Parvoíce dos Afrocrotas: Angola e Congo Brazza-ville não é o Congo Democrático.

O movimento Afrocrata incentiva um revisionismo histórico intenso e confuso, uma mistura de negação e invenção de pseudo-história, em uma narrativa que oscila entre vitimização e triunfalismo, criando requintes de burrice como a ideia de que Angola e a República do Congo (RC Brazza-ville) seriam na verdade províncias perdidas da República Democrática do Congo (Kinshasa): “Angola é Congo, os Angolanos são bakongos que falam português, Congo Brazza-ville é falso Congo, viva o Grande Congo Kinshasa foi dividido pela conferência de Berlim”.

A maioria do Território do Reino do Congo esta em Angola.

O Antigo Reino do Congo, no seu auge entre os séculos XV e XVII, ocupava aproximadamente 180.000 km² de território sob controle direto do Manikongo, distribuídos entre dois países modernos. Em Angola, o reino controlava cerca de 150.000 km² nas províncias do Zaire, Uíge, norte de Bengo e partes de Cuanza Norte e Malanje, representando aproximadamente 12% do território angolano atual e constituindo o núcleo do poder real. Na República Democrática do Congo, o controle direto limitava-se a uma faixa de aproximadamente 30.000 km² ao longo da margem sul do Rio Congo (incluindo partes de Kongo Central e Kinshasa), representando apenas 1,3% da vasta extensão da RDC moderna. Esta distribuição demonstra que o coração territorial do Reino do Congo estava predominantemente localizado no que é hoje o norte de Angola, com o Rio Congo servindo como fronteira natural do reino.

Território em Angola (vermelho) e na RDC (Verde), do Reino do Congo no seu apogeu territorial

O que se entende por Congo ?

O primeiro equívoco está em dizer que a palavra Congo no nome RDC se refere ao Reino do Congo, para dizer de que Angola é o Congo. Na verdade, o Congo RDC deriva seu nome do rio Congo, e não do Reino do Congo, o que é evidente se contarmos a origem da palavra Congo usada nos nomes da República Democrática do Congo e da República do Congo.

A República Democrática do Congo (RDC), é na origem um projecto do Rei Belga Leopoldo II, que criou, em 1876, a “Association Internationale pour l’Exploration et la Civilisation de l’Afrique Centrale” (AIECAC), associação para explorar e civilizar a África central, definida como a zona mediana do continente ao longo do equador. Para este efeito, a associação contratou os serviços de Henry Morton Stanley, que havia já feito viagens de travessia da África por esta mesma zona.

Em contraste, as zonas exploradas por David Livingstone entre 1851 e 1873, que também fez uma travessia da África, estavam mais a sul no território da actual República de Angola, desde o Cuando-Cubango até chegar a Luanda, e longe das zonas exploradas por Stanley, a actual RDC. Notem que no mapa, anterior aos trabalhos de Leopoldo, que iniciaram em 1876, a palavra Congo está limitada apenas ao território do antigo Reino do Congo.

As terras atravessadas por Livingstone sendo as mesmas que seriam exploradas por Serpa Pinto, que seriam depois parte dos territórios desejados por Portugal para ligar Angola a Moçambique, naquilo que seria chamado o “mapa cor-de-rosa”.

Com Stanley ainda cumprindo o plano que recebeu da AIECAC em África, esta foi dissolvida e substituída pelo Comité para o Estudo do Alto-Congo (comité d’études du Haut-Congo (CEHC)), também liderado por Leopoldo II de maneira secreta, sendo que Alto-Congo significava a parte superior do curso do rio Congo, isto é, a zona próxima da nascente do rio.

O CEHC tinha como objectivo:

  • Avaliar a navegabilidade do Rio Congo;
  • Avaliar o potencial de comércio europeu com os habitantes da região;
  • Descobrir quais os custos de entrada que as tribos podem cobrar;
  • Conhecer a natureza dos produtos comercializados localmente;
  • Investigar a possibilidade de criar uma ferrovia na zona das quedas de água (hoje conhecidas por Livingstone Falls) e as mercadorias a transportar.

Outro objetivo do Estado Independente do Congo foi abolir a escravatura na bacia do Congo, pois a zona servia de terreno de razia dos Arabizados, Tippu Tip e Msiri, que abasteciam os portos da costa Swahili, com escravos. Sendo que a similaridade entre a língua Swahili e as línguas banto, como o lingala, apresentadas como prova de que esta seria uma língua pan-africana, tem a sua verdadeira origem no tráfico de escravos.

O trabalho de campo deste comité, permitiu estabelecer a Associação Internacional do Congo, que tinham como objectivo, controlar a bacia do Congo e explorar os seus recursos económicos.

Como se pode ver pelos factos, o Congo no nome Congo democrático tem um sentido meramente geográfico e nada tem a ver com o reino do Congo. Alias, diante da ameaça dos portugueses de impedir o acesso ao mar por meio de Matadi, tendo Lisboa assinado um tratado com Londres para assegurar seus direitos históricos sobre todos os territórios do antigo rei de Mbanza Congo, o Leopoldo colocou em marcha, em 1882, um plano para criar um acesso alternativo a bacia do Congo por meio do rio Couilou-Niari, que foi o traçado depois usado pelos Franceses para sua colónia do Congo Medio.

No fim, Portugal cedeu o Baixo-Congo a Bélgica em troca das Lundas, separando assim Cabinda do resto de Angola, quando antes fazia parte do distrito do Congo, com capital em Landana, que incluía as actuais províncias de Cabinda, Baixo-Congo, Uíge, e Zaire.

O que se entende por Congo-Brazzaville ?

A República do Congo, com sua capital em Brazzaville, tem a sua origem na colónia Francesa do Congo-Médio, sendo este nome uma referência geográfica à parte intermédia de um rio, entre a sua foz e a sua nascente, neste caso específico a margem esquerda na qual estava situado o reino dos Tékés com quem Savorgnan de Brazza assinou um tratado em 1880. Novamente, isto nada tem a ver com o Reino do Congo, sendo que os Tékés nunca fizeram parte e nem foram vassalos do Rei de Mbanza Congo. Congo-Médio foi o nome de um distrito da colónia do Congo Belga, na margem direita do rio Congo, directamente oposto ao Congo-Médio Francês (Número 2 no mapa).

O que se entende por Reino do Congo ?

O primeiro equívoco que os Afrocratas, ou pessoas que aceitam ideias Afrocratas sem pensar, só porque lhes disseram que estas são as ideias que um negro deve ter, está em cometer o anacronismo de pensar que o reino do Congo era um reino nacional de todos os bacongos, e vão dizer por exemplo que o Reino do Congo chegava até ao Gabão, só porque no Gabão há uma tribo de bacongos, os balumbus cujo membro mais famoso foi Oliver Ngoma, que cantava música do estilo anti-lhano em qui-congo.

Na verdade o reino de Mbanza Congo definia-se apenas como o território sob o domínio do rei de Mbanza Congo. Aliás, vários territórios do Reino do Congo foram conquistados depois da chegada dos Portugueses, por exemplo o Congo-Dia-Nlaza, nas margens do rio Cuango, e outros territórios saíram do Reino, como o Sonho, actual Soyo, que ganhou independência nos anos de 1640. Quando foi criado o Estado Independente do Congo, o Reino do Congo já nem existia, restando apenas um rei simbólico encurralado em Mbanza Congo.

Existiram reinos mono-étnicos constituídos por tribos pequenas, mas o Reino do Congo tinha uma estrutura imperial e dominava territórios além das zonas habitadas por Bacongos, por exemplo o Ndongo e os Dembos.

