Guerra na Ucrânia, geopolítica de um conflito entre oriente e ocidente ? Ou a inutilidade dos BRICS.

Guerra na Ucrânia, geopolítica de um conflito entre oriente versus ocidente ?

Antes de iniciar, gostar de expor uns pontos necessários, primeiro que o objectivo real da maioria dos países, e na verdade das elites que os governam, é a sua própria sobrevivência e manutenção no poder, sendo que os países bem sucedidos são aqueles em que a sobrevivência da Elite é contingente a prosperidade de seu povo. Sendo que a ideia de que os países querem ser os melhores ou grandes potenciais, é talvez um vestígio de jogos de estratégia para computadores, em que qualquer pais pode criar um império, pois na realidade poucos países tem os meios e o desejo de serem grandes potenciais, por ser uma existência difícil e inconfortável, com muitos abrindo mão do peso do império, com aconteceu com os Portugueses em 1974.

Segundo, não existe na realidade um conflito entre o Ocidente e o Oriente, pois isto requer que os dois blocos tenham um desejo e os meios de destruir seu oponente, para ser tornar no único suserano, pois os Americanos são os únicos que tem actualmente os meios de agir a nível global, com a Rússia e a China capazes apenas de acções limitadas na esfera regional.

O primeiro factor que guia as decisões Russas é a Crise demográfica, pela acção conjugada do colapso da população Eslava por conta da baixa taxa de Natalidade e alta taxa de natalidade das populações da Ásia Central.

Esta pode ser a ultima chance da Rússia de criar “profundeza estratégica” antes de não ter os meios militares, (população, armas e dinheiro) para meio de uma opção ofensiva, antes que a fasquia de população leal e de idade militar leal seja demasiadamente baixa, ou que a China se torne cada vez mais perigosa.

Deste modo a guerra na Ucrânia responde as duas preocupações, insensibilidade da Rússia Europeia e aumento da população Eslava.

O segundo factor que guia as decisões Russas é a necessidade de defender sua porção Europeia, no caso de uma vitoria total ou mesmo parcial, em que são cedidos territórios e instala-se um regime pro-russo na Ucrânia, permitiria controlar as passagens montanhosas das Carpatas, conjugada com uma conquista dos Países do Báltico, que permitem invadir a planície da Europa Central, aonde esta localizada Moscovo, tornando a defesa da porção Europeia mais fácil, reduzindo assim as necessidades em homens e material bélico, que assim estariam disponíveis para confrontar a ameaça Chinesa no extremo oriente.

Outra ameaça de longo prazo é a pretensão Turca de um zona de influencia na Asia Central, uma forma de império Pan-turco, que requer a submissão da Arménia e assim a abertura de uma rota directa de Istambul para a Ásia Central.

A Stratfor concluiu, em seu artigo “The Geopolitics of Russia: Permanent Struggle” publicado em 2012, que:

Ao contrário de países como a China, o Irão e os Estados Unidos, a Rússia não alcançou os seus imperativos geopolíticos estratégicos. Pelo contrário, recuou deles:

A Rússia detém o norte do Cáucaso, mas já não ostenta uma penetração profunda nas montanhas, incluindo a Geórgia e a Arménia. Sem esses territórios, a Rússia não pode considerar este flanco seguro.

A Rússia perdeu a sua âncora nas montanhas e desertos da Ásia Central e por isso não pode bloquear ou perturbar activamente – ou mesmo monitorizar – quaisquer desenvolvimentos no extremo sul que possam ameaçar a sua segurança.

A Rússia mantém a Sibéria, mas devido à hostilidade climática e geográfica da região é quase um fracasso em termos de segurança (e certamente é economicamente).

A perda da Ucrânia e da Moldávia pela Rússia permite tanto a intrusão de outras potências como a potencial ascensão de um rival ucraniano à sua porta. As potências por trás dos Cárpatos estão especialmente posicionadas para tirar vantagem desta geografia política.

Os Estados Bálticos restabeleceram a sua independência e todos os três estão a leste e a norte da linha Báltico-Cárpatos (a linha defensiva final na Planície do Norte da Europa). A sua presença numa aliança hostil é inaceitável. Nem uma Bielorrússia independente ou mesmo neutra (também do lado errado dessa linha).

Esta insegurança Russa, aliada a diminuição a medio prazo dos meios de acção militar, por conta do crescimento da China e do colapso demográfico Russo, explica a decisão de agir antes que seja demasiadamente tarde agora que o rival ucraniano esta materializado.

O aumento da população Eslava tem sido uma preocupação Russa desde que superou os distúrbios que seguiram a queda da URSS, com a estabilização iniciada no primeiro mandato de Vladimir Putin, com programas de incentivo a natalidade, por meio de incentivos financeiros e acções culturais, porem seu impacto não foi suficiente para por fim ao declínio demográfico. Em simultâneo, com vários esquemas de repatriamento de Russos étnicos, residentes nas diferentes ex-republicas da URSS, que também fracassaram.

Leia sobre os problemas dos programas de incentivo a natalidade:

The Apparent Failure of Russia’s Pronatalist Family Policies

Trying to Reverse Demographic Decline: Pro-Natalist and Family Policies in Russia, Poland and Hungary

Leia sobre os problemas dos programas de repatriamento:

Russia: Repatriation Plan Appeals To Few Ethnic Russians

Russia: Most Regions Unprepared For Repatriation Scheme

Migration Dilemmas Haunt Post-Soviet Russia

A política de repatriamento tem como efeito reduzir a influencia Russa sobre estes países e abrir mão destes territórios, algum historicamente russos mas cedidos as republicas pela URSS, como a Crimeia e o norte do Cazaquistão, sendo a estratégia agora parece ser reconquistar os territórios com população Russa. A Bielorrússia foi conquista de maneira discreta com a intervenção Russa contra a revolução de cor que ameaçava derrubar o Lukashenko, porem já tinha um acordo de União Política com Moscovo, que poderia ter levado o Lukashenko a ser presidente da Rússia, que porem parece ter sido sabotado por este por medo de perder seu Poder local. Conjuntamente, a população Bielorrussa e os Russa da Ucrânia é equivalente a 13% da população Eslava da Rússia, de modo que sua adição aumentaria a proporção Eslava da população total. Claro que há muita incerteza em questões de identidade étnica, por há incentivos para a Rússia exagerar o tamanho da proporção Eslava da população ao mesmo tempo que há certamente Bielorrussos e ucranianos que não se identificam como Russos agora mais que podem se russificar se sentiram que isto lhes da mais segurança e oportunidades.

A preocupação Demografia Russa, de ver a população eslava reduzida a minoria dentre das fronteiras do Estado Russa foi um dos factores que causou a dissolução da União Soviética, preferível ao cenário em que os Eslavos estariam a ser governados por uma coligação de populações minoritárias, tornando se vassalos dentro de seu próprio Império. O medo é justificado, pois esta foi a situação inicial da União Soviética, em que o manto do “Bolchevismo” encobria uma coligação de agentes de grupos étnicos minoritárias que, manipulando os anseias legitimos de parte da população Eslava, cansada dos excessos da Monarquia Cesarista, tomou o Poder. A coligação do Bolchevismo levou a cabo uma política anti-eslava, por meio de genocídio pela fome da proletariado, extermínio da elite Russa, cedência de território historicamente Russos a Republicas étnicas (Odessa, Siberia do Sul,etc), mesmo que estas tivessem de ser criadas de modo artificial, com o direito a partidos políticos explicitamente étnicos , sem que os Eslavos tivessem direito a um partido étnico, divisão dos Eslavos em 3 Republicas (Rússia, Bielorrússia e Ucrânia), finalmente a Segunda Guerra Mundial permitiu ao Estado Soviético liquidar milhões de Russos sem levantar suspeitas, os atirando ao rolo compressor de Berlim, guardando em reserva as tropas de populações minoritárias para a ofensiva final, com vitoria garantida pelo desembarque americano na Normandia. O livro Great Patriotic War declassified, Krivosheev e Adronikov, estima que os Eslavos representavam 85% das baixas e 83.5% dos prisioneiros de guerra, apesar de serem 78.4% da população em 1939.

Qualquer manual básico de sovietologia, ou a simples consulta da Grande Enciclopédia Soviética, publicada em 145 volumes entre 1926 e 1978 e que também conheceu edições em língua inglesa, permite desmontar tal inanidade com um piparote. Neste mapa faltam Félix Dzerzhinsky (Polónia), Anastas Mikoyan (Arménia), Nikolai Ostrovsky (Ucrânia), Aleksander Hendrikson (Estónia), Yuldash Akhunbabaev (Cazaquistão)…

Resumindo, manter o carácter Eslavo da Rússia e estabelecer fronteiras seguras são os dois objectivos Russos da invasão da Ucrânia, mesmo que seus actos podem ser lidos segundo a lógica dos Imperialistas vingativos, como Napoleão Bonaparte e Hitler, pelo método de Phillipe Fabry, que previu a invasão no seu artigo l’invasion russe de l’Ukraine, escrito em 2019.

A Crise de legitimidade

A Crise de legitimidade é o segundo factor que motivas decisões Russas, pois pelo lado Ocidental, a Ucrânia representa um Governo Eslavo e uma mitologia nacional alternativa ao Czarismo Moscovita, que se apresenta ao povo Russo como a única alternativa ao caos e a ameaças estrangeiras. Enquanto que no Oriente a China põem em causa a soberania Russa sobre o seu extremo oriente, sendo que a Rússia foi a primeira potencia a anexar territórios da China no inicio do dito “Século de humilhação”, nomeadamente o Amur e Vladivostok, respectivamente em 1858 e 1860, cujo o retorno seria simbolicamente mais valioso para o CCP, que deriva a sua legitimidade do facto de ter posto fim as ingerências imperialistas, além de dar a China uma segunda costa longe das bases Americanas da primeira e segunda linhas de ilhas, que permitiriam estabelecer um bloqueio marítimo contra a china, e cria a possibilidade de realizar a pretensão Chinesa, do tempo dos Qing, de soberania sobre Sakalina, com suas reservas de petróleo estratégicas.

Uma segunda opção Chinesa, que seria menos espectacular mais ainda significativa, seria de impor seus interesses estratégico na Ásia Central, tanto pelo controle económico como pelo povoamento, o que tem causado ansiedade popular no seio da população do Cazaquistão. Porém ambas opções trairiam mais benefícios para a China do que a opção mediaticamente promovida, que seria a anexação de Taiwan, com a Ásia central sendo menos custosa e o Extremo Oriente Russo sendo mais custosa.

O Ocidente e suas prioridades.

É necessário inventariar os factores que guiam as decisões do dito “Ocidente”, pois estas influenciam os cálculos russos. Primeiro devemos entender que o ocidente esta dividido em duas partes: O suserano Americano (USA), líder do Império Global Americano (GAE), e seus vassalos europeus.

O Suserano Americano tem como primeiro objectivo a subserviência de seus vassalos Europeus, que pretende atingir por dois meios, primeiro a Desindustrialização do continente causada pela subida dos custos de energia pela proibição do gás Russo e destruição dos gasodutos, e desarmamento de seus vassalos, intimados a entregar suas armas ao exercito ucraniano.

O seu segundo objectivo é a aquisição dos Recursos Russos, usando o conflito na Ucrânia para induzir uma revolta popular ou de uma parte da Elite contra o sacrifício imposto pela conduta da guerra, em uma revolução de cores dentre de uma potencia com armas nucleares, substituindo o do Estado Cesarista de Moscovo por uma constelação de estados vassalos no espaço Russo, com poder suficiente para manter a ordem interna sem por em causa o poder Americano sobre a Eurasia. isto seria feito usando a lógica da “descolonização”, leia “Decolonizing Russia A Moral and Strategic Imperative”, , usada antes pela própria Rússia e os EUA para destruir os Impérios coloniais dos Países da Europa, de modo a que sejam enfraquecidos e subjugados depois da segunda guerra mundial, e que teve como precedente a retórica da “Liberdade dos povos” aplicada na sequencia da primeira guerra mundial, o objectivo sendo de impedir a existência de grandes países geopoliticamente coesos que sejam capazes de rivalizar com os EUA, especialmente se devem para isto usar o método custoso de organismos supra-nacionais e regionais. A tendência a longo prazo, é na verdade a constituição de Estados Civilizacionais, que seriam os únicos capazes de garantir a segurança dos povos em um mundo globalizado.

Gunther Fehlinger, membro do Comité Europeu para o Alargamento da NATO, criou uma polémica no twitter ao publicar mapas de possíveis divisões de países do BRICS.

Estes recursos permitiriam aos USA estabelecer um cerco da China, que serviria de novo inimigo para motivar a unificação de seu império, uma Correia do Norte Gigante.

As Reacções as intenções do Ocidente.

A reacção Russa a este plano consistem uma política de resistência para negociar, para ganhar o direito de Rússia sobreviver na sua forma Unitária e autónoma, em troca de sua participação, a titulo de parceiro, nos planos Americanos contra a China. Moscovo teria a ganhar, com sua participação ou mesmo apenas neutralidade, o fim de uma ameaça ao seus territórios do extremo-oriente, a recuperação de seu controle sobre a Manchúria, perdida na Guerra Russo-Japonesa de 1905 fomentada pelos Ingleses, que traria de volta seu sonho de um porto em aguas quentes com o retorno de Porto-Arthur.

Isto explicaria porque, além de uma crença que fase inicial da invasão, que viu todas russas em Kiev, iria resultar em um golpe de Estado pro-russo, que a Rússia não entrou com todas as suas forças no conflito Ucraniano e nem realizou um ataque preventivo contra os territórios da NATO que apoiam os ucranianos de modo aberto e tomar os Estados Bálticos, pois criaria o risco de prolongar a guerra alargando a guerra a todo o continente ao invés deste estar limitado a Ucrânia, além de motivar um aumento do belicismo do GAE se a sua hegemonia sobre a Europa esteja posta em causa. Sendo mais útil guardar as suas forças em reserva para contra uma entrada oficial da NATO e ter a opção prolongar a guerra como meio de persuadir o GAE a negociar. Sendo a guerra um prolongamento da política por meios militares, o objectivo Russo é de destruir a capacidade Ucraniana de combater para que Kiev ceda as exigências de Moscovo, isto requer a derrubada dos dois centros de gravidade da Ucrânia, que são nomeadamente o apoio Ocidental e a o exercito Ucraniano, o que poder ser feito modo conveniente dentro do espaço, ao invés de alargar o teatro das operações a todo o continente, sendo que a Rússia esta a cumprir ambos objectivos atrair o exercito Ucraniano em contra-ofensivas contra linhas defensivas em que se perder material doado pelos ocidentais, já que o material inicial, herdado do estoque soviético, foi destruído na inicial da guerra. A Mobilização de um terceiro exercito Ucraniano, com mais de 500.000 homens, poderia tornar o esforço de guerra Russo insuportável e levar Moscovo a uma solução negociada, depois do fracasso da ofensiva de Agosto de 2023.

