. A Rádio Mil Colinas (RTLM) acusava os tutsis de toda sorte de atrocidades de modo que qualquer hutu se achasse no direito de fazer justiça pelas próprias mãos.
O académico Scott Straus, no seu estudo “What Is the Relationship between Hate Radio and Violence?” (2007), mostra que a RTLM não só desumanizou os tutsis – criou uma narrativa de que eles eram uma ameaça mortal que precisava ser eliminada primeiro.
Mais impressionante ainda: Yanagizawa-Drott (2014) conseguiu calcular matematicamente o impacto da rádio. No seu estudo “Propaganda and Conflict: Evidence from the Rwandan Genocide”, ele prova que as transmissões da RTLM foram responsáveis por cerca de 10% das mortes – dezenas de milhares de pessoas.
Alison Des Forges (1999), no livro “Leave None to Tell the Story”, documenta como o discurso de ódio fez vizinhos matarem vizinhos. Pessoas que viveram juntas por gerações, de repente estavam se matando baseadas em características físicas e acusações generalizadas de conspiração.
A propaganda funcionava assim:
Primeiro, chamavam os tutsis de “baratas” (inyenzi)
Depois, diziam que eles estavam planejando matar todos os hutus
Então, normalizavam a violência como autodefesa
Por fim, eliminavam qualquer compaixão – as vítimas “mereciam”
Lee Ann Fujii (2009), em “Killing Neighbors”, mostra algo assustador: o discurso de ódio não criou o conflito do nada. Ele pegou tensões e ressentimentos que já existiam e transformou em genocídio.
Susan Benesch (2008) criou um teste para identificar quando o discurso vira incitação perigosa. São cinco fatores:
Quem está falando e qual sua influência
Se a audiência já tem propensão à violência
O conteúdo e forma da mensagem
O contexto social e histórico
O meio de disseminação
Reparem: o discurso anti-colorista em Angola marca várias dessas caixas.
Angola e o perigo real
Angola tem uma história de discurso violento. Queimam-se gatunos em Angola porque as pessoas acreditam que a polícia não faz justiça – um sentimento justificado por casos reais.
O discurso anti-colorista cria este mesmo sentimento de injustiça através de propaganda. “Os claros têm privilégios, têm dinheiro” – ignorando que a maioria dos angolanos, claros ou escuros, está na mesma luta.
Este discurso também leva à falta de compaixão. Quando alguém de pele clara sofre, não merece simpatia porque “tem privilégios”. É a mesma lógica que permitiu o genocídio em Ruanda.
Conclusão
Julgar as pessoas por uma característica inata e imutável, ao invés de seus atos, constitui preconceito de modo geral, e discriminação baseada em fenótipo neste caso particular.
Além de ser injusto – pois se estás a dizer que a pessoa não presta por ser clara, estás a dizer que ela nunca vai prestar – este tipo de julgamento contradiz princípios básicos de justiça.
Como os estudos sobre Ruanda mostram claramente, discursos que categorizam e desumanizam grupos baseados em características físicas podem ter consequências devastadoras. Começam com palavras, terminam com machetes.
O discurso contra o colorismo, quando ataca pessoas por sua tonalidade de pele, constitui ele próprio um discurso de ódio contra um suposto opressor. E deve ser tratado como tal.
Quando o preconceituoso se faz de vitima.
Por causa da hegemonia cultural do Marxismo, muitos fenómenos sociais sao vistos deste o ponto de vista de oprimido contra opressores, sendo que ate ideologias agressoras tentam se colocar na posição de vitima de modo a ter uma vantagem moral e ideológica. Isto se chama blood Libel, ou seja acusação difamatória., acusar a vitima de crimes falsos de modo a justificar a agressividade já premeditada. Sendo que a tentativa da vitima se defender leva a fúria do agressor, que se sente ofendido diante da “cegueira do privilegiado” e o acusa de ser imoral. Parece aquelas conversas de fim de relacionamento amoroso, em que nada se diz por ser verdade ou mentira, mas apenas para justificar aquilo que já se decidiu no coração.
A origem deste discurso.
Em Angola, este discurso tem duas fontes: O Preconceito dos incompetentes e Os Americanos do Fardo.
Pode se chamar de Preconceito dos Incompetentes, o discurso de ódio racial usado contra Angolanos mestiços de modo geral por pessoas que eram incapazes de fazer argumentos políticos ou pragmáticos coerentes contra estes, preferindo recorrer ao sentimentos de base como ódio. Claro que isto foi usado de forma proeminente contra o MPLA de modo geral, porem mesmo dentro do MPLA este táctica foi usada contra os militantes que tivessem a cor de pele errada, sendo que mesmo mestiços que aderirem a partidos como FNLA foram vitimas deste tipo de ataque, como o comandante Elias Pio do Amaral Gourgel, que foi fuzilade diante de seu pai por protestar contra a estratégia desastrosa de Holden Roberto na guerra colonial.