A existência de Bacongos numa zona não significa que o território fazia parte do Reino do Congo; aliás, vários grupos Bacongo emigraram para o norte e leste, uns dominando reinos locais, como no caso do Loango, ou simplesmente vivendo como grupos isolados, como os Mbala da RDC. Aliás, se a definição de Reino do Congo fosse qualquer lugar com Bacongos, logo a definição do Ndongo seria também qualquer lugar com Ambundus, o que significaria que os Pendes da RDC também fariam parte do Reino do Ndongo? Os Mbala nunca fizeram parte do Reino do Congo, e aliás nos anos de 1900 chamavam os imigrantes Bacongos de Angola, que eram recrutados como técnicos nas empresas dos belgas, de Mussansalvador, aqueles de São Salvador do Congo.

Congo, o nome do Rio.

Uma última evidência de que o nome Congo, da República Democrática do Congo (Kinshasa) e da República do Congo (Brazzaville), deriva do rio e não do reino, está no facto de Mobuto ter mudado o nome do rio Congo para rio Zaire ao mesmo tempo que mudou o nome do país de Congo para Zaire, pois o país tira o seu nome do rio que constitui o seu elemento geográfico dominante. Se o país derivasse o seu nome do Reino do Congo, bastaria mudar o nome do país apenas sem mexer no rio, ou mudar o nome do país para outro reino importante do território, como o Luba ou Kuba.

Por isto, por exemplo, é que o Congo tinha uma província do Alto-Congo, que depois foi chamada de Alto-Zaire (caixa vermelha), do mesmo jeito que a província do Baixo-Congo passou a ser chamada de Baixo-Zaire (caixa verde), quando Mobutu mudou o nome do país, nomes estes que sempre se referem ao rio. O hino do Zaire, La Zaïroise, definiu o país como as terras à volta de um rio, o rio Zaire: “Pour bâtir notre pays toujours plus beau, Autour d’un fleuve Majesté”.

Foi apenas em 2015 que os Congoleses mudaram o nome da província do Baixo-Congo, parte do rio próxima da foz, para o novo nome de Congo Central no sentido de parte central do território dos Bacongos ou do reino do Congo, o que foi um absurdo porque o território no centro do Antigo Reino do Congo deveria estar entre a parte norte e sul, pois tratava-se de territórios do norte do reino (área verde) e apenas parte da província do baixo Congo fazia parte do Reino do Congo, sendo que a margem norte nunca fui território do rei de Mbanza Congo.

O facto de o rio ter o nome de Congo nada tem de extraordinário, sendo apenas uma convenção geográfica adoptada pelos Europeus; do ponto de vista do Reino do Congo, o rio era apenas um rio grande que nem definia a sua identidade, chamavam ao rio nzere o zadi, ou rio que engole outros rios, ou seja, um grande rio. Aliás, este nome nem se repetia ao longo do rio, que tinha vários nomes; por exemplo, perto da nascente chamava-se Lualuaba e era apenas um rio pequeno como muitos outros. Do ponto de vista Europeu, fazia sentido chamar este rio de Congo por ser o maior rio da costa do Reino do Congo, mas era apenas uma questão de conveniência.

Ter o mesmo nome significa ser a mesma coisa ?

Para as mentes simples, o facto de duas coisas terem o mesmo nome significa que sejam a mesma coisa; aliás existem vários exemplos em que uma mesma palavra se refere a coisas totalmente diferentes, por exemplo a palavra Libolo refere-se a uma localidade de Angola, mas usa-se como insulto na RDC, ao mesmo título que a palavra Kona, que significa o lado seco da ilha e que foi usado como nome de um modelo de carro, significa o mesmo insulto em Angola.

Porque tanta pseudo-historia ?

Para o Afrocrata, a história tem de ser reescrita tanto por ser falsa por ser escrita por brancos e por ser vergonhosa por ter sido protagonizada por brancos… e por isto qualquer coisa que exalta o Africano, mesmo que neste caso sejam alguns Africanos, os Congoleses da RDC à custa dos Angolanos e dos Congoleses da República do Congo. Estes ataques têm a sua origem na ausência de uma identidade Congolesa coesa, que os leva a adoptar as fantasias afrocratas e a atacar os países com identidades nacionais, Angola e Congo Brazza-ville.

Leitura do artigo :

Resumo do Artigo:

Fontes:

https://fr.wikisource.org/wiki/La_fondation_de_l%E2%80%99%C3%89tat_ind%C3%A9pendant_du_Congo_au_point_de_vue_juridique

https://fr.wikipedia.org/wiki/Exp%C3%A9ditions_pr%C3%A9ludes_%C3%A0_la_fondation_de_l%27%C3%89tat_ind%C3%A9pendant_du_Congo

Savimbi queria guerra em 1992.

A historia de Angola esta cheia de mitos, em parte porque os partidos políticos Angolanos instrumentalizam a historia para fins de propaganda, sendo um dos maiores a culpa pela guerra de 1992, que segundo uma narrativa, partilhada por militantes da UNITA e opositores ao MPLA, teria iniciado por causa da fraude eleitoral perpetrada pelo MPLA, ou em uma medida menor por causa do massacre da sexta-feira sangrenta, ou seja Savimbi foi apenas uma vitima que reagiu.

Antes que me acusam de estar a revirar o passado, este mito tem relevância na actualidade pois qualquer pessoa que fale de fraude Eleitoral em Angola vai dizer que esta iniciou desde 1992.

Vi um excelente vídeo do BesthWaba que compila entrevistas contraditórias de Savimbi sobre os resultados eleitorais e a possibilidade de retomar a guerra, tendo alias um Salupeto Pena confuso diante de Jornalistas que lhe dizem que estava a contradizer as palavras de Savimbi. Este vídeo porem nao pode servir de prova de que Savimbi nao queria a guerra.

Infelizmente, a maioria das pessoas em Angola tem, nas palavras, a sua única maneira de ter um impacto no mundo, e imaginam que seja o mesmo com os políticos, porem a prova esta nos actos de Savimbi e não nas suas palavras.

Um acto impossível.

A afirmação que Savimbi reiniciou a guerra por causa dos resultados eleitorais é falsa pelo simples facto que, se fosse verdade, a UNITA nunca teria sido capaz de conquistar 3/4 do território Angolano. Primeiro porque os acordos de Bicesse previa a desmobilização da FAPLA e das FALA, para se criar um exercito comum, as FAA, e que as armas e a logística necessária para lutar em todos os pontos do pais não deveria existir.

Basta se os mapas da guerra de 1992, para se notas que a UNITA conquistou uma maioria do território em poucos meses e resistiu ao contra-ataque das FAA durante quase 2 anos, um feito militar impossível para uma movimento de guerrilha desmobilizado …

O caso Ruandês.

Isto não significa que todos os actos do Governo e do MPLA foram justificados, porém uma operação desta envergadura preparada pela UNITA teria obviamente de obrigar pelo menos alguns elementos do MPLA de reagir, mesmo que fosse apenas pelo principio de sobrevivência.

Isto nem foi o ultimo caso em que um processo paz negociado pela ONU desemboca na entrega de um pais a um movimento Rebelde, o mesmo aconteceu no Ruanda, quando as forcas do governo foram desarmadas e obrigadas a aceitar a entrada do exercito rebelde na capital. As denuncias do Governo Ruandês foram ignoradas, e Kagame posicionou suas forcas para executar um golpe de Estado no momento oportuno, desencadeando o genocídio Ruandês.

Nova lei da liberdade religiosa em Angola, necessária e atrasada.

Nova lei da liberdade religiosa em Angola: necessária e atrasada

A proposta de lei sobre a liberdade religiosa em Angola parece-me acertada em quase todos os pontos — com exceção de dois aspetos que merecem atenção crítica. As reações negativas vistas nas redes sociais angolanas reduzem-se a lugares-comuns que ignoram os méritos concretos da lei e os problemas estruturais que ela visa resolver, nomeadamente: a proliferação de pseudoigrejas (bizambi-zambi), a comercialização da fé e o extremismo religioso.