A reacção Chinesa a este plano dos USA consiste em manter o centro conflito na Europa, dando apoio suficiente a Rússia para prolongar o conflito, pois tem pretensões históricas sobre o Extremo Oriente Russo, sob alegação que foi obrigada a ceder territórios por um tratado desigual sob ameaça de invasão pelo Império Russo. A conquista destes territórios permitiria a China de ter acesso a agua fresca do Lago Baical, a criar um mar da China do Norte e ter maior acesso aos recursos da Sibéria.

A reacção dos Europeus, conscientes da sua incapacidade de resistir ao Suserano Americano de modo individual, tendo por isto de o fazer por meio da União Europeia, consiste em tentar articular uma resposta comum que continue a criar as bases para a construção de um super-estado comum, mesmo que seja feito por meio da aceitação de medidas Americanas absurdas, como o a proibição do gás Russo, se estas permitir quebrar a resistência de Estados como a Hungria. A guerra na Ucrânia também representa 3 oportunidades para a EU, primeiro de diminuir o Poder da Polónia caso este sofra baixas catastróficas, na vitoria ou na derrota, diante do exercito russo, pois seu entusiasmo em se tornar o representante local do GAE, lugar antes reservado ao Reino Unido, induziu os polacos a se posicionar para uma invasão da Ucrânia em caso de colapso do Exercito Ucraniano. A segunda oportunidade é de criar uma população “europeia” constituída pelos refugiados ucranianos, que sejam leiais primeiro a EU ao invés dos Estados Nacionais que os acolhem, de modo a dissolver as resistências nacionais ao projecto de Estado Europeu Unificado.

A reacção dos BRICS.

O entusiasmo com os BRICS ignora que os factores determinantes da economia moderna, capital e crescimento demográfico racional, é a fraqueza dos membros pesados dos BRICS, a Rússia é o único aliado que tenho poder real na actualidade, porém tem uma tendência para perca de poder a longo prazo, nos próximos cinquenta anos, além de ter seus interesses de longo prazo é a Europa, sendo por isto pouco provável que se inicie uma estratégia para desmantelar o GAE. A China, que é fraca na actualidade mas tem o potencial de ser mais poderosa no futuro, teria os meios de liderar este esforça de desmantelamento do GAE, porem as suas contradições internas, se não resolvidas no medio prazo, próximos vinte anos, podem levar a sua implosão por causa do colapso demográfico criado pela política do filho único, e do investimento em elefantes brancos para inflacionar os números do PIB ao invés de criar capital de longo prazo.

A capacidade dos outros grandes membros do BRICS são ainda mais limitadas, por exemplo a África do Sul, por conta da kleptocracia, fomento de uma classe de dependentes económicos bantus e repressão da minoria branca pelo Governo do ANC, se tornará provavelmente um novo Zimbabwe ou iria se dividir em vários estados, como se poder ler no livro Frans Cronj, “A time traveller Guide to South Africa in 2030”. Um partido Independentista da província do Cabo foi criado para realizar um referendo pela independencia da província do Cabo Ocidental. Enquanto que o Brasil é praticamente um membro infiltrado neste grupo de dissidentes ao GAE, pois o seu actual regime, que tem na sua cabeça o STF, com o Lula na Presidência por motivos simbólicos e para servir de para-raio político, ascendeu ao poder com ajudar do GAE para afastar do poder o Presidente Bolsonaro, que representava um desejo Brasileiro de independencia estratégica por meio da valorização da Amazónia, com a construção de novas cidades e um corredor de transporte para o Suriname, que é actualmente uma reserva estratégica caso perder acesso a África e não consiga conquistar a Rússia, seja por ingerência de outra potencia ou por aumento dos custos operacionais por conta da anarquia local, e da reactivação dos meios necessários para aquisição da arma nuclear pelo Brasil. O discurso terceiro-mundista do Lula é em parte uma estratégia de política interna, para seu eleitorado esquerdista, mesmo que internacionalmente seja vantajoso para o GAE que países percam tempo com medidas inúteis como a moeda única do BRICS. O próprio discurso terceiro mundista é uma parte da cultura Americana, que o uso para gerir as contradições de ter um império e permite ter influencia indirecta sobre os países que tem potencial de criar dissidência perigosas ao GAE, isto é um estratégia que é menos custosa que o controle colonial directo, usado pelos Ocidentais antes da Segunda Guerra Mundial. Na verdade o Lula esta inserido na estratégia de controle América Latina pelo GAE, por meio do foro de São Paulo, que coordena os partidos Esquerdistas da América Latina e deste modo destroem qualquer pretensão de independencia nacional.

Neste mundo globalizado a mobilidade das pessoas e dos capitais torna um esforço de aliança de países, especialmente se estão espalhados pelo globo ao invés de concentradas, como a EU, pouco eficaz. Na verdade apesar da dissidência dos Governos do BRICS e dos candidatos a adesão, a tendência mundial é de uma fuga de pessoas qualificadas e capital para o Ocidente, em detrimento dos próprios BRICS, que apesar de terem muitos recursos naturais e actividade económica, não tem a segurança pessoal e institucional necessária para a acumulação duradoura de capital, que constitui o moto do crescimento económico.

Finalmente, as contradições actuais entre os 3 principais membros dos BRICS, já mencionadas acima entre a China e Rússia, mas as que opõem a China e a Índia são ainda mais insolúveis, pois os benefícios que a China poderia receber, no quadro dos BRICS, se abrir mão da criação e do controle do corredor para o porto de Gwadar, ou seja deixar que os Indianos tomem o controle total do Caxemira, são inferiores aos benefícios estratégicos de escapar de um bloqueio naval do mar do Sul da china.

Ainda assim a ideia dos BRICS tem a sua utilidade, pois para a Rússia esta permite convencer a sua própria população que o pais não esta sozinho diante da agressão ocidental e convencer as populações dos Países da NATO de que a guerra vai ser longa, enquanto que os membros e candidatos ao BRICS podem usar a ameaça de entrarem em dissidência para extrair recursos e do GAE.

Na verdade o BRICS é uma criação da cultura Ocidental, iniciando como uma etiqueta de um criado por um economista de Goldman Sachs em 2001 para vender um cesto de investimento de países ditos “emergentes”, no sentido que ainda não sendo desenvolvidos teriam a oportunidade de crescer no futuro, sem precisar se identificar os factores específicos que criariam este crescimento, como acontece com os países que são chamadas “em desenvolvimento” em que nada se desenvolve faz décadas, alias primeira tentativa de constituir um sistema financeiro dos BRICS a 2012 e foi um fracasso.

Conclusão.

O segredo um dos ingredientes do poder, sendo este a capacidade de ser obedecido, naquilo que poderíamos chamar de Cryptocracia, pois se as pessoas ignoram as bases reais que sustentam o poder do GAE, é mais fácil que as energias da dissidências sejam dissipadas em projectos inúteis ou mesmo fortalecedores do Império. Porém um dos riscos maiores, para um cidadão de um pequeno pais, seria seu Governo, levado pelo entusiasmo popular e liderado por que não tem noção da realidade geopolítica, acredite no valor nominal do BRICS e tome decisões crendo ter o apoio de uma vasta coligação anti-GAE, condenando assim o seu pais ser esmagado, como esta prestes a acontecer no Níger cm intervenção do GAE por meio da Nigéria, para retirar um regime golpista instalado por um general que não queria perder o seu emprego e ser investigado por corrupção, mas que seduziu muitos com uma retórica de combate ao imperialismo. As criticas aos Presidente de Angola, JLO, por não ter participado a cimeira dos BRICS e por não ter submetido a candidatura de Angola, é nutrida por uma crença, se calhar muito mais um desejo, de que este é o fim da Hegemonia Americana, o optimismo e poder magico da palavra como critério de avaliação geopolítica.

A corrente interna Americana, que se mostra contra a guerra na Ucrânia, que se quer anti-GAE e pro-BRICS, é sintoma da alienação sentida por parte da população Americana que sente que perdeu o controle sobre o Estado Americano e que parte da Elite esta a usar o Império para manter o seu poder dentro dos EUA, por meio da imigração em massa e de organismo internacionais.

Qualquer um pode ganhar dinheiro com a fama.

Qualquer um pode ganhar dinheiro com a fama.

No programa Ela e Ele, da TV Zimbo, sobre o tema “Ser Famoso em Angola”, a Jessica Pitbull disse que “Esta pouca vergonha destes discursos de que a fama não é nada, a fama leva sim a lado algum. A fama dá dinheiro sim e os artistas em angola serão milionários. Porque as coisas vão mudar. Até esses empresários daí do #bunguelebangue também não vendem nada, não estão mesmo com nada”. Ela fala com a convicção da matumba que se acha PhD.

Vídeos para referencia:

A “Fama” significa ser conhecido por algum talento por um publico amplo com pessoas disponíveis, os fãs com tempo e dinheiro, para interagir com o famoso, seja para se divertir, para suprimir uma necessidade emocional, como sentir-se poderoso por ajuda alguém que é importante para comunidade, ou para usar a fama para vender seu proprio produto, seja directamente por meio de contact individual com so fãs ou por publicidade. Estamos diante de uma simples dinamica de mercado, em que cada canditado a famoso esta a competir pelo mesmo numero de possiveis fãs multiplicado pelo dinheiro que eles tem disponivel para se divertir. Sendo que o mercado Angolano é pequeno porque o numero de pessoas disponiveis é reduzido, sendo que apenas empresas com ampla clientela, como a Cuca e a UNITEL, conseguem angaria recursos da massa de consumidores pobres para transmitir este dinheiro aos famosos de seu gosto.

A ideia de fama se reduziu se reduziu apenas ser conhecido pelo publico, mesmo que seja por maus motivos e ausencia de qualque talento, fenomeno exarcerbado pelas redes sociais que que permite criar micro celebridades por meio da viralidade.

A Viralização significa que há uma fonte quase infinita de famosos a baixo custo, do ponto de vista do consumidor, sendo isto reduz ainda mais o incentivo do consumidor gastar dinheiro com famosos individuais, além de que a propria dinamica da viral que tem pouco tempo para monetizar a fama. A possibilidade de ser conhecido por muitas pessoas em pouco tempo é uma ilusão que atrai muitas pessoas, agora tens famosos por benevolência com TikTok.

A própria noção de Fama subentende perenidade, que requer trabalho, não precisa-se de muito esforço para um Angolano reconhecer o Sebem mesmo 10 anos depois de sua morte, agora quem lembra da sétima tiktokeira que bateu em Janeiro ?

Há milhares de sub celebridades que não vão a lugar algum com a fama, seja por música ou outra coisa, daí o conselho da Frank: tenha um trabalho e faz música como hobby.

Se tiveres um hit, podes tentar construir carreira e tentar monetizar a fama, caso contrário trabalhe e continua tua vida.

O mercado português é maior que o Angolano, e ainda assim o mercado tem um número limitado de lugares disponíveis, parte dos músicos são pessoas que não precisam de viver da música (herdeiros, trabalham ou se contentam com pobreza) da a ilusão de muito dinheiro disponivel.

Quem saiu do zero de ilude com um pouco, talvez seja este o caso da Jessica, mais o número de pessoas que não ganham algo com fama é maior do que os que “vivem da mesma”, lembre o DJ lolo a chorar que a música dele teve sucesso sem que ele conseguisse recuperar o dinheiro gasto na sua promoção.

Qual é a proporção da renda de cada fã que deve ser transmitida ao famoso para que tenha uma vida de classe media, uma vida de famoso com todos os luxos inerentes, para viver fora do Pais ?

Claro que é possivel que famoso pode recorrer a uma pessoa politicamente connectada e firar palhaço do circo de alguma campanha eleitoral, mais quantos famosos os Partidos precisam para atingir o seu objetivo de comunicação ?

Resumindo, estamos diante de alguém que não tem a inteligencia de perceber que a sua situação pessoal não é generalizada, até porque quando a jarda e os seus da Jessica cairem, ela vai descobrir que não era famosa por cantar, mas por ser uma gostossa de uso publico.

Quando a Jessica Pitbull fala em “patrocinios”, apenas demonstra que não tem a inteligencia de perceber o seu papel no mercado, acha que as pessoas lhe devem favores, alias atitude muito difundida entre mussicos Angolanos no fim de carreira, que lamentam que “não recebem ajuda” apesar de terem proporcionado alegria ao povo, quando receberam remuneração pelo entretenimento que proporcionaram no auge de sua fama.

Os Assassinos e o barbeiro

Os Assassinos e o barbeiro

Os vários memes que sobre as pessoas poderiam “salvar o Pais” matando o Presidente da Republica, o piloto ou barbeiro, mostra apenas que a maioria das pessoas não tem a experiência de participar de uma instituição complexa, talvez a única vez foi na escola dominical, por exigiam parental, isto apesar das mesmas pessoas gritarem sobre “sistema”.

Líder é a expressão das pessoas que lidera, constituído pelo grupo de trabalho escolhido (O Governo), o grupo de trabalho que ele não pode mudar (O Estado), os seus concorrentes (a oposição), as pessoas para quem ele trabalha (o Povo Angolano), e pessoas que tem um poder superior a ele (FMI, EUA, etc), alem de lidar com factos do mundo material. Nenhum destes grupos desaparece só porque o Líder saiu de cena, como aconteceu com JES. Ou seja o desejo assassino expresso no meme é inútil, para o propósito dúbio de “melhorar Angola”.

Nada contra o trabalho ou competência de JLO, mas ele não é uma destes grandes figuras da Historia, cujo o carisma e perspicácia, é um motor dos acontecimentos, a maioria tenta o seu melhor para navegar uma serie de factores fora do seu controle, e alguns destes factores não sou tem cabeça própria, como podem matar seu líder se este não se conformar aos seus desejos, sejam estes altos ou baixos, este ultimo sendo o caso Angolano. Ou seja, é menos ser o pastor de um um rebanho de animais mansos e obedientes sobre o qual tens um poder absoluto, e muito mais uma matilha de cães famintos, perdidos no meio de uma selva.

O modelo de grande líder para muitos Angolanos, na base vídeos de Youtube, Jonas Savimbi, nem se quer era isto, prova disto é que seus pupilos não parecem terem mudado muito apesar de sua morte. Ele era tão incapaz de os dirigir que tinha de matar aqueles que tinham ideias diferentes das suas. Ser um Grande Lider é algo reservado para um Napoleão, Hitler, Alexandre o Grande, De Gaule, Churchill ou Cortez.

