The 100, notas sobre politica e o processo criativo.
A serie “The 100” é uma serie de ficção cientifica sobre os sobreviventes de um holocausto nuclear, que achei interresante pelo processo criativo e por ser quase um guia de politica pratica.
O processo criativo.
O processo criativo desta serie é interresante pois esta foi adaptada de um livro que nem sequer tivera sido publicado, pois estando apenas no processso de revisão editorial o estudio CW comprou os direitos de adaptação e usou a premissa para criar algo radicalmente differente. A autora, Kass Morgan. realmente sortuda por conseguir rendimento e publicidade gratuita de seu livro antes de ser ter lo publicado, contou a historia de um triangulo amoroso que decorre durante um apocalypse, enquanto que o Estudio criou uma historia que lida com problemas de politica, lealdade, guerra e o sentido da vida. Seria facil dizer que isto aconteceu porque a autora é uma mulher e por isto teve um foco romantico, porem isto não seria verdade, na verdade as proprias dinamicas do processo creative levaram a estes caminhos radicalmente diferentes.
Vejamos, a autora estava a escrever seu primeiro livro em seu tempo livre, tendo um trabalho normal, escolheu como publico os jovens adultos, e por isto escolheu uma historia simples e que poderia escrever de maneira breve, não só para não aborrecer o leitor como que para se permitir de acabar o livro, pois o primeiro é sempre mais difficil. Um contra exemplo seria o Tolkien, que simplesmente abraçou sua paixão levou o seu perfectinismo ao ponto de morrer sem acabar seus livros, sendo que seu filho precisou de uma vida para completar esta tarefa.
Em contraste o Estudio tinha a sua disposição uma equipe completa escritores trabalhando a tempo inteiro, uma medida directa da reação do publico, e um formato que permite contar uma historia mais longa, tendo a sua disposição 100 episodios ao invés de 4 livros, sendo que pode usar todas as posibilidades do universo criada pela autora. Claro que teve um certo incentivo perservo de procurar contar “uma grande historia” e procurar surpreender a audiencia, que pode levar a narrativa a tomar giros que não são naturais, ao meu ver a conclusão logica da historia foi a fuga dos sobreviventes da terra para o planeta Santurum depois do McCreary ter destruido o vale, mesmo que tinha vontade de ver como que iriam reiniciar a humanidade, mas o produtor da serie teria sido tolo de deixar escapar uma audiencia interresada e aqui vemos como que o sucesso pode influenciar o processo criativo. Não creio que vou assistir as duas ultimas temporadas, além de um simples desejo de conhecer mais deste universo.
Um guia da politica.
A seria faz um excelente trabalho de mostrar como funciona a politica, estando no ramal da realidade longe do idealismo perfeito de Tolkien, aqui os lideres não o são apenas porque tem um poder determinado por sua natureza, uma qualidade quase magica que obriga seus subalternos a obedecer, e muito menos estamos no lamançal de cinismo exagerado de Game of Thrones em que as pessoas são má e fazem tudo por instintos rasos, no “The 100” as pessoas exercem o Poder porque é a unica forma de salvar sua comunidade, não só dos perigos exteriores mas também os internos, das contradições de seus subalternos divididos em fações, cada grupo temendo o outro por motivos racionais ou iracionais, agindo na base da pouca informação que tem ou por temerem que seu grupo não usufrua dos recursos limitados disponiveis neste mundo post-apocalyptico. Na primeira temporada uma fação na Arca tenta matar o Presidente Jaha de modo a tomar controle do processo de retorno a terra, pois sabiam que não havia capsulas espaciais suficientes para todos abandonar a estação espacial, e tendo de escolher entre sua gente e outra, escolheu a si primeiro. Em contraste quando Octavia escolhe ser imparcial e abandonar 1/3 de seu povo a tempestade nuclear, quando os poderia ter priorizados e ainda ter salvo parte dos terrestres, ela acabou tendo de lidar com uma facção dissidente apesar de tentar unir todos pela ideia da luta contra o inimigo comum, a morte, como disse Jaha. Isto demonstra que a qualidade individual do leader não é suficiente para superar contradições reais, neste caso cansaço dos sobreviventes com a violencia, sendo que Octavia precisava dar resposta aos seus problemas materiais reais, falta de comidade, e imaginarios, na forma de legitimidade, que para os terrestres deriva de dois factores reais, nomeadamente a memoria e o ritual. A memoria é um factor essencial da experiencia humana, pois somos capazes de pensar o mundo inteiro enquanto que temos uma vida limitada, sendo que preenchemos o vazio criado pela ausencia de memoria com a nossa imaginação, sendo que não consiguimos viver apenas no momento como animais, sendo que isto é simbolizado na serie por meio de um equipamento de memoria artificial que permite ao Commander/Heda de ter acesso as memorias de todos os outros comandantes anteriores, sendo assim mais sabio que os outros. Isto éapenas uma forma simbolica de representar a erudição, seja ela criada por meio da tradição oral ou escrita, que permite a um homem viver mais que uma vida e por isto estar acima da media. A necessidade do ceremonial, como instrumento de fomento de ordem no mundo, esta presente na serie, sendo que os sobreviventes terrestres criaram rapidademente mitos e lendas para lidar com o mundo a sua volta, explicar seu lugar e seu destino, mesmo que de forma incompleta. Existem homens animais nesta serie, os reapers, que vivem literalmente pela proxima dose de droga dada pelos homens da montanha.
A serie faz um bom trabalho de mostrar varios destes scenarios, as vezes invertendos os papeis, e cumpre assim um dos papeis da fição: Nos dar varios mundos posiveis em que podemos viver scenarios diferentes sem risco de vida.
Concluindo, recomendo a serie, que tem uma historia agradavel, sem muita programação subliminar, excelentes actores, porém não vou provavelmente não irei ler os livros.