1. Controlo da proliferação de pseudoigrejas
No jornal DW África, de agosto de 2024, materia conta mais de 2.000 igrejas informais no país, 80 % localizadas em Luanda. Muitos líderes jovens, sem formação, exploram crentes vulneráveis. Sendo que um relatório da Assembleia nacional conta mais de 1.100 Igrejas reconhecidas e 827 aguardando reconhecimento, com média de cinco igrejas por quarteirão em Luanda.


A proposta ataca o problema da multiplicação desordenada de igrejas por dois caminhos fundamentais:

Primeiro, ao estabelecer critérios mínimos para o funcionamento de cultos religiosos (proibição de cultos em quintais, exigência de templos adequados) e para o exercício do pastorado (exigência de formação superior). Essa medida corrige o vácuo atual, onde bastam dois versículos e carisma para se proclamar líder espiritual. A crítica feita por alguns protestantes de que tais medidas violam a liberdade religiosa ignora a própria tradição protestante, que sempre pressupôs a leitura bíblica letrada e informada, não um exercício anárquico da fé.

Segundo, a lei propõe a extinção de denominações religiosas que se dividam por conflitos de liderança. Hoje, disputas internas entre líderes geralmente terminam na fundação de novas igrejas, com justificações teológicas superficiais para disfarçar brigas por poder e recursos. Isso tem contribuído para o caos espiritual e organizacional — como se verifica, por exemplo, no caso da Igreja universal e da existência das diversas igrejas surgidas de divisões.

Ao prever a dissolução automática das denominações em conflito, a nova lei cria um incentivo para que os impasses sejam resolvidos por mediação — pois, neste novo quadro, ambas as alas perdem o estatuto legal se não encontrarem consenso.

2. Combate à comercialização da fé

Ao exigir que as igrejas operem exclusivamente como entidades sem fins lucrativos, a nova lei permitirá auditorias das suas contas — um passo vital para coibir abusos financeiros que hoje correm impunes.

Exemplo flagrante é o da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) em Angola, cuja direção acumulou quase 1 bilhão de dólares em donativos, parte dos quais tentou repatriar para o Brasil. A denúncia foi amplamente divulgada por antigos membros e líderes, com cobertura do Club-K (2021) e Notícias de Angola. Relatos também mencionam imposição de vasectomias a pastores e controle rígido das finanças pelos dirigentes estrangeiros, em claro abuso da confiança dos fiéis.

Ano (publicação)Local / DenominaçãoNatureza do abuso financeiroFonte
12025Luanda — Ministério RomérioPromessas falsas de formação teológica no exterior; burla de 3,7 milhões de kwanzas a duas fiéisO País, 7 de janeiro de 2025 (OPaís, Radio Solidaria)
22016IURD em AngolaDesvios de recursos: ex-bispo denunciou desvio de aproximadamente 5 milhões de dólares por anoNovo Jornal, 26 de julho de 2016 (Novo Jornal, Novo Jornal)
32021IURD em AngolaCaso em tribunal sobre doações voluntárias não restituídas: mais de 135 milhões de kwanzas doados por ex-fielNovo Jornal, 10 de dezembro de 2021 (Novo Jornal)
42021IURD brasileira em AngolaProcessos por branqueamento de capitais e associação criminosa contra dirigentes da direção brasileira em AngolaNovo Jornal, 8 de maio de 2021 (Novo Jornal)
52020IURD — templos encerradosEncerramento de templos por suspeitas de fraude fiscal, lavagem de dinheiro e abuso de confiançaBBC News Brasil (citado pelo Novo Jornal e fontes similares, 2020) (Novo Jornal, Agência Pública)
62023Moçâmedes (Namibe) — Arca do EternoExtorsão de fiel: exigência de 600 mil kwanzas por “cura espiritual”, com ameaças de maldiçãoPontual AO, 2023 (reportagem citada) (OPaís, Radio Solidaria)



Com a nova lei, casos como este poderão ser alvo de sanções, auditorias ou até perda do reconhecimento jurídico.



3. Prevenção ao extremismo e seitas perigosas

Outro mérito da lei é a exigência de que uma denominação religiosa só seja reconhecida se possuir presença física (templo) em todas as 21 províncias. Essa medida visa prevenir a formação de seitas isoladas com comportamentos perigosos — como foi o caso do autoproclamado “profeta” José Julino Kalupeteka, cujo culto isolacionista terminou na morte de agentes da polícia em 2015 e na sua condenação por homicídio e associação criminosa.

A lógica é clara: é mais difícil manipular e isolar 21 comunidades provinciais ao mesmo tempo, o que cria barreiras naturais à lavagem cerebral colectiva.


4. Ponto fraco: o reconhecimento da “religião africana”

O ponto mais problemático da proposta é o reconhecimento da categoria ambígua de “Religião Africana”, que pode abrir portas para a legalização indiscriminada de práticas feiticistas e místicas, muitas vezes ligadas a rituais sem estrutura religiosa propriamente dita. A distinção entre práticas culturais espirituais e religiões organizadas é essencial. A TPA, corretamente, reporta crimes motivados por feitiçaria como crimes comuns, e não religiosos. Essa fronteira precisa ser mantida.

5. Responsabilização de igrejas por crimes dos seus pastores

Outro acerto importante da lei é a revogação do reconhecimento legal de igrejas cujos líderes forem condenados por crimes contra os fiéis. Esses atos, embora cometidos por indivíduos, nascem de um contexto coletivo de manipulação psicológica e abuso de autoridade religiosa, que é sustentado pela comunidade eclesiástica. Logo, a responsabilidade também deve ser coletiva.

Casos reais demonstram que o silêncio dos membros permite a perpetuação dos abusos:

Em 2023, o Jornal de Angola noticiou a condenação do pastor Ernesto Francisco Torres a 6 anos de prisão por violação de uma jovem durante uma suposta “sessão de cura espiritual”.

Em 2024, segundo o O País, o pastor Francisco Tchombembwa, da igreja “Jesus Cristo das Nações”, foi condenado a 4 anos e meio de prisão por abuso sexual de uma adolescente durante um retiro religioso em Lubango.

Também em 2024, denúncias ao INAC revelaram um caso em Cacuaco, onde um pastor se fazia passar por “padrinho espiritual” para abusar de crianças sob a proteção da igreja.

Em 2025, o Primeiro Impacto reportou que o autointitulado reverendo Fernando K. Kamalandua mantinha jovens em cárcere privado sob a alegação de “purificação espiritual” — um caso de abuso de confiança agravado por manipulação ideológica.


Em todos estes exemplos, o padrão é o mesmo: o silêncio institucional da igreja protege o agressor e perpetua o ciclo de vitimização. Fiéis evitam denunciar porque veem a igreja como uma obra coletiva e temem que o escândalo “prejudique a fé” — mesmo que isso custe justiça às vítimas e a integridade da comunidade.

Requisitos para ser pastor.

A exigência de requisitos para ser pastor é aspecto positivo da lei, pois a actividade do pastorado coloca alguém em uma posição de autoridade que tem uma influência psicológica muito forte sobre as pessoas, tanto por conta de prática que possam causar programação neuro-linguística, como oração e canto em grupo. Está autoridade tem sido abusada por pessoas que cometem crimes, ou que procuram apenas usar o pastorado como forma de ascensão social e financeira.

Este poder não deveria, como acontece hoje, estar disponível a qualquer pessoa que se auto-proclama pastor, sem qualquer requisito, sendo que exigir uma formação superior em teologia permite aumentar o custo de participação e filtrar pessoas que que sejam apenas aventureiras.