Isto me diz que a maioria dos Angolanos que comentam sobre política não tem a capacidade de entender o assunto sobre o qual opinam, e estas pessoas tem o direito de votar ou ter cargos públicos. Isto é assustador.
Estas pessoas precisam de um advogado e de um psicólogo.

Manifestação de 17 de Junho: Os manifestantes são os únicos que têm direitos?

Manifestação de 17 de Junho: Os manifestantes são os únicos que têm direitos?

Primeiro gostaria, na qualidade de cidadão privado, lamentar que não foram amplamente divulgados os nomes dos Agentes da Polícia Nacional que morreram cumprindo o seu dever, em defesa da Lei, nos últimos motins que aconteceram em Angola. Que suas almas descansem em paz e que seus assassinos sejam castigados.

Na sequência da manifestação ocorrida no dia 17 de Junho de 2023, pergunto-me se os manifestantes são as únicas pessoas com direitos humanos em Angola?

Parece estranho fazer esta pergunta já que todo mundo está focado nos direitos, alegados e reais, dos manifestantes, mas apenas porque adquirimos o mau hábito de confundir o consenso com a verdade e porque é mais agradável seguir a bala, e acariciar o cão no sentido do pelo. Afinal, não se podem criticar quem luta pelo bem, ou pode ser vítima da pergunta fatal: “És do MPLA?”.

Os manifestantes Revu comportam-se como se a necessidade de notificar o Estado fosse uma imposição ditatorial que limita o seu suposto direito a manifestar-se de modo ilimitado e sem restrição, porque eles não pensam no direito dos outros cidadãos, ironicamente no mesmo momento em que juram lutar por todos. Eles partem de leitura propositadamente analfabeta da lei e fingem incompreensão, porem esta claro.

As manisfetações não carecem de notificação e autorização de modo geral (por exemplo em comicios, etc), excepto em espaços publicos porque existem outros Angolanos que também tem direitos, aqueles que escolheram não ir na manifestação, têm o direito de circular na cidade e realizar as suas atividades, e seus direitos merecem ser protegidos. Os Revu citam o primeiro paragrafo, manifestação em espaços privados, e o aplicam ao segundo caso, manifestação em espaços publicos, não sei se por analfabetismo funcional ou manipulação consciente.



Isto é uma forma de escolher que é muito mais prática e real do que votar, em que teu voto tem apenas um poder estatístico potencial, porém este primeiro direito de escolha é negado pelos defensores da “democracia”, enquanto que se arrogam o direito de tomar como reféns cidades inteiras em qualquer dia que lhes apetecer.

As respostas dos manifestantes Revu a perguntas sobre os direitos das pessoas que não se manifestam têm sido, primeiramente, descontar estas reclamações como sendo de burgueses de classe média que “querem ir à praia”, como disse o Luaty Beirão durante os protestos de 2020. Em segundo lugar, alegam que estão a lutar por todos e por isso têm o direito de se sobrepor à vontade dos outros angolanos. Em terceiro lugar, dizem que quem reclama é “um beneficiado do sistema”. Alguns até vão te pedir para “não falar, para colaborar”. Por ventura, têm medo de que as pessoas não concordem com seus argumentos, porém, em vez de os convencer, tentam intimidar quem pensa de modo diferente para se calar.

São supostamente pela liberdade de opinião, mas qualquer pessoa que tenha uma opinião fora da linha dos Revu é membro do Gabinete de Ação Psicológica, ou a nova modinha que importaram do Brasil: milícia digital.

Talvez as pessoas não concordem contigo porque não têm a mesma visão extremista do mundo, em que és o bem santo e o MPLA é um demônio, porque não

concordam com os teus métodos, ou por acharem que o MPLA esteja certo nesta medida em particular. Estas opiniões são válidas, e és livre de tentar convencer quem as tem, porém, infelizmente a tendência tem sido de intimidar e insultar quem não concorda com os manifestantes Revu.

Se notaram, a mesma retórica e método de agir é usada pelos moto-taxistas e taxistas quando fazem seus protestos: por terem algo a reclamar, auto-proclamam-se líderes, impedem os colegas de trabalhar, sob risco de agressão física, fecham estradas e até impedem pessoas singulares de transportar pessoas em seus carros. As pessoas acham que protesto só acontece quando causa distúrbios e incômodo ao próximo.

Quem os designou para “lutar pelo bem de todos”? Quem os elegeu e quando? Por que sua definição de bem é superior à dos outros angolanos? Ao que sei, o Governo explicou a sua decisão de subir o preço do combustível, sendo que cabe a cada cidadão pensar se aceita ou não, aliás, alguns até podem apoiar esta decisão, e exprimir esta opinião com seu direito ao voto, com seu direito de participar no discurso público ou manifestar. Direitos estes que são tomados como reféns pela turma do “Povo no Poder”, uma paródia do “Em nome do Povo”, que levou o MPLA a cometer erros e injustiças no passado, mas que desta vez vai dar certo porque os revolucionários atuais são mais bonitos?

O que é um protesto pacífico?
Segundo os nossos manifestantes Revu, basta que uma manifestação seja anunciada como sendo pacífica para que seja pacífica, como um bom marido precisa apenas anunciar que não vai bater na mulher no dia do casamento para decidir que o lar não tem violência doméstica. A manifestação é pacífica se não acontecerem atos de violência no decorrer da mesma, contra outros cidadãos e contra a Polícia. Estes atos incluem: impedir o trânsito ao andar no meio da estrada ou criar barricadas, pois limita o direito dos outros cidadãos de andar pela cidade, atacar a polícia com pedras ou outros objetos, queimar pneus pois destrói a propriedade pública e interdita o trânsito, etc. Todos estes atos aconteceram durante os protestos contra o aumento do preço da gasolina e, por isso, estes protestos foram violentos.

Quando estas manifestações são anunciadas, centenas de empresas dispensam seus colaboradores e encerram seus serviços, não porque têm medo da polícia, mas sim dos manifestantes, que juram ser “pacíficos”.

Resumindo:
A manifestação não é um direito ilimitado e unilateral, tem responsabilidades também.
Manifestação é legal se:
1- As autoridades são notificadas.
2- Nenhuma ilegalidade é cometida no decurso da mesma.

Os direitos dos manifestantes não são superiores ao direito dos que escolhem não participar na manifestação, porem os Revu tem medo de sair da narrativa do heroísmo revolucionário, é a zona deles de conforto, só que nos, o resto da população, temos o direito de escolhar um modo de fazer politica sem radicalismo e destruição.

O livro “Confissões de Um Estadista” é um sintoma da pseudo-intelectualidade em Angola

O livro “Confissões de Um Estadista” é um sintoma da pseudo-intelectualidade em Angola.

O livro de Satula é uma fraude e a sua recepção positiva pelo público é o sintoma do triunfo da pseudo-intelectualidade em Angola. O problema não é meramente que o livro tem como fonte a prática ocultista da psicografia, que consiste em um espírita escrever segredos revelados a si pelo espírito de um defunto. Se fosse apenas isto e o autor assim se apresentasse o livro, seria apenas uma curiosidade, sendo cada pessoa livre de o tratar conforme a credibilidade que confere ao ocultismo e nos poderes da co-autora do livro, a psicógrafa Solange Fabia. Será que ela conseguiu falar com o espírito certo? Pode ter sido um demónio qualquer. Se conseguiu, como tem certeza que lhe contou a verdade? Ou será que obrigou o espírito de JES? Talvez ela tenha falado com um demónio qualquer, ou simplesmente deixou a sua imaginação guiar a lapiseira, até porque boa parte das supostas revelações são apenas os rumores de sempre que se ouvem em Angola. Até poderia ser divertido, se fosse apenas isto. O primeiro problema é que Satula apresenta o seu livro como sendo um livro de confissões feitas pessoalmente por JES em vida, recolhidas de modo científico e fidedignas, como se tivesse como fonte um manuscrito ou gravações deixadas pelo ex-presidente. Satula está a praticar publicidade enganosa, prometendo um livro de memória, nos dá uma especulação ocultista. O segundo problema, sintoma de uma crise da inteligência em nossa sociedade, é a maioria das pessoas não reconhecerem a natureza do livro que, apesar de dois indícios simples e evidentes: primeiro a autora é psicógrafa, ou seja, ocultista, e segundo o texto sugere que é um diálogo com o Espírito de JES. Basta ver que no texto de apresentação, Satula diz que “depois da morte física o Espírito de JES (Espírito Eduardo) revelou todos os segredos”. O Club-k, que é o maior portal Angolano de informação na internet, publicou um artigo sobre o “livro de confissões de JES” publicado por Satula, dizendo que estas confissões foram recebidas em vida depois de 2017. Porém isto contradiz o que Satula apresenta em seu texto. Contudo, ao escrever que a “entrevista é feita em forma de psicografia”, como se fosse apenas um estilo de redação e não uma prática ocultista, os redatores do portal não inspiram muita fé. Isto demonstra que as pessoas que se dizem isentas e que procuram informar as pessoas com veracidade sofrem dos mesmos males que o resto da população, sofrem de analfabetismo funcional e são incapazes de apreender a realidade. A importância deste livro, como momento cultural, é o triunfo do pseudo-intelectualismo. Primeiro, por Satula apresentar a natureza de seu livro de modo fraudulento, apresentando um livro ocultista como se fosse um livro de confissões pessoais, como já dissemos. Segundo, porque mostra que os Angolanos carecem de um senso crítico, sendo incapazes de avaliar a veracidade das informações que recebem, o que deveria ser composto por algumas perguntas essenciais: qual é a fonte da informação? Qual é o grau de confiabilidade da informação? Qual é o grau de razoabilidade da informação? E, finalmente, como é que posso provar que a informação é verdadeira ou falsa? Isto acontece, em parte, porque as pessoas confundem seus sentimentos com pensamentos, e quando sentem prazer porque um livro finalmente confirma as suspeitas que têm sobre seus inimigos, então este livro deve trazer a verdade, porque isto significa que elas tinham razão e ter razão é bom. Thomas Sowell já disse: “O problema não é que João não saiba ler. O problema nem é que João não consegue pensar. O problema é que João não sabe o que é pensar; ele confunde isso com sentimento.” Deste modo, fica fácil praticar o viés de confirmação, afinal a busca da verdade não é a sua motivação primeira, mas sim a satisfação de suas necessidades emocionais. Eles buscam informações que confirmam aquilo que sabem e querem que seja verdade. Muitas vezes, essa pessoa quer sentir a segurança de fazer parte do senso comum e de dizer uma coisa que é óbvia, sendo que não é raro ouvir ela dizer que “todo mundo sabe” que é verdade o que ela diz ser verdade. Fala assim para induzir em si um estado agradável, sendo que o quadro é histérico, com a pessoa se auto-convencendo do que fala. Isto, deste modo, demonstra o triunfo da mentalidade revolucionária na cultura Angolana, sendo que as pessoas não avaliam uma verdade segundo o seu grau de veracidade (ser verdade e parecer ser verdade, ser verdade e não parecer ser verdade, não ser verdade e parecer ser verdade, não ser verdade e não parecer ser verdade). Preferem um critério muito mais simples: a informação é aceita como verdadeira se reforça a causa política, e a notícia é tida como falsa se enfraquece a causa política. Esta decisão pode ser justificada por meio de “argumentos” que se resumem a uma variação da linguagem intimidante, em que se tenta colocar o interlocutor diante da escolha de concordar consigo ou ser cúmplice de algum mal, ou outros artifícios de sofisma, evitando a todo custo falar da realidade e avaliar os méritos da questão em contenda. O discurso revolucionário não foge de inventar mentiras e não precisa de ser consistente, basta que seja politicamente eficaz na conquista do Poder. Parece, à primeira vista, estranho que o livro de Satula pinte JES no papel de uma vítima de “Os lobos que o cercavam” e sobre os quais “[JES] deixou de ter qualquer controlo sobre essa interminável matilha”, na verdade é apenas normal que assim seja, pois agora que está morto e não sendo mais um concorrente, JES pode ser reciclado para ser usado contra os Dirigentes actuais, pois são o obstaculo actual a conquista do poder pelo revolucionarios. Concluindo, devemos dar a resalva que não se julga um livro pela capa, que deve se avaliar o conteudo para que seja confrontado com a realidade e avaliado diante do principio de veracidade. Sendo que a presente avaliação é na base de trechos partilhados pelo autor e o no texto feito no seu perfil de Facebook para anunciar o lançamento do livro, além de avaliar a propria reação ao livro pelo publico, na base de comentarios de facebook e artigos de jornais de internet. Talvez se trate de um artificio literario, porém estes devem ser claramente anunciados aos leitores. Se o Satula recebeu as confisões do JES em vida, então que o diga claramente, se esconder atras de uma pratica ocultista por medo de represalias significa apenas que o texto fica suspeito porque não é possivel sabermos o que é verdade e o que é fruto de imaginação. Deixa aqui textos para que o leitor possa julgar minhas conclusões, e não sendo kimbandeiros e ocultistas, como a co-autora de Satula, vamos ter de esperar ter uma copia do livro para tirar nossas conclusões finais. E se JES se dirigisse à Nação o que diria? Se desse um testemunho sem subterfúgios e sem voltas que impacto teria em Angola? Se depois da morte física o seu Espírito (Espírito Eduardo) revelasse todos os segredos guardados desde 1975? Se ele revelasse o real motivo da Guerra pós 75? Se revelasse os motivos do 27 de Maio? Se falasse das eleições de 1992? Da corrupção das famílias, das instituições que ajudou a (não) construir? Se falasse dos erros da sua governação, dos “lobos” que criou e ajudou a engordar? Dos partidos que desestabilizou e dos políticos (da oposição) que recebiam mesadas chorudas? Dos líderes religiosos que tinham “pacto” com o ele e o seu sistema? Da maior decepção que teve depois de deixar a Presidência? Pois então, tudo isto está dito e nada mais será segredo! tudo ficou dito nas “Confissões de Um Estadista”. (Apresentação pública: 09 de JUNHO – Lisboa e 28 de AGOSTO – Luanda). “Não quero com isto dizer que não tenha sido beneficiado por esta fortuna, porque os lobos que eu criei também me alimentavam, ao mesmo tempo que se espalhavam pelo país, multiplicando-se com tanta rapidez que depressa deixamos de ter qualquer controlo sobre essa interminável matilha que, descontrolada, espalhava a corrupção por todo o país, pois uns estavam ao serviço dos outros, bloqueando assim qualquer tipo de crescimento social.” (Trecho de “CONFISSÕES DE UM ESTADISTA”). “Os lobos que me cercavam porque precisavam do alimento que lhes proporcionava, porque lhes garantia o poder, fizeram de mim a presa. Sentiam a necessidade de me proteger para que o poder que deles emanavam em meu nome continuasse” (Trecho de “CONFISSÕES DE UM ESTADISTA”).

capa do livro.