Podemos chamar de Os Americanos do Fardo, o fenómeno em que jovens de países do terceiro mundo imitam ideias populares na América, porque, no subconsciente, acham que a pessoa que tem dinheiro tem razão. Ou seja, isto equivale, no campo intelectual, ao fenómeno do sobrinho que vira chefe da família por ser rico. Como o conceito de Colorismo esta na moda nos movimentos culturais da diáspora afro-americana, talvez de maneira justa por conta de suas circunstancias particulares, estes foi copiado sem reflexão por parte de nossa intelectualidade, pois preferem se aliar a correntes que parecem já vencedoras do que arriscar pensar de maneira original.
É crucial que Angola aprenda com essas lições históricas e promova um debate baseado em fatos, não em generalizações prejudiciais que podem, literalmente, matar.
Referências Acadêmicas:
Benesch, S. (2008). “Vile Crime or Inalienable Right: Defining Incitement to Genocide”. Virginia Journal of International Law, 48(3), 485-528.
Des Forges, A. (1999). Leave None to Tell the Story: Genocide in Rwanda. Human Rights Watch.
Fujii, L. A. (2009). Killing Neighbors: Webs of Violence in Rwanda. Cornell University Press.
Straus, S. (2007). “What Is the Relationship between Hate Radio and Violence? Rethinking Rwanda’s ‘Radio Machete'”. Politics & Society, 35(4), 609-637.
Yanagizawa-Drott, D. (2014). “Propaganda and Conflict: Evidence from the Rwandan Genocide”. The Quarterly Journal of Economics, 129(4), 1947-1994.
Um clone de Jinito Dinis disse, de maneira sucinta, aquilo que “o zerador do game” não conseguiu falar por falta de eloquência: “a universidade em Angola emburrece as pessoas” — e tem razão nisto.
A universidade emburrece, sim, quando é vista pelo estudante apenas como um meio para se atingir um melhor emprego e não como uma oportunidade para aprender. Pois, quando este é o caso, a prioridade do aluno é cumprir a sentença e receber o canudo, mesmo que tenha de dormir ou pagar durante todo o período. Por isso abundam toda a sorte de “serviços de consultoria académica”, que fazem até monografias de doutoramento, mas que começam cedo com a prática de “fazer trabalho no cyber”, o eufemismo para não dizer que se pagou ao funcionário do cyber para copiar textos da internet.
O problema do plágio académico não é exclusivo de Angola. Como sublinha Park (2003, p. 478), “o plágio é uma forma de desonestidade académica que compromete a credibilidade da educação superior e cria um falso senso de competência nos estudantes”.
A corrupção e o assédio sexual escolar também têm raízes nisto, além da ganância e torpeza moral de certos professores. O vendedor quer vender, o comprador quer comprar: o desacordo está apenas no preço. Aliás, existem até os que simplesmente compram o diploma, por ser apenas uma autorização para ganhar dinheiro. O assédio sexual no meio académico tem sido identificado como um fenómeno estrutural. Bondestam e Lundqvist (2020, p. 399) destacam que “o assédio sexual no ensino superior é uma das formas mais difundidas de violência de género e afecta negativamente o bem-estar, a saúde mental e o desempenho dos estudantes”.
Claro que pessoas assim não têm a noção de competência, e, por isso, não podem ser competentes. Acham que qualquer pessoa, por fazer um trabalho, já merece reconhecimento, e é-lhes insuportável que outra pessoa ganhe mais do que eles. Aliás, são as mesmas pessoas que acham — sem ironia — que poderiam ser ministros ou directores de empresas.
E não estou a especular: basta ver as reacções à publicação sobre a taxa de desistência de 50% dos alunos inscritos na UAN, com a maioria dos internautas a mostrar-se chocada com este facto. Quando, na verdade, não há nada de errado: o sentido real da notícia deveria ser que, pelo menos, 50% dos que concluem o ensino superior privado talvez não sejam qualificados.
A baixa dedicação dos estudantes é um desafio global. Junco (2012, p. 165), ao investigar a relação entre uso de redes sociais e rendimento académico, concluiu que “quanto maior a frequência de uso do Facebook, menor é o tempo de estudo e o envolvimento académico dos estudantes”.
Para estes angolanos, a frequência universitária seria apenas um processo de emburrecimento.
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Discordar de Jinito e dos clones
Depois da resvala acima, precisamos saber que, para a maioria das pessoas, este discurso contra a educação de Jinito e dos seus clones é perigoso, porque pode ser entendido como uma retórica contra a educação escolar e contra qualquer forma de educação. Em uma terra em que as pessoas estudam pouco e já têm uma predisposição cultural contra o estudo — algo que me ficou claro ao ler o mestre Uenga Xitu, que notava a piada fácil contra o intelectual — este discurso é ainda mais nocivo.
A minha discordância solidifica-se quando percebo que a suposta “visão” que Jinito advoga em substituição ao estudo é apenas aquela conversa barata que os maus alunos cultivavam para não se sentirem inferiores. Dizem: as provas servem apenas para repetir teorias; na prática, vale a visão! Mas que provas têm eles da suposta visão? Nada além da própria convicção e da sua autoestima.
