A Ancestralidade dos Afrocratas, uma farsa anti-Angolana

A Ancestralidade dos Afrocratas, uma farsa anti-Angolana

O Conceito de Ancestralidade pula a cultura real do homem Africano, seja nas suas origens reais e na sua prática desde a independência, para apelar a uma suposta cultura anterior que é convenientemente definida pelo Afrocentrista. Na verdade, fingindo ser um conceito conservador, para preservar a cultura “Africana”, ele na verdade é um conceito revolucionário pois dá poder de definir a cultura ao Afrocrata. No presente, o Afrocrata apresenta a dita ancestralidade como uma caricatura: nomes vagamente Africanos (estilo Makulu kiunga), pele de animais e uma cadência de fala matumba. Isto permite ao Afrocrata falar de cultura Africana sem conhecer qualquer cultura Africana em particular.

1. A indefinição do Conceito de “Ancestralidade”

Não existe nenhuma descrição académica do conceito de ancestralidade na literatura pan-africanista, de autores como Molefi Kete Asante (fundador do Afrocentrismo académico), Cheikh Anta Diop (considerado o pai do Afrocentrismo africano), ou Ama Mazama—o conceito de “ancestralidade” simplesmente não aparece como categoria teórica central. Estes autores falam de “epistemologia africana”, “cosmologia africana”, “agência africana” e “centralidade africana”, mas não de “ancestralidade” como os Afrocratas angolanos usam o termo. Sendo que na prática, a Ancestralidade se resume a ter um nome que pareça “africano”, como Makulo Kiunga, vestir panos e praticar feiticismo. Claro que todo conceito académico sintetiza um conjunto de ideias já existentes e inicialmente desorganizadas, porém a realidade é que a “Ancestralidade” se resume a uma vibe ao gosto dos mimos dos Afrocratas. André Vidal por exemplo tem os ancestrais, o agente atrás do fenómeno de ancestralidade, como um espiritos que agem na realidade, não sendo assim um conceito sociológico mas sim religioso e por isto fora do campo científico. Isto quando o Afrocrata não pula directamente para o Egipto antigo por este ser o “ancestral” de todas as culturas Africanas.

A “ancestralidade” dos Afrocratas angolanos não é um conceito académico sério, mas sim uma invenção local—uma bricolagem performática que permite aos Afrocratas reivindicarem autoridade cultural sem precisarem de conhecer cultura alguma.

2. A Universalidade do Conceito de Ancestralidade

A literatura antropológica é unânime: o culto aos ancestrais não é uma peculiaridade africana, mas um fenómeno universal nas sociedades pré-modernas e pré-letradas. Estudos mostram que a veneração ancestral foi identificada em praticamente todas as regiões do mundo: China (onde persiste até hoje), Japão (culto xintoísta aos ancestrais), Roma antiga (culto aos lares e manes), Grécia antiga, Índia védica, culturas nativas americanas (dos Andes à América do Norte), e naturalmente em África. O próprio termo “ancestor worship” foi cunhado em 1885 pelo antropólogo britânico Herbert Spencer, sendo hoje considerado enganoso—antropólogos modernos preferem “ancestor veneration” ou “ancestor respect”, precisamente porque não se trata de “adoração” no sentido religioso mas de respeito cerimonial. Portanto, apresentar a reverência aos ancestrais como marca distintiva da “africanidade” é simplesmente falso do ponto de vista antropológico.

No máximo, os Afrocratas extrapolaram o “Quimbuntismo”, a suposta reverência das culturas ditas “africanas” aos mais velhos. Porém, vale a pena aprofundar este ponto pois revela como os Afrocratas romantizam relações de poder perfeitamente banais. A gerontocracia—o poder dos mais velhos—não é um valor cultural peculiarmente africano, mas sim a forma natural de organização política em sociedades sem escrita e com pouca acumulação de capital. Nestas sociedades, o conhecimento não está registado em livros mas na memória dos indivíduos, e naturalmente quem viveu mais tempo sabe mais: conhece mais histórias, mais técnicas, mais genealogias, mais alianças. Além disso, em economias pastoris e agrárias simples, o mais velho teve mais tempo para acumular riqueza tangível—mais dependentes (esposas, filhos, sobrinhos), mais gado, mais terras cultivadas, mais conexões políticas. A “reverência” aos mais velhos é portanto um reconhecimento pragmático de poder real, não uma peculiaridade cultural. Antropólogos como Michael Singleton argumentam que interpretar estas práticas como “culto religioso” é projecção etnocêntrica—trata-se simplesmente de reconhecimento cerimonioso do papel indispensável que os anciãos desempenhavam na sobrevivência de comunidades rurais pré-modernas.

Porém se tivermos em conta a evolução geral das sociedades, estes cultos aos ancestrais desaparecem à medida que a sociedade se torna maior e mais complexa, cedendo o lugar a cultos a forças da natureza e abstractas como religiões organizadas. Estudos recentes em antropologia evolutiva documentam esta sequência evolutiva típica: animismo → crença na vida após a morte → xamanismo → culto aos ancestrais → politeísmo → monoteísmo. O culto aos ancestrais funciona bem em grupos pequenos onde todos partilham ancestrais comuns recentes, mas torna-se problemático em sociedades maiores compostas por clãs distintos. A solução histórica foi o politeísmo: os ancestrais venerados de diferentes clãs foram gradualmente transformados em deidades dentro de um panteão partilhado. Eventualmente, com a formação de estados centralizados, surge o monoteísmo ou henoteísmo—um deus supremo que legitima a autoridade central. Esta evolução não é “perda de cultura africana”, mas processo histórico universal. Fingir que Angola deveria “regressar” ao culto ancestral é tão absurdo quanto sugerir que a Europa deveria regressar ao culto de Zeus ou que a China deveria abandonar o confucionismo para retornar ao culto aos espíritos tribais.

Quando falamos de Angola especificamente, a cronologia histórica desmente completamente a narrativa Afrocrata. O Reino do Congo converteu-se ao cristianismo já em 1491, mais de 530 anos atrás. Porém não abandonaram a sua “ancestralidade”, pois como sabemos dos relatos dos missionarios e padres, o Reino do Congo, como a maioria dos povos da epoca, já não praticava cultos ancestrais simples, mas tinha desenvolvido religiões mais complexas, com panteões de divindades, sacerdócios organizados, e cosmologias sofisticadas. O argumento Afrocrata de que o colonialismo “roubou” aos angolanos o culto ancestral é portanto duplamente falso: primeiro porque o cristianismo chegou antes do colonialismo moderno, e segundo porque mesmo antes do cristianismo muitos povos já tinham evoluído para formas religiosas mais complexas.

3. O carácter revolucionário e hipócrita

A suposta “crise de identidade” que a Ancestralidade dos Afrocratas diz combater não existe, afinal Angola já tem uma cultura nacional praticada de modo independente nos últimos 50 anos e de modo orgânico pelo menos um século antes.