O fim dos subsidio aos combustíveis e a retórica de lutas de classe em Angola

O fim dos subsídios aos combustíveis e a retórica de lutas de classe em Angola.
Para que o fim dos subsídios seja aceite pela população em geral, os membros do Estado e do Governo devem abdicar do seu subsídio de combustíveis também, sob pena de criar um sentimento de revolta popular que ponha fim à viragem Liberal do Governo e todo o bom trabalho que Vera Daves fez até agora. Além de evitar discurso de lutas de classe, vai permitir que os Governantes tenham algo em comum com o povo: custo do combustível nas bombas.
Infelizmente, as medidas anunciadas pelo MINFIN demonstram a falta de maturidade da nossa discussão pública, pois o público em geral e os próprios “fazedores” de opinião estão presos em modo emocional, e como dizia Thomas Sowell, confundem as suas emoções com pensamentos, por isto que as medidas do MINFIN se focam em dois eixos. Primeiro, apaziguar o medo das pessoas pelo “sofrimento”, prometendo subsídios a esmo, para minimizar os efeitos da subida dos preços. Segundo, para usar o sentimento de inveja, que alimenta os discursos de luta de classe, para que a maioria da população aceite o fim dos subsídios porque estes beneficiam uma minoria de abastados donos de carros, que chegam a beneficiar de até 200.000kz anualmente na forma de gasolina barata. A conclusão dos dois eixos é que vai-se usar o dinheiro para “ajudar os mais pobres” com o Kwenda e outras medidas inúteis. Ou seja, não temos esperança de convencer as pessoas com argumentos racionais, temos de gerir seus sentimentos de inveja, revolta e medo do sofrimento. Isto mostra que a política em massa ainda não é viável em nosso país.
Infelizmente, esta táctica de comunicação vai criar problema a médio prazo porque o documento não indica se os subsídios aos combustíveis para dirigentes, membros do Estado e do Governo, vão ser removidos, sendo que isto vai alimentar um sentimento de inveja e revolta que irá continuar a alimentar a retórica de lutas de classe contra uma massa anónima, de pessoas falsamente acusadas de serem “privilegiados” por terem carros, quando a classe dirigente é uma massa de pessoas identificadas que não pagam o preço real da gasolina que usam.
Uma vantagem de retirar o subsídio de combustível para as “Suas Excelências” e “entidades protocolares”, como diz o Revu que virou parasita do erário público, é permitir que tenham algum contacto com a realidade. Deputados, Ministros, Administradores, Directores, o fim do subsídio à vossa gasolina trará vários benefícios e está no vosso interesse. Primeiro, vai impedir que sejam alvos de ataques políticos, justificados, por parte da classe média que irá se insurgir ao ver-vos a andar de V8 de cima a baixo, enquanto que eles tiveram de recuar para um turismo. Segundo, isto talvez permita que tenham, finalmente, uma aprec

iação real da qualidade das estradas que talvez não sintam por andarem em carros grandes, deste modo, estariam mais sensíveis à qualidade das estradas. Não que eu seja contra o vosso conforto, mas apenas acho que deveriam arcar com os custos do transporte, como todos nós, pois se uma pessoa de classe média decide andar com um Nissan Patrol Obama, ele tem consciência que vai ter de sacrificar outras despesas ou mesmo oportunidades de investimento. Talvez, sentindo na vossa vida pessoal esta necessidade de gerir um orçamento, as excelências levariam este aprendizado para o vosso trabalho de gestão do erário Público. As excelências recebem salários, como nós, que o usem para comprar gasolina, como todos nós fazemos.

O fim do subsídio aos combustíveis, necessário e urgente.

Neste texto que não pode ser breve, vamos ver porque o subsídio aos combustíveis deve ser eliminado, suas consequências nefastas para a sociedade e algumas soluções para o problema.

A retirada dos subsídios aos combustíveis, falsamente chamada de subida dos preços dos combustíveis, é uma medida necessária e que deveria ter sido tomada antes, pois cria problemas para toda a sociedade superiores ao benefício individual para o consumidor. O Governo de Angola gastou 2.2 Bilhões de Dólares com subsídios de combustíveis em 2021, $ 1.14 Bilhões para o Gasóleo, $ 638 Milhões para a Gasolina,  $ 422 Milhões para o Gás de cozinha. (Fonte: https://expansao.co.ao/economia/interior/angola-gastou-22-mil-milhoes-usd-com-subsidios-aos-combustiveis-108188.html), o que significa que se gasta 68.75$ por Angolano para garantir preços de combustíveis baixos, a questão fundamental aqui é de saber se Angola e a economia Angolana, que é soma das ações diárias de todos os Angolanos, não é capaz de sustentar o custo real dos combustíveis, então a economia Angolana, ou seja as decisões diárias dos Angolanos, é insustentável e deve ser alterada para se ajustar à realidade. Vale a pena receber-se menos de 100$ por pessoa e por ano em troca de uma distorção permanente da economia ?

Aqueles que criticam a medida dizendo que “o povo vai sofrer” revelam apenas sua incapacidade de pensar acima de sua experiência pessoal de curto prazo, afinal o prazer e sofrimento se sentem apenas no momento, podem ter consequências que se alargam no tempo. São como quem não quer retirar o doce da boca de uma criança, porque vai chorar, e deixando ela desenvolver a longo prazo diabetes ou obesidade. Não é porque a cerveja é doce, que o risco de problemas de saúde causado por alcoolismo crônico deixa de existir.  Os subsídios são financiados pelo petróleo, recurso não renovável e cuja a produção está em declínio, sendo que devemos nos perguntar se subsidiar o consumo atual do combustível é a melhor coisa a fazer para o futuro.

Transformar este assunto em discussão política é coisa de hipócrita e mentiroso, pois não existe Político Angolano que possa dizer não ao FMI, do mesmo jeito que foram incapazes de dizer não à OMS, pois os factos não mudam com a mudança de partido.

Primeiro, temos de saber que a maneira que temos, como sociedade, para distribuir este bem para quem realmente o precisa, é de usar dinheiro e um sistema de preços. Cada pessoa, consoante a sua produtividade, que ele tem uma certa capacidade de mudar por meio de mais trabalho, tem uma quantidade de dinheiro que corresponde a uma quantidade possível de produtos diversos, e cada pessoa pode decidir, consoante as suas prioridades e suas circunstâncias, das quais ele é o melhor

especialista neste mundo, quais produtos quer consumir ou se prefere poupar o seu dinheiro para investir em alguma actividade produtiva.

Decidir politicamente quem vai consumir o que e em que quantidade acaba sempre no mesmo: contrabando e clientes insatisfeitos. Seja os funcionários da Base Logística Petrolífera do Malongo que eram pagos com cabazes no início da década de 1990, cujo o conteúdo era determinado primeiro unilateralmente pela Empresa e depois pelas sucessivas reclamações dos trabalhadores, para a inclusão ou retirada deste ou aquele produto, ou os que tinham cartões de compras no Jumbo nos anos 2000, o resultado último era sempre o mesmo: a troca dos produtos por dinheiro de modo que cada um comprasse o que bem entendesse com o dinheiro.

Não é possível determinar-se politicamente, desde cima, o que cada um deve ou não consumir, a única maneira de o fazer, como sociedade, é por meio de um sistema de preços. Neste caso o governo decidiu que a gasolina tem de estar mais barata que o preço real do mercado, e criou mudanças destrutivas para a própria sociedade, que são:

1. Promoção de uma cultura do automóvel pessoal.
Estamos a viver como Americanos, cada casa deve ter um número de carros igual ao número de adultos, para poder ir à escola, ao trabalho ou mesmo para se divertir. Aliás até a namorada do homem casado tem direito a um carro! A cultura automóvel foi promovida na América para acomodar uma indústria automóvel local, e também porque, sendo incapazes de se separarem legalmente de negros e mexicanos, os americanos vivem em bairros longínquos onde não há transporte público. Em Angola é apenas um sintoma do subdesenvolvimento maquiado em conquista individual: quem tem carro subiu na vida. Os custos criados pelo grande número de carros na via pública são depois custeados pelo Estado: engarrafamento, ausência de vagas de estacionamento, degradação das estradas, aumento de riscos de acidentes.

A cultura do automóvel pessoal deforma a cidade de Luanda, pois por conta do baixo custo de transporte, as pessoas têm um círculo social que se estende às vezes a uma centena de quilómetros que percorrem diariamente, havendo pessoas que vivem no Kilamba, trabalham na Mutamba, namoram com uma rapariga no Sequele e outra no Benfica, e divertem-se na rua da Dira no Zango 3 aos fins de semana, enquanto que seus filhos acordam às 5 horas para ir estudar no colégio que fica na ilha de Luanda. Se esta pessoa tivesse que pagar o custo real do combustível, talvez o seu raio de acção seria menor, e teria uma vida mais local. Aliás como nos Estados Unidos, a cultura automóvel destrói o senso de comunidade, pois tens adolescentes que mudam de escola assim que chegam no secundário, porque estudar longe de casa permite fugir do controle dos pais para namorar e passear. Com a gasolina subsidiada, estamos a financiar estes estilos de vida.

2. Isola as pessoas do custo real das suas decisões.
Ao reduzir o custo do transporte com o subsídio ao combustível, reduziu-se o custo real de algumas decisões de vida das pessoas. A expansão de Luanda não teria sido possível se além dos maiores tempos de viagem, as pessoas tivessem de pagar também o preço real do transporte. Os pobres vão viver nos zangos, a classe média nas centralidades e os ricos nos condomínios cada vez mais afastados da cidade, com alguns até próximo do museu da escravatura. Investidor privado ou dirigente, todos acham normal construir o mais distante possível, pois a distância é compensada pelo baixo custo de transporte. Isto cria custos elevados de infraestrutura pública, pois as grandes dimensões da cidade exigem que se tenha mais linhas de transporte de electricidade, de água, de esgoto e de estrada por habitante do que teríamos se a cidade fosse mais compacta.

A preferência dos Angolanos, no que toca os modelos e tipos de carros, é influenciada pelo subsídio aos combustíveis, pois o baixo custo torna barato o uso de carros de alta cilindrada e grandes

dimensões, que na maioria dos casos serve apenas para mostrar estatus social, muito acima de sua utilidade real, será que as pessoas comprariam os Toyota V8, Kia Q7 e Hyundai Elantra, se tivessem de pagar o preço real? Provavelmente não, iriam comprar carros de tamanho mais económicos ou pelo menos pagar sozinhos pelo seu luxo, sendo que não se justifica que o Estado pague por eles. Não é de estranhar que estando habituado a ver carros como forma de afirmação social, com algumas pessoas sedentas de atenção andando com carros que foram concebidos para fins comerciais como o F-250 para simplesmente ir e voltar do trabalho diariamente, que os deputados escolham para si os carros mais extravagantes possíveis, e não sendo parvos, se atribuem cartões de abastecimento para não pagar o custo real do combustível. Por exemplo, se os Deputados da Assembleia Nacional tivessem que pagar do seu bolso para abastecer seus Lexus, achas que o fariam? Ou preferiam um carro mais económico? Se a Excelência, ou “entidade protocolar” como diz um Revu que agora virou um parasita do erário público, é incapaz de gerir um orçamento pessoal, como se atreve a gerir um orçamento público?

Ao reduzir o custo das suas decisões, o subsídio aos combustíveis tem sido um incentivo ao consumo de modo generalizado, tanto a nível individual como a nível do crescimento demográfico, que normalmente seria o fruto do melhoramento da produtividade das pessoas. Existiriam 35 milhões de habitantes se os Angolanos tivessem de pagar o custo real dos combustíveis, incluindo o gás de cozinha?

Os que gritam que o “povo vai sofrer” e depois vão lamentar que os “preços vão subir”, supõem que os níveis de consumo actuais são normais e desejáveis, porém eu acredito que as pessoas são melhores juízes das suas vidas, sendo que ao invés de subir os preços, talvez o taxista decida abandonar uma das suas quatro namoradas ou não mais tolerar a partilha de lucros com o senhor polícia corrupto. Talvez o consumidor que tenha de pagar mais caro pela sua comida decida seguir uma dieta chinesa que reduza seu risco de contrair obesidade e diabetes.

4. Permite trocar infraestrutura durável por energia:
O baixo custo dos combustíveis torna tolerável o uso de métodos ineficientes na economia, pois permite entregar energia ponto a ponto sem ter de criar infraestrutura que apesar de serem caras a curto prazo, são mais baratas a longo prazo. Lembram-se quando passou a fase em que cada casa em Luanda deveria ter um gerador, e as noites eram agitadas pelo roncar dos Kipors e Fofandos, porque a rede da ENDE não era boa? O Estado investiu no melhoramento da rede e desde então houve uma diminuição das vendas de geradores, e um consumo total menor de combustíveis para fins eléctricos no total, o que também reduz os custos de transporte e armazenamento de combustíveis. Estamos a repetir esta atitude em vários campos da nossa economia, pois o baixo custo da energia promove o uso de equipamentos descartáveis e ineficientes, por exemplo as antenas das operadoras telefónicas funcionam muitas vezes por meio de geradores ao invés da rede eléctrica.
O fenómeno dos Candongueiros é alimentado pelo baixo custo dos combustíveis, que permite tornar actividade rentável a curto prazo e por isto incentiva o abuso dos veículos, que têm tempo de vida útil geralmente inferiores a dois anos, sendo substituídos por novos veículos até que o aumento do preço dos combustíveis tornou a prática insustentável. Aquele que, sendo investidor ou dirigente político, se habituou a viver numa cidade onde a classe média anda de carro e os pobres de Hiace, não iria imaginar que um sistema público de transporte seja necessário, ao menos que seja para passar vergonha depois das eleições.
O transporte rodoviário de mercadorias, com estradas que destroem camiões e trajectos que podem levar semanas, só é tolerado porque o custo com combustível é baixo, sendo que como nos casos anteriores, estamos a usar combustível barato para esconder a falta de infraestruturas, o que é ainda mais surreal quando sabemos que o

próprio combustível subsidiado é transportado por camiões.
A ausência de infraestruturas duráveis reduz o potencial de crescimento a longo prazo, pois esta depende das poupanças criadas pela acumulação progressiva de capital. Por exemplo, hoje a UNITEL é mais valiosa pelo seu número de clientes do que pela sua infraestrutura, pois esta inclui altos custos com geradores com os custos inerentes de combustíveis e manutenção que supõem, que não iriam existir se a empresa pudesse se apoiar numa rede viável de electricidade.