As provas, por imperfeitas que sejam — mesmo que os professores sejam maus e o currículo de péssima qualidade — pelo menos servem para obrigar o jovem a iniciar e terminar algo, um talento raríssimo num mundo cheio de diletantes.
É verdade que o formalismo excessivo das instituições pode transformar-se em ritual vazio, mas não deve ser confundido com a ausência de esforço. Como notam Meyer e Rowan (1977, p. 343), “as estruturas formais das organizações educativas frequentemente funcionam como mitos, reproduzindo a aparência de racionalidade, ainda que pouco relacionadas com a prática efectiva”.
A educação vale, sim, a pena; porém, não pode ser apenas a educação formal escolar, tanto para evitar que milhares de jovens percam anos da sua vida a adquirir diplomas inúteis, como para que jovens brilhantes não sejam limitados apenas pelos seus professores, em vez de se educarem usando os vastos recursos da internet e das bibliotecas.
Às vezes, quem está errado tem razão: Jinito e os seus clones apenas puseram fim à farsa.
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📚 Referências
BONDESTAM, Fredrik; LUNDQVIST, Maja. Sexual harassment in higher education – a systematic review. European Journal of Higher Education, v. 10, n. 4, p. 397–419, 2020.
JUNCO, Reynol. The relationship between frequency of Facebook use, participation in Facebook activities, and student engagement. Computers & Education, v. 58, n. 1, p. 162–171, 2012.
MEYER, John; ROWAN, Brian. Institutionalized organizations: Formal structure as myth and ceremony. American Journal of Sociology, v. 83, n. 2, p. 340–363, 1977.
PARK, Chris. In other (people’s) words: plagiarism by university students—literature and lessons. Assessment & Evaluation in Higher Education, v. 28, n. 5, p. 471–488, 2003.
O que significa ter o direito de namorar? Significa que posso namorar com quem eu quiser, sem ser vítima de ameaças ou entraves?
Ou significa que tenho o direito a ter uma namorada à custa do Estado, ou seja, de terceiros?
Vamos transladar esta analogia para a educação.
No senso comum angolano.
No senso comum angolano, ter o direito à educação significa ter o direito a educação gratuita.
A constituição no seu artigo 21.º, alínea g, trata de “Promover políticas que assegurem o acesso universal ao ensino obrigatório gratuito, nos termos definidos por lei”, ou seja, nem sequer é um direito universal ao ensino em Angola, mas para fins de argumentação, vamos falar do direito universal e ilimitado ao ensino.
Quando se fala de um direito à educação no sentido de direito a educação pública, está-se a falar implicitamente de um dever de um terceiro em prestar este serviço, de educação, para nós. Este terceiro, nos países do Ocidente, são os ricos, e em Angola o terceiro seria o próprio Estado que deveria pagar por isto pela venda das riquezas que imaginamos ter. Isto chama-se um direito positivo, ou seja, um direito a ter alguma coisa ou serviço de graça.
O Embuste dos Serviços Nacionais…
Porém, como às vezes o dito rico não existe, ou tem amizade com a Elite política, quem acaba por pagar pelo suposto direito gratuito acaba por ser o próprio pobre, depois de ser enganado que esta seria a única forma de providenciar este serviço, normalmente de saúde ou de educação.
O direito à Educação real.
O direito real à Educação, significa o direito a praticar o acto individual de educar-se, sem sofrer entraves por parte da autoridade ou de terceiros, um problema histórico real e que se repetiu pois limitar a educação, o investimento em conhecimento pessoal, permite manter as pessoas em situação de subordinação. Este direito real à educação, um direito negativo, sendo o único que pode ser universal pois não necessita de outra coisa além da vontade do indivíduo de se educar. Os professores e a sala de aula sendo apenas um dos instrumentos deste processo.
Em contraste, o direito a educação gratuita, torna-se um absurdo quando nem existe certeza do número futuro de contemplados ou da fonte dos recursos para pagar pelo serviço, sendo que na prática, o que os Estados fazem se resume a pagar pelo serviço gratuito usando o próprio dinheiro das pessoas contempladas, ou seja, nacionalizar recursos privados já existentes.
Responsabilidade do Estado.
A constituição no seu artigo 21.º, alínea g, trata de “Promover políticas que assegurem o acesso universal ao ensino obrigatório gratuito, nos termos definidos por lei”, ou seja, nem sequer é um direito universal ao ensino em Angola, porem muitos Angolanos falam da responsabilidade do Estado na Educação.
O que seria uma responsabilidade ? Fazer aquilo que apenas nos podemos fazer, sendo a nossa acção necessária. O Estado existe por existir uma necessidade de defesa e manutenção da lei, sem o Estado não poderíamos se defender de uma invasão estrangeira, como o MPLA defendeu Angola da invasão Zairense em 1975, e a justiça seria um assunto de redes mafiosas, como acontece com o tribunal do criem no Brasil.
A educação escolar só pode existir com o Estado ? ou seja, existe uma necessidade do Estado na Educação ? Não estou a falar do principio de conveniência do Estudante ou encarregado, de receber educação gratuita. Ou seja, sem uma garantia de educação escolar universal e gratuita pelo Estado, não pode existir educação ? Para as formas simples de educação escolar, a escola primaria e secundaria, que se resume a salas de aulas e professores, pode ser feito sem iniciativa Estatal na maioria do território.