Tanto a Católica como as Igrejas protestantes do século passado tinham um sistema de treinamento para o pastorado, seja com adulto com seminário ou seja desde a adolescência com as missões protestantes, o que temos agora e uma situação em que qualquer pessoa se auto-proclama e sai pregando. O critério de diploma teológico pode ser imperfeito, mas vai ser melhor que o temos, quanto a veracidade teológica ou religiosa dos pastores, isto cabe aos cristãos julgar isto.

A norma do governo constitui um retorno ao bom senso, pois como pode fazer sentido que qualquer pessoa, incluindo casos de crianças no Brasil, podem se auto-intitular pastes e montar uma igreja ?

Conclusão

A nova proposta de lei é, ao mesmo tempo, necessária e tardia. Ao enfrentar o caos gerado pela desregulamentação da fé em Angola, ela propõe mecanismos eficazes de ordem, responsabilidade e justiça. Ainda que alguns ajustes sejam necessários — sobretudo quanto à categorização das religiões africanas —, o essencial está no caminho certo: religião não pode continuar a ser sinónimo de impunidade, exploração e desordem institucional.

A lei nem se preocupa com o mérito da pratica religiosa individual do cidadão, tem apenas organizar a sua pratica colectiva de modo a reduzir os danos causados pela desordem, os crentes deveriam se encarregar da luta contra os charlatães e não deveriam se preocupar com limites administrativos se representam sentimento religioso legitimo.

Addenda:

Casos que justificam a lei.

Pastor detido por ag4£ssão s£xu^l durante “oração de libertação”
Um pastor da Igreja Evangélica dos Cristãos em Angola, de 55 anos, foi detido na província da Huíla, suspeito de ter ag4edido s£xu^lmente uma jovem de 21 anos durante uma suposta “oração de libertação”. O caso ocorreu no último domingo, mas só foi denunciado dois dias depois, o que atrasou a intervenção das autoridades. A vítima contou que procurou o pastor em busca de ajuda espiritual para se livrar de um problema de sonhos £rót!cos, vulgarmente chamados de “marido da noite”.
De acordo com a vítima, citada pela Polícia, o homem religioso tê-la-á forçado a entrar num quarto nos fundos da igreja, sob o pretexto de realizar uma oração de “cura espiritual” e, durante o suposto ritual, pediu que a vítima se despisse, ao que acedeu, seguindo-se o @bus0 s£xual.
Segundo o Departamento de Investigação de Ilícitos Penais, o suspeito confessou o ato, alegando estar “em missão divina” para libertar a fiel de um “marido da noite”, negando ter havido p£n€t4ação, mas que teria “apenas usado os d£dos”.
A detenção foi feita mediante mandado judicial e o acusado será apresentado ao juiz de garantias para aplicação das medidas de coação.

JLO e os Jornalistas: Piadas na Lunda Norte

JLO e os Jornalistas: Piadas na Lunda Norte

A Jornalista na Lunda Norte

O artigo em manchete do Novo Jornal sobre a interacção entre o Presidente JLO e a jornalista na Lunda Norte demonstra que os jornalistas angolanos parecem não conhecer a própria profissão que exercem. Inicialmente, eu pensava que eram infiéis aos seus princípios, porém chego à conclusão de que a desconhecem e que são, na verdade, actores políticos movidos pelo imperativo revolucionário ou mercenários à busca de fama e subornos.

Vejamos: os representantes da “classe jornalística” dizem que a “forma das respostas é preocupante”, segundo Pedro Miguel da SJA; que foi “uma resposta torta” (Reginaldo Silva), que o presidente estava a ser “um humorista” (Graça Campos); e que foi uma “resistência transparente” (José Gama). As palavras de José Luís Mendonça ficam para o fim, pois evidenciam outra doença da inteligência angolana: dizer frases apenas pelo seu valor estético e emocional, mesmo quando contradizem o que queremos dizer. Outro elemento surpreendente foi que a redacção não estranhou a ausência de contraditório…

Porém, quais são os factos do episódio?

A jornalista errou tanto na forma como no conteúdo de suas perguntas.

Na forma:

  1. Ao fazer várias perguntas consecutivas sem esperar que o entrevistado respondesse a cada uma individualmente, ela garantiu que a audiência ficasse confusa, sem saber a qual pergunta se referia a resposta, além de criar o risco de o entrevistado esquecer uma das perguntas. Daí que JLO teve razão em pedir que ela não fizesse muitas perguntas de uma vez.
  2. A sucessão de perguntas — muitas delas, na verdade, afirmações — levou JLO a pedir que ela não fizesse um discurso. O objectivo era passar uma narrativa à audiência, sem importar-se com as eventuais respostas do entrevistado. Notem que estas duas chamadas de atenção já foram feitas a outros colegas em colectivas passadas. Mas, pelos vistos, os formadores de opinião não têm memória ou auto-reflexão.

No conteúdo:
Ao perguntar ao presidente sobre o movimento separatista do “dito Protectorado Lunda Tchokwe” e sobre uma hipotética ameaça do M23 (ou seja, do Ruanda), a jornalista traiu o seu dever de informar o público. Em vez de trazer ao entrevistado questões que o público pudesse ter sobre o tema da colectiva (no caso, as obras da circular da Lunda Norte), o jornalista autorgou-se o direito — com os aplausos de Reginaldo Silva, que deseja normalizar isto no jornalismo angolano — de decidir as agendas da discussão pública. O público assiste a uma entrevista colectiva para ouvir o que o presidente tem a dizer, não o que o jornalista tem a dizer. Ao tomar protagonismo e usurpar o direito de definir a agenda, o jornalista rouba a atenção do público para seus próprios fins — seja activismo político, seja ganância profissional. Sejamos sinceros: o jornalista não teria 1% da audiência que teve na colectiva se tivesse escrito ou feito um segmento audiovisual sobre esses temas das suas supostas “perguntas”. Na prática, o que aconteceu aqui foi que o jornalista se interpôs na comunicação entre o Presidente e o Público, impedindo o exercício do direito à informação num sistema político que a requer.

Aqui vemos que as comparações feitas pelos jornalistas angolanos entre Trump e JLO estão certas pelos motivos errados. Eles apenas repetem os cacoetes mentais do convento esquerdista ocidental, ao qual subcontrataram suas penas intelectuais, por parecer o mais conveniente e prestigioso. Porém, ambos os presidentes lidam com imprensas militantes que tentam moldar a opinião contra si. Trump resolveu o problema através da comunicação directa via plataformas digitais (como o Twitter). No caso angolano, recorrer a uma lei contra fake news seria uma solução a curto prazo, mas estamos diante de um problema de ordem moral e intelectual.

A cobertura que os jornais e portais deram ao episódio constitui uma mina de notícias falsas
Por exemplo, o Novo Jornal sugere que o presidente não queria perguntas, quando ele, na verdade, estava a pedir que estas não fossem consecutivas, de modo a permitir respostas claras. Enquanto isso, outra publicação sugeria que o JLO estava “chateado”, quando todo o episódio decorreu num ambiente de bom humor e piadas.

O mal inconsciente

Os jornalistas angolanos gostam de pensar em si mesmos como “formadores de opinião”. Porém, deveriam saber que moldar a opinião do público de maneira directa chama-se propaganda. O jornalismo forma a opinião pública de maneira indirecta, ao apresentar factos e contexto que levem o público a formar seu próprio juízo. Isto porque o verdadeiro jornalismo resolve um problema de comunicação em regimes políticos que requerem participação em massa dos cidadãos — antigamente, as pessoas limitavam-se a receber ordens de reis, ditadores e senhores feudais.