5. Alimenta a corrupção.
A existência de uma diferença entre o preço real e o preço Angolano do combustível tem alimentado um forte contrabando para os países vizinhos, de tal modo que as bombas de gasolina do norte da Namíbia estão falidas por serem incapazes de competir com o produto Angolano. Isto alimenta a cultura da corrupção em Angola, pois o polícia raso que aceitou “fechar os olhos” de vez em quando para um bidão está-se treinando para ser o oficial superior que vai ser corrompido por um cartel da droga no futuro. Bastaria acabar com a subvenção para suprimir este preço moral, e aliás mesmo monetário pois temos de colocar os nossos escassos recursos policiais para combater o contrabando. Porém mesmo a corrupção de grande porte é alimentada por esta subvenção, pois esta permitiu garantir que a Trafigura, antiga empresa que detinha o monopólio do fornecimento de combustível a Angola, tivesse os lucros garantidos, pois o estado pagava por mais de 60% do preço do produto à vista antes mesmo da empresa ter de procurar clientes.

6. Alimenta a sub economia.
A sub-economia, que é na verdade um transplante para as cidades da economia de subsistência, erroneamente descrita como economia informal, é alimentada pelo subsídio aos transportes que torna viáveis actividades que criam custos adicionais ao resto da sociedade, alguns casos são a zungueira que vai de táxi para vender num bairro que já tem uma rede de comércio local funcional e que sofrem assim uma concorrência desleal por quem não precisa de pagar por um estabelecimento (água, luz, renda, impostos), o zungueiro que ronda a centralidade com uma motorizada de três rodas ou até mesmo um carro criando riscos de atropelamento e barulho.
O fenómeno dos Kupapatas é também alimentado pelo baixo custo dos combustíveis, sendo que sem este não se justificaria o uso de veículos que consomem muito combustível por passageiro e que tornem a condução mais perigosa para todos.

Para concluir, gostaria que o leitor pudesse imaginar o que aconteceria se os bares dessem cerveja de forma grátis aos consumidores, isto teria um efeito sobre a forma com que as pessoas consomem álcool? Agora imagine que as pessoas que não consomem álcool tivessem de pagar impostos para permitir que a cerveja fosse grátis, ao invés de poder usar seu dinheiro para investir ou comprar algo que fosse do seu agrado. Porém, com o subsídio, todos nós, que pagamos impostos, pagamos para permitir que pessoas tomem façam escolhas que não fariam se usassem do seu próprio dinheiro.

Origem do subsídio.

O subsídio tem a sua origem no tempo do partido único, em que o número de contemplados era menor, pois a população total de Angola era menor e o número de pessoas que vivia em meios urbanos era menor do que hoje. Com as mudanças radicais que aconteceram com a terceira guerra civil, como o aumento exponencial da população urbana, o número de contemplados aumentou imenso, sendo que o que era a princípio uma medida populista para que o cidadão tivesse um “benefício tangível” da produção petrolífera, se tornou agora num encargo financeiro injustificável.

Soluções.

As soluções que me parecem necessárias para este problema seriam:
1- O fim total de todas as subvenções aos combustíveis, que irá assim parar de alimentar o contrabando e por fim à distorção da economia. A proibição parcial limitada à gasolina irá apenas criar uma corrida aos carros a gasóleo e um contrabando de cartão de abastecimento para taxistas.
2- Fim das regalias de combustíveis para a classe dirigente do país, sem excepção, para poder trazer uma dose de realidade para suas excelências, pois não tendo de comprar combustíveis, têm tido uma visão distorcida na altura da tomada de suas decisões.
3- Investimento Público em infraestruturas colectivas de transporte de pessoas e mercadorias, sendo que suspeito que o uso anual de $2Biliões para a construção de estradas para autocarros, linhas de caminho-de-ferro urbano, dutos para transporte de combustíveis.
4- Investimento Público na construção de um conceito de cidade mais compacto, sendo que dentro deste $Biliões de dólares deve ter folga para construir meia dúzia de prédios por ano.
5- Proibição de viaturas com lotação inferior a 32 lugares, tornando assim o Toyota Coaster como o novo padrão de veículo de transporte colectivo, sendo mais durável e menos propenso à condução perigosa como os Hiace, especialmente se tiverem sua velocidade limitada por algum dispositivo, isto terá também o efeito secundário de acabar com classe de candongueiros, que é geradora de desordem social e reduzir o volume total de combustível gasto com transporte colectivo.
6- Mudança cultural que privilegia o modo de vida local, com o fim da estigmatização do arrendamento, pois este permite que as pessoas possam mudar de residência para estar mais próximo de seu lugar de trabalho.
7- Mudança cultural para que as pessoas parem de ver o Estado como uma entidade que os isola das consequências das suas acções, sendo que as pessoas querem viver uma vida em que o Estado providencia gasolina subsidiada, escola pública gratuita para seus filhos, cesta básica barata e casas para morar, enquanto que o seu único contributo para a sociedade consiste em parir crianças. Todos temos recursos limitados nesta vida, sendo livres de os usar como queremos, devemos também ter a responsabilidade de aceitar as consequências dos nossos actos e de não atirar os custos aos outros, que levam uma vida mais responsável, por meio do Estado.

Esta mudança é possível, afinal algo similar foi feito no sector de distribuição de energia eléctrica na cidade de Luanda, que era antes caracterizado pela ausência de infraestruturas colectivas compensada pelo uso em massa de geradores residenciais, que consumiam enormes quantidades de combustível ou postos de transformação (PT) que extorquiam os consumidores, enquanto os clientes simplesmente não pagavam suas contas. O Estado investiu na infraestrutura colectiva de transporte e produção de electricidade (barragens e centrais térmicas), implementou o sistema pré-pago que acabou com a cultura de não pagamento dos clientes, sendo que agora é raro ver-se geradores em casas de Luanda, quando as noites da cidade eram antes animadas pelo roncar dos KIPORS e Fofandos.
Eu não sou adepto da Lenda Negra de Angola, que critica este país como sendo o pior do mundo porque isto permite ganhar atenção política, enquanto não formos o Congo Democrático, ainda temos uma esperança.

O fim do subsídio aos combustíveis, necessário e urgente.