Esta cultura supostamente “Africana” à qual devemos regressar não existe, até porque a África não existe como unidade Africana. Sim os povos de Angola têm quase todos uma origem bantu, se excluirmos os Luso-Angolanos e os Khoisans, mas mesmo para estes bantus de origem se separaram por tempo e distância suficiente para que cada um criasse sua cultura distinta. Para colocar as coisas em uma escala menor, pergunto ao leitor que me diga se o neto de Catetistas que nasceu e cresceu em Benguela teria a mesma cultura que um outro neto de Catetistas nascido na Lunda Sul, aliás, será que estes dois teriam a mesma cultura que um Catetista que nasceu e cresceu em Catete?

As relações de origem são apenas passivas, são factos pontuais, enquanto que as culturas são realidades vividas e construídas por seres humanos todos os dias. Dizer que um Angolano não tem cultura por ter o nome de João Pedro é menosprezar a cultura activa em nome da mera relação passiva com pessoas que nunca viu e não conhece. Até porque as culturas são organismos sociais vivos, que têm como objectivo a reprodução de ideias que permite a perenidade de um povo, cultura por mera origem não existe e é apenas tribalismo.

Mas o artifício Afrocentrista piora, pois a sua Africanidade não é uma proposta para um retorno a uma cultura real, mas a uma caricatura de cultura Africana que deve ser definida exclusivamente segundo os caprichos dos Afrocratas, que ficam assim elevados a autoridade moral da sociedade. Isto não é uma coincidência, mas a consequência directa do facto do afrocentrismo ser na sua essência uma ideologia Marxista mas de luta de classes raciais no espaço histórico, sendo que como toda ideologia revolucionária, tem o seu primeiro inimigo no alienado pois reduzir este à escravidão é o primeiro passo para acumular o poder para lutar contra o inimigo de classe. O carácter ideológico do Afrocentrismo está claro quando vemos que repetem o mesmo esquema no campo religioso com sua noção de “espiritualidade”.

Este processo de fabricação de uma “ancestralidade” fictícia encaixa perfeitamente no conceito de “invenção de tradições” desenvolvido pelo historiador Eric Hobsbawm, demonstrando que muitas “tradições” que “aparecem ou alegam ser antigas são frequentemente bastante recentes em origem e às vezes inventadas”. No contexto africano, Terence Ranger documentou como na África colonial tradições foram inventadas tanto por colonizadores (para estabelecer comando e controle) quanto por elites africanas (que facilmente as apropriaram para fortalecer sua própria autoridade). O que os Afrocratas angolanos fazem é precisamente isto: inventar uma “tradição ancestral” vaga o suficiente para ser indefinível mas específica o suficiente para excluir quem eles querem excluir (cristãos, “assimilados”, pessoas com nomes portugueses). O paralelo com as elites coloniais que inventavam “chefes tradicionais” para governar através deles é perturbadoramente exacto—apenas que agora os Afrocratas inventam “guardiões da ancestralidade” para acumularem capital político e moral. Nada disto tem a ver com preservação de cultura real, e tudo a ver com fabricação de instrumentos de poder.

O autoritarismo do projecto Afrocrata

Não estamos diante de um regresso, mas sim da construção de uma nova cultura e em que o Afrocrata se coloca no centro, o que não seria um problema se fosse feito de maneira normal, pois o Afrocrata não coloca as suas ideias como propostas que podem ser avaliadas com outras. Para o Afrocrata, a sua ancestralidade é a cultura natural do Angolano, que está no sangue, e à qual ele deve aderir por ser um africano negro. Sendo que qualquer Angolano que recuse dobrar o joelho é um alienado, um traidor, um burro ou um branco de cor negra. Não chegam a admitir que haja outro ponto de vista.

Para encurtar uma conversa longa, o Afrocrata é inimigo de Angola, sendo por isto normal que esta ideologia tenha particular popularidade entre pessoas de nacionalidade duvidosa.

Mito do uso do Napalm na Baixa de cassanje.

A propaganda nacionalista angolana acusa a força área portuguesa de ter usado bombas de napalm para destruir aldeias durante para reprimir a revolta da baixa de Cassange, porém tal acusação constitui um libelo de sangue sem qualquer fundamento na realidade. Primeiro porque Portugal não possuía os meios para efectivar os ataques por Napalm, segundo porque este mito se enquadra em uma corrente da propaganda comunista, e porque estamos claramente diante de um libelo de sangue.

Em 1961, as aeronaves que a força aérea portuguesa (FAP) possuía em Angola capazes de serem usados como bombardeios eram os PV-2 Harpoon, aeronaves de patrulhamento marítima, cujo os pilotos eram treinados para caçar e atacar submarinos, sendo não estavam prontas para missões de ataque ao solo e muito menos no uso de bombas de Napalm quando se desencadeou a revolta. Estas aeronaves lançaram se em 28 missões durante o levantamento da baixa de Cassange, sempre desde a Base Área numero 9, cita em Luanda, tento missões de bombardeamento e de observação, em apoio as colunas das Forças Armadas Portuguesas que avançavam contra os revoltosos. As bombas usadas eram de tipo explosivo (general purpose bomb) de 45kg e lançadas desde uma altitude de 150 metros, algumas sem mecanismo de retardamento e por isto danificaram a própria aeronave por causa dos detritos levando pela explosão enquanto que outras simplesmente falhavam de detonar após o impacto, pois ficavam enterradas na lama. Estes meios não são suficientes para levar a cabo a campanha de destruição de aldeias por napalm descrita pela propaganda nacionalista.

Os quatro aparelhos do typo Auster D.4, avionetas mono-motores, desde a base área de Malanje, que serviam principalmente para observação e reconhecimento, sendo alia nitidamente menos poderoso que o modelo de aeronave usado para ataque com bombas de napalm no Vietname era o A-1 (AD) Skyraider, que não estava disponível no inventario da FAP. A medida que os confrontos no solo, entre soldados portugueses e amotinados, ficaram mais intensos, a Força Área passou a usar os Auster de maneira mais ofensiva, com um oficial do exercito com uma caixa de granadas entre as pernas. Quando encontravam um grande grupo de amotinados, o oficial retirava o pino de segurança e colocava a granada dentro de frasco de vidro, de modo que a alavanca fosse solta quando o impacto ao solo quebrasse o frasco. O objetivo era de criar pânico e dispersar os multidões. Este equipamento não era de eficiente para causar a destruição em massa e muito menos os milhares de mortos atribuídos pela propaganda nacionalista, foi uma arma de improviso e sinal de desespero, ao invés da sonha ofensiva.

As tropas portuguesas no solo tinham uma avaliação negativa do apoio ofensivo da FAP, pois criava problemas na sua tentativa de por fim a revolta, sendo que era mais útil quando fazia reconhecimento a diante das colunas.

