Notas sobre a entrevista de Vladimir Putin com Tucker.

A entrevista de Putin com Tucker teve 150 Milhões de visualizações nas primeiras 24 horas de sua publicação no Twitter:

A entrevista começa de modo icónico, e que esta a ser inspiração para memes e por isto ficara gravada na memoria mundial, em que Putin pede um minuto para dar contexto histórico e acaba dando uma aula sobre a historia da Rússia … ele poderia ter sido mais eficiente dizendo que a Ucrânia é um Estado artificial criado pelo Governo Ilegitimidade de de Lenine e que terras Russas, como a Crimeia, foi adicionadas a este pelo Ucraniano Kurshev, teria sido mais honesto porém os mitos são amaras que criam raízes na carne, as retirar pode ser doloroso, e muitas vezes o Putin fala em “motivos inexplicáveis” das acções de governos anterior da Rússia e da URSS porque as explicar seria outro problema. Sendo que a Rússia abraça legados contraditórios de sua historia, como no caso de soldados trajando, simultaneamente, as bandeiras da Rússia Imperial, da URSS e da Federação Russa … partilhando com Ocidente, uma obsessão pela Segunda Guerra Mundial, como se nada antes existisse.

Porém, o preâmbulo sobre historia antes de explicar seus motivos para tomar a decisão de invadir a Ucrânia parece excessivo, e quase cómico, quando não se sabe que Kiev reivindica não apenas sua independência mais o lugar de Moscovo, como representante legitimo do Povo Eslavo, colocando assim em causa a legitimidade do Estado Russo, e não apenas do Governo de Putin, sendo que estamos mais próximos de uma dinâmica similar ao conflito entre a Republica Popular da China e a Republica da China (Taiwan), ou as duas Correias, do que de um mero conflito territorial.

O video “Theft of millennia: how Moscovia rebranded itself as ‘Russia’ ” é um exemplo desta rethorica.

Diante desta realidade, é natural que Putin sinta a necessidade de apresentar uma visão da historia que defenda a legitimidade, não apenas de sua decisão, mas da existência do próprio Estado Russo… mesmo que parece um lunático da FLEC a falar Simbulabuco para justificar seu movimento separatista.

Putin finalmente chega as causas “imediatas da guerra”, do ponto de vista de equilíbrios geopolíticos embalsamados no “realismo”, longe do romantismo ocidental de um “Putin Louco” e uma “defesa da democracia ucraniana”, sendo que o Presidente Russo diz ter tomado a decisão de tomar invadir a Ucrânia por causa de primeiro, dos repetidos golpes promovidos pelo Ocidente (NATO) para instalar governos avassalados na Ucrânia, culminando na revolução de Maidan, e ascensão do Zelensky ao Poder, que apesar ser eleito com uma programa pela paz e reconciliação com a Rússia, foi abrigo a adoptar uma postura hostil por um governo militar oculto as ordens da NATO.

Documentário do Vice :

Segundo, a campanha militar do Estado Ucraniano contra Russos Étnicos, inicialmente dissidentes e depois separatistas, em uma dita “Operação Anti-terrotista (ATO)” que viu-o o bombardeio de cidades do Donbas pela aviação e artilharia de Kiev. Recomendou o livro “85 Days in Slavyansk”, escrito por uma testemunha ocular, reconta esta guerra convencional que acabou com a derrota do exercito de Kiev.

Terceiro, diante da impossibilidade de continuar a guerra contra os separatistas do Donbas, por conta da intervenção diplomática Russa e da ameaça de uma intervenção de suas forças, que foi materializada em parte com a tomada da Crimeia, os Ucranianos iniciaram um programa de mobilização com ajuda directa da NATO para retomar o Donbas pela força, recusando-se a cumprir os vários acordos de paz, assinados entretanto, até ter as forças suficientes para atacar.

Quarto, a existência de uma corrente neo-nazista na Ucrânia é inaceitável para a Rússia, hostil aos Russos da Ucrânia e da Rússia.

Em suma, Putin invadiu porque as tentativas de negociação com o governo Ucraniano foram infrutíferas e que este se preparava para levar a cabo uma guerra de agressão contra os Russos da Ucrânia e na Rússia, porém não aceita que seja uma guerra entre povos, pois na visão dele os dois povos estão tão entrelaçados que estamos diante de uma cenário de guerra Civil, em duas partes do povo Russo.

A entrevista de Vladimir Putin com Tucker Carson é histórica em vários níveis, não apenas pelo momento icónico em que Putin pede um minuto para dar contexto histórico, para explicar sua decisão de invadir a Ucrânia, e acaba dando uma aula de 30 minutos sobre a historia da Rússia. Primeiro porque consagra e oficializa a o formato digital, que livre das limitações de uma grelha de 24 horas, que eram antes técnica mas que ao longo do tempo permitiu criar uma forma de censura pelo culto da brevidade e o critério de relevância, com o jornalista tendo o poder de decidir que tópicos vão ser vistos pelo publico, e com que frequência. O facto do conteúdo estar a qualquer momento e que poder ser consumido sem interromper as actividades diárias, como acontecia com a televisão, permite uma explanação plena e sem possibilidade de manipulações pelos Jornalistas.