Neste texto que não pode ser breve, vamos ver porque o subsídio aos combustíveis deve ser eliminado, suas consequências nefastas para a sociedade e algumas soluções para o problema. A retirada dos subsídios aos combustíveis, falsamente chamada de subida dos preços dos combustíveis, é uma medida necessária e que deveria ter sido tomada antes, pois cria problemas para toda a sociedade superiores ao benefício individual para o consumidor. O Governo de Angola gastou 2.2 Bilhões de Dólares com subsídios de combustíveis em 2021, $ 1.14 Bilhões para o Gasóleo, $ 638 Milhões para a Gasolina, $ 422 Milhões para o Gás de cozinha. (Fonte: https://expansao.co.ao/economia/interior/angola-gastou-22-mil-milhoes-usd-com-subsidios-aos-combustiveis-108188.html), o que significa que se gasta 68.75$ por Angolano para garantir preços de combustíveis baixos, a questão fundamental aqui é de saber se Angola e a economia Angolana, que é soma das ações diárias de todos os Angolanos, não é capaz de sustentar o custo real dos combustíveis, então a economia Angolana, ou seja as decisões diárias dos Angolanos, é insustentável e deve ser alterada para se ajustar à realidade. Vale a pena receber-se menos de 100$ por pessoa e por ano em troca de uma distorção permanente da economia ? Aqueles que criticam a medida dizendo que “o povo vai sofrer” revelam apenas sua incapacidade de pensar acima de sua experiência pessoal de curto prazo, afinal o prazer e sofrimento se sentem apenas no momento, podem ter consequências que se alargam no tempo. São como quem não quer retirar o doce da boca de uma criança, porque vai chorar, e deixando ela desenvolver a longo prazo diabetes ou obesidade. Não é porque a cerveja é doce, que o risco de problemas de saúde causado por alcoolismo crônico deixa de existir. Os subsídios são financiados pelo petróleo, recurso não renovável e cuja a produção está em declínio, sendo que devemos nos perguntar se subsidiar o consumo atual do combustível é a melhor coisa a fazer para o futuro. Transformar este assunto em discussão política é coisa de hipócrita e mentiroso, pois não existe Político Angolano que possa dizer não ao FMI, do mesmo jeito que foram incapazes de dizer não à OMS, pois os factos não mudam com a mudança de partido. Primeiro, temos de saber que a maneira que temos, como sociedade, para distribuir este bem para quem realmente o precisa, é de usar dinheiro e um sistema de preços. Cada pessoa, consoante a sua produtividade, que ele tem uma certa capacidade de mudar por meio de mais trabalho, tem uma quantidade de dinheiro que corresponde a uma quantidade possível de produtos diversos, e cada pessoa pode decidir, consoante as suas prioridades e suas circunstâncias, das quais ele é o melhor especialista neste mundo, quais produtos quer consumir ou se prefere poupar o seu dinheiro para investir em alguma actividade produtiva. Decidir politicamente quem vai consumir o que e em que quantidade acaba sempre no mesmo: contrabando e clientes insatisfeitos. Seja os funcionários da Base Logística Petrolífera do Malongo que eram pagos com cabazes no início da década de 1990, cujo o conteúdo era determinado primeiro unilateralmente pela Empresa e depois pelas sucessivas reclamações dos trabalhadores, para a inclusão ou retirada deste ou aquele produto, ou os que tinham cartões de compras no Jumbo nos anos 2000, o resultado último era sempre o mesmo: a troca dos produtos por dinheiro de modo que cada um comprasse o que bem entendesse com o dinheiro. Não é possível determinar-se politicamente, desde cima, o que cada um deve ou não consumir, a única maneira de o fazer, como sociedade, é por meio de um sistema de preços. Neste caso o governo decidiu que a gasolina tem de estar mais barata que o preço real do mercado, e criou mudanças destrutivas para a própria sociedade, que são: 1. Promoção de uma cultura do automóvel pessoal. Estamos a viver como Americanos, cada casa deve ter um número de carros igual ao número de adultos, para poder ir à escola, ao trabalho ou mesmo para se divertir. Aliás até a namorada do homem casado tem direito a um carro! A cultura automóvel foi promovida na América para acomodar uma indústria automóvel local, e também porque, sendo incapazes de se separarem legalmente de negros e mexicanos, os americanos vivem em bairros longínquos onde não há transporte público. Em Angola é apenas um sintoma do subdesenvolvimento maquiado em conquista individual: quem tem carro subiu na vida. Os custos criados pelo grande número de carros na via pública são depois custeados pelo Estado: engarrafamento, ausência de vagas de estacionamento, degradação das estradas, aumento de riscos de acidentes. A cultura do automóvel pessoal deforma a cidade de Luanda, pois por conta do baixo custo de transporte, as pessoas têm um círculo social que se estende às vezes a uma centena de quilómetros que percorrem diariamente, havendo pessoas que vivem no Kilamba, trabalham na Mutamba, namoram com uma rapariga no Sequele e outra no Benfica, e divertem-se na rua da Dira no Zango 3 aos fins de semana, enquanto que seus filhos acordam às 5 horas para ir estudar no colégio que fica na ilha de Luanda. Se esta pessoa tivesse que pagar o custo real do combustível, talvez o seu raio de acção seria menor, e teria uma vida mais local. Aliás como nos Estados Unidos, a cultura automóvel destrói o senso de comunidade, pois tens adolescentes que mudam de escola assim que chegam no secundário, porque estudar longe de casa permite fugir do controle dos pais para namorar e passear. Com a gasolina subsidiada, estamos a financiar estes estilos de vida. 2. Isola as pessoas do custo real das suas decisões. Ao reduzir o custo do transporte com o subsídio ao combustível, reduziu-se o custo real de algumas decisões de vida das pessoas. A expansão de Luanda não teria sido possível se além dos maiores tempos de viagem, as pessoas tivessem de pagar também o preço real do transporte. Os pobres vão viver nos zangos, a classe média nas centralidades e os ricos nos condomínios cada vez mais afastados da cidade, com alguns até próximo do museu da escravatura. Investidor privado ou dirigente, todos acham normal construir o mais distante possível, pois a distância é compensada pelo baixo custo de transporte. Isto cria custos elevados de infraestrutura pública, pois as grandes dimensões da cidade exigem que se tenha mais linhas de transporte de electricidade, de água, de esgoto e de estrada por habitante do que teríamos se a cidade fosse mais compacta. A preferência dos Angolanos, no que toca os modelos e tipos de carros, é influenciada pelo subsídio aos combustíveis, pois o baixo custo torna barato o uso de carros de alta cilindrada e grandes dimensões, que na maioria dos casos serve apenas para mostrar estatus social, muito acima de sua utilidade real, será que as pessoas comprariam os Toyota V8, Kia Q7 e Hyundai Elantra, se tivessem de pagar o preço real? Provavelmente não, iriam comprar carros de tamanho mais económicos ou pelo menos pagar sozinhos pelo seu luxo, sendo que não se justifica que o Estado pague por eles. Não é de estranhar que estando habituado a ver carros como forma de afirmação social, com algumas pessoas sedentas de atenção andando com carros que foram concebidos para fins comerciais como o F-250 para simplesmente ir e voltar do trabalho diariamente, que os deputados escolham para si os carros mais extravagantes possíveis, e não sendo parvos, se atribuem cartões de abastecimento para não pagar o custo real do combustível. Por exemplo, se os Deputados da Assembleia Nacional tivessem que pagar do seu bolso para abastecer seus Lexus, achas que o fariam? Ou preferiam um carro mais económico? Se a Excelência, ou “entidade protocolar” como diz um Revu que agora virou um parasita do erário público, é incapaz de gerir um orçamento pessoal, como se atreve a gerir um orçamento público? Ao reduzir o custo das suas decisões, o subsídio aos combustíveis tem sido um incentivo ao consumo de modo generalizado, tanto a nível individual como a nível do crescimento demográfico, que normalmente seria o fruto do melhoramento da produtividade das pessoas. Existiriam 35 milhões de habitantes se os Angolanos tivessem de pagar o custo real dos combustíveis, incluindo o gás de cozinha? Os que gritam que o “povo vai sofrer” e depois vão lamentar que os “preços vão subir”, supõem que os níveis de consumo actuais são normais e desejáveis, porém eu acredito que as pessoas são melhores juízes das suas vidas, sendo que ao invés de subir os preços, talvez o taxista decida abandonar uma das suas quatro namoradas ou não mais tolerar a partilha de lucros com o senhor polícia corrupto. Talvez o consumidor que tenha de pagar mais caro pela sua comida decida seguir uma dieta chinesa que reduza seu risco de contrair obesidade e diabetes. 4. Permite trocar infraestrutura durável por energia: O baixo custo dos combustíveis torna tolerável o uso de métodos ineficientes na economia, pois permite entregar energia ponto a ponto sem ter de criar infraestrutura que apesar de serem caras a curto prazo, são mais baratas a longo prazo. Lembram-se quando passou a fase em que cada casa em Luanda deveria ter um gerador, e as noites eram agitadas pelo roncar dos Kipors e Fofandos, porque a rede da ENDE não era boa? O Estado investiu no melhoramento da rede e desde então houve uma diminuição das vendas de geradores, e um consumo total menor de combustíveis para fins eléctricos no total, o que também reduz os custos de transporte e armazenamento de combustíveis. Estamos a repetir esta atitude em vários campos da nossa economia, pois o baixo custo da energia promove o uso de equipamentos descartáveis e ineficientes, por exemplo as antenas das operadoras telefónicas funcionam muitas vezes por meio de geradores ao invés da rede eléctrica. O fenómeno dos Candongueiros é alimentado pelo baixo custo dos combustíveis, que permite tornar actividade rentável a curto prazo e por isto incentiva o abuso dos veículos, que têm tempo de vida útil geralmente inferiores a dois anos, sendo substituídos por novos veículos até que o aumento do preço dos combustíveis tornou a prática insustentável. Aquele que, sendo investidor ou dirigente político, se habituou a viver numa cidade onde a classe média anda de carro e os pobres de Hiace, não iria imaginar que um sistema público de transporte seja necessário, ao menos que seja para passar vergonha depois das eleições. O transporte rodoviário de mercadorias, com estradas que destroem camiões e trajectos que podem levar semanas, só é tolerado porque o custo com combustível é baixo, sendo que como nos casos anteriores, estamos a usar combustível barato para esconder a falta de infraestruturas, o que é ainda mais surreal quando sabemos que o próprio combustível subsidiado é transportado por camiões. A ausência de infraestruturas duráveis reduz o potencial de crescimento a longo prazo, pois esta depende das poupanças criadas pela acumulação progressiva de capital. Por exemplo, hoje a UNITEL é mais valiosa pelo seu número de clientes do que pela sua infraestrutura, pois esta inclui altos custos com geradores com os custos inerentes de combustíveis e manutenção que supõem, que não iriam existir se a empresa pudesse se apoiar numa rede viável de electricidade. 5. Alimenta a corrupção. A existência de uma diferença entre o preço real e o preço Angolano do combustível tem alimentado um forte contrabando para os países vizinhos, de tal modo que as bombas de gasolina do norte da Namíbia estão falidas por serem incapazes de competir com o produto Angolano. Isto alimenta a cultura da corrupção em Angola, pois o polícia raso que aceitou “fechar os olhos” de vez em quando para um bidão está-se treinando para ser o oficial superior que vai ser corrompido por um cartel da droga no futuro. Bastaria acabar com a subvenção para suprimir este preço moral, e aliás mesmo monetário pois temos de colocar os nossos escassos recursos policiais para combater o contrabando. Porém mesmo a corrupção de grande porte é alimentada por esta subvenção, pois esta permitiu garantir que a Trafigura, antiga empresa que detinha o monopólio do fornecimento de combustível a Angola, tivesse os lucros garantidos, pois o estado pagava por mais de 60% do preço do produto à vista antes mesmo da empresa ter de procurar clientes. 6. Alimenta a sub economia. A sub-economia, que é na verdade um transplante para as cidades da economia de subsistência, erroneamente descrita como economia informal, é alimentada pelo subsídio aos transportes que torna viáveis actividades que criam custos adicionais ao resto da sociedade, alguns casos são a zungueira que vai de táxi para vender num bairro que já tem uma rede de comércio local funcional e que sofrem assim uma concorrência desleal por quem não precisa de pagar por um estabelecimento (água, luz, renda, impostos), o zungueiro que ronda a centralidade com uma motorizada de três rodas ou até mesmo um carro criando riscos de atropelamento e barulho. O fenómeno dos Kupapatas é também alimentado pelo baixo custo dos combustíveis, sendo que sem este não se justificaria o uso de veículos que consomem muito combustível por passageiro e que tornem a condução mais perigosa para todos. Para concluir, gostaria que o leitor pudesse imaginar o que aconteceria se os bares dessem cerveja de forma grátis aos consumidores, isto teria um efeito sobre a forma com que as pessoas consomem álcool? Agora imagine que as pessoas que não consomem álcool tivessem de pagar impostos para permitir que a cerveja fosse grátis, ao invés de poder usar seu dinheiro para investir ou comprar algo que fosse do seu agrado. Porém, com o subsídio, todos nós, que pagamos impostos, pagamos para permitir que pessoas tomem façam escolhas que não fariam se usassem do seu próprio dinheiro. Origem do subsídio. O subsídio tem a sua origem no tempo do partido único, em que o número de contemplados era menor, pois a população total de Angola era menor e o número de pessoas que vivia em meios urbanos era menor do que hoje. Com as mudanças radicais que aconteceram com a terceira guerra civil, como o aumento exponencial da população urbana, o número de contemplados aumentou imenso, sendo que o que era a princípio uma medida populista para que o cidadão tivesse um “benefício tangível” da produção petrolífera, se tornou agora num encargo financeiro injustificável. Soluções. As soluções que me parecem necessárias para este problema seriam: 1- O fim total de todas as subvenções aos combustíveis, que irá assim parar de alimentar o contrabando e por fim à distorção da economia. A proibição parcial limitada à gasolina irá apenas criar uma corrida aos carros a gasóleo e um contrabando de cartão de abastecimento para taxistas. 2- Fim das regalias de combustíveis para a classe dirigente do país, sem excepção, para poder trazer uma dose de realidade para suas excelências, pois não tendo de comprar combustíveis, têm tido uma visão distorcida na altura da tomada de suas decisões. 3- Investimento Público em infraestruturas colectivas de transporte de pessoas e mercadorias, sendo que suspeito que o uso anual de $2Biliões para a construção de estradas para autocarros, linhas de caminho-de-ferro urbano, dutos para transporte de combustíveis. 4- Investimento Público na construção de um conceito de cidade mais compacto, sendo que dentro deste $Biliões de dólares deve ter folga para construir meia dúzia de prédios por ano. 5- Proibição de viaturas com lotação inferior a 32 lugares, tornando assim o Toyota Coaster como o novo padrão de veículo de transporte colectivo, sendo mais durável e menos propenso à condução perigosa como os Hiace, especialmente se tiverem sua velocidade limitada por algum dispositivo, isto terá também o efeito secundário de acabar com classe de candongueiros, que é geradora de desordem social e reduzir o volume total de combustível gasto com transporte colectivo. 6- Mudança cultural que privilegia o modo de vida local, com o fim da estigmatização do arrendamento, pois este permite que as pessoas possam mudar de residência para estar mais próximo de seu lugar de trabalho. 7- Mudança cultural para que as pessoas parem de ver o Estado como uma entidade que os isola das consequências das suas acções, sendo que as pessoas querem viver uma vida em que o Estado providencia gasolina subsidiada, escola pública gratuita para seus filhos, cesta básica barata e casas para morar, enquanto que o seu único contributo para a sociedade consiste em parir crianças. Todos temos recursos limitados nesta vida, sendo livres de os usar como queremos, devemos também ter a responsabilidade de aceitar as consequências dos nossos actos e de não atirar os custos aos outros, que levam uma vida mais responsável, por meio do Estado. Esta mudança é possível, afinal algo similar foi feito no sector de distribuição de energia eléctrica na cidade de Luanda, que era antes caracterizado pela ausência de infraestruturas colectivas compensada pelo uso em massa de geradores residenciais, que consumiam enormes quantidades de combustível ou postos de transformação (PT) que extorquiam os consumidores, enquanto os clientes simplesmente não pagavam suas contas. O Estado investiu na infraestrutura colectiva de transporte e produção de electricidade (barragens e centrais térmicas), implementou o sistema pré-pago que acabou com a cultura de não pagamento dos clientes, sendo que agora é raro ver-se geradores em casas de Luanda, quando as noites da cidade eram antes animadas pelo roncar dos KIPORS e Fofandos. Eu não sou adepto da Lenda Negra de Angola, que critica este país como sendo o pior do mundo porque isto permite ganhar atenção política, enquanto não formos o Congo Democrático, ainda temos uma esperança.

O Privilegiado contra o Privilegio.

O Privilegiado contra o Privilegio.

A principio pensava que o problema das pessoas contra o “privilegio” era apenas um problema semântico, pois as pessoas estão a confundir vantagem com privilegio, a primeira sendo apenas uma diferença positiva, enquanto que a segunda é uma diferença dada de modo arbitrário a uma pessoa e que poderia ser dada a outra. O Problema não é a palavra, porque se as pessoas concordarem que é apenas uma vantagem vai se falar de “avantajados”.

Sub-entendida na ideia de privilegio é de receber algo que não mereces, algo que não é do teu esforço, o que seria uma arbitrariedade, porém ser filho de seu pai não é algo arbitrário, sim voce não escolheu ser filho de teu pai, mas teu pais escolheu ter voce como filho. Afinal não nascemos aleatoriamente, mesmo que haja o risco do Microquimerismo.

Demonização da Privilegio”, supõem uma igualdade absoluta de oportunidade, cada ser um Adão. Na pratica criticam o facto que meus antepassados, primeiro meu pai, tomou decisão para priorizar o meu futuro em detrimento do presente dele

A origem desta ideia é em parte a pulsão revolucionaria gnostica, que quer se libertar da vassalagem da historia e dar a todo homem o direito de ser um Adão, tem a vantagem de justificar a inveja, agora é uma nobre “luta de classe” contra o privilegio ao invés de desejar o dinheiro e a mulher do próximo.

A Herança é a prova física que não somos donos absolutos de nosso destino, e a mentalidade revolucionaria não admite limites ou reconhecer que haja algo do passado que tenha de ser conversado. Por isto que abolir a herança e familia é uma das medidas do manifesto comunista, a segunda é produto da segunda.

Não importa muito o nome que dás a coisa, no fundo o que as pessoas querem dizer, ou uma das coisas que querem dizer, é que gostariam que todo mundo fosse um novo Adão, iniciando em um mundo novo em que todo mundo tivesse exactamente a mesma chance … ou querem dizer que estão revoltados com o facto de não terem tanto quanto os outros.

Aí esta o problema, o Burgues derivo do dinheiro de seu trabalho, enquanto que um Rei deriva o dinheiro de seu Poder, se ele esta falida de duas uma: Pais dele faliu (continua ele com Poder) ou ele Perdeu o Poder e a capacidade de ter privilégios.

Como se ser beneficiário de herança, seja tu filho do Presidente ou de um carpinteiro, fosse algo arbitrário, afinal se tu não escolha a tua família, a tua família te escolhe.

Privilegio não é uma palavra neutra, basta ver sua definição o jeito em que é usada para significar pessoas que receberam vantagens de modo arbitrário Não existe um direito a igualdade absoluta de chances ao nascer, até a epigenetica cria diferenças.

Privilegiado é uma forma de desmerecer o esforço individual da pessoa Se os teus pais, ou avós ou bisavó, não acharam necessário deixar algo para si, vai desenterrar os seus caixões e incendeia os corpos, nem eu ou meus pais temos algo a ver com isto.

Mesmo que a herança seja política, não é um absurdo, pois afinal conquistar o Poder requer Talento, e o talento deve ser respeitado.

Na verdade fica difícil de saber do que se fala, de modo que minha teoria pessoal é que as pessoas não tem ideias em Angola, apenas manifestações da pobreza de seu vocabulário.

Privilegio é algo que recebes de modo arbitrário, estas a confundir isto com ter vantagem, que pode decorrer de qualquer outro motivo.

Ter um privilegio em Angola seria um privilegio se fosse proibido comprar um telefone mesmo para quem tivesse o dinheiro. Ela quer dizer que é dificílimo ou caro, mas usa “privilegio”.

De novo a pobreza do vocabulário, somos afortunados de não sermos pobres, pois o trabalho de nossas famílias e o destino assim o quis.

Privilegio ,e algo que recebes de modo arbitrário por decisão de um poder, apenas um poder totalitário consegue.

Não acredita ? Na Eritreia e na Korea do Norto precisa-se de uma licença para comprar um telefone, mesmo que tiveres o dinheiro. Isto sim é um privilégio: Uma imposição arbitraria de Poder, pelas “conveniência inerente do cargo”.

https://www.economist.com/the-economist-explains/2018/08/14/why-eritrea-is-called-africas-north-korea

O problema é sofremos de provincianismo, geográfico, e alias é mal visto comparar com “outras realidades”, excepto quando é conveniente para a nossa narrativa, logo por isto que sempre se fala de SADC quando para promover as eleições autárquicas em Angola, porém nunca se fala da onda de assassinatos de autarcas e de corrupção na África do Sul. Não é conveniente, prioridade é tirar o MPLA do Poder, a realidade ajeitamos depois, eleição autárquica é desenvolvimento pá!

Esta provincianismo tem um companheiro temporal, pois não nos lembramos sequer de nossa historia, pois por exemplo ter um carro era um privilegio na década de 1980, pois mesmo com dinheiro carecia de uma autorização do Estado, e o veiculo deveria ser identificado com as palavras “PARTICULAR” sob pena de multa. Porém há quem acha que privilegio é receber um carro comprado pelo seu próprio pai.

Alguns conceitos para entender o assunto:

A- Castas são tipos de personalidades que se adaptam a diferentes papeis e classes sociais, apenas na India é que há uma tentativa milenar de fixar as famílias que pertencem as diferentes castas.

As classes sociais são porções necessárias para o funcionamento de cada sociedade: Elite organiza o conjunto (estratégico), Classe media executa e gere o dia-dia (táctico), e o Povo são aqueles que mesmo não tendo participação directa na sociedade, são as pessoas que são mais compatíveis com ela. Este livro ilumina o assunto: https://roboredo.home.blog/2021/07/04/resenha-do-livro-les-cent-prochains-siecles-raymond-ruyer/

A Elite não se limita a actividade Política, são as pessoas necessárias para que a sociedade funciona, por exemplo a Jessica Pitbull é necessária para o funcionamento da sociedade Angolana, pois a promiscuidade é um elemento essencial de nossa cultura, e por isto tem que ter alguém que ensine as jovens mulheres que é normal desprezar a castigada. O meio de educação é o kuduro, e a professora é Jessica.