Como é impossível que todos os angolanos falem directamente com o Presidente da República, cabe ao jornalista fazer-lhe perguntas razoáveis e necessárias, cujas respostas interessem ao público geral (por exemplo, numa entrevista), além de fornecer o contexto necessário para que o público compreenda a informação transmitida pelo Presidente (num artigo ou notícia que acompanhe a entrevista). Ou seja: os jornalistas servem de “mediadores” — daí o nome colectivo media — entre o público e o líder político, como um vidro que permite comunicação entre dois espaços antes incomunicáveis. Os melhores vidros são transparentes e não distorcem a imagem vista de cada lado. Os jornalistas angolanos têm sido um vidro quase endemoniado, que distorce a visão que o público tem do Presidente e que o Presidente tem do público, movidos por interesses próprios: para uns, o imperativo revolucionário de derrubar este governo; para outros, o desejo de fama (lucrativa com subornos para calar ou para alavancar carreiras).

Nos seus comentários ao artigo do Novo Jornal, José Luís Mendonça diz que a “jornalista estava ali em representação dos cidadãos deste país” — para criticar o Presidente da República e defender sua colega. Porém, o sentido da frase é oposto ao que quer dizer: se a jornalista realmente representasse os cidadãos de Angola com fidelidade, não faria perguntas de forma a dificultar a comunicação, muito menos roubaria tempo de antena para fazer activismo político e auto-promoção profissional, ou até mesmo desperdiçar tempo de antena precioso com perguntas hipotéticas de respostas óbvias. Pois, o que esperava ela que JLO respondesse à pergunta sobre a ameaça ruandesa? Que o PR revelasse de modo detalhado os nossos planos, para benefício do Ruanda, ou que declarasse de antemão a nossa rendição? Claro que, se Angola for atacada, vamos defender-nos, e a jornalista pode ser chamada para exercer seu dever patriótico.

Angola, Pais dos falsos Samaritanos.

Angola, Pais dos falsos Samaritanos.

Quase todas as semanas, há uma publicação nas redes sociais sobre acontecimentos trágicos, feitos por pessoas que “querem ajudar”, com textos dramáticos e imagens explícitas, dos documentos e até mesmo o corpo das vítimas. Pedem para “partilhar até chegar na família”… Este fenómeno demonstra que a nossa cultura tem uma falta de empatia e um egoísmo elevado à categoria de estilo de vida.

Uma ajuda inútil.

Partilhar nas redes sociais é mesmo inútil para ajudar, pois já não vivemos nos anos 80, em que se deveria esperar que alguém viesse até sua casa, às vezes desde outra província, para anunciar que um parente morreu num acidente de carro noutra província… Não é preciso. Basta alguém ligar diretamente para a família, e encontrar o número de um familiar pode ser facilmente feito pela polícia, seja por meio dos documentos de identificação ou por trabalho investigativo. Em vez de partilhar nas redes, o primeiro reflexo das pessoas deveria ser informar a polícia, se o acontecimento for recente. Outro problema seria inundar a polícia com a mesma denúncia repetida por cada candidato a bom samaritano.

Uma ajuda à custa das vítimas.

As pessoas que “ajudam” ao partilhar as publicações dramáticas perguntam-se: o que acontecerá quando a notícia chegar à família? Afinal, não se está apenas a dar uma notícia, mas a partilhar imagens e narrativas dramáticas que podem causar angústia, ou mesmo a morte de quem não está preparado para receber uma má notícia devido a problemas de saúde.

Como nenhuma das pessoas que partilham a informação pode saber se a família já recebeu a notícia, nada impede que uma família enlutada e traumatizada receba novamente as imagens dramáticas da morte do seu parente… causando ainda mais dor.

Uma ajuda egoísta.

Na Bíblia, a história do bom samaritano descreve um exemplo de generosidade perfeita, em que um homem arrisca a hostilidade da sua sociedade para ajudar um inimigo confesso (judeus e samaritanos viviam conflitos de ordem religiosa), gastando do seu próprio dinheiro e mudando os planos da sua vida. Ou seja: fazer o bem ao próximo à sua própria custa.

Em Angola, temos o que podemos chamar de falsos samaritanos: pessoas que se satisfazem com a aparência de uma boa ação. A definição angolana de “ser boa pessoa” é a de um egoísmo preocupado apenas com a sensação que o bom samaritano tem de si mesmo, e nunca com o efeito concreto sobre a “vítima” da ajuda. Afinal, as famílias das vítimas das tragédias não precisam da partilha em rede social e, pelo contrário, sofrem trauma por causa dela.

Uma outra variação deste fenómeno está nas pessoas que dizem que “pelo menos ajudaram”, quando partilham ou até mesmo mandam dinheiro para uma burla óbvia, dizendo que o pecado está na pessoa que está a mentir. Ou seja: a pessoa quer tanto ser um bom samaritano, que aceita ser enganada para satisfazer esta necessidade psicológica. Novamente, a vítima da ajuda está longe da preocupação do falso samaritano.

Aliás, os falsos samaritanos agem sem verificar se a ajuda é realmente necessária. Pelo contrário: preferem nem verificar e “ajudar o mais rápido possível”, por medo de perder a oportunidade de parecerem boas pessoas.

Os Portais Angolanos e os Influenciadores Digitais.

Além dos falsos samaritanos, outra categoria que tem sustentado este tipo de publicações são os Portais Angolanos, do estilo XAA e afins. Usam estas tragédias para se enriquecer, afinal vendem espaço publicitário, e em algumas das publicações as imagens trágicas têm em rodapé a oferta deste serviço. Ganham mais alcance de maneira especialmente perversa, pois o “partilhe até chegar à família”, sem que cada pessoa que partilha saiba se realmente chegou, significa que a notícia vai ser partilhada até deixar de ser novidade. Imagine se, no tempo da Nação Coragem, a TPA repetisse os anúncios sobre pessoas desaparecidas mesmo depois de estas terem encontrado os familiares. Isto seria justamente denunciado como aproveitamento político, por usar uma tragédia para sujar a imagem da UNITA. Porém, é exactamente isto que estes portais fazem, a favor do seu bolso.

Os influenciadores digitais — desempregados que têm a posse, infeliz para o resto da sociedade, de um telefone com acesso às redes sociais — têm um desejo por atenção tão intenso que, para criar reações nas redes sociais (mesmo que o seu nome não esteja diretamente associado à publicação que está a viralizar), procuram estas tragédias.

Resumindo: Caso seja testemunha ou receba informações sobre uma tragédia, não partilhe nas redes sociais. Faça chegar a informação às autoridades policiais para que possam informar as famílias e prestar socorro.

A candidatura de Eva Rap Diva, ou o teatro do activismo.

A candidatura de Eva Rap Diva, ou o teatro do activismo.

A candidatura de Eva Rap Diva, nome artístico de Eva Marise Cruzeiro Alexandre, está a suscitar polémica justificada em Angola e Portugal, porque revela o lado teatral e falso do activismo, mesmo que alguns queiram reduzir isto a uma questão de racismo português e de racismo angolano. Pois o que está em causa nem é que ela seja angolana para os portugueses ou portuguesa para os angolanos, mas que ela tenta enganar portugueses e angolanos ao mesmo tempo, fingindo ser dois personagens mediáticos ao mesmo tempo: a “activista contra a ditadura” para os angolanos e a “imigrante que ascendeu socialmente” para os portugueses.

Ela tem direito de se candidatar ao Parlamento, pois possui cidadania e respaldo legal. Porém, as pessoas podem notar a hipocrisia e o ridículo da situação, mostrando que a moda do activismo pouco vale.

Pelo menos devemos reconhecer o talento da #EvaRapDiva de irritar todos. Para os angolanos, foi clara a hipocrisia de alguém que se diz defensor dos seus direitos concorrer ao parlamento de outro país, com a desculpa de que assim os pode defender melhor, o que constitui um acto de traição ao eleitor português que pagaria o salário de um deputado que representa outro povo, além de os insultar com acusações de racismo e xenofobia.