A entrevista de Putin com Tucker tem um precedente na entrevista que Donald Trump concedeu a Alex Jones, que foi a primeira oportunidade que ele teve de fala abertamente ao publico América,aumentando sua popularidade até conquistar a presidência.

A reacção ocidental tem sido meio que histérica,com o deputado Europeu Guy Verhofstadt e jornalistas declaram que a entrevista era “anti-democratica” porque Putin podia falar directamente com o publico ocidental e ex-primeiro-ministro Britânico Boris J. a chamar o Tucker de “traidor”.

Claro que isto é uma calunia histérica, afinal outros jornalistas já arriscaram a vida para entrevistar lideres inimigos em tempo de guerra, por exemplo Stoddard na segunda guerra mundial.

Este sensacionalismo Ocidental se manifesta até no próprio Tucker, quer pergunta diz ao que Putin que este “parece amargurado…” e este responde que “não é amargura, é apenas uma declaração de um fato. Não somos noivos.”, ou seja o Ocidente supostamente racional e pragmatista, se sente mais confortável no discurso das emoções, com heróis e vilões, do que no mundo dos factos e da racionalidade, exigindo que seus adversários ficam em silencio enquanto são caricaturados. Lembram-se quando a França foi objecto de chacota por se opor a invasão Americana da Iraque ? Taxados de Ingratos, covardes resgatados pelos corajosos Americanos na Segunda guerra Mundial, por apenas pedir provas concretas da existência das supostas armas de destruição em massa do Saddam Hussein … Emoções acima de evidencias.

A histeria é justificada, pois a entrevista quebra a imagem de Putin criada pela media ocidental, de um ditador louco que quer conquistar a Ucrânia e depois o mundo, pois Putin dá as suas razões e prova assim que há possibilidade de negociações, enquanto que o ex-primeiro ministro Britânico quer transformar isto em uma cruzada contra o mal em que não há negociações !

Outros momentos interessantes da entrevista foi o Putin a explicar ao Tucker que não importa apenas as qualidades individuais e Opiniões de um Chefe de Estado, mas também da Elite a sua volta, ou seja o Estado e Governo, que devem estar de acordo com este para que suas decisões sejam implementadas. A serie “Yes Minister & Prime Minister” é um excelente documentários sobre o tópico.

A entrevista pode ser uma tentativa, por parte de uma facção das Elites Americanas, de efectuar o pivot para Ásia, anunciado pelo Obama e executado pelo Trump, de modo a lidar com a ascensão Chinesa, e que seria possível por meio de uma paz negociada com a Russia na Europa do Leste. Sendo que o próprio Putin sugeriu, explicitamente e depois com piadas, que Tucker é um agente da CIA e por isto representante desta mesma Elite, o que não é uma ideia extravagante pois o seu pai foi director da Voz da América e o controle secreto da media pelo Estado é uma pratica normal do Ocidente.

Claro que o Putin tem uma agenda e objectivos de propaganda, com a entrevista sendo direccionado a um publico Russo, porém isto a torna mais autentica, até porque parece que Putin, contrariamente a Biden, não estava a ser auxiliado por um assessor, por meio dos auriculares, que pareciam ser apenas para tradução, pois este o teria dito para parar de se perder na aula de historia.

Este pivot estratégico para o Oriente esta no interesse Russo, pois os BRICS não é uma aliança viável que permita a Rússia enfrentar a hegemonia Americana, com interesses incoerentes e problemas internos graves, sendo que a Rússia não tem interesse em um campanha anti-Americana no estilo da Guerra Fria e quer paz na Europa sob condição que afaste o perigo Ucraniano, militar e subversivo, e finalmente porque os EUA ainda tem a iniciativa estratégica pois a Rússia foi incapaz de conseguir uma vitoria convincente na Ucrânia que posso preservar forças suficientes para conseguir uma vitoria decisiva com a NATO na Europa do Leste, o que requereria uma conquista dos países Bálticos e a destruição das forças da NATO estacionadas na Polónia, para evitar que a Bielorrussa seja uma segunda Ucrânia. Em suma, uma vitoria Americana é possível apesar de uma derrota na Ucrânia, pois o objectivo dos EUA é manter usa hegemonia global, que é realmente ameaçada pela China, sendo que a mobilização massiva Russa actual não teria sido possível sem uma resposta Chinesa em tempo de pais, sendo que Washington precisa apenas criar a oportunidade para um conflito entre os dois colossos da Ásia, com a Rússia tendo muito mais a ganhar recuperando Porto-Arthur do que Vilnius, para depois colher os frutos, como aconteceu na segunda guerra mundial.

Escrevi sobre o assunto no texto abaixo:

Angola esta posicionada para colher os benefícios de uma vitoria Americana sem ter de tomar uma postura agressiva contra a Rússia, e recusando de aderir a moda dos BRICS, isto é vantajoso porque um futuro governo da China que seja pro-ocidental, se Taiwan tomar o controle do resto da China depois de uma vitoria dos EUA, poderia por exemplo perdoar parte da divida Angolana. Angola é o único pais de grandes dimensões com um Estado funcional na África Austral e Central, especialmente com a implosão da África do Sul, que descrevi no texto abaixo:

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