Chegamos agora na parte mais importante, o que leva um Privilegiado a ser contra o Privilegio ?

1- O Peso da Responsabilidade: Não és livre como os não privilegiados, teus antepassados fizeram grandes feitos e não se espera outra coisa de si. Porem se o privilegiado inveja a vida sem preocupação do não privilegiado, o segundo inveja a vida sem dificuldade financeira do primeiro, sem saber que o dinheiro traz muitos traidores e outros problemas. O pasto é sempre mais verde do outro lado da cerca. Pode ser o medo do fracasso.

2- Atrapalhar a concorrência: já tendo os benefícios da concorrência, o privilegiado antigo não sofre as consequências de sua ideologia do mesmo modo que o privilegiado novo, pois este ainda está em contacto com “a classe oprimida”. Por isto é comum o fenómeno de esquerda caviar e conservadores de classe média, e esta segunda é apelidada de(pobres upgraded que não tem consciência de classe, etc.

3- Acalmar a consciência: É mais fácil desfrutar do seu dinheiro com consciência calma quando se sinaliza virtude. O Privilegiado continua privilegiado, e o não privilegiado se sente mais feliz, a vida segue. Quando é serio, o gajo larga todos os bens e vira Buda.

4- Conquistar o poder: neste caso o objectivo é de angariar a simpatia da classe baixa para que sirvam de aliados contra outra parte da Elite. Isto foi o roteiro da Revolução Francesa e o que o Luaty Beirão faz da Vida.

4- Liquidação: A Pessoa sente que esta na casta errada, e quer ir aonde se sente bem, mesmo que ele tenha de destruir a si ou ao legado familiar. Os seus parentes podem até tentar lhe salvar com tudo: mesada, clinica de detox, etc … Nada impede um homem de ir ao seu destino.

Parece impossível porque as pessoas acham que as castas são fixas, mas na verdade a função é fixa, mas tem um numero limitado de pessoas capazes de a ocupar, e se por algum motivo biológico ou psicológico, não és capaz de o fazer, não vais aguentar a concorrência de quem que e vais procurar sair.

És valioso para tua família por que tens algo que ninguém: Um motivo imutável para ser leal. Família vai tentar te proteger e te resgatar caso saias do caminho.

Até a UNITA, um bando de mortos de fomes incompetentes, percebe este principio e pratica o nepotismo nos seus cargos chaves.

https://www.angola24horas.com/opiniao/item/18354-nepotismo-na-unita

O Individualismo extremado é mesmo uma ideologia de pobres, e por isto que sempre vão ser pobres. Parece que só se lembram da solidariedade familiar para parasitar o dinheiro de quem conseguiu o sucesso. Enquanto que a Elite é como um Barcelona desta vida: Tem varias equipes, incluindo selecção A e B dos casulinhas, aonde cultivam novos talentos.

5- Nem ter tempo: Este motivo é apenas racional, não é nem altruísta nem cínico, pois sabendo o quão burro são a maioria das pessoas, não queres perder tempo lhes explicando que é o teu direito estar aonde estas, e voce lhes diz o querem ouvir que não vai mudar nada mesmo na tua e na vida deles. Confesso que sinto a tentação de fazer isto com os Afrocentristas: Sim até os chineses eram negros, agora vira que quero trocar de posição.

6- Uma mistura louca de todos estes assuntos: Pois a maioria das pessoas são de camadas da personalidade baixa, não tem a capacidade de distinguir entre a realidade e sua imaginação, entre seus distintos sentimentos. Se isto acontece com alguém da Elite, então ele já esta a caminho do proletariado. Existem 12 camadas da personalidade, desde o Adolescente idiota até ao Santo.

Esta confusão toda foi causada por este tweet:

Os desabamentos de prédios em Luanda: o Despertar do Desejo da Kianda, entre resenha e reflexão.

O Desejo da Kianda (1995) é uma alegoria sobre o colapso da ordem social de modo geral, entrelaçando três colapsos na sua narrativa: histórico, social e pessoal.

A história se desenrola no período de transição do sistema do Partido Único para o Multipartidarismo em Angola, entre 1988 e 1994. Apesar de ter sido escrito em 1995, tem elementos quase proféticos sobre acontecimentos do presente, que são na verdade tendências já presentes e que ainda não tinham chances de florescer. Demonstrando na prática o segundo tema do livro: o problema do conhecimento na sociedade.

O primeiro colapso é de ordem histórica, pois os prédios de Luanda, os maiores e mais visíveis vestígios materiais da ordem europeia em Angola, passam a ruir sem que ninguém saiba por quê, um atrás do outro, com um número maior de desalojados. Na história, isto é explicado pelo desejo da Kianda da lagoa do Kinaxixi de escapar para o mar, cansada do túmulo feito pelos Brancos Portugueses, que entulharam sua casa e colocaram uma campa sobre ela, construída de prédios que cercam a monumental estátua da Vitória Guiando os Soldados Portugueses e Africanos da Primeira Guerra Mundial. Há nesta alegoria talvez duas mensagens: a primeira é o problema da circulação do conhecimento na sociedade angolana, pois, na história, a sociedade só se apercebe da existência do problema, chamado de “Síndrome de Luanda”, quando este foi informada pelas páginas do New York Times. Antes disto, cada luandense até poderia ter notícia do desabar do prédio, porém era apenas no momento fugaz, em um mundo que só existe no presente, rapidamente esquecido em um passado que parece quase contemporâneo de Cristo, e por isso pensar no futuro é quase impossível. Conhecer requer ter consciência do que está acontecendo e por que um fenómeno pode acontecer ao longo de um tempo dilatado, alguns meses ou mesmo anos, requer que a sociedade tenha pessoas com a paciência e a dedicação para guardar estes momentos todos. Não se trata apenas de ter “cientistas”; aliás, na trama, os cientistas angolanos são perfeitamente inúteis, apesar de terem a virtude de, pelo menos, serem mais baratos que os estrangeiros, e não conseguem sequer explicar o que está a passar. Cada um explica o que se passa usando da monomania de sua área de estudo: o biólogo acha que é uma bactéria, o político que é um sabotador da CIA, para o físico problemas de gravidade e claro que para o pastor é ausência de dízimos no cofre de sua igreja.

A única pessoa que poderia saber, o escritor, que é o observador das tendências e dos eventos, permitindo a sua intelecção além da fugacidade do momento, e com o tempo para fazê-lo porque tem a chance de ter uma sinecura, mesmo que a da história seja acidental e dependa de uma mulher feia, está preso em vídeo jogos de computador e tive que verificar a data de publicação da primeira edição porque parecia que ele descrevia os viciados de hoje em dia. A única pessoa que sabe o que está acontecendo é uma criança que ouve e tenta memorizar o canto aterrorizador da Kianda, revelando progressivamente ao longo da história, a segunda forma de escapar da fugacidade do momento, mas não tem referências para perceber seu sentido. Depois, ela cruza um velho, representante do conhecimento das gerações passadas africanas, que são necessariamente condensadas em tradições, pois o suporte físico em que são registadas, as memórias no cérebro humano, não permite o volume e a precisão do texto escrito em papel. Apesar do destino juntar estes três portadores do conhecimento, a criança portadora de intuição mágica, o velho do conhecimento condensado e o escritor que captura a essência da época, o desastre final não é evitado e a Kianda escapa.

Caso o Pepetella não tivesse optado por um tom humorístico e tivesse reduzido o peso da história, por exemplo, as pessoas que ocupam os prédios desabados são magicamente poupadas de qualquer moléstia, esta ideia daria uma excelente história de horror do estilo de Patrick Nguema Ndong, se o nosso protagonista decidisse apaziguar a Kianda com algum sacrifício humano. Isso foi uma oportunidade perdida de falar do tema do valor que se dá à vida humana em Angola, pois quando o casal pondera se deve abandonar o apartamento, sabem que não correm risco de vida, pois nenhum dos desabamentos causou vítimas, as pessoas flutuam magicamente para o chão. Teria sido muito mais poderoso se houvesse um risco real de morte e se este fosse suficiente para justificar abandonar seus novos bens de consumo. Além disso, uma mulher escapou milagrosamente do desabamento que aconteceu na rua Comandante Valodia em 2023, carregando um bebê ao colo, sem se saber o que fazia dentro do prédio sendo que este tinha sido evacuado pelos bombeiros. Aliás, a vida humana é de um preço tão baixo em Angola, que a única preocupação com vítimas mortais era dos activistas que estavam sedentos por alguma “mentira do governo” que pudessem usar para fins políticos.

Muitas vezes se ouve no comentário político angolano que o governo não deveria demolir construções anárquicas porque “viram as pessoas a construir”, como se o governo ou a sociedade conhecesse algo como uma pessoa sabe algo, estendendo-se às vezes a outras actividades ilegais. Porém, existem em Angola pessoas que fazem o trabalho de memória que permite conhecer o que se passa?

Sem essa apreensão do conhecimento, além do momento, e sua transmissão de uma geração a outra, a sociedade esquece as soluções para os seus problemas, o que leva a uma progressiva deterioração de seu meio social e material que depois desmorona misteriosamente. No caso angolano, a transmissão foi interrompida pela independência e impedida pela propaganda anti-portuguesa, muitas vezes abreviada em anti-branca, adoptada por todos os movimentos de libertação nacional, até mesmo aquele que mais tinha absorvido a cultura portuguesa, o MPLA, talvez por um reflexo histérico pois temiam nunca serem vistos como legítimos pelos outros angolanos, e aliás ainda são chamados de “assimilados” e “novos colonos” pelos seus adversários da UNITA e da Sociedade Civil, esta última vestígio da extrema-esquerda do MPLA ressentida pelo 27 de Maio. Na trama, essa antipatia primária contra o que é português aflora nos comentários racistas deste ou daquele personagem, e na repetição da mesma propaganda anticolonial.

Devido a essa interrupção na transmissão de conhecimento, evidenciada em uma crónica de Pepetela sobre jardineiros que destruíram as árvores de sua rua, embora tenham recebido como legado uma cidade moderna e bem construída, os angolanos são incapazes de mantê-la, pois os problemas inerentes à gestão de uma cidade nunca foram enfrentados antes na cultura africana. Afinal, decidimos que a presença de quem sabia era intolerável, afinal, são 500 anos de escravidão, e por isso fizemos o que já sabíamos fazer: construir aldeias, só que entre prédios em vez de imbondeiros. A solução adoptada pelo Dubai, de usar a receita petrolífera para construir e manter cidades modernas do zero com mão de obra estrangeira.

Iria apenas esconder o problema e criar outros absurdos, pois ninguém pode saber algo por procuração. Pepetela anuncia profeticamente os desabamentos em série dos prédios de Luanda, que se intensificam agora em 2023, tanto pela falta de manutenção, quanto pelo abuso, como por exemplo armazenar e usar geradores eléctricos dentro do prédio, causando vibrações que destroem e alteram as paredes dos apartamentos. Os prédios de apartamentos de Luanda são uma espécie de favela vertical, com até dois andares construídos sobre blocos existentes construídos pelos portugueses antes de 1974.

Um dos personagens explica a ausência de manutenção devido ao pouco valor dos prédios, pois os moradores os receberam de graça e o Estado não os construiu, assim como pelo abuso dos moradores do prédio, não mencionado explicitamente, mas implícito nas loucas obras feitas pela mulher do protagonista, que incluiu modificações de paredes e construção de vivendas no terraço dos prédios. A manifestação mais completa do problema é o desaparecimento do Mercado do Kinaxixi, não por desabamento, mas pelo martelo demolidor nas mãos da filha do Presidente de Angola. Plantada na mente a ideia do anti-lusitanismo e elevado o colonialismo a condição de mal absoluto, seguiu-se logicamente que não fazia sentido “tolerar” seus símbolos em público, sendo que a estátua da Liberdade do Largo dos Kinaxixi, ladeada dos Soldados Portugueses e Angolanos que lutavam para defender Angola durante a Primeira Guerra Mundial, foi retirada e substituída por um tanque soviético que representava a vitória do MPLA na “Segunda Guerra de Libertação Nacional”, quando venceu as batalhas do Kifandongo e Gabela. Com o fim do Partido Único, este evento “saiu da memória”, e foi substituída por uma Estátua de Njinga Mbande, afinal o pais precisava de novos Heróis Africanamente Africanos.

Porém a filha do Presidente do Antigo Partido Único, vivo quando se deram os quando da Segunda Guerra de Libertação Nacional, decidiu demolir o Largo e o Mercado do Kinaxixi em 2008, erguendo eu seu lugar um Shopping, o monumento ao novo Símbolo Nacional. Sendo que não há transmissão cultural nem na primeira familia do pais, que esperança que existe nas que estejam mais baixas. Talvez não haja lugar para largos no vernacular urbano de Angola, pois estes largos são muitas vezes ocupados ou fechados ao publico por meio de cercas, como acontece com o largo da Administração Municipal de Viana. A carcaça do tanque soviético e a estátua de Njinga Mbanda foram postas no Museu das Forças Armadas, dentro da Fortaleza de São Miguel, aonde estão escondidas as estátuas Portuguesas que adornavam Luanda antes de 1974.

Um artista capturou, com sombras, a transição do largo nos últimos 100 anos.

Não se trata aqui de uma “crítica”, no sentido angolano da coisa, que é dizer coisas negativas para ganhar vantagens políticas, mas apenas constatar que não existe permanência na memória angolana, e temer que, em um futuro próximo, se passarmos para outra era, os símbolos da Terceira República também sejam apagados, em nome de um desejo de manifestar o poder do presente, livre de quaisquer amarras e obrigações com o passado. Luanda é, na verdade, um campo de ruínas, porém, ao invés de estar coberta de lianas como Angkor Vat, está coberta pelo betão das construções de seus novos moradores, e em mais algumas décadas, desaparecerá.

Ao primeiro colapso histórico, adiciona-se um colapso social, que é poucas vezes discutido na sociedade angolana. Pois se a sociedade angolana do Partido Único não era perfeita, pelo menos funcionava dentro da área reduzida sob o controle real do governo e porque era aplicado a uma população menor e minoritária a nível do país. No tempo do Partido Único, tínhamos transporte público gratuito para crianças, me disse uma vez um amigo. Agora o governo não consegue fazer esta coisa tão simples, mas agora a escala da sociedade angolana sob controle do governo é maior, em várias ordens de magnitude. Muito se fala da guerra de 1992, mas pouco se fala de suas consequências por uma desconfiança que seja apenas desculpas para encobrir a incompetência e roubos do partido no poder, és do MPLA, vai-te perguntar um angolano com olhos brilhando de histeria. Porém, Pepetela capta os efeitos desta decisão de modo claro, mesmo que deixe passar a oportunidade de as mostrar de forma mais viva, pois esta representa a queda de uma ordem social e moral. Os códigos do passado já não são válidos, novos devem ser adotados às pressas e ao mesmo tempo que as pessoas fazem tudo pela sobrevivência porque temem que a UNITA irá tomar as cidades.