Activismo de Elite, falso.

Já escrevi no passado sobre activismo de Elite, muito comum em artistas angolanos como forma de se manter na boca do povo e compensar a ausência de sucesso musical, um expediente que a Eva usou por muito tempo, sendo por isto muito normal que o público angolano ache ridículo que esta se candidate ao parlamento português, se declarando agora portuguesa e Angola a “terra que a acolheu”, quando no passado dizia que “Angola é a terra pela qual eu luto e Portugal onde tenho paz”. Ela ergue-se numa deputada quase colonial; a condição colonial define-se menos por domínio estrangeiro e mais por um governo sobre o qual não temos influência, mesmo com o ténue direito de voto, sendo que Eva se declara representante do povo angolano sem ser escolhida por ele e sem sofrer as consequências das políticas que quer impor a Angola. Por isto, por exemplo, o voto da diáspora sempre será antidemocrático.

O activismo de elite da Eva caracteriza-se por uma retórica incendiária, como acusar o Presidente JES de ter “cometido um genocídio de 40 anos”, visando notoriedade, pois sua sede por adulação pública é ilimitada. Claro que nunca sentem na pele as consequências de suas ideias, pois eles agitam os pobres a se atirar às garras da polícia. Pode ser mais um caso de zanga entre comadres, que cria uma boa parte dos activistas de oposição em Angola.

Segundo Tchizé dos Santos, que respondia aos comentários incendiários e insultuosos contra seu pai feitos pela Eva, a mãe da “Rainha Ginga do Tejo” teria sido presa e amnistiada numa história de burla ao Condomínio Ginga Cristina, e talvez por isto sua filha virou activista…

A imigrante, falsa.

A parte do público português que defende a candidatura de Eva imagina que o faz por virtude e anti-racismo, opondo-se assim ao “malvado Ventura”. Porém, na verdade, fazem-no por acharem que a Eva encaixa no estereótipo do imigrante emergente que ascendeu socialmente, como acontece na sua pátria virtual, os Estados Unidos da América, a terra dos imigrantes. Na verdade, a Eva nem pode ser classificada como imigrante, pois nasceu em Portugal de pais angolanos; estes vivem em Angola há décadas e tiveram grande sucesso nas suas carreiras no Ministério da Saúde (a mãe, Ana Paula Mayer, foi Directora Administrativa do Centro Nacional de Oncologia), na Magistratura (o padrasto é o Dr. Januário Domingos) e na Pesca Industrial (o pai, Paulo Cruzeiro Alexandre), sendo que Portugal não lhe providenciou “ascensão social”, apenas conforto. Os portugueses que defendem o direito da Eva de ser deputada, proclamando que “ela nasceu em Portugal” (o que não é suficiente para ser portuguesa segundo as leis vigentes), talvez nem saibam que ela tem a nacionalidade provavelmente por conta de ascendência portuguesa — uma ideia que está mais próxima do “malvado Ventura” do que do ideal da CNN Portugal.

Na verdade, em vez da minoria imigrante oprimida, a Eva faz parte da elite angolana instalada em Portugal para usufruir dos confortos que faltam em Angola.

A candidatura de Eva Rap Diva, ou o teatro do activismo.

A candidatura de Eva Rap Diva, nome artístico de Eva Marise Cruzeiro Alexandre, está a suscitar polémica justificada em Angola e Portugal, porque revela o lado teatral e falso do activismo, mesmo que alguns queiram reduzir isto a uma questão de racismo português e de racismo angolano. Pois o que está em causa nem é que ela seja angolana para os portugueses ou portuguesa para os angolanos, mas que ela tenta enganar portugueses e angolanos ao mesmo tempo, fingindo ser dois personagens mediáticos ao mesmo tempo: a “activista contra a ditadura” para os angolanos e a “imigrante que ascendeu socialmente” para os portugueses.

Ela tem direito de se candidatar ao Parlamento, pois possui cidadania e respaldo legal. Porém, as pessoas podem notar a hipocrisia e o ridículo da situação, mostrando que a moda do activismo pouco vale.

Pelo menos devemos reconhecer o talento da #EvaRapDiva de irritar todos. Para os angolanos, foi clara a hipocrisia de alguém que se diz defensor dos seus direitos concorrer ao parlamento de outro país, com a desculpa de que assim os pode defender melhor, o que constitui um acto de traição ao eleitor português que pagaria o salário de um deputado que representa outro povo, além de os insultar com acusações de racismo e xenofobia.

Activismo de Elite, falso.

Já escrevi no passado sobre activismo de Elite, muito comum em artistas angolanos como forma de se manter na boca do povo e compensar a ausência de sucesso musical, um expediente que a Eva usou por muito tempo, sendo por isto muito normal que o público angolano ache ridículo que esta se candidate ao parlamento português, se declarando agora portuguesa e Angola a “terra que a acolheu”, quando no passado dizia que “Angola é a terra pela qual eu luto e Portugal onde tenho paz”. Ela ergue-se numa deputada quase colonial; a condição colonial define-se menos por domínio estrangeiro e mais por um governo sobre o qual não temos influência, mesmo com o ténue direito de voto, sendo que Eva se declara representante do povo angolano sem ser escolhida por ele e sem sofrer as consequências das políticas que quer impor a Angola. Por isto, por exemplo, o voto da diáspora sempre será antidemocrático.

O activismo de elite da Eva caracteriza-se por uma retórica incendiária, como acusar o Presidente JES de ter “cometido um genocídio de 40 anos”, visando notoriedade, pois sua sede por adulação pública é ilimitada. Claro que nunca sentem na pele as consequências de suas ideias, pois eles agitam os pobres a se atirar às garras da polícia. Pode ser mais um caso de zanga entre comadres, que cria uma boa parte dos activistas de oposição em Angola. Segundo Tchizé dos Santos, que respondia aos comentários incendiários e insultuosos contra seu pai feitos pela Eva, a mãe da “Rainha Ginga do Tejo” teria sido presa e amnistiada numa história de burla ao Condomínio Ginga Cristina, e talvez por isto sua filha virou activista…

A imigrante, falsa.

A parte do público português que defende a candidatura de Eva imagina que o faz por virtude e anti-racismo, opondo-se assim ao “malvado Ventura”. Porém, na verdade, fazem-no por acharem que a Eva encaixa no estereótipo do imigrante emergente que ascendeu socialmente, como acontece na sua pátria virtual, os Estados Unidos da América, a terra dos imigrantes. Na verdade, a Eva nem pode ser classificada como imigrante, pois nasceu em Portugal de pais angolanos; estes vivem em Angola há décadas e tiveram grande sucesso nas suas carreiras no Ministério da Saúde (a mãe, Ana Paula Mayer, foi Directora Administrativa do Centro Nacional de Oncologia), na Magistratura (o padrasto é o Dr. Januário Domingos) e na Pesca Industrial (o pai, Paulo Cruzeiro Alexandre), sendo que Portugal não lhe providenciou “ascensão social”, apenas conforto. Os portugueses que defendem o direito da Eva de ser deputada, proclamando que “ela nasceu em Portugal” (o que não é suficiente para ser portuguesa segundo as leis vigentes), talvez nem saibam que ela tem a nacionalidade provavelmente por conta de ascendência portuguesa — uma ideia que está mais próxima do “malvado Ventura” do que do ideal da CNN Portugal.

Na verdade, em vez da minoria imigrante oprimida, a Eva faz parte da elite angolana instalada em Portugal para usufruir dos confortos que faltam em Angola.

O perfil de Eva, a aparência de imigrante que ascendeu socialmente, e sua defesa dos direitos LGBT, encaixar-se-ia mais no Bloco de Esquerda; porém, este partido está em decadência, e o PS quer roubar os seus votos à esquerda, com a Eva sendo a mercenária perfeita para o efeito, o que intensifica a falta de sinceridade do seu teatro.