O primeiro problema, causado pelas aviões da FAR, partia do rumor entre os revoltosos que os aparelhos foram enviados por Kasavubu, presidente do Congo Leopoldo, para apoiar os rebeldes, sendo que as multidões de revoltados cresciam assim antes da chegada da coluna e por acharem que os aviões eram Congoleses, acenavam e faziam gestos que pareciam pacíficos aos pilotos que passavam esta mensagem as tropas portuguesas no solo. Este não era a única crença fantasiosa dos revoltosos, pois acreditavam também que as balas dos soldados portuguesas eram inofensivas, pois seus feitiços as transformaria em agua. Depois de alguns embates com grandes grupos de revoltosos, excitados pelos “apoio do avião do Kassavubu”, e de interrogar os prisioneiros, os oficiais portugueses descobriram o engano e passaram a pedir que as aeronaves fizessem demonstrações de fogo dos revoltosos que se aproximavam das colunas , de modo a fazer entender aos revoltosos que as aeronaves não eram Congolesas.

O segundo problema causado era o numero de feridos causados pelo uso de granadas e bombas, pois os soldados ao solo receberam a ordem de tratar todos os feridos e os evacuar para Malanje, o que atrasava o avanço tanto pela necessidade de recolher e estabilizar os feridos, como pela de divisão de forças para escoltar os mesmos. Ademais, um prisioneiro ferido não pode ser rapidamente interrogado e nem pode servir de guia para as tropas, o que impedia a neutralização de outros grupos de revoltosos.

A propaganda Soviética.

O uso do Napalm tinham um lugar proeminente na retorica comunista contra a guerra do Vietname, sendo por exemplo citado como exemplo de uso desproporcional de força militar pelo Brezhnev diante de um congresso do Partido Comunista da URSS, e tornou se um pilar nos protestos anti-guerra por estudantes Americanos dentro da América. Sendo que recrutadores da Dow Chemicals, principal fornecedor do Napalm para o exercito Americano, foram impedidos de entrar em universidades por manifestantes que acusavam a empresa de ser conivente com crimes de guerra, em outro episódio famoso, manifestantes fabricaram Napalm caseiro que foi usado para destruir boletins de recrutamento do exercito. O poder destrutivo do napalm foi cristalizado no imaginário popular com o ataque contra o palácio presidencial da Vietname do sul, em um incidente que foi filmado e foi assim ampla de divulgação publica, em que as chamas consumiram o palácio durante horas, sendo assim mais impressionantes que as metralhadoras e os foguetes também usadas no ataque. Para muitos, a guerra do Vietname se resume a imagem de crianças queimadas, fugindo de suas aldeias arrasadas por Napalm, sendo esta a imagem a qual os nacionalistas Angolanos apelam quando acusam a FAP de ter usado Napalm na baixa de Cassange.

Esta campanha contra o napalm não era movida por motivos humanitários, mas por ser uma arma eficaz contra um inimigo escondido em acampamentos na selva.

Libelo de Sangue

Uma prova simples de que estamos diante de um libelo de sangue, uma acusação falsa que visa criar o direito a exercer hostilidade contra um suposto agressor, esta no facto de que os nacionalistas angolanos são incapazes de citar nomes de aldeias que foram supostamente arrasadas com bombas de napalm, ao mesmo tempo que juram que era uma pratica generalizada. Alias, pedir provas gera indignação … aconteceu mais é um insulto pedir provas.

Fontes:

Napalm in US Bombing Doctrine and Practice, 1942-1975
https://www.sciencespo.fr/mass-violence-war-massacre-resistance/en/document/napalm-us-bombing-doctrine-and-practice-1942-1975.html

Napalm, An American Biography
https://www.napalmbiography.com/supplementary-notes

ANN, John P. – Baixa do Cassange. Revista Portuguesa de História Militar

A Sublevação da Baixa do Cassange, Tenente-coronel António Lopes Pires Nunes

Quando os jornais angolanos fazem noticias falsas com os numeros

Jornal Valor inventa aumento de sem-abrigo

O Valor Económico manchetou que o número de sem-abrigo “disparou 59% em 10 anos”. A realidade? O número praticamente não mudou.

Os dados mostram um aumento de 9600 para 15430 sem-abrigo em 10 anos (59%). Mas a população angolana cresceu 50% no mesmo período. O número relevante é a taxa per capita: passou de 4 para 4,4 por 100.000 habitantes — essencialmente estável. A manchete manipula ao usar “mais de 15430 pessoas”, sugerindo um número alarmante.

Seguindo esta lógica falha, poderíamos titular: “Governo de JLO supera a América de Trump no auxílio aos sem-abrigo” — afinal, Angola tem 4,23 sem-abrigo per capita contra 8+ nos EUA.

Seria igualmente desonesto. Três factores explicam taxas diferentes entre países:

Primeiro, habitação informal. Em Angola, um cidadão pobre constrói facilmente uma residência informal. Nos EUA e Europa, fiscalização rigorosa e preços de terrenos impedem esta solução.

Segundo, drogas pesadas. Entre 18-40% dos sem-abrigo americanos são utilizadores de drogas que os incapacitam para o trabalho.

Terceiro, assistência social. Ajudas públicas reduzem o estigma da situação, diminuindo a pressão para sair das ruas. Em Angola, a pobreza desesperadora força as pessoas a garantir pelo menos um tecto.

Correio da Kianda distorce dados demográficos

O Correio da Kianda anunciou “um índice de 4 mulheres para cada homem”. O Censo mostra 96 homens para cada 100 mulheres — uma diferença de 4%.

A formulação confusa levou leitores a conclusões absurdas: alguns defenderam legalização da poligamia, outros argumentaram que “as mulheres são maioria e devem governar”. A pequena diferença explica-se simplesmente pela menor esperança de vida masculina, resultando em mais idosas que idosos.

Carlos Rosado foi pioneiro das notícias falsas baseadas em números sem contexto. Pelo visto, ganhou pupilos no Correio da Kianda e Valor Económico. Em 2019, ele apresentou na televisão angolana um gráfico que classificava Angola como o país africano que menos investe em educação, com apenas 6,4% do Orçamento Geral do Estado.

 

Contudo, esta narrativa é profundamente enganadora. Quando analisamos os valores absolutos, Angola investe aproximadamente $5,4 mil milhões anuais em educação – cerca de 24 vezes mais que Serra Leoa, que lidera o gráfico com 32,7% do OGE mas investe apenas $220 milhões. Mais revelador ainda é o gasto per capita: Angola investe cerca de $175 por cidadão, colocando-o entre o 6º e 8º lugar no continente, enquanto Serra Leoa investe apenas $29 per capita. Este é um exemplo clássico de manipulação estatística através da escolha seletiva de indicadores – ao mostrar apenas percentagens do orçamento sem contexto sobre o tamanho das economias, o gráfico distorce completamente a realidade do investimento educacional angolano. A percentagem baixa do OGE reflete uma economia maior e mais diversificada ($100 mil milhões de PIB vs $4 mil milhões de Serra Leoa), não um menor compromisso com a educação.