Para educação superior, que requer capitais avultados e equipamentos especializados, pode se falar em necessidade publica, tendo em conta a baixa capitalização de nossa economia.
O principio de responsabilidade se estende ate ao sector privado, como se pode ver no sindicato Sul Africano Solidariedade, que representa trabalhadores da Etnia Afrikaner, que decidiu construir dois Campus universitários privados para garantir um ensino em Afrikaans, para este grupo Étnico, diante da extinção desta língua nas universidades publicas, ditada pelo Governo do ANC.
Responsabilidade, fazer o que deves fazer, pois ninguém pode fazer por si.
A historia do empresário que encerou seu colégio e converteu o Edifico em hospedaria ilustra superioridade da Educação Privada sobre a Educação Publica.
O próprio processo para a criação do colégio teve efeitos positivos sobre a economia, pois o empresário poupou dinheiro e investiu em uma infra-estrutura polivalente, afinal conseguiu reconverter em nova forma de negocio, depois de constatar que o negocio inicial estava a render pouco, seja por falta de alunos ou porque os pais querem pagar pouco.
Se existe demanda real por um colégio naquela zona e vontade dos pais de pagar, um outro empresário criar uma escola no ano seguinte.
E se fosse uma escola Publica ? O Caso Angola e Cuba.
Uma escola publica nas mesmas circunstancias, continuaria a funcionar mesmo que tivesse custos elevados, por exemplo por falta de alunos, empobrecendo a economia como um todo. Sendo que uma escola publica nunca iria diminuir os seus custos para responder a oferta real, como provavelmente fez o empresário, reduzindo funcionários nao essenciais, uma escola publica a caminho da falência teria todos os funcionários que teria uma escola em pleno funcionamento.
Alias a Escola Angola e Cuba ficou 10 anos sem funcionar, porque falta ao Estado o sentido de urgência que um impediria a um empresário deixar uma estrutura ficar sem uso e se degradar por tanto tempo, alem da ilusão que o Estado tem de sempre ter receitas no futuro e que diminui o cuidado com a infra-estrutura que já existe.
Em um sistema dominado pela educação publica, o empresário iria gastar o seu dinheiro para comprar um V8, cortesia do subsidio aos combustíveis, e os moradores teriam de esperar esperar ate um programa do Estado pensar na zona deles …
3- A revolta dos pais constitui apenas uma maneira
A revolta dos pais constitui apenas uma forma de tentar mandar na vida do empresário, afinal eles ja tem uma forma influenciar a sua decisão de maneira mais justa : com seu dinheiro.
Se encarregados estiverem disponíveis a pagar mais, de modo a cobrir os custos do empresário, este pode julgar que vale a pena continuar com o negocio na educação.
Com a educação Publica, os pais nunca vão ter noção do custo real de suas decisões, e ficam com a impressão que a disponibilidade vagas nas escolas são ilimitadas, na educação privada o pai sabe exactamente quanto vai custar a educação de cada filho e tem o direito de decidir como vai viver a sua vida, se filhos são mais importantes para ele que o conforto, vai dedicar mais aos seus filhos, se o conforto for mais importante, ele vai fazer o contrario.
Deixamos um desafio ao leitor: Conhece algum colégio que aonde não haja carteiras para os alunos ? Do jeito que falta carteiras para em algumas escolas publicas ?
Porque que os encarregados aceitam que seus filhos estudam em escolas sem carteiras ? Porque para eles, importa mais ser gratuito do que ter qualidade.
Um director de uma escola publica nunca teria a coragem de se demitir, como este empresário, caso descobrisse que não tinha talento para gerir uma instituição de educação .
Agora que esta a voar acusação de terrorismo por todo lado, e tivemos ter direito ao inversão revolucionaria obrigatória sobre o “verdadeiro terrorismo de Estado”, cortesia do Luaty Burão , nas me lembro de uma conversa que tive com Driss Ghali, autor de um livro sobre o tema.
Terrorismo consiste no uso da violência para atingir fins políticos, os atentados espectaculares foi uma tentativa de usar media de massa para ter um efeito geral, pois inicialmente os actos de terrorismo eram feitos contra pessoas singulares, a retalho, para as dissuadir de colaborar com as autoridades.
‘il y a une seule conclusion à tirer de l’oeuvre de Galula, c’est que toute communauté humaine, mise devant un problème politique, peut, sous certaines conditions, se fracturer en trois groupes : une minorité active très déterminée à renverser la table, une autre minorité attachée au maintien du statu quo mais incapable d’agir et enfin une majorité silencieuse qui rêve de ne rien faire mais dont la vocation est d’appuyer le camp qui a le plus de chances de l’emporter. Hier face au FLN algérien et aujourd’hui face à l’Etat Islamique, la pensée de Galula permet à une démocratie comme la nôtre de se défendre sans se renier. Un ouvrage urgent après le Bataclan. Un livre passionnant qui présente un des pères fondateurs des théories de la contre-insurrection. Driss Ghali offre une vision captivante de la vie, des expériences et de l’oeuvre intellectuelle de David Galula. Il démontre clairement pourquoi les idées que Galula a élaborées et mises en oeuvre sont encore d’actualité pour tous ceux qui, parmi nous, assument la responsabilité de lutter contre les insurrections de notre temps. Général David Petraeus, ancien directeur de la CIA et commandant des forces américaines et de la coalition en Irak et en Afghanistan, les plus importantes opérations de contre-insurrection des dernières décennies.