Em Angola, evita-se discutir o papel da UNITA na destruição da cultura e do tecido social, em parte porque reflexivamente as pessoas desconfiam que tal conversa seja apenas propaganda do MPLA, que quer se desculpar de tudo sob a desculpa da guerra, não que este reflexo seja de todo irracional e o MPLA seja culpado de abuso de propaganda. Porém, ao criar a situação de guerra em 1992, que não era inevitável e foi conscientemente escolhida por Savimbi, introduziu na cultura nacional vários aspectos negativos: o culto dos chefes máquinas, dólares em abundância, os generais às pencas, ostentação e talvez até mesmo o bordel, na sua tentativa de provar o seu poder dentro da capital.

Esta situação foi possível pela decisão de um homem, Jonas Malheiro Savimbi, porém é uma extrema falta de respeito passá-lo por qualquer processo de crítica, mesmo que seja branda e não angolana, pois o país precisa de um herói. Não sei como teria sido Angola sem a guerra de 1992, porém é evidente que foi o momento chave para liquidar e cristalizar os diferentes componentes da cultura nacional.

Ao colapso histórico e social, junta-se um terceiro, o pessoal, no caso do casal Evangelista, composto pela Deputada Carmen e pelo Pacheco Evangelista. No final, a confiança que tinham um no outro é quebrada e o que parecia ser apenas coincidências se revela em traição de confiança e mentiras.

Infelizmente, Pepetela tem um pouco do mau gosto e infantilismo que iria se revelar de forma explícita na série “Jaime Bunda”, mesmo que seja talvez um sacrifício feito no altar da burrice nacional com a esperança de que seus livros fossem lidos, pois ele quer realmente nos dizer algo importante. Ele vive seu destino de escritor, seu dever de memória da sociedade. Aliás, o livro tem vários momentos proféticos, por exemplo, sugere o crescimento do movimento LGBT em Angola, com uma menção humorística a um casal constituído de um ministro e de um cantor. Antecipa o fenómeno Angofoot, em que queremos ganhar milhões sem nada fazer, e ainda o fenómeno do activismo cívico histérico: não quer saber o que causa seu sofrimento, quer apenas o fim do sofrimento, mesmo que seja pela destruição do pouco de ordem social que resta. No livro, foi por meio de um protesto nudista que liquida a moral sexual em nome da mudança política. A Doutoramania e os “No que tange” também fazem uma aparição no livro, quando dois doutores em Direito, mais preocupados com suas palavras do que com a realidade, continuaram seu debate em meio ao desabar de um prédio…

Os cientistas inúteis, apresentados humoristicamente na narrativa de Pepetela, manifestam-se na realidade, e vou arriscar uma aposta de que aquilo que foi pomposamente chamado de “obra”, um livro coordenado pela arquitecta Isabel Martins, os arquitectos Roberto Machado, Maria João Grilo e Isabel da Silya Martins, com a colaboração de mais de 200 finalistas do curso de Arquitectura do departamento da Arquitectura da Universidade Agostinho Neto, lançado em 2010 com o título de “Arquitectura de Luanda”, que trata da arquitectura entre os séculos XVII e XIX com destaque para a arquitectura militar, religiosa, residencial e pública, não tem a mesma qualidade do que o estudo feito por pesquisadores espanhóis da Universidade Alcalá, sobre o mesmo tema “La Modernidad Ignorada: Arquitectura Moderna En Luanda”.

Não porque os espanhóis sejam mais inteligentes ou porque tenham mais dinheiro, o único ingrediente para melhorar a educação segundo os angolanos, mas porque ninguém estuda seriamente aquilo que despreza, e muitas vezes ignoramos aquilo que desprezamos, especialmente quando aquilo nos importa apenas como estopim de ódio que sirva de contraste para a nossa virtude. Lembram do Velho e da Menina que ouviu a sereia? A sua história não despertou a curiosidade do nosso protagonista, que estava com pressa de voltar aos seus jogos de computador, ou seja, sem um espírito curioso, a própria actividade intelectual é apenas um ritual, e o nosso herói era tido como erudito pela comunidade quando, na verdade, estava apenas a conquistar Babilónia em algum predecessor do “Age of Empires”.

Talvez esse desprezo pelo passado seja uma contaminação da cultura portuguesa, não no sentido de desculpa de mau pagador que se exonera de suas responsabilidades usando o colonialismo, elevado ao estatuto de mal absoluto e bicho-papão. Uma vez, o Ministro da Justiça disse que a corrupção era causada pelo colonialismo e o chefe da Defesa Civil disse que o desabamento da sede da DNIC em 2008 era culpa do colono por ter “construído sobre um lençol de água”. Refiro-me ao fato de que a própria cultura portuguesa dos anos que antecederam a independência de Angola, na qual foram educadas as elites angolanas, rejeitava a sua própria história em nome do progresso e do poder da geração presente de moldar o futuro sem embaraço.

Esta ideia da tirania do presente, foi apresentada, no caso brasileiro, no livro de Olavo de Carvalho sobre o “O Futuro do Pensamento Brasileiro”.

Isso se manifestou na arquitectura, por exemplo, com o Bairro do Prenda. Chamava-se a Unidade de Vizinhança nº 1 da Cooperativa Precol, agora Bairro Prenda, concebido por Fernão Simões de Carvalho e Luiz Taquelim da Cruz (1963-1965). Organizado de acordo com o sistema das “7V”, proposto por Le Corbusier, o bairro conjuga diferentes tipologias destinadas a diferentes grupos sociais e étnicos. Porém, ninguém achou necessário consultar os membros destes distintos grupos para saber se estavam interessados em coexistir no mesmo espaço e muito menos por quanto tempo. Os habitantes portugueses puseram-se em fuga logo que as Forças Armadas de Portugal retiraram-se de Angola. E os angolanos que triunfalmente ocuparam os prédios, aqueles que ascenderam à classe média abandonaram seus apartamentos, apesar de estarem localizados no centro de Luanda, não suportando a insegurança dos musseques circundantes.

Afinal, Le Corbusier não imaginava tamanha quantidade de pobres. Alguns fugiram para as periferias da cidade, na cidade dos ricos chamada de “Luanda-Sul”, da história de Pepetela. E outros seguiram a mesma rota que os portugueses, comprando casas e apartamentos em Lisboa. Enquanto isto, os prédios do Prenda estão a dar sinais iminentes de desabamento, em Abril de 2023.

Seria fácil se fosse apenas um problema de “elite”. O povo miúdo não quer saber de histórias complexas de zonas verdes ou reservas. Terreno vago é para ser construído, e se o azar lhe der dinheiro, o terraço do prédio também é terreno.

A maioria dos blocos de apartamentos coloniais modernos de Luanda foram construídos entre 1950 e 1970. A rápida degradação sob proprietários angolanos e administração pública é replicada nas Centralidades construídas pela China: canalizações entupidas por serem usadas como depósito de lixo e usadas para escoar águas com alimentos, torneiras abertas que causam inundações e infiltrações, obras não autorizadas que destroem paredes estruturais e causam vibrações. Às vezes, o problema do Dubai se manifesta quando os chineses usam um sistema de esgotos que é funcional em seu país, mas que rapidamente se fissura e é incapaz de escoar o resultado das chuvas de Luanda.

Não significa que o Desejo da Kianda, este desejo de voltar à essência Africana de Angola, seja de todo uma má coisa, mas que desejamos viver com as benesses e comodidades da existência em uma civilização técnica de estilo ocidental, mas sem querer a praticar de modo ativo, nos limitamos a comprar chave na mão o que precisamos, e por isto cada desabamento e retorno ao passado, que não é de 1482, mas sim de 1890, é vivido de modo dolorido.

Do mesmo jeito que a aldeia cresce à volta da cacimba até ela secar, ou mesmo que seja perigoso estar tão próximo por causa dos mosquitos, sem que nunca alguém pense em construir um canal, a proximidade à cidade é explorada a todo custo, mesmo que isso comprometa a sustentabilidade dos prédios. Estruturas adicionais são construídas no terraço dos prédios: vivendas inteiras, tanques de armazenamento de água (muitas toneladas) ou antenas de comunicação.

Sendo que os prédios do tempo colonial vão brevemente desaparecer, talvez até 2040, quanto tempo vão durar as centralidades construídas pela China? Até 2060, talvez?

Tivemos a sorte de Portugal construir os primeiros e dos chineses os segundos, haverá uma terceira vez?

Luanda não nos urbanizou, nós a transformamos em uma sanzala.

O desabamento do prédio é um sintoma da alta preferência da cultura de Angola: preferimos consumir tudo que for possível no presente, sem nos preocupar com o futuro, seja na forma de poupança ou ao gastar dinheiro para preservar um bem para o futuro. Vivemos como se só existisse o presente, como se o futuro não fosse o nosso presente. Talvez isso seja representado na história de Pepetela pela ausência de um filho no casal Evangelista, pois esta é a representação material mais palpável do futuro na vida das pessoas.

Podem ler o Desejo da Kianda gratuitamente no Internet Archive, e compre um livro de Pepetela, de preferencia novo, se puder, pois assim o autor é recompensado. https://archive.org/details/odesejodekiandar0000pepe/mode/1up?view=theater…

Os Desabamentos de Prédios em Luanda, um rascunho.

Prédio construído por #Portugal desabou em #Angola

Abuso dos usuários (infiltração de água e canos entupidos) e falta de manutenção (drenagem), a expressão coletiva do curto horizonte de tempo individual

$ não faltou, repare nos carros modernos no estacionamento.

Colapso de prédio colonial é uma ocorrência comum, como o QG da Polícia Judiciária em 2008, o Ministro do Interior, então Chefe da Defesa Civil, Laborinho, disse que é responsabilidade do Colonizador e da administração colonial construir sobre um pântano

#WhiteManBurden #Angola

A maioria dos blocos de apartamentos coloniais modernos de Luanda foram construídos entre 1950 e 70, rápida degradação sob proprietários angolanos e administração pública é replicada Centralidades construídos pela #China: ralo entupido por alimentos com água, torneiras abertas

Angolanos não cuidam dos seus apartamentos, muito menos dispostos a pagar para os manter, gastam ironicamente muito dinheiro em modificações cosméticas que criam fissuras e infiltrações.

Administração local não faz manutenção do sistema de drenagem

A drenagem pública é necessária para afastar água longe da fundação, solos úmidos levam a uma carga desigual da estrutura, são entupidos e insuficientes

No Congolense, o lençol freático está a 1m de profundidade, a água deve ser bombeada antes de colocar o concreto das fundações

Incapazes, como indivíduos e como Estado, de manter blocos de apartamentos,
#Angola|nos estão a tomar empréstimos para comprar apartamentos em #Portugal sob o governo europeu que lutaram e entre os europeus contra quem executaram limpeza etnica em 1974

https://expansao.co.ao/angola/interior/classe-media-angolana-com-credito-a-habitacao-mais-facil-em-portugal-do-que-em-angola-112497.html

constroem vivendas em cima de prédios de apartamentos, há até um caso de vivenda térrea !

Geradores elétricos são armazenados e executados dentro do prédio, causando vibrações, paredes são destruídas e construídas para mudar o layout dos apartamentos

Os prédios de apartamentos de Luanda são uma espécie de favela vertical, com até dois andares construídos sobre blocos existentes construídos pelos portugueses antes de 1974

Você consegue identificar a diferença?

Já aconteceu no passado, quando um povo ocupou ruínas

Os angolanos valorizam tão pouco as suas próprias vidas, que as pessoas continuariam a viver dentro do edifício, apesar de terem sido mandadas evacuar pela polícia.

Uma mulher escapou por pouco do colapso, carregando um bebê.

Usamos a catostrofe para política , com a oposição gritando histericamente que o presidente não se importa com a vida angolana, apesar do governador fazê-lo
Um batalhão de guardas presidenciais costuma ser mobilizado para visitas

Pepetela, ,escreveu "o espírito de Kianda" há 20 anos, sobre como a falta de manutenção significaria a sua inevitável perdição e tocou-o nas suas "Cronicas mal dispostas": As arvores morrem porque os jardineiros novos não foram treinas pelos antigos

Os escombros nem sequer foram removidos, mas ativistas em série afirmam que o governador de Luanda é um mentiroso por dizer que "até agora" não há confirmação de mortos e feridos, talvez deva usar bola de cristal para ter certeza

Sinopse do "Espírito de Kianda":

Informado pelo NYT sobre a misteriosa "Síndrome de Luanda", uma misteriosa sucessão de prédios de apartamentos desaba na última década, um pastor angolano embarca em uma missão para derrotar o Espírito da Sereia do Mal por trás disso.

Um comentário social sobre a manutenção, alegoria accidental sobre o fracasso da cultura angolana em adotar elementos da vida moderna:
1 Cultura literária: capture tendências longas (o NYT precisa informá-las)
2 Inquérito lógico: culpando fantasmas
3 Horizonte de tempo curto

Estruturas adicionais são construídas no terraço do edifício: vivendas inteiras, tanques de armazenamento de água (muitas toneladas), antenas de comunicação,
Observe também os extensos danos causados ​​pela água por ralos entupidos

Do mesmo jeito que a aldeia cresce a volta da cacimba até ela secar, sem nunca alguem pensar em construir um canal, a proximidade a cidade é explorada a todo custo, mesmo que for a sustenbilidade dos predios

Luanda não nos urbanizou, nos a transformamos em uma sanzala

Sendo que os predios do tempo colonial vão brevemente dessapercer, talvés até 2040, quando tempo vão durar as centralidades construidas pela #China ? Até 2060, talvez.

Tivemos a sorte de Portugal construir os primeiros, e dos chineses os segundos, terá uma terceira vez ?

Causas segundo investigação do Laboratorio de Engenharia:
1 Conduta da EPAL causa erosão debaixo do predio(Estado)
2 Infiltração de agua(Estado)
3 Vibrações causados pelos geradores que funcionam no entre-piso (Moradores)
4 Lençol de agua Publico (Estado)

O desabamento do predio é um sintoma da alta Preferencia da cultura de #Angola: Preferimos consumir tudo que for possivel no presente, sem se preocupar com o futuro, seja na forma de poupança ou ao gastar dinheiro para preservar um bem para o futuro.

Originally tweeted by Roboredo (@Roboredo1) on March 26, 2023.