O Discurso colonial: ex-ministro Bessa e comer no lixo.

Ex-ministro Julio Bessa se diz chocado porque “Nem na era colonial vi alguém a comer no lixo. o que vemos hoje é o cumulo da humilhação” …. usando a era colonial como o mal absoluto, e por isto medida da gravidade da situação actual, é claro o apelo constante ao discurso emocional sobre a “humilhação”. Porém, é razoável e possível ver pessoas a comer no lixo no tempo colonial?

Contexto demográfico colonial:

Mais de 95% da população negra angolana vivia na zona rural durante o período colonial, ou seja, menos de 5% vivia nas cidades, onde residia mais de 90% da população branca da colónia. Nas aldeias, o conceito de amontoados de lixo onde pessoas possam procurar comida era uma impossibilidade, pois pessoas que vivem na beira da carestia quase não podem se dar ao luxo de deitar comida fora.

A lógica ao avesso da comida no lixo:

A existência de pessoas que comem no lixo só é possível se há uma parte da população com comida suficiente para deitar fora. Ou seja, o senhor ex-ministro, que esteve no governo quando havia pessoas a comer no lixo sem que isso o incomodasse, nunca poderia ver alguém a comer no lixo no tempo colonial porque não havia sequer comida suficiente para deitar. As pessoas simplesmente morriam de fome, vendiam-se como escravos, vendiam as filhas na prostituição ou emigravam para outras colónias.

Padrões históricos de fome em Angola:

Antes do período colonial, que teve o seu início em 1886, Angola tinha por períodos de secas seguidas por grandes epidemias que matavam entre um terço a metade da população, sensivelmente a cada 70 anos. Com a fase colonial, estas crises passaram a acontecer em todas as décadas.

Evidência documental:

Edward Alsworth Ross mostra no seu “Report on Employment of Native Labor in Portuguese Africa” (1924) que o uso e abuso do trabalho forçado era suficientemente intenso para interferir na agricultura local e acentuar estas crises, como a crise dos anos 30, causada por três anos de seca consecutiva e várias pragas (ratos, gafanhotos, peste bubónica e tuberculose). Para mais detalhes, consulte Jill R. Dias, “Famine and Disease in the History of Angola c. 1830-1930”, The Journal of African History, Vol. 22, No. 3 (1981), pp. 349-378.

O Francisco Teixeira é o ativista burro perfeito

O Francisco Teixeira é o ativista burro perfeito. Veja essa frase dele aqui: “Se eu tivesse poder, iria acabar com o ensino privado.”

O espírito parasita do ativismo

Sim, como é um parasita. Por que é que é um parasita? Um parasita é aquele que tenta viver pela boca, ao invés de viver pelo trabalho. E isso não é apenas uma tendência da modernidade. Os quimbandeiros, nessas idades tradicionais, também eram parasitas. Porque eles tentavam colocar medo no coração das pessoas para depois viver das ofertas que as pessoas davam aos supostos deuses. E o teu deus é o Estado.

Então, ao invés de você deixar as pessoas trabalhar e tentar resolver problemas reais que existem na sociedade, você está satisfeito em fazer apenas agitação com a boca. Porque qual é o problema desse senhor com o ensino privado? É simples. O ensino privado reduz o número de problemas que ele pode apontar. Porque ele vive de apontar problemas, e não soluções. Porque o ensino privado é uma forma de solução. E é uma solução mais direta.

Ensino público versus ensino privado

Veja, se tudo depender do ensino público, o que é que vai acontecer? Se, por exemplo, você precisar de uma vaga ou a escola não tem condições, o que é que você tem que fazer? Tem que chamar o ativista aqui, Salvador da Nação, para ir fazer uma manifestação, para ir falar com o diretor provincial, para ir falar com o diretor municipal, para ir falar com o Ministro da Educação, para ir fazer protesto em frente da Casa do Presidente, ou ao Presidente. Isso vai levar quanto tempo? Um ano, dois anos, seis anos? Até, se calhar, na próxima eleição, ele resolver o teu problema.

No ensino privado é simples. Eu tenho o meu dinheiro, por exemplo, tenho 30 milhões de kwanzas, chego numa banda, anoto: “Olha, aqui não tem uma escola, as crianças estão a estudar muito longe, no outro município. Eu vou construir uma escola com 20 milhões de kwanzas, cobrar uma propina de 5 ou 10 mil kwanzas e ver como é que vai andar o negócio.” Se eu tiver boa aceitação dos pais, eu vou pegar a parte do dinheiro que eu vou arrecadar das propinas, vou ampliar a escola e talvez criar condições, colocar ar condicionado, outra sala, ou se não, às vezes nem precisa de ar condicionado.

Para algumas situações, a pessoa só precisa do serviço de escola, mesmo que não tiver mordomias ou luxo. E isso, eu como privado, eu posso resolver isso em seis meses. Preciso de alguns meses para anotar que há um problema. Se eu já tenho dinheiro para investir, invisto logo. Se não tiver, eu peço empréstimo. Mas é tudo resolvido em menos de um ano.

A ameaça à mente ativista

E isto é uma ameaça para a pessoa da mente ativista. Porque a pessoa da mente ativista tem o espírito do parasita. O importante não é resolver os problemas, o importante é o problema existir para lhe dar mais poder.

Então, para isso, ele tem que pôr fim às escolas privadas em Angola. E ele vai dizer: “Não, mas tem que acabar porque elas são escolas privadas, são dos dirigentes.” Olha, se o tal dirigente não tem inteligência suficiente para usar o dinheiro que ele conseguiu ao trabalhar no Estado durante 20, 30 anos, para construir algum tipo de empreendimento, é um dirigente burro. É mesmo burro. E não é o tipo de pessoa que nós queremos para dirigir este país.

Então, se realmente há dirigentes aí que, durante o seu tempo de carreira, pensaram em poupar dinheiro para construir um colégio, uma instituição, epá, parabéns para eles. Eu não vejo qual é o motivo de lhes atirar pedras. Mas agora, ele vai colocar no barco dos dirigentes os cidadãos privados que, com seu próprio dinheiro, construíam suas escolas. Esse não tem o direito de trabalhar?

A ilegitimidade do ativista

Então, você quer dizer que quando você tiver o poder, você vai impedir outros angolanos que tiveram o juízo de poupar dinheiro, construir um empreendimento e gerir esse empreendimento – coisa que você nunca fez na tua vida? Ah, você é presidente da quê? Associação de Estudantes Angolanos.