A retórica do pessoal de oposição, partidos e os activistas da dita “Sociedade Civil”, seguiu aquilo que se chama a táctica DARVO, que consiste em Negar os factos, atacar o adversário, inverter os papeis de Vitima e perpetrador. Trata-se de uma usada para manipulação de opinião publica por movimentos comunistas.
Notaram rápida transição retórica sobre o Vandalismo que vitimou o país?
Passamos de negação (“não há Vandalismo”), para areia aos olhos (“o verdadeiro vandalismo é do Estado”), tentou se desconversa(“vandalismo é normal em manifestação”), depois uma boa chantagem (“como tu ousas falar de vandalismo diante das mortes”), para finalmente chegar na admissão covarde por meio de piada (“eles vandalizaram em 1975, agora não nos deixam vandalizar”).
O próximo passo vai ser dizer que a vandalização é necessária para “libertar Angola”.
Negar.
O primeiro elemento da Negação, foi transformar o Vandalismo em protesto político e negar o seu carácter meramente criminal, alegando que foram resposta inevitável da fome, que seria “à causa fundamental que leva a “populaça” [ao Vandalismo]” nas palavras de Marcolino Moco.
Dar um sentido político a crimes de alguns vândalos, os fazendo passar por vontade popular das pessoas que se esconderam em casa por medo, é aceitar a responsabilidade pelos crimes.
Na mentalidade esquerdista, o criminoso é um agente político, que faz propaganda violenta em nome do partido no comando, por isto que incentivar o crime faz parte da agenda esquerdista, aliás o esquerdista se auto-proclama porta-voz dos criminosos.
No Brasil, os bairros foram transformados em “comunidades” em que conta apenas a vontade do traficantes armados, os moradores devem calar-se.
O governo aliado aos bandidos, sequestram a população, sendo que querem transformar Angola em uma comunidade.
Vocês são cúmplices da morte da senhora na CAOP, se não estivessem a dar cobertura moral para estes crimes, a polícia não estaria lá e não existiria o risco de morte por arma de fogo.
É UM DIREITO CONSTITUCIONAL | O direito à manifestação é um princípio constitucional que deve ser respeitado e protegido. Esse direito envolve responsabilidade mútua: por um lado, os cidadãos que manifestam devem fazê-lo dentro dos limites da lei; por outro, quem tem o dever de garantir a ordem não pode agir em defesa de interesses partidários, mas sim agir como garante imparcial da ordem pública e dos direitos de todos.
Lamento profundamente a morte de cidadãos no contexto das manifestações recentes. A vida humana é inviolável. A polícia não pode, em nenhuma circunstância, usar balas reais contra manifestantes, sobretudo quando existem diversos meios não-letais de controlo de multidões.
A repressão violenta não é a resposta num Estado que se pretende democrático.Reitero que a greve é um direito constitucional legítimo, que deve ser protegido, tal como se protegem, e até se financiam, manifestações a favor do partido no poder, dentro e fora do país. Não podemos aceitar dois pesos e duas medidas.
É também fundamental que os organizadores das manifestações estejam atentos e bem organizados, para impedir que grupos instrumentalizados comprometam a legitimidade das suas acções.
Casos como a invasão de supermercados não refletem a essência da manifestação pacífica e consciente que se tem verificado em Angola, sendo antes indícios de possíveis tentativas de sabotagem por esses grupos instrumentalizados.
Vivemos uma grave crise social e económica. Mas o problema mais profundo é a ausência de diálogo, de concertação e de escuta. Um governo que ignora os apelos do seu povo e responde com arrogância e repressão perde a sua autoridade moral.
Estou alinhado aos milhões de angolanos que desejam uma Angola mais justa, inclusiva, próspera e democrática, estarei sempre do lado do povo a denunciar abusos e a defender os seus direitos, a exigir responsabilidades e a propor caminhos de esperança.
O momento é difícil, mas não estamos sozinhos. A nossa força está na união, na consciência e na coragem de continuar a lutar por um país que respeite todos os seus filhos, sem discriminação nem medo.
Apelo à responsabilidade de todos os envolvidos. Mas o governo, principalmente, deve assumir as suas responsabilidades. A paz e a democracia não se constroem com silêncio forçado, muito menos com repressão; mas sim com justiça, diálogo e respeito mútuo.
Adalberto Costa Júnior
Presidente da UNITA
Também teve discurso de incitação directas por pessoas singulares.
Povo e Vândalo.