Racistas angolanos, racistas portugueses.

Paradoxalmente, se os críticos portugueses da candidatura de Eva são acusados de racismo de forma gratuita (por acharem sua candidatura desprovida de seriedade — afinal, “ela nunca cantou sobre a fome na Margem Sul, mas sim em Angola”, segundo Isidro Fortunato, “afrocrata” residente em Londres), ela está a ser alvo de um discurso francamente racista vindo de pessoas como Luaty Beirão, um colega de activismo que parece ter sido julgado pelo padrasto da Eva. Este sugere que os “sinais da sua identidade portuguesa” estão no facto de ela escrever “Ginga” em vez de “Nzinga”. Ou do acima mencionado Isidro Fortunato, que diz que ela é “um dos portugueses que governa Angola e que destrói o país”, como se ter uma gota de sangue português desqualificasse alguém de ser angolano.

Racistas angolanos, racistas portugueses.

Paradoxalmente, se os críticos portugueses da candidatura de Eva são acusados de racismo de forma gratuita (por acharem sua candidatura desprovida de seriedade — afinal, “ela nunca cantou sobre a fome na Margem Sul, mas sim em Angola”, segundo Isidro Fortunato, “afrocrata” residente em Londres), ela está a ser alvo de um discurso francamente racista vindo de pessoas como Luaty Beirão, um colega de activismo que parece ter sido julgado pelo padrasto da Eva. Este sugere que os “sinais da sua identidade portuguesa” estão no facto de ela escrever “Ginga” em vez de “Nzinga”. Ou do acima mencionado Isidro Fortunato, que diz que ela é “um dos portugueses que governa Angola e que destrói o país”, como se ter uma gota de sangue português desqualificasse alguém de ser angolano.

Visita de Mondlane: A UNITA e a Admissão de Práticas Anti-Democráticas

A UNITA e a Admissão de Práticas Anti-Democráticas

Com a visita de Venâncio Mondlane, a UNITA admite ser anti-democrática.

A UNITA prova novamente, com o episódio e controvérsia à volta da visita de Venâncio Mondlane, que tem um carácter anti-democrático.

Primeiro, o simples facto de convidar Venâncio Mondlane para uma conferência sobre “o futuro da democracia” implica que o partido aceita que seus métodos anti-democráticos são legítimos. Pois devemos lembrar que, apesar de suas tentativas de escapar de suas responsabilidades — seja ao propagar teorias da conspiração de que os tumultos eram frutos de elementos infiltrados, seja ao alegar que foi mal compreendido pelos seus adeptos —, ao anunciar que a última fase dos protestos, dita “turbo V8”, seria pior que as anteriores, Venâncio admitiu culpa e responsabilidade. Para recordar, Venâncio instruiu seus adeptos a fechar estradas com barricadas, a impedir pessoas de ir aos seus locais de trabalho e a que matassem polícias. Porém, estes mesmos adeptos aproveitaram para extorquir pessoas para permitir que passassem pelas barricadas e lincharam várias pessoas por desrespeitarem o “presidente do povo”. Alegar que estes actos tenham sido feitos em defesa da “verdade eleitoral” (ou seja, o direito ao voto) não muda o facto de serem violações directas do direito de escolha das pessoas, que define muito mais a democracia do que o acto eleitoral, periódico e geralmente imperfeito.

Para resumir, ao convidar Venâncio para participar, a UNITA aceita que aterrorizar pessoas singulares para as obrigar a participar de actos políticos, greves e protestos é uma forma de democracia. Assim, admite que pretende aplicar os métodos de Mondlane em Angola, uma vez que vários membros do grupo julgado no caso 15+2 participaram numa live com Venâncio Mondlane, concordando com seus métodos e aconselhando-o a ser ainda mais radical. Isso acaba sendo uma confissão de culpa e confirma a razão de terem sido processados, mesmo que o que eles prepararam não pudesse ser convencionalmente chamado de “golpe de Estado”.

Pelos factos acima citados, a decisão do governo angolano de impedir a entrada de Mondlane entende-se como uma tentativa de preservar a paz social, de modo a evitar-se nas ruas de Luanda os ataques contra a democracia que vimos nas ruas de Maputo. Com uma pitada de ironia, o convidado mais prestigiado da UNITA, o presidente Ian Khama do Botsuana, impediu a entrada de Julius Malema no Botsuana em 2017, a convite de grupos de oposição, por meras críticas ao presidente — algo muito mais grave do que a violência e crimes pregados por Mondlane.

Segundo, muito mais do que o acto eleitoral periódico, o que define a democracia é o respeito pela verdade, pois não existe direito de escolha se não tens acesso à verdade. Daí a importância convencional dada à liberdade de expressão como forma de chegar à verdade. Sendo que a UNITA continua com sua campanha contra a inteligência nacional e a nossa capacidade de perceber a verdade, quando tentam tirar o foco sobre Mondlane, falando em “líderes africanos” ou cria uma crise diplomática inexistente. Afinal, nenhum dos envolvidos são entidades diplomáticas, e nenhum de seus governos depositou um protesto ao governo pelo suposto maltrato.

Pelos vistos, aos olhos da UNITA, o futuro da democracia em Angola será cheio de violência e intimidação contra pessoas singulares, desde que isto permita que cheguem ao poder e mesmo que emburreça de vez o povo angolano.

Atalho para o meu artigo sobre o os protestos e o Venancio: https://roboredo.home.blog/2024/12/29/venancio-mondlane-lider-e-autoritario/

O Colorismo não existe em Angola

O Colorismo não existe em Angola

O Colorismo não existe, na forma que é definida pelos afrocratas como ideologia que materializa o privilégio das “pessoas de pele clara”, afinal um privilégio não é apenas uma diferença, mas uma diferença imposta por força legal, sem a qual não existiria.

No passado, tinha um filho de ministro que cometeu toda a sorte de crimes e nunca foi preso, bateu até um agente da polícia fardado, gozava do privilégio da impunidade, não porque escolhemos todos respeitar os filhos de ministro, mas porque o pai dele concedeu o direito à impunidade usando seu poder.

Não pode existir colorismo como prática de concessão de privilégio sem que haja uma autoridade que conceda o mesmo.

Se fosse apenas uma questão de auto-estima de pessoas magoadas por penteados e namoros na adolescência . Até dava para ignorar …

Tenho certeza que há pessoas que tratam outras de modo diferente por conta de cor de pele, sendo negativo ou positivo, mas são preferências individuais, que podem ser criticadas.

Porém o discurso anti-colorista não é uma simples crítica de escolhas individuais irracionais, é na verdade um discurso de ódio.

Este discurso racista por calúnia difamatória, acusa a pessoa de crimes falsos de modo a incitar o espírito de vingança e a suspeita sobre sua posição social, desmerecendo seus feitos individuais ou dotes naturais, “só tem isto por ser clara”.

Lembram do caso da senhora que bateu no peito do agente de trânsito?

Os racistas disseram que o agente da polícia iria matar ou bater se fosse uma pessoa de cor escura.

Mas ninguém entra na polícia de trânsito para matar ou bater, entra para faturar, e aí já estava tudo pago: Veículo apreendido e multas com porcentagens para o agente. A suposta “privilegiada pela cor” ainda respondeu por um desacato à autoridade.

O que aconteceu aí foi simplesmente um comportamento puramente angolano, não importa a cor da pele: você sabe quem eu sou!