Quem votou para ti? Eu fui estudar nesse país. Nunca ouvi falar de ti. Quem votou para ti? Até onde eu sei, tem tipo seis ou sete Associações de Estudantes de Angola. Por que é que você é mais representativo do que os outros? Epá, os pais reclamam de fraude eleitoral, mas olha, isso é tipo se passar por namorado de uma dama. Então, se uma dama… você chega no bairro e diz: “Olha, eu sou namorado da Maria.” Mas a Maria nunca te deu sim, mas você está a autoproclamar-se namorado. Isso não é fraude? É fraude.

Quem votou para ti? Quem é o estudante que te escolheu como sendo líder? E quem te deu o poder de você ser contra os outros angolanos trabalharem? Só temos que ficar aqui a te ouvir? Você tem que ser Ministro da Educação para resolver todos os problemas do universo? Nós não temos cabeça, só temos que te ouvir?

O papel do Estado

Meu, o Estado é uma entidade por natureza corrupta, por natureza ineficiente, que é necessária para certos tipos de assuntos como infraestruturas pesadas – pontes, barragens e coisas do género que o privado não consegue construir. Defesa nacional, porque se você não tiver um exército nacional, vamos ser invadidos pelo Ruanda e vamos todos falar a língua das galinhas. Para esses efeitos – emissão também de moedas – para esses efeitos, o Estado é necessário.

Obviamente que por motivos de unidade nacional, por motivos de legitimidade, o Estado também tem que construir algumas universidades de referência, algumas escolas públicas e coisas do género, mas não significa que o Estado tem que ser a única entidade que construa essas infraestruturas.

A contradição do ativista comunista

Nós já não estamos no comunismo. Você diz que lutas contra um partido que foi um partido comunista, mas você também é comunista. Daqui a pouco vai acordar de manhã e vai começar a ralhar você sozinho, a falar sozinho:

“Baixa o comunismo! Baixa o comunismo! Baixa o comunismo! Baixa o comunismo!”

Porque você é comunista, como as pessoas que você critica. Num dia que você está a criticar, eles vão tentar sair dessa mentalidade do comunismo e ir para uma mentalidade capitalista.

O Estado não pode ser o único ator da economia. Quando você vem aqui dizer-nos que você vai acabar com o ensino privado, você quer que o Estado seja o único a trabalhar. Os outros não vão poder trabalhar.

A hipocrisia do discurso

E você recebe dessas pessoas que reclamam: “Não, não se ouve os jovens. Os jovens também têm ideias.” Mas calma só. Quando você impede as pessoas de trabalharem, você ilegaliza todo um setor económico. Você também está a opor-se às ideias dos outros.

Porque é o seguinte: um investimento é uma ideia levada à prática pelo dono da ideia. Ou seja, o dono da ideia acredita tanto na ideia dele, que ele sozinho investe o seu próprio dinheiro. Ele põe em risco o seu dinheiro, o seu suor nesta terra para concretizar essa ideia. Essa pessoa é menos importante do que você? Porque você acha que a ideia que você próprio não quer investir na tua ideia é mais importante?

Ou seja, a ideia que depende do dinheiro dos outros é mais importante que a ideia que está a ser posta em prática pelo dinheiro da pessoa que teve a ideia?

O desafio ao ativista

Porque é o seguinte: se você acha que é isto tão bom de educação – porque eu já vi um outro vídeo em que você estava a reclamar dos salários pagos pelas escolas privadas de Luanda – faz o seguinte: abra a tua escola e nos mostre como é que você pode gerir uma instituição privada de educação em Angola pagando salários dignos.

Queremos ver. Estamos aqui sentados para ver já o génio aqui da educação.

Ele nem esta sozinho neste caminho, a presidente do SINPROF tem o mesmo discurso.

O Colorismo não existe em Angola, corrigido

O Colorismo não existe em Angola

O colorismo não existe em Angola, pelo menos não na forma que é definida pelos afrocratas como ideologia que materializa o privilégio das “pessoas de pele clara”. Afinal, um privilégio não é apenas uma diferença – é uma diferença imposta por força legal, sem a qual não existiria.

Quando confrontados com esta exigência de provas, os defensores do discurso do colorismo às vezes mudam de estratégia. Dizem que o problema está nas pessoas de “tom menos claro” que ficam intimidadas diante das de “tom mais claro”… Mas se fosse só um conselho de autoajuda, por que o discurso sempre tem a forma de um ataque contra os segundos?

No passado, tinha um filho de ministro que cometeu toda sorte de crimes e nunca foi preso. Bateu até em agente da polícia fardado. Gozava do privilégio da impunidade, não porque escolhemos todos respeitar os filhos de ministros, mas porque o pai dele concedeu o direito à impunidade usando seu poder.

Não pode existir colorismo como prática de concessão de privilégio sem que haja uma autoridade que conceda o mesmo.

Se fosse apenas uma questão de autoestima de pessoas magoadas por penteados e namoros na adolescência… até dava para ignorar.

Tenho certeza que há pessoas que tratam outras de modo diferente por conta da cor de pele, sendo negativo ou positivo, mas são preferências individuais, que podem ser criticadas.

Porém, o discurso anti-colorista não é uma simples crítica de escolhas individuais irracionais. É, na verdade, um discurso de ódio.

Este discurso, por calúnia difamatória, acusa a pessoa de crimes falsos de modo a incitar o espírito de vingança e a suspeita sobre sua posição social, desmerecendo seus feitos individuais ou dotes naturais: “só tem isto por ser clara”.

Lembram do caso da senhora que bateu no peito do agente de trânsito?

Os proponentes do colorismo disseram que o agente da polícia iria matar ou bater se fosse uma pessoa de cor escura.

Mas ninguém entra na polícia de trânsito para matar ou bater. Entra para faturar. E ali já estava tudo pago: veículo apreendido e multas com porcentagens para o agente. A suposta “privilegiada pela cor” ainda respondeu por desacato à autoridade.

O que aconteceu ali foi simplesmente um comportamento puramente angolano, não importa a cor da pele: “você sabe quem eu sou!”

Este discurso de ódio é especialmente intenso contra as mulheres. Sendo vítimas de assédio sexual, como todas as mulheres angolanas bonitas, são tidas como coloristas opressoras ao invés de vítimas de um crime. Ao invés de beneficiarem de nossa simpatia, são hostilizadas por serem “privilegiadas”, acusadas de serem as últimas moabitas do país: bandidas, namoram com os papoites… Quem conhece o país sabe que há de todo tipo neste ramo.

O que Ruanda nos ensina

A acusação difamatória como discurso de ódio foi um dos procedimentos usados para incitar violência no genocídio de Ruanda. A Rádio Mil Colinas (RTLM) acusava os tutsis de toda sorte de atrocidades de modo que qualquer hutu se achasse no direito de fazer justiça pelas próprias mãos.

O académico Scott Straus, no seu estudo “What Is the Relationship between Hate Radio and Violence?” (2007), mostra que a RTLM não só desumanizou os tutsis – criou uma narrativa de que eles eram uma ameaça mortal que precisava ser eliminada primeiro.