Uma outra forma de negar esta em confundir os vândalos, pessoas singulares que pilharam e criaram motins, com “O Povo”, toda a população pobre de Angola. As denuncias dos actos de Vandalismo feitas pelo ACJ foram apenas pro-forma, pois ele transforma os actos de vandalismo em “voz do Povo”.
A retórica da “Revolução inevitável” surge da necessidade que o grupo revolucionário tem de escapar sua responsabilidade por agitar os distúrbios, o revolucionário diz que os “vândalos agiram por instinto” Vândalos que atacaram e assaltaram pessoas que tinham direito legitimo de trabalhar.
Jesus, o Vândalo.
Jesus entrou na casa (templo) do Pai dele para retirar pessoas que realizavam uma actividade ilegítima (troca de moeda no lugar de culto), usando a violência suficiente (chicote). Jesus agiu de modo consciente.
Os Vândalos de Angola vandalizaram (destruir sem motivo legítimo) e roubaram a propriedade (lojas, carros, residenciais e hotéis) de outros Angolanos que tinham o direito legitimo de circular e trabalhar. Os Vândalos Angolanos agiram de modo consciente, afinal atacaram primeiro alvos que eram mais proveitosos, e preparavam seus actos com barricadas, seus actos nunca foram instintivos.
Uma comparação esta sem nexo, seria como chamar legitima defesa de assassinato, só porque se tirou vida nos dois casos e sem referencia a intenção do autor.
JLO, o Faraó.
Por isto sola escritura é um perigo em um país com analfabetismo funcional.
Moisés tinha literalmente uma garantia profética de Deus, mas aqui estamos a incitar os vândalos a “lutar até ao fim” esquecendo que aqui não há garantia profética. O espírito revolucionário é também uma religião civil, mas só que aqui mudaste de deus sem saber e ao se achar ainda cristão.
Ler sem entender o que se lê, tirar conclusões erradas , Por isto sola escritura é um perigo em um país com analfabetismo funcional.
Moisés tinha literalmente uma garantia profética de Deus, mas aqui estamos a incitar os vândalos a “lutar até ao fim” esquecendo que aqui não há garantia profética. O espírito revolucionário é também uma religião civil, mas só que aqui mudaste de deus sem saber e ao se achar ainda cristão.
Uma outra forma de negação foi a alegação do Sérgio Raimundo que “o aumento do “decretado aumento dos preços de combustível (e logo o gasóleo) e do táxi, não fazendo sentido, numa altura em que as populações passam as maiores carências no campo da aquisição de bens essenciais, podia significar o incremento da materialização do plano de criar a maior instabilidade no país [para permitir a permanência do JLO no Poder]”.
Jesus, o Vândalo.
Jesus entrou na casa (templo) do Pai dele para retirar pessoas que realizavam uma actividade ilegítima (troca de moeda no lugar de culto), usando a violência suficiente (chicote). Jesus agiu de modo consciente.
Os Vândalos de Angola vandalizaram (destruir sem motivo legítimo) e roubaram a propriedade (lojas, carros, residenciais e hotéis) de outros Angolanos que tinham o direito legitimo de circular e trabalhar. Os Vândalos Angolanos agiram de modo consciente, afinal atacaram primeiro alvos que eram mais proveitosos, e preparavam seus actos com barricadas, seus actos nunca foram instintivos.
Uma comparação esta sem nexo, seria como chamar legitima defesa de assassinato, só porque se tirou vida nos dois casos e sem referencia a intenção do autor.
Inversão da vitima e perpetrador.
O exemplo da inversão no quadro do DARVO foi o discurso do Gilmario Vemba sobre a “Verdadeiro Vandalismo”, usando a oportunidade para atacar o Governo denuncias de Corrupção antes de transformar os vândalos em vitimas da “péssima governação”, sendo que o verdadeiro vândalo seria o Governo, o verdadeiro perpetrador
VANDALISMO
O verdadeiro vandalismo é ignorar o grito do povo.
O verdadeiro vandalismo, é gastar dinheiro público em vários espetáculos e não resolver a mobilidade pública.
Vandalismo é aumentar o preço das propinas escolares quando quem governa não consegue garantir escolas para todos.
Vandalismo é gastar mais de 8 biliões de kwanzas num jogo de 90 minutos, quando faltam autocarros para mobilidade pública.
O verdadeiro vandalismo, é continuarmos a ter servidores públicos a enriquecerem de forma ilícita.
É aumentar o preço dos combustíveis sem garantir transportes públicos para pessoas e bens.
Temos que começar a nos perguntar quem é o verdadeiro vandalo. Quem realmente está a vandalizar o bem estar do cidadão angolano. Será aquele que grita todos os dias por um pouco de comida no prato ou aquele que assumiu melhorar vida das pessoas e não fez e ainda pior, ignora-o completamente?
Quando os jovens, sem emprego, sem esperança e sem oportunidades, resolvem sair às ruas, são apenas vandalos para aquele que lhes prometeu tudo isso.
Gilmario Vemba, texto publicado no Facebook no dia 28 de Julho 2025.
O uso do politicamente correcto.