Este discurso de ódio racista é especialmente intenso contra as mulheres, que sendo vítimas de assédio sexual, como todas as mulheres Angolanas Bonitas, são tidas como sendo coloristas opressoras ao invés de vítimas de um crime como as outras mulheres Angolanas, sendo que aí, invés de beneficiarem de nossa simpatia, são hostilizadas por serem “privilegiadas”, acusadas de serem as últimas moabitas do país: Bandidas, namoram com os papoites… quem conhece o país sabe que há de todo tipo neste ramo.

A acusação difamatória como discurso de ódio foi um dos procedimentos usados para incitar violência no genocídio do Ruanda, especialmente pela rádio mil colinas, que acusava os Tutsis de toda a sorte de atrocidades de modo que qualquer Hutu se achasse no direito de fazer justiça pelas próprias mãos.

Angola tem uma história de discurso racista. Queimam-se gatunos em Angola porque as pessoas acreditam que a polícia não faz justiça, um sentimento justificado por casos reais. O discurso anti-colorista cria este sentimento de injustiça por meio da propaganda. Este discurso também leva à falta de compaixão, afinal “os claros têm privilégios, têm dinheiro”.

Julgar as pessoas por uma característica inata e imutável, ao invés de seus atos, constitui preconceito de modo geral, e racismo neste caso particular. Além de ser injusto, pois se estás a dizer que a pessoa não presta por ser clara, estás a dizer que ela nunca vai prestar.

Venâncio Mondlane, líder falso e autoritário.

Me interessei pela crise eleitoral moçambicana em reflexo da adesão total de activistas e oposicionistas angolanos à pessoa de Venâncio Mondlane, desde pessoas singulares a inundar o Facebook com textos a favor dele, como o Masamba Savimbi, sendo minha conclusão que estamos diante de um líder irresponsável, um líder autoritário, e ele tem pupilos que querem trazer este caos para Angola.

Mondlane, o falso líder

Mondlane desempenha o papel de líder apenas na medida em que está a ser obedecido por muitos moçambicanos; porém, sem realizar os outros papéis importantes de um líder: dar ordens claras aos seus seguidores e assumir a responsabilidade pelas suas decisões.

Mondlane tenta colocar a responsabilidade da fase V8 aos pés da juíza, quando as pessoas na rua respondem às suas ordens. Depois, tenta negar sua responsabilidade pelo resultado da fase V8, dizendo que “não foi isto que mandou fazer”, quando seu anúncio dizia claramente que iria “atirar o país no caos”. Mais tarde, tenta acusar a FRELIMO de estar por trás dos saques, alegando que soltaram 6.000 prisioneiros que estariam a cometer todos os assaltos num país de 36 milhões de habitantes — uma teoria da conspiração que tem como efeito secundário a morte dos neurónios dos seus seguidores.

Mondlane, líder autoritário

Venâncio Mondlane declarou-se vencedor das presidenciais, apontando o tamanho dos protestos como prova da dita vitória. Porém, o corte de estrada pode ser realizado por uma minoria de pessoas, especialmente se a maioria se sente insegura em romper a barricada por conta da turba claramente armada, que colocou a polícia a correr. Mesmo a dita greve nacional que Mondlane anunciou mistura pessoas que realmente não foram trabalhar com pessoas que ficaram intimidadas pelos seus adeptos ou pela insegurança no país.

Os protestos não provam que Mondlane venceu, apenas demonstram que os protestos são eficazes em paralisar as cidades. Mondlane ironiza perguntando “aonde está os 70 de Chapo”. Porém, porque um cidadão singular desceria às ruas para enfrentar uma turba claramente violenta, com historial de confronto com a polícia? Mondlane confunde o medo das suas vítimas com obediência — uma ilusão presente em vários ditadores ao longo da história.

Em resposta à onda de assaltos da fase V8, formaram-se grupos para limpar as barricadas e impedir os assaltos aos estabelecimentos comerciais, o que irritou Mondlane, pois cria o risco de revelar o tamanho minoritário do seu movimento, que parece grande apenas na medida em que usa a intimidação para paralisar a maioria.

Está contra o vandalismo? Estás a defender a MPLA!

Estamos diante de uma falácia conhecida como “mota castral”: ligar uma proposta razoável a uma proposta extremista, para acusar a pessoa que se opuser à segunda de estar contra a primeira. Concretamente, significa fingir que quem se opõe ao vandalismo é a favor da MPLA… com a premissa oculta de que a MPLA seria a causa única da situação do país — uma mentira. Porém, isto será matéria de discussão noutro texto. No caso de Moçambique, não tenho a certeza; porém, a turma VM7 acha que são os únicos a ter a ideia correcta sobre os problemas dos países.


Abel aliado do MPLA, ou os democratas contra a Democracia.

Abel aliado do MPLA, ou os democratas contra a Democracia.

A polémica política do final do ano de 2024 foi uma suposta intenção de Abel Chivukuvuku  de entrar em coligação com o MPLA em 2027, depois de dizer que ” vai ser governo ou parte do governo em 2027″.

O mais interessante desta história foi a reação da oposição e dos activistas contra um procedimento que é normal na Democracia que eles tanto pregam, nos países que gostam de nos esfregar na carra como exemplos a seguir, com a Gerrigonça do país irmão, Portugal.

Claro que uma coligação do Abel com o MPLA seria contra os interesses políticos da UNITA e os Activistas, tendo seu direito ser contra a mesma, porém o problema está em confundirem seus interesses políticos com os interesses da Nação Angolana. Quais são os interesses da Nação? Os interesses de todos os cidadãos, expressos de modo individual ou colectivo por meio de partidos, incluindo o MPLA. Quem delegou a UNITA e aos activistas o poder de decidir quais são as opiniões políticas legítimas ? Em países como a francesa, está táctica de exclusão extrajudicial, por meio de pressão social e moral, foi usada pela esquerda para dividir o voto de direita, associando o Front Nacional ao Nazismo para impedir uma coligação com Republicanos, garantido assim décadas de poder da esquerda apesar de ser minoritária.

Os esclarecimentos do Abel são politicamente astutos e confirmam o seu lugar na política nacional. “Se a nossa intenção fosse aliar-nos ao MPLA, por que criaríamos o PRA-JA?” … Na mesma moeda, porque não se juntar à UNITA ao invés de criar um partido? Claro que a resposta é que Abel não quer ser apenas um militante, acredita no seu carisma e quer estar no centro dos acontecimentos.

“Não se faz aliança com quem nunca pediu. Somos e continuaremos a ser Frente Patriótica Unida” é uma forma interessante de dizer que a possibilidade de uma aliança depende do MPLA fazer a proposta ao Abel, que deixa assim aberto várias portas.

Na minha opinião, uma coligação entre o MPLA e o PRA-JA seria benéfica para continuar com a transformação de Angola em um país normal, em que a política serve para escolher soluções para resolver problemas específicos, ao invés da entrega do poder total para uma minoria fazer uma revolução e refundar o Estado. Na Itália, por exemplo, Mateo Salvino viabilizou o governo do partido no poder em troca do cargo de ministro do interior para pôr fim a crise de imigração ilegal e cumprir o mandato popular que recebeu.

Isto porém é contra os interesses da UNITA, que tem sua legitimidade apenas na sua pretensão revolucionária e que não se sente confortável na política das soluções concretas, claro que parte da população se sente representada por este anseio, porém isto é alimento em parte pela ausência de uma alternativa em suas mentes.

Deve-se acrescentar que a FPU é um fantasma jurídico e político, permite a UNITA aumentar seu número sem diluir o poder das pessoas que já estão dentro da UNITA, o que poderia acontecer com uma fusão que iria obrigar a cedência de cargos e lugares de deputados. Legalmente os cargos de deputados cedidos aos independentes pertencem ao partido UNITA, que pode simplesmente expulsar o independente sem qualquer consequência política.

A FPU é um namoro, onde ninguém tem direitos e não pode se queixar dos cornos …