Mais impressionante ainda: Yanagizawa-Drott (2014) conseguiu calcular matematicamente o impacto da rádio. No seu estudo “Propaganda and Conflict: Evidence from the Rwandan Genocide”, ele prova que as transmissões da RTLM foram responsáveis por cerca de 10% das mortes – dezenas de milhares de pessoas.

Alison Des Forges (1999), no livro “Leave None to Tell the Story”, documenta como o discurso de ódio fez vizinhos matarem vizinhos. Pessoas que viveram juntas por gerações, de repente estavam se matando baseadas em características físicas e acusações generalizadas de conspiração.

A propaganda funcionava assim:

  • Primeiro, chamavam os tutsis de “baratas” (inyenzi)
  • Depois, diziam que eles estavam planejando matar todos os hutus
  • Então, normalizavam a violência como autodefesa
  • Por fim, eliminavam qualquer compaixão – as vítimas “mereciam”

Lee Ann Fujii (2009), em “Killing Neighbors”, mostra algo assustador: o discurso de ódio não criou o conflito do nada. Ele pegou tensões e ressentimentos que já existiam e transformou em genocídio.

Susan Benesch (2008) criou um teste para identificar quando o discurso vira incitação perigosa. São cinco fatores:

  1. Quem está falando e qual sua influência
  2. Se a audiência já tem propensão à violência
  3. O conteúdo e forma da mensagem
  4. O contexto social e histórico
  5. O meio de disseminação

Reparem: o discurso anti-colorista em Angola marca várias dessas caixas.

Angola e o perigo real

Angola tem uma história de discurso violento. Queimam-se gatunos em Angola porque as pessoas acreditam que a polícia não faz justiça – um sentimento justificado por casos reais.

O discurso anti-colorista cria este mesmo sentimento de injustiça através de propaganda. “Os claros têm privilégios, têm dinheiro” – ignorando que a maioria dos angolanos, claros ou escuros, está na mesma luta.

Este discurso também leva à falta de compaixão. Quando alguém de pele clara sofre, não merece simpatia porque “tem privilégios”. É a mesma lógica que permitiu o genocídio em Ruanda.

Conclusão

Julgar as pessoas por uma característica inata e imutável, ao invés de seus atos, constitui preconceito de modo geral, e discriminação baseada em fenótipo neste caso particular.

Além de ser injusto – pois se estás a dizer que a pessoa não presta por ser clara, estás a dizer que ela nunca vai prestar – este tipo de julgamento contradiz princípios básicos de justiça.

Como os estudos sobre Ruanda mostram claramente, discursos que categorizam e desumanizam grupos baseados em características físicas podem ter consequências devastadoras. Começam com palavras, terminam com machetes.

O discurso contra o colorismo, quando ataca pessoas por sua tonalidade de pele, constitui ele próprio um discurso de ódio contra um suposto opressor. E deve ser tratado como tal.

Quando o preconceituoso se faz de vitima.

Por causa da hegemonia cultural do Marxismo, muitos fenómenos sociais sao vistos deste o ponto de vista de oprimido contra opressores, sendo que ate ideologias agressoras tentam se colocar na posição de vitima de modo a ter uma vantagem moral e ideológica. Isto se chama blood Libel, ou seja acusação difamatória., acusar a vitima de crimes falsos de modo a justificar a agressividade já premeditada. Sendo que a tentativa da vitima se defender leva a fúria do agressor, que se sente ofendido diante da “cegueira do privilegiado” e o acusa de ser imoral. Parece aquelas conversas de fim de relacionamento amoroso, em que nada se diz por ser verdade ou mentira, mas apenas para justificar aquilo que já se decidiu no coração.

A origem deste discurso.

Em Angola, este discurso tem duas fontes: O Preconceito dos incompetentes e Os Americanos do Fardo.

Pode se chamar de Preconceito dos Incompetentes, o discurso de ódio racial usado contra Angolanos mestiços de modo geral por pessoas que eram incapazes de fazer argumentos políticos ou pragmáticos coerentes contra estes, preferindo recorrer ao sentimentos de base como ódio. Claro que isto foi usado de forma proeminente contra o MPLA de modo geral, porem mesmo dentro do MPLA este táctica foi usada contra os militantes que tivessem a cor de pele errada, sendo que mesmo mestiços que aderirem a partidos como FNLA foram vitimas deste tipo de ataque, como o comandante Elias Pio do Amaral Gourgel, que foi fuzilade diante de seu pai por protestar contra a estratégia desastrosa de Holden Roberto na guerra colonial.

Podemos chamar de Os Americanos do Fardo, o fenómeno em que jovens de países do terceiro mundo imitam ideias populares na América, porque, no subconsciente, acham que a pessoa que tem dinheiro tem razão. Ou seja, isto equivale, no campo intelectual, ao fenómeno do sobrinho que vira chefe da família por ser rico. Como o conceito de Colorismo esta na moda nos movimentos culturais da diáspora afro-americana, talvez de maneira justa por conta de suas circunstancias particulares, estes foi copiado sem reflexão por parte de nossa intelectualidade, pois preferem se aliar a correntes que parecem já vencedoras do que arriscar pensar de maneira original.

É crucial que Angola aprenda com essas lições históricas e promova um debate baseado em fatos, não em generalizações prejudiciais que podem, literalmente, matar.


Referências Acadêmicas:

Benesch, S. (2008). “Vile Crime or Inalienable Right: Defining Incitement to Genocide”. Virginia Journal of International Law, 48(3), 485-528.

Des Forges, A. (1999). Leave None to Tell the Story: Genocide in Rwanda. Human Rights Watch.

Fujii, L. A. (2009). Killing Neighbors: Webs of Violence in Rwanda. Cornell University Press.

Straus, S. (2007). “What Is the Relationship between Hate Radio and Violence? Rethinking Rwanda’s ‘Radio Machete'”. Politics & Society, 35(4), 609-637.

Yanagizawa-Drott, D. (2014). “Propaganda and Conflict: Evidence from the Rwandan Genocide”. The Quarterly Journal of Economics, 129(4), 1947-1994.

Jinito Dinis e o discurso anti-estudo em Angola.

Jinito Dinis e o discurso anti-estudo em Angola

Um clone de Jinito Dinis disse, de maneira sucinta, aquilo que “o zerador do game” não conseguiu falar por falta de eloquência: “a universidade em Angola emburrece as pessoas” — e tem razão nisto.

A universidade emburrece, sim, quando é vista pelo estudante apenas como um meio para se atingir um melhor emprego e não como uma oportunidade para aprender. Pois, quando este é o caso, a prioridade do aluno é cumprir a sentença e receber o canudo, mesmo que tenha de dormir ou pagar durante todo o período. Por isso abundam toda a sorte de “serviços de consultoria académica”, que fazem até monografias de doutoramento, mas que começam cedo com a prática de “fazer trabalho no cyber”, o eufemismo para não dizer que se pagou ao funcionário do cyber para copiar textos da internet.