Os apologistas do vandalismo usam da tactica da “politicamente correcto”, que significa adequar a nossa opinião e dizer apenas as verdades a opinião correcta necessário para levar a cabo a revolução pois o Partido já decidiu qual é a interesse genuíno, definido como a massa irracional e violenta, ou seja Democracia de voto Único. Esta politicamente correcto foi usado para impedir que as pessoas falam da destruição e dos roubos, e focar apenas nas mortes.
O Angolano gosta falar de “empatia”, mas só sentem empatia depois de ver o vídeo da morte da senhora da CAOP, enquanto que o risco de morte ao qual os outros Angolanos foram submetidos nos últimos dias suscitava pelo contrario farpas sarcásticas do tipo “teimoso sofre, fica em casa”, “assim és o melhor segurança do pais”, “bala acabou, bala acabou, lhe agarra”, e teve outras 21 pessoas mortas antes … hipócritas.
As mesmas pessoas que batiam palmas pelo saque das lojas, que foram possíveis porque os seguranças foram ameaçados de morte, motoristas apedrejados (se despistar capota e morre), policias apedrejados (pedra da cabeça mata) , tem vários vídeos, agora se sentem chocados que alguém morreu por acidente na intervenção da policia. O que achavam que iria acontecer ? A policia anda armada, o risco de morte por arma de fogo existe quando eles chegam.
“fica em casa, teimoso sofre”, era uma ameaça de morte, mesmo quando dita com o sorriso cínico nos lábios, agora todo mundo se faz de santinho.
Deveriam usar balas de borracha ? Nem sei, mas talvez deverias ter parado de agitar as pessoas a fazer vandalismo antes de vir brincar de especialista de segurança publica nas redes sociais.
Não podes criticar o Vandalismo, se não criticaste a corrupção.
As pessoas se acham muito espertas ao dizer que “não podes criticar o vandalismo se não criticaste a corrupção”.
Mais não nunca vi alguém incentivar e apoiar corrupção, do jeito que estou a ver pessoas a apoiar incentivar e apoiar o vandalismo… Até os corruptos tentam nos enganar que são inocentes.
Uma falsa equivalência, e uma tentativa de constranger a pessoa por meio de uma conclusão emocional.
Sociologia dos protestos.
Algo interessante da sociologia dos protestos de Luanda: Enquanto tínhamos vídeos em directo do Camama e do Golf2 por meio do tiktok, as arruaças de Viana nao tiveram transmissão em directo Seria por baixa popularidade do tiktok ? pobreza dos munícipes (poucos dados ou medo de gastar dados) ?
O Governo retirou o subsídio aos combustíveis para evitar uma situação de falência técnica, pois gasta 3 mil milhões de dólares, ou seja, quase 10% do Orçamento, enquanto 50% das receitas servem para pagar dívidas correntes.
De modo a acalmar os sindicatos dos taxistas, o Governo concedeu um aumento da tarifa do táxi que compensa o aumento do gasóleo, sendo que, na verdade, aumenta as receitas dos taxistas.
O Sindicato dos Taxistas ANATA, a princípio satisfeito pelo aumento da tarifa, sentiu-se pressionado por actores políticos, “revús” e activistas, que os acusaram de serem “traidores”, e o presidente proclamou uma greve dos seus membros. Ou seja, a greve não teve motivação económica; teve uma motivação política, claramente enunciada pelo presidente da ANATA, que disse, em entrevista, que a greve de três dias eram “dias de reflexão, porque os taxistas também têm familiares que usam táxi”.
O desenrolar da greve
Entre as 6 e 7 horas do primeiro dia da greve, podia se ver taxistas (vulgo candogueiros), a circular pela cidade Luanda e ate mesmo os ditos lotadores, que ajudam a procurar passageiros e a preencher (lotar) os lugares dos taxis, a trabalhar nas paragens, porem notava se um numero reduzido de taxis, e isto eu vi pessoalmente na paragem dos Congolenses.
Entre as 7 e 8 horas, apareciam vídeos nas redes sociais com pessoas nao identificadas a atacar taxistas não afiliados à ANATA, depois carros turismo que estivessem a fazer servico de taxi, autocarros de empresas publicas e privadas de transportes, e ha ate mesmo o video de um motoqueiro a ser arremessado no chao por estar a levar um passageiros, finalmente, mesmo carros particulares eram atacados sob suspeita de praticar actividade de taxi, se tivesse mais de uma pessoa a bordo do carro. O que era inicialmente uma greve de filiados da ANATA se transformou em uma proibicao de taxi de no geral.
os ataques seguiam o modo operandi de uma turba de pessoa criar uma barricada humana a volta do vehiculo, impedindo que pudesse circular, e depois ameavacam os passageiros os intimando a descer, em casos extremos o vehiculo era apedrejado e queimado.
Grupos de pessoas passaram a atacar carros particulares que circulavam na via, sob suspeita de estarem a fazer táxi. Nas redes sociais, surgiram publicações de um “Fica em casa, teimoso sofre”, que constitui uma ameaça de violência, mesmo que dita como piada, pois que “aconselha a ficar em casa” ao mesmo tempo encorajava, de maneira explicita, actos de violencia contra pessoas.