O problema do plágio académico não é exclusivo de Angola. Como sublinha Park (2003, p. 478), “o plágio é uma forma de desonestidade académica que compromete a credibilidade da educação superior e cria um falso senso de competência nos estudantes”.

A corrupção e o assédio sexual escolar também têm raízes nisto, além da ganância e torpeza moral de certos professores. O vendedor quer vender, o comprador quer comprar: o desacordo está apenas no preço. Aliás, existem até os que simplesmente compram o diploma, por ser apenas uma autorização para ganhar dinheiro. O assédio sexual no meio académico tem sido identificado como um fenómeno estrutural. Bondestam e Lundqvist (2020, p. 399) destacam que “o assédio sexual no ensino superior é uma das formas mais difundidas de violência de género e afecta negativamente o bem-estar, a saúde mental e o desempenho dos estudantes”.

Claro que pessoas assim não têm a noção de competência, e, por isso, não podem ser competentes. Acham que qualquer pessoa, por fazer um trabalho, já merece reconhecimento, e é-lhes insuportável que outra pessoa ganhe mais do que eles. Aliás, são as mesmas pessoas que acham — sem ironia — que poderiam ser ministros ou directores de empresas.

E não estou a especular: basta ver as reacções à publicação sobre a taxa de desistência de 50% dos alunos inscritos na UAN, com a maioria dos internautas a mostrar-se chocada com este facto. Quando, na verdade, não há nada de errado: o sentido real da notícia deveria ser que, pelo menos, 50% dos que concluem o ensino superior privado talvez não sejam qualificados.

A baixa dedicação dos estudantes é um desafio global. Junco (2012, p. 165), ao investigar a relação entre uso de redes sociais e rendimento académico, concluiu que “quanto maior a frequência de uso do Facebook, menor é o tempo de estudo e o envolvimento académico dos estudantes”.

Para estes angolanos, a frequência universitária seria apenas um processo de emburrecimento.


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Discordar de Jinito e dos clones

Depois da resvala acima, precisamos saber que, para a maioria das pessoas, este discurso contra a educação de Jinito e dos seus clones é perigoso, porque pode ser entendido como uma retórica contra a educação escolar e contra qualquer forma de educação. Em uma terra em que as pessoas estudam pouco e já têm uma predisposição cultural contra o estudo — algo que me ficou claro ao ler o mestre Uenga Xitu, que notava a piada fácil contra o intelectual — este discurso é ainda mais nocivo.

A minha discordância solidifica-se quando percebo que a suposta “visão” que Jinito advoga em substituição ao estudo é apenas aquela conversa barata que os maus alunos cultivavam para não se sentirem inferiores. Dizem: as provas servem apenas para repetir teorias; na prática, vale a visão! Mas que provas têm eles da suposta visão? Nada além da própria convicção e da sua autoestima.

As provas, por imperfeitas que sejam — mesmo que os professores sejam maus e o currículo de péssima qualidade — pelo menos servem para obrigar o jovem a iniciar e terminar algo, um talento raríssimo num mundo cheio de diletantes.

É verdade que o formalismo excessivo das instituições pode transformar-se em ritual vazio, mas não deve ser confundido com a ausência de esforço. Como notam Meyer e Rowan (1977, p. 343), “as estruturas formais das organizações educativas frequentemente funcionam como mitos, reproduzindo a aparência de racionalidade, ainda que pouco relacionadas com a prática efectiva”.

A educação vale, sim, a pena; porém, não pode ser apenas a educação formal escolar, tanto para evitar que milhares de jovens percam anos da sua vida a adquirir diplomas inúteis, como para que jovens brilhantes não sejam limitados apenas pelos seus professores, em vez de se educarem usando os vastos recursos da internet e das bibliotecas.

Às vezes, quem está errado tem razão: Jinito e os seus clones apenas puseram fim à farsa.


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📚 Referências

BONDESTAM, Fredrik; LUNDQVIST, Maja. Sexual harassment in higher education – a systematic review. European Journal of Higher Education, v. 10, n. 4, p. 397–419, 2020.

JUNCO, Reynol. The relationship between frequency of Facebook use, participation in Facebook activities, and student engagement. Computers & Education, v. 58, n. 1, p. 162–171, 2012.

MEYER, John; ROWAN, Brian. Institutionalized organizations: Formal structure as myth and ceremony. American Journal of Sociology, v. 83, n. 2, p. 340–363, 1977.

PARK, Chris. In other (people’s) words: plagiarism by university students—literature and lessons. Assessment & Evaluation in Higher Education, v. 28, n. 5, p. 471–488, 2003.

O que significa ter o direito a educação ?

O que significa ter o direito à educação?

O que significa ter o direito de namorar?
Significa que posso namorar com quem eu quiser, sem ser vítima de ameaças ou entraves?

Ou significa que tenho o direito a ter uma namorada à custa do Estado, ou seja, de terceiros?

Vamos transladar esta analogia para a educação.

No senso comum angolano.

No senso comum angolano, ter o direito à educação significa ter o direito a educação gratuita.

A constituição no seu artigo 21.º, alínea g, trata de “Promover políticas que assegurem o acesso universal ao ensino obrigatório gratuito, nos termos definidos por lei”, ou seja, nem sequer é um direito universal ao ensino em Angola, mas para fins de argumentação, vamos falar do direito universal e ilimitado ao ensino.

Quando se fala de um direito à educação no sentido de direito a educação pública, está-se a falar implicitamente de um dever de um terceiro em prestar este serviço, de educação, para nós. Este terceiro, nos países do Ocidente, são os ricos, e em Angola o terceiro seria o próprio Estado que deveria pagar por isto pela venda das riquezas que imaginamos ter. Isto chama-se um direito positivo, ou seja, um direito a ter alguma coisa ou serviço de graça.

O Embuste dos Serviços Nacionais…

Porém, como às vezes o dito rico não existe, ou tem amizade com a Elite política, quem acaba por pagar pelo suposto direito gratuito acaba por ser o próprio pobre, depois de ser enganado que esta seria a única forma de providenciar este serviço, normalmente de saúde ou de educação.

O direito à Educação real.

O direito real à Educação, significa o direito a praticar o acto individual de educar-se, sem sofrer entraves por parte da autoridade ou de terceiros, um problema histórico real e que se repetiu pois limitar a educação, o investimento em conhecimento pessoal, permite manter as pessoas em situação de subordinação. Este direito real à educação, um direito negativo, sendo o único que pode ser universal pois não necessita de outra coisa além da vontade do indivíduo de se educar. Os professores e a sala de aula sendo apenas um dos instrumentos deste processo.

Em contraste, o direito a educação gratuita, torna-se um absurdo quando nem existe certeza do número futuro de contemplados ou da fonte dos recursos para pagar pelo serviço, sendo que na prática, o que os Estados fazem se resume a pagar pelo serviço gratuito usando o próprio dinheiro das pessoas contempladas, ou seja, nacionalizar recursos privados já existentes.