A responsabilidade por estes actos de violencia, neste dia reside primariamente na ANATA, por falhar em esclarecer os seus membros e o publico em geral que a greve deveria ser voluntaria e apenas de seus filhados, o que levou a pessoas e grupos organizados a cometer os actos de violencia acima citados
Os acontecimentos do Golf 2
Com a ausência de transportes públicos e privados, as paragens estavam cheias de pessoas, umas caminhando a pé e outras simplesmente nas ruas a observar os grupos que impediam o transporte de passageiros. Depois de rechaçar a tentativa inicial da polícia de reabrir as vias e dispersar as primeiras barricadas, as pessoas transformaram-se em turba e atacaram diversas lojas de telemóveis, antes de saquear lojas com bens alimentares.
Os acontecimentos noutros pontos da cidade
Os acontecimentos noutros pontos seguiram o mesmo modus operandi: bloquear as estradas, ameaçar de morte os seguranças e saquear as lojas. Sabendo que os polícias e seguranças tinham munições limitadas, e que a polícia nunca conseguiria proteger todos os pontos, colocaram a morte em campo neste momento.
Resumindo: os acontecimentos do Golf 2 foram realmente espontâneos; porém, os acontecimentos nos outros pontos da cidade ocorreram apenas depois de os vídeos terem sido divulgados nas redes sociais e de os políticos assumirem a liderança política, dando um sentido político ao vandalismo e conferindo-lhe legitimidade como forma de protesto necessário e inevitável. Para evitar responsabilidade directa pelas consequências do vandalismo, insistiram que os actos eram inevitáveis.
O jornalista José Gama, em entrevista, tenta negar os factos, alegando que os protestos não foram incentivados pelas redes sociais, argumentando que a maioria dos vândalos eram crianças sem telefone. Porém, nos vídeos vêem-se pessoas de várias idades, e percebe-se que a informação das redes sociais foi depois difundida de boca em boca.
A reacção da polícia
Depois de saques espectaculares, a polícia adoptou uma postura mais agressiva contra os vândalos, não apenas protegendo as lojas, mas também entrando nos bairros e disparando à vista. Desde esse momento, a morte intencional de um vândalo em fuga ou a morte acidental de uma vítima inocente, como a senhora da CAOP, era inevitável.
Aproveitamento político e narrativas.
A narrativa adoptada pela oposição consiste em usar as causas remotas do vandalismo — as políticas do Estado — como causa imediata, e esconder a verdadeira causa imediata: o seu discurso de incitação e de justificação, que legitimou e incentivou os acontecimentos do segundo e terceiro dias.
No Facebook, o secretário para Informação do MEA, Tavares Gabriel escreveu que “Eles [jovens detidos por actos de vandalismo] não são vândalos, eles apenas tinham FOME”, e com Gilmarvio Vemba a republicar as palavras. O General Lukamba Gato disse: “O povo acordou e não voltará mais a dormir… entrámos na nova fase de luta política.”
O governo causa pobreza? Tem obrigação de ajudar os pobres ? Uma questão moral.
Ou seja, existe diferença moral entre, por exemplo, deixar alguém morrer por falta de assistência depois de o atropelar e deixar a pessoa morrer depois de a encontrada atropelada por um terceiro, o facto do resultado final ser igual nos dois casos não significa que sejam moralmente a mesma responsabilidade do não prestador de assistência.
Existe uma diferença moral entre ajudar alguém se causamos a desgraça dela, ou se já encontramos ela na desgraça. Socorrer, no primeiro caso seria um comportamento universalmente preferível, e no segundo meramente um comportamento esteticamente preferível. (Stefan Molyneux criou estas categorias, depois recomendo a leitura do livre dele UPB).
A nível do Estado, existe uma diferença entre não prestar assistência ao pobre depois de causar a miséria dele, e não prestar assistência apesar de não ser o causador da miséria do pobre. Ficando apenas nas considerações morais, seria justo recusar-se a dizer a verdade a alguém, que sua miséria advém de seu comportamento pessoal, só porque temos a capacidade aliviar as consequências de seus actos ? Sabendo que estes hábitos, e até mesmo está personalidade, é uma herança reproduzida e por isto transmissível a um numero indefinido de gerações, teríamos nos o direito de privar esta pessoa da verdade quando não sabemos se as futuras gerações teriam a capacidade de cobrir o mal com a generosidade?
Existe animais que perdem a capacidade de sobreviver depois de viver em cativeiro, se habituam a serem alimentados e protegidos, porém o homem não é tão passivo. Pois depois de ter a verdade vetada aos seus olhos, a vítima da generosidade não se contenta em esperar pela ração, ele vai buscar aquilo que acha ser seu.
Existe realmente generosidade quando o acto de ajudar basta em si ao agente, sem que haja uma preocupação de seu efeito sobre o paciente da ajuda ?
A dor para o corpo um sinal de que algo vai mal, a pobreza é uma forma tem de te dizer que algo está economicamente errado com tua decisões de consumo e produção.