Responsabilidade do Estado.

A constituição no seu artigo 21.º, alínea g, trata de “Promover políticas que assegurem o acesso universal ao ensino obrigatório gratuito, nos termos definidos por lei”, ou seja, nem sequer é um direito universal ao ensino em Angola, porem muitos Angolanos falam da responsabilidade do Estado na Educação.

O que seria uma responsabilidade ? Fazer aquilo que apenas nos podemos fazer, sendo a nossa acção necessária. O Estado existe por existir uma necessidade de defesa e manutenção da lei, sem o Estado não poderíamos se defender de uma invasão estrangeira, como o MPLA defendeu Angola da invasão Zairense em 1975, e a justiça seria um assunto de redes mafiosas, como acontece com o tribunal do criem no Brasil.

A educação escolar só pode existir com o Estado ? ou seja, existe uma necessidade do Estado na Educação ? Não estou a falar do principio de conveniência do Estudante ou encarregado, de receber educação gratuita. Ou seja, sem uma garantia de educação escolar universal e gratuita pelo Estado, não pode existir educação ? Para as formas simples de educação escolar, a escola primaria e secundaria, que se resume a salas de aulas e professores, pode ser feito sem iniciativa Estatal na maioria do território.

Para educação superior, que requer capitais avultados e equipamentos especializados, pode se falar em necessidade publica, tendo em conta a baixa capitalização de nossa economia.

O principio de responsabilidade se estende ate ao sector privado, como se pode ver no sindicato Sul Africano Solidariedade, que representa trabalhadores da Etnia Afrikaner, que decidiu construir dois Campus universitários privados para garantir um ensino em Afrikaans, para este grupo Étnico, diante da extinção desta língua nas universidades publicas, ditada pelo Governo do ANC.

Responsabilidade, fazer o que deves fazer, pois ninguém pode fazer por si.

Escola convertido em hospedaria : a Superioridade da Educação privada.

A historia do empresário que encerou seu colégio e converteu o Edifico em hospedaria ilustra superioridade da Educação Privada sobre a Educação Publica.

O próprio processo para a criação do colégio teve efeitos positivos sobre a economia, pois o empresário poupou dinheiro e investiu em uma infra-estrutura polivalente, afinal conseguiu reconverter em nova forma de negocio, depois de constatar que o negocio inicial estava a render pouco, seja por falta de alunos ou porque os pais querem pagar pouco.

Se existe demanda real por um colégio naquela zona e vontade dos pais de pagar, um outro empresário criar uma escola no ano seguinte.

E se fosse uma escola Publica ? O Caso Angola e Cuba.

Uma escola publica nas mesmas circunstancias, continuaria a funcionar mesmo que tivesse custos elevados, por exemplo por falta de alunos, empobrecendo a economia como um todo. Sendo que uma escola publica nunca iria diminuir os seus custos para responder a oferta real, como provavelmente fez o empresário, reduzindo funcionários nao essenciais, uma escola publica a caminho da falência teria todos os funcionários que teria uma escola em pleno funcionamento.

Alias a Escola Angola e Cuba ficou 10 anos sem funcionar, porque falta ao Estado o sentido de urgência que um impediria a um empresário deixar uma estrutura ficar sem uso e se degradar por tanto tempo, alem da ilusão que o Estado tem de sempre ter receitas no futuro e que diminui o cuidado com a infra-estrutura que já existe.

Em um sistema dominado pela educação publica, o empresário iria gastar o seu dinheiro para comprar um V8, cortesia do subsidio aos combustíveis, e os moradores teriam de esperar esperar ate um programa do Estado pensar na zona deles …

3- A revolta dos pais constitui apenas uma maneira

A revolta dos pais constitui apenas uma forma de tentar mandar na vida do empresário, afinal eles ja tem uma forma influenciar a sua decisão de maneira mais justa : com seu dinheiro.

Se encarregados estiverem disponíveis a pagar mais, de modo a cobrir os custos do empresário, este pode julgar que vale a pena continuar com o negocio na educação.

Com a educação Publica, os pais nunca vão ter noção do custo real de suas decisões, e ficam com a impressão que a disponibilidade vagas nas escolas são ilimitadas, na educação privada o pai sabe exactamente quanto vai custar a educação de cada filho e tem o direito de decidir como vai viver a sua vida, se filhos são mais importantes para ele que o conforto, vai dedicar mais aos seus filhos, se o conforto for mais importante, ele vai fazer o contrario.

Deixamos um desafio ao leitor: Conhece algum colégio que aonde não haja carteiras para os alunos ? Do jeito que falta carteiras para em algumas escolas publicas ?

Porque que os encarregados aceitam que seus filhos estudam em escolas sem carteiras ? Porque para eles, importa mais ser gratuito do que ter qualidade.

Um director de uma escola publica nunca teria a coragem de se demitir, como este empresário, caso descobrisse que não tinha talento para gerir uma instituição de educação .

Terrorismo em Angola, assunto sem piada

Agora que esta a voar acusação de terrorismo por todo lado, e tivemos ter direito ao inversão revolucionaria obrigatória sobre o “verdadeiro terrorismo de Estado”, cortesia do Luaty Burão , nas me lembro de uma conversa que tive com Driss Ghali, autor de um livro sobre o tema.

Terrorismo consiste no uso da violência para atingir fins políticos, os atentados espectaculares foi uma tentativa de usar media de massa para ter um efeito geral, pois inicialmente os actos de terrorismo eram feitos contra pessoas singulares, a retalho, para as dissuadir de colaborar com as autoridades.

‘il y a une seule conclusion à tirer de l’oeuvre de Galula, c’est que toute communauté humaine, mise devant un problème politique, peut, sous certaines conditions, se fracturer en trois groupes : une minorité active très déterminée à renverser la table, une autre minorité attachée au maintien du statu quo mais incapable d’agir et enfin une majorité silencieuse qui rêve de ne rien faire mais dont la vocation est d’appuyer le camp qui a le plus de chances de l’emporter. Hier face au FLN algérien et aujourd’hui face à l’Etat Islamique, la pensée de Galula permet à une démocratie comme la nôtre de se défendre sans se renier. Un ouvrage urgent après le Bataclan. Un livre passionnant qui présente un des pères fondateurs des théories de la contre-insurrection. Driss Ghali offre une vision captivante de la vie, des expériences et de l’oeuvre intellectuelle de David Galula. Il démontre clairement pourquoi les idées que Galula a élaborées et mises en oeuvre sont encore d’actualité pour tous ceux qui, parmi nous, assument la responsabilité de lutter contre les insurrections de notre temps. Général David Petraeus, ancien directeur de la CIA et commandant des forces américaines et de la coalition en Irak et en Afghanistan, les plus importantes opérations de contre-insurrection des dernières décennies.

Resenha na